quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Sobra Pose e Falta Talento"

Por quanto tempo essas moscas ficarão nesse movimento sazonal, dominando ou sendo dominadas, mas sempre presentes? Por quanto tempo terei de fingir que não vejo, relevar, espantá-las? Não nasci para ser uma espanta-moscas... Na verdade não nasci para nada disso do que sou agora e não vejo de que forma posso ter um desfecho satisfatório. Como seguir em frente? Há tempo demais me esforço para não depender de ninguém e por muito tempo estive sempre fora de casa. A casa era um problema. Eu queria uma casa. Consegui. Queria companhia. Tive. Agora, a casa estranhamente passou a ser uma prisão. A companhia está entediada. Há mais tempo que a maioria das pessoas, luto para fazer algo de realmente bom, ser útil e isso prova que não sou capaz? O tempo sempre me pareceu muito curto, pois o que esperava conseguir era talvez grande demais para mim. Tive tanto medo da dor que agora ela se tornou o meu destino. Eu sou dor. E gostaria muito de poder dizer que no fim serenamente darei o primeiro passo no caminho da eternidade e blá blá blá, mas nada do que sou ficará, não serei história, não deixarei nada, tudo irá comigo. Além disso, me falta coragem e o destino da dor é doer. Infinitamente.

sábado, 5 de novembro de 2011

Um Sentido

As ruas alaranjadas pelas lâmpadas de mercúrio... Mal se vê as estrelas. Árvores contra o céu escuro... O vento frio. A tristeza no fim do dia... Os fones de ouvido. A solidão consentida... Os passos de volta para casa. Cabeças baixas, pensamentos longe. Alguém senta na janela e parte... Alguém passa sem pressa segurando sua bolsa... Alguém acende um cigarro e olha as horas... Alguém enche um copo de cerveja no bar... Alguém conta uma história. Outros riem... Alguém combina os planos para a noite. A festa, o jantar, o banho, o descanso, a bolha... Todos se movendo no fim do dia, sem rumo... Ansiando pelo nascer do sol, o dia seguinte, a segunda chance. Sonhando que estão sós... Esperando pelo ônibus e por um sentido que nunca dobra a esquina.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Fim das Coisas

Há um profundo silêncio no fim de todas as sinceras conclusões. Nada mais a ser dito, circularmente perfeitas, eternas... Nenhuma dúvida, nenhuma pergunta, nenhum comentário. Todo o objetivo da linguagem expresso num momento infinito, no fim de todas as coisas, no silêncio, para onde a verdade impulsiona. E vice-versa. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cores Para Dias Em Branco

Tirando a parte da agonia que me causa aquela quantidade enorme de livros e a depressão na hora de ir embora de mãos vazias, a Livraria da Travessa é um dos passeios que mais trazem leveza ao meu dia. E, diga-se de passagem, não poderiam arranjar combinação mais perfeita do que agregarem o restaurante Fiammetta bem no espaço interno da filial próxima aqui de casa. No meu aniversário jantei por lá e ontem retornei outra vez. Acabei encontrando, entre vários livros desejados e necessários, blocos e caderninhos de papéis artesanais coloridos de uma empresa chamada Thé Des Ecrivains. Tão bonitos! Comprei alguns e vi que também haviam latas, da mesma empresa, embalando composições de chás diversos. Esse pessoal me entende... Não comprei os chás, ainda, mas, hoje senti vontade de começar o projeto de 365 desenhos, num caderninho que eu mesma montei com um papel artesanal feito por um colega da faculdade que trabalha no Arquivo Nacional. E isso me fez pensar que às vezes até entendo o quanto eu  posso não ser uma pessoa assim tão fácil para as outras. Tenho maneiras e perspectivas estranhas para a maioria. Mas então chove, vou até à livraria, como batatas-fritas, tomo um sorvete de menta e compro papéis coloridos para desenhar, e essas coisas tão simples conseguem me trazer suficiente alegria e motivação...  Pensando bem, talvez não seja eu a difícil aqui...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Algemas Reluzentes

É assustador o que a vontade de parecer especial pode fazer com a sua liberdade.

sábado, 22 de outubro de 2011

30 and Dirty

"Ah, ela tá desenhando porque você deu aquele lápis e aquele papel pra ela brincar."
"Ela desenha o dia inteiro porque pediu aqueles gizes pastéis de Natal."
"Ela desenha porque está de castigo e não pode sair."
"Ganhou um monte de brinquedos, foi desenhar com as canetinhas."
"Claro que ela desenha! É melhor que estudar matemática."
"Tá lá desenhando em vez de sair um pouco."
"O desenho da orelha não é assim, não."
"Só desenha vampiros e coisas feias..."
"Vamos ver o que tem de errado nesse desenho."
"Ah, achei um defeito nesse desenho!"
"Só faz desenhos parecidos com ela."
"Esse desenho de nariz tá todo torto."
"Desenho não vai te dar futuro."
"Tá, eu sei que você gosta de desenhar, mas tô falando de profissão."
"Você não acha que desenhos vão pagar suas contas, né?"
"'Desenho é a coisa que mais faz na vida.' Não tem vergonha de dizer isso, não?"
"Falou que ia estudar Direito, mas resolveu fazer Desenho Industrial. Pelo menos escapamos de Pintura ou Música!"
"Desenho, desenho, desenho! Não faz outra coisa?"
"Ah, ela sabe desenhar porque fez faculdade."
"Claro que ela sabe desenhar, agora que fez o curso de quadrinhos..."
"Desenhar com foto do lado, até eu!"
"Já viu o material dela? Por isso o desenho fica bom."
"Qualquer desenho nesse papel fica bom."
"Ah tá... Você estudou desenho na EBA..."
"Desenhando com o computador... Aí é mole, tem CRTL+Z."
"Desenha porque não quer trabalhar."
"Faz desenhos para livros? Que legal! E trabalha em que?
"Desenho? Mas isso dá dinheiro?"
"Alguém tem que trabalhar enquanto você só fica desenhando, né?"
"Escolheu desenhar, agora tem que ser a melhor desenhista que existe."

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O De Sempre

Penso que uma opinião é tão boa e útil quanto qualquer outra. Há coisas que simplesmente não se discute, não faz o menor sentido. No fim das contas, debates inúteis não interferem no sucesso seja do que for, nem na opinião de ninguém, só servem mesmo para mostrar as verdades que todos conhecemos: sobra pose e falta talento, falar é mais fácil do que fazer, complexo de inferioridade é uma merda, apego é doença, ninguém chuta cachorro morto, a verdade é a maior sociedade anônima do mundo e, por mim, teria show do Guns toda sexta-feira.

Dia 2 no Rock In Rio 2011

O domingo anterior havia sido felicidade pura, mas, embora neste último eu estivesse bem menos empolgada para voltar à Cidade do Rock, ainda assim, esperava me divertir. De fato, aproveitamos muito mais as outras atrações do festival, conhecemos músicos brasileiros de blues maravilhosos, vimos apresentações de sapateado, dançarinos de rua, artistas de circo e mágicos. Comemos com calma, andamos com muito menos pessoas em volta, quase nenhuma fila. E quando deu a hora do primeiro show conseguimos ficar bem mais perto do palco!  O Evanescence subiu no horário e tocou, a maior parte do tempo, músicas do CD que nem saiu ainda aqui... Músicas bonitas e tudo, só que desconhecidas, e os músicos, embora talentosos, não pareciam muito empolgados... Achei que ficaram devendo. Um monte de gente mais nova tinha ido lá só para vê-los, não deviam aparecer apenas para cumprir agenda e divulgar CD novo... O System of a Down foi sensacional! Vieram ao Rock In Rio devido à quantidade de pedidos que o evento recebeu dos fãs e de fato, a maioria estava lá para vê-los, foi uma animação só. Todo mundo rindo, pulando, cantando junto... Depois começou a chover, justo na hora em que o Guns N Roses começaria a tocar, e todos sabem que eles nunca entram no horário certo. Esperamos um pouco, a chuva apertou e conforme alguns iam embora, nós conseguíamos ficar ainda mais perto do palco! Então, o show começou e foram algumas das horas mais legais que passei no festival. A banda honrou a massa de fãs que fez deles a banda mais pedida do Rock In Rio IV. O som estava tão bom que parecia gravação. E tocaram a maior parte das melhores músicas antigas. Eu mesma queria que tivessem tocado mais algumas do último CD, adoro as coisas novas, mas mesmo assim foi um set list impecável e tenho certeza de que quem estava lá adorou. No fim teve a clássica queima de fogos ao som da música tema do festival. Foi bonito. A noite valeu cada centavo do ingresso e minuto de espera. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dia 25 no Rock In Rio 2011

Esses festivais são sempre longos e há muito mais para se aproveitar do que simplesmente os shows das bandas que você gosta. Se não for nesse clima tudo será apenas cansativo e talvez até frustrante. As coisas nunca saem como se espera e os atrasos são a única certeza. A diversão maior mesmo fica por conta da espera, da companhia, da bagunça, do evento em si. Motorhead, Slipknot, Sepultura e Metallica fizeram shows absurdos aqui do lado de casa! E isso é impagável. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Feira Art Rio

O Rio é quase nulo em divulgação de produção artística relevante. Só ganha espaço mesmo o que não presta. Mas, ainda assim, volta e meia, acabo descobrindo trabalhos bem legais e tenho certeza que muita gente boa anda por aí escondida. Há dois domingos atrás, porém, recebemos galerias de todo o mundo, expondo obras de centenas de artistas nacionais e importados. Legal isso. Importante para nós daqui. Foram mais de 700 obras expostas, entre pinturas, esculturas, vídeos e instalações, e estava bem cheio. Só fico me perguntando como deve ser para o artista ter um trabalho ali assim, no meio de tantos outros, tão diversos... No fim das contas uma exposição assim acaba sendo como qualquer outra coisa na vida: tanto apelo sedutor, tantos caminhos e opções, que ser seletivo se torna inevitável, questão de sobrevivência, e nos interessamos mais por aquilo com o que a gente se identifica. Não tem jeito. Puro narcisismo. Era o último dia do evento, mas até que deu tempo de ver tudo, minha câmera ficou sem bateria só no finalzinho. Fui de ônibus, chuviscou um pouco e ainda passamos naquele café que tem aqui perto, na volta. Foi um bom fim de tarde.

sábado, 10 de setembro de 2011

Anne Rice na Bienal das Filas

Feriado, Bienal, gente demais, céu nublado, falta de opões mais baratas e criativas: foram todos para o mesmo lugar. É incrível como uma cidade nunca tenha aprendido a organizar um evento que acontece de dois em dois anos, para apenas a sua população local.  E essa mesma cidade irá sediar Copa e Olimpíadas! Mas, o mais curioso nem é isso. Como um dos países que menos lê no mundo consegue socar tanta gente dentro de uma feira de livros? Mal se pode abrir os braços, mas lá estão os carrinhos de bebês, os velhinhos, os amáveis pais que carregam toda a prole para caminhar lado a lado em procissão, os grupinhos que resolvem parar para conversar no meio do caminho, ou em frente a qualquer porta, passagem e saída... A coisa é ainda mais insana se se considerar que na Bienal, fora as palestras e eventos organizados para uma meia dúzia elitista, não há promoções, nem raridades, os livros não são mais baratos que nas livrarias, tem que pagar para entrar, o estacionamento é caro, e qualquer coisa se encontra na Internet, pela metade do preço. Ninguém compra nada. Então, o que tem para se fazer num lugar desses?

Bom, acontece que justamente neste dia, a autora dos livros que embasaram os meus interesses e referências durante toda a adolescência, estaria lá, autografando. E o pior ainda estava por vir, logo descobrimos, que o stand da editora Rocco havia distribuído, pela manhã, todas as 200 senhas (?!) para a fila de autógrafos. Duzentas senhas?! Para os autógrafos de uma escritora internacional de bestsellers?! O que dão para esses organizadores de evento comer no café da manhã?!

Cansaço, estresse, irritação e essa agora! Depois de uma espera de dezesseis anos, todos os livros lidos... Eu merecia algo mais do que isso. Enfim, entrei na fila assim mesmo. E logo lá estava ela bem na minha frente... Tão bonita, tão delicada, elegante, simpática... Queria ter dito mais do que simplesmente agradecido pelos livros e por sua vinda. Queria ter contado o quanto aprendi sobre arte, literatura, música, beleza e vida, o quanto descobri e cresci a partir de suas histórias. Mas, então, tudo se acabou como um sonho bom, eternizado em minutinhos preciosos. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Planos

Ontem esbocei um projeto de assalto à Livraria da Travessa, no Barra Shopping. Seria tudo muito simples. Nada de extravagâncias... Primeiro eu arranjaria algumas réplicas de armas de plástico bem realistas, depois contrataria uns quatro ou cinco comparsas, que até poderiam ficar com todo o dinheiro da venda dos livros repetidos, não me importaria nem um pouco. Antes de seguir com o plano, também passaríamos no quiosque de máscaras. Eu ficaria com aquela do Lobo Mau que ninguém nunca compra, já deve estar bem barata. Alguns de nós entraríamos na livraria alguns minutos antes do enceramento das atividades (o que não é muito difícil, já que todas as vezes que entro numa livraria a voz no microfone informa que em cinco minutos estarão encerrando as atividades) e esperaríamos até que começassem a baixar as portas para que ninguém mais entrasse. Dois companheiros cuidariam dos seguranças, prenderiam os atendentes numa salinha que tem no segundo andar e então o resto de nós entraria, disfarçado de faxineiro com nossas latonas de lixo e desceríamos a parede dos fundos do segundo andar inteira. Sem dó. Não se pode deixar o coração dominar nessas situações. Racionalidade. Um caminhão já estaria nos esperando lá fora com os livros. Moleza... Numa outra oportunidade, a ação seria ainda mais simplesinha, desceria só uma pequena parte da parede lateral direita, mais um ou dois livros do cantinho esquerdo dos fundos do primeiro andar, os livros de arte da ilha ao lado dos Moleskines, pegaria alguns cardeninhos daqueles também e os livros do Eisner e do Alan Moore na ilha de quadrinhos... E só. Nada de muito trabalhoso. O que não sei muito bem ainda é como faria para ler tudo, mas isso eu poderia resolver depois... Pensar com mais calma...

sábado, 3 de setembro de 2011

Plutão no Ascendente

Eu estava, esses dias, com uma idéia pronta, só esperando por um tempinho para vir aqui e escrever, mas aconteceu de novo. Não anotei, esqueci. Era alguma coisa engraçada ou espirituosa. Agora, tudo o que tenho para dizer é sobre tristeza, rejeição, decepção... Então fica pra próxima. Inferno astral nem começou e já estou assim, com a vida em baixa outra vez. Seria muito bom se todas as coisas ruins realmente tivessem uma data marcada para acabar. Chegou o dia do aniversário, pronto, fim. No entanto, minha vida parece ser a própria definição de crise.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Operação Cavalo de Tróia Pessoal

Se eu pudesse voltar minha vida, mas mantendo tudo o que aprendi até hoje, acho que recomeçaria do meu primeiro dia de aula de piano. Passaria o máximo de tempo possível desenhando e estudando música. Leria um livro por semana. Evitaria um monte de pessoas e procuraria rapidamente outras tantas. Trataria um pouco melhor alguns e não criaria tanta expectativa sobre outros. Cortaria vários problemas pela raiz. Pediria um computador com Internet de presente o quanto antes. E um violino. Teria mais compaixão pelos meus pais e tentaria bolsas em escolas melhores. Pediria à minha avó que me matriculasse em aulas de sapateado. Procuraria logo um curso de meditação. Teria cursado pintura na Escola de Belas Artes. Faria o que fosse possível para manter o jardim dos meus bisavós. Iria mais à praia, aos museus, aos teatros e às galerias de arte. Perderia menos tempo. Comeria mais geléias de cajá da minha bisavó e não deixaria passar um minuto a mais para aprender alemão com ela. Começaria a planejar meu livro ilustrado ainda bem cedo. E um álbum musical. Escreveria todos os dias. Sonharia menos, faria mais. Seria menos exigente com meus companheiros de banda e me apresentaria como vocalista logo de uma vez. Nunca pararia com os meus poemas. Fotografaria tudo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Nem Tão Delicado Assim

Sempre que ouço Delicate sinto tanta coisa junta que dá uma vontade enorme de chorar. Não é só às vezes... É sempre mesmo. Anteontem eu precisei sair correndo para a Uerj e respondi rapidamente uma pergunta que Jack havia feito pelo talk do Facebook e logo desliguei tudo, sem ler a tréplica da despedida de todos os dias. Mas, então eu estava no meu caminho para o ponto de ônibus, no meio da Aldeia, que é um condomínio cheio de casas bonitas, gatos, jardins, árvores, que tem um riacho e muita luz, estava tocando Delicate no Ipod, o coração cheio de tanta beleza, e o celular interrompeu. Mas não foi uma interrupção. Era o Jack respondendo à despedida que deixei sem resposta no computador... 

Triste é que dois dias depois ele liga à noite dizendo que está no clube de poker. A coisa toda perde bastante do encanto quando começa a parecer que a atitude nada mais era senão uma forma de apaziguar a situação futura, para mim desconhecida, que ele já sabia que aconteceria.

Coisas assim acontecem o tempo todo na minha vida... Dos pequenos eventos aos grandes e decisivos... Quando penso que saiu tudo bem, foi apenas porque me precipitei e não continuei observando.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

As Aventuras de Tom Sawyer

Poucas vezes fiquei tão satisfeita com o final de um livro quanto no caso de As Aventuras de Tom Sawyer. Foi escrito para as crianças, mas Mark Twain esperava que isso não impedisse a leitura dos adultos. Tudo se passa às margens do Mississípi, na pequena aldeia de São Petersburgo, ao pé do monte Cardiff, e trata de um dos temas mais recorrentes nas minhas reflexões: a liberdade, o que me torna ainda mais suspeita para comentar a história de Tom. E ao longo dos séculos o personagem foi referido e homenageado de tantas formas... É citado em Minority Report - A Nova Lei, em Sandman, é personagem em A Liga Extraordinária, Lost tem também um personagem apelidado com seu nome, é tema da mais famosa música do Rush e de tantos outros filmes, livros e músicas pelo mundo. Recomendo a todos que leiam este livro. E gostaria de transcrever, em especial, o último capítulo na íntegra aqui, além de muitas outras passagens geniais também, todas dignas de nota, mas deixarei só um parágrafo mesmo.

"- Não me fale isso Tom! Já experimentei, mas não pode ser. Não é para mim. Não estou habituado. A viúva é boa, é minha amiga, mas não posso suportar as suas maneiras. Faz-me levantar todos os dias à mesma hora; e me lava e me penteia até não poder mais; não me deixa dormir na banheira; tenho que usar aquelas malditas roupas que me sufocam, porque parece que não deixam o ar passar através delas; são tão bonitas que não posso me sentar, nem deitar, nem me esfregar no chão quando estou com elas. Tenho a impressão de que há já um ano que não me sento na soleira de uma pedra; tenho de ir à igreja e suar e suar, porque detesto aqueles sermões amaneirados. Quando estou lá não posso apanhar uma mosca nem mascar fumo. Tenho de andar de sapatos durante todo o dia de domingo. A viúva come ao toque de uma campaínha, vai para cama ao toque de uma campaínha, levanta-se ao toque de uma campaínha. Enfim, tudo lá em casa é tão certo que uma pessoa não pode suportar tal vida."

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aaaaah! Agora sim!

Hoje cedo estava com o meu exemplar 28 da Mundo dos Super Heróis nas mãos, apenas olhando a capa. De vez em quando essa revista aparece com capas muito feias e um constrangedor making of dentro. Mas, não é o caso desta aqui. Em ocasião da estréia do filme do Capitão América nos cinemas, aproveitaram para escrever uma matéria bem completa sobre o assunto, portanto o poster de divulgação estampa a capa deste mês. Só que eu não gosto do Capitão América, assim como da maioria dos heróis de uniforme, especialmente os da Marvel. Acho que já passou o tempo em que eles faziam sentido e também acho que o Stan Lee deve ter puxado muita erva esquisita para dentro quando criou coisas como Homem Aranha, Quarteto Fatástico e afins. E não fosse pelos X-Men, sua conta bancária e isso aqui, não haveria qualquer traço de admiração, de minha parte, por esta figura. Mas voltando ao Capitão América:

- Cara, não dá. Capitão América é muito ridículo. Além de ser o Tocha Humana, olha isso: todo mundo com roupa verde de exército, armas convencionais e o cara lá de vermelho e azul, esse escudo boçal, esse cabelinho lambido pro lado e uma estrela no peito... Ah, troço de retardado!
- Foda!
- Foda nada... É bem idiota!
- Pô, não é, não... É tipo "anão vestido de palhaço mata 8." Foda!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pausa Dramática

Silêncio ao levantar, silêncio ao deitar... O silêncio acompanha o chá da manhã e dá espaço aos sons do dia, testemunha meus gatos dormirem, a poeira baixar sobre os móveis, o luar atravessar a janela e traz o aroma da noite. O silêncio toma forma durante minha ausência ou o meu desprezo e requer disciplina para que surja em minha presença. Do silêncio eu vim, a ele venci tantas vezes, mas qualquer hora seremos um outra vez. É o silêncio a menor parte da matéria. Este mesmo silêncio que agora se impõe a mim, perante quem resta apenas me render, obriga a calar até mesmo meus pensamentos, e espera ansioso o momento em que minha voz será ouvida mais alto. Através do silêncio mostro admiração, através do silêncio critico e é em silêncio que respondo ao que não pode ser respondido.Veículo da indiferença ou do mais profundo zêlo, foi a sua mordaça que me calou, é ele que vem agora me entristecer.

Todos Iguais Perante A Lei

Beethoven já estava surdo, quando resolveu pedir desculpas ao mundo por ser tão ranzinza, em sua Nona Sinfonia e planejava uma Décima antes de sua morte, mas não rolou. Jason Becker já não estava em condições de sair em turnê após completar as gravações do álbum A Little Ain't Enough, aos vinte anos; Stephen Hawking precisou lidar com o início de sua paralisia pouco depois de concluir seu doutorado; Marla Runyan já estava cega desde a infância quando ganhou sua primeira medalha de ouro; a motivação intensa para a pintura e a depressão entraram juntas na vida de Van Gogh; a esquizofrenia e o prêmio nobel de economia em 1994 são dois fatos na vida de John Nash; o silêncio se instaurou de forma nada amigável à vida de Carolina Pontes há uma semana, justo quando ela resolveu deixar um pouquinho o teclado de lado para começar a se dedicar apenas à voz. E eu pensando que o paragrafo da Lei de Murphy referente à esta questão era dedicado apenas aos gênios...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Feliz Dia

Tem apenas quatro coisas que nunca falo sobre mim. E talvez elas definam muito a minha forma de agir. Mas, deixa pra lá. Esses detalhes, se conto, é só por acidente, se eu estiver caindo de bêbada, pois acho que ninguém realmente precisa saber. São pesos desnecessários. Mas o resto, nem me esforço para esconder. Bom, eu não gosto de gente de muita gente junta, nem de sentir calor e sinto frio à toa. Tenho pânico de frio. É uma sensação que não consigo explicar. Fico com muito medo de nunca mais parar de sentir frio, mesmo que eu fique exposta apenas por alguns segundos. Meu banho é quente, a menos que faça muito calor. E de calor, gosto menos do que do frio. Aprecio uma variedade enorme de estilos de música, piano, guitarra, clarinete, canto... Adoro ir a shows, embora seja sempre um sofrimento porque tem muita gente. Acho que assovio, cantoria ou música dentro do ônibus, no vizinho de baixo e rodinhas de violão, já mostram bem o quanto alguém é chato. Não gosto de dormir por último e faço uma apresentação de salto ornamental na hora de deitar na cama. Jack, dá notas para os meus saltos às vezes. Durmo em qualquer lugar quando sinto sono, mas tenho muita insônia às vezes... Meu horário normal de funcionamento é de 11h às 5h da manhã. O que acho ruim só porque perco uma parte muito bonita do dia. Medito, faço minhas práticas espirituais, mas passo períodos longos sem que consiga estabelecer uma rotina. Mas quando cantarei no dia seguinte procuro dormir mais cedo, além de não tomar chá preto ou mate, nem comer chocolate, gelo ou chupar balas. Como muita maçã. Bebo muita água, o dia inteiro. Gosto de mastigar coisas. Quando era criança, minha mãe colocava pimenta nos meus lápis, então parei de mastigá-los. Mas ainda gosto de chicletes e de gelo. Meu sabor de chiclete preferido é hortelã. Gosto de tudo de hortelã! Eu tinha esperança de que alguma das jujubas verdes do saco seria de hortelã, tipo pastilha Valda. Menta é bom para a garganta, mas não para cantar. Infelizmente tudo que gosto, faz mal se eu quiser cantar. Chocolate, mate, gelo, hortelã... ao menos limão, que eu ponho em tudo, escapa. E eu gosto tanto de conversar... Tanto que até hoje sou sempre a última a acabar de comer, não importa onde. Não como nenhum bicho sem necessidade, nem comida feia ou desarrumada. Não gosto de pimentões, aspargos, coentro, café, cigarros, cerveja, cachaça, doces de abacaxi, nem de nada muito doce. Especialmente perfume. Nunca experimentei drogas ilícitas e acho essa uma questão bem complexa. Não concordarei com sistema de cotas nas universidades enquanto não se falar em melhorar a situação da escola pública. Aliás, é ridículo ser avaliado através de provas e diplomas. Tenho preguiça de muitas coisas, especialmente de comer. Tenho preguiça das pessoas também. E de mesmice... Não gosto de telefones, nem de conversas por computador e faz mais de dez anos que não recebo uma carta sequer pelo correio. Não gosto de conversar com gente que só tem um assunto, de avareza, de rodízios de sei lá o que, nem de "muito de uma coisa só". Gosto de trabalhos manuais, colagem, pintura, desenho, tintas, pincéis, papelarias, jogos, futebol, basquete, patins, skate e surf. Gosto de jardinagem e decoração. Passei seis anos estudando Design, oras! Queria muito aprender Sapateado e Arqueirismo. Aprendi Astrologia para criar personagens para as histórias que escrevo, com qualidades e defeitos em equilíbrio. Gosto de escrever, tenho um monte de histórias e eu seria muito mais satisfeita com a minha vida se conseguisse terminar meu próprio livro ilustrado e ao menos uma história em quadrinhos. Adoro ganhar livros! Mesmo que sejam em branco. Tenho uma lista deles para ler ou ter e fico muito feliz em riscar mais um. Tenho o costume de pensar e refletir profundamente sobre tudo, fazer análises e isso nem sempre me ajuda. Penso muito e acho que minha educação fez com que eu supervalorizasse demais o pensamento. Devia pensar menos e sentir ou agir um pouco mais, pelo bem da minha arte e do meu espírito. Me interesso muito por todas as religiões e por quase todas as artes. Inclusive pela Arte. Sou fã de muitos filósofos, tenho incontáveis artistas favoritos e espiritualistas também. Acho que não sei fazer nada direito. Tenho problemas para terminar coisas. E sinto muitos medos que se eu falar sobre eles parecem bestas, mas quando vou dormir parecem problemas sem solução. Não gosto de chororô, melodrama, carência de atenção e de reconhecimento e de frescuras. Você nasceu sozinho, conviva com isso. Só não esquece que você não vive sozinho, que partilhar faz bem e que o espaço público não é só seu. As pessoas não darão atenção se você for um chato, sem graça, que não tem nada de bom para mostrar. E todos temos histórias tristes para contar. É o cúmulo alguém se sentir especial por causa das suas. Odeio reclamações de barriga cheia. Quer chorar? Te ajudo em três minutos e nem precisarei gastar minha faixa preta com você. Gente louca me persegue e me enlouquece. Já tenho meus medos e paranoias, não preciso de ajuda pra isso. Adoro pessoas idosas, animais e crianças interessantes e parece que eles gostam de mim também. Não entra na minha cabeça o desejo de ter uma vida cada vez mais longa, com essa regra de felicidade que as pessoas alimentam de ter que se formar na faculdade, arranjar um emprego, casar e constituir família. Também não entendo o "sonho de ter um filho". Vai lá, tenha um filho com essa sua mentalidade egocêntrica! Aproveita e dê o seu nome a ele, é a cereja do bolo. Gente e carro são duas coisas que o mundo não precisa fabricar mais, pelo próprio bem da humanidade. Mas, assim ela caminha. Valorizo autenticidade, por isso reconheço fácil quando mentem para mim, quando só querem fazer tipo, quando as pessoas são em tudo falsas e ainda não aprendi a lidar muito bem com nenhuma delas. Se fiz algo errado só preciso ter consciência disso. Agradeço se puder me alertar, sem estupidez, sem rodeios ou julgamentos. Tenho ódio mortal de indiretas e alfinetadas quando existe a opção do diálogo cordial. Covardia é péssimo. Também sou capaz de matar um quando agem no sentido de me criar expectativas e depois frustrá-las. Admiro quem se assume e não tem medo de se responsabilizar. Acho lindo pessoas que esquecem completamente que já me deram alguma coisa, ou fizeram algo por mim. Basta uma cobrança sem sentido para me afastar da sua vida. Amo minha liberdade. E se marcou comigo e não foi, sem um bom motivo, foi a última vez que marquei algo com você. Mongolice e bobeirinha não passam muito bem pelos meus ouvidos, nem arrogância. Mas, eu adoro rir! Adoro quando as pessoas são inteligentes e engraçadas. Se eu falo e você não me ouve, logo pararei de falar com você. Olhou o tempo todo pro relógio, já vou logo achando que há egoísmo em excesso. E egoísmo me afasta da sua vida. Ter que tomar decisões me deixa nervosa. Pressão me obriga a fazer de qualquer jeito coisas que não quero e isso pode ser um desastre. Descaso faz doer o meu estômago. Malandragem faz o seu estômago doer. Antipatia, grosseria gratuita e bipolaride também não vão bem comigo. Só três motivos juntos me empurram para uma discussão: ter certeza do que penso, a importância de se esclarecer algum ponto, e o fato de que isso mudará muito o rumo das coisas. Odeio perguntas retóricas. Odeio perguntas idiotas. Odeio falta de foco e de sinceridade. Quase todas as pessoas que eu conheço já me torraram a paciência em algum momento. A maioria delas, por um bom tempo até. Portanto, não, não sou eu que sou muito impaciente. Inclusive sou bastante flexível, gosto de consensos, de equilíbrio! Só não tenho uma maneira suave de reagir à atitudes em que bastava um pouco de cuidado para serem evitadas. Nem à falta de comunicação ou cuidado. E se fui chata com você, pense bem, talvez tenha havido um bom motivo. Quando erro e sei disso mudo de atitude rapidamente. Mas, não sei lidar com resistência, justificativas, falta de autoanálise, vontade de estar certo acima de vontade de se resolver os problema. Para mim, não existe o orgulho separar pessoas que se gostam. Sou carinhosa, amiga, mas preciso de espaço, de tempo e de contato. Intimidade me faz desconfiar um pouco menos e faz maravilhas. Desconheço alguém que tenha se arrependido. Não sou ciumenta, acredito em poliamor, amo um monte de gente, não acho que uma pessoa substitua outra, não acho que sejam todas iguais e não compreendo os limites para se expressar isso por alguém. Acho garotice um relacionamento acabar por qualquer razão que não seja a transformação do que se sente. Se você quer ficar, para mim é suficiente, nem precisa aparecer todo dia. Mas, também não suma ou eu acharei que fui abandonada e aí tudo fica mais difícil. Sou insuportável quando estou insegura de alguma coisa. Mas, resolver isso é simples: não me deixe sozinha com a minha imaginação. Não reconheço limites sexuais. Para mim só não é possível suportar dor ou porcaria. De resto... Amo gente cheirosa, que capricha na aparência e que goste de conversar. Não entendo pessoas acharem que possuem as outras e se fecharem em relacionamentos sufocantes. Por que sexo tem que ser necessariamente entre duas pessoas apenas? E de gêneros diferentes? Por que família são só as pessoas com quem compartilhamos laços sanguíneos? Por que não pode haver amizade sincera entre homens e mulheres? Por que sexo deveria atrapalhar a amizade? Por que crianças devem ter apenas um "pai" e uma "mãe"? Não sou política e acho que ser político é a coisa mais feia que pode acontecer com alguém. Então não mentirei, nem medirei as palavras quando não houver algum interesse em jogo. Procurarei ser sempre eu mesma e agirei com a maior espontaneidade possível. Se isso te ferir, esse é um problema só seu. Se isso cria inimigos, não estou preocupada com isso. Não quero viver cercada de amigos superficiais, ser popular, ter a aprovação do mundo todo, já disse que amo minha liberdade. Odeio que me digam o que fazer quando não estou precisando de instruções. Considero inimigo qualquer um que me queira obrigar a um sistema de regras e crenças. Datas aleatórias, frases feitas, senso comum, moda, status e compromissos sem sentido são solenemente ignorados. Tenho aversão à instituições. E enquanto todos estiverem competindo não é possível construir algo que valha a pena. Não acredito em coisas permanentes, em tolerância, em sociedades, em moral, em prisões, em caráter, em família, em casamento, em escola, em governo, em Estado, em política, em religião, em jornalismo, em marketing, em indústria, em bancos, em gente que fala sem conhecimento, nem em amizade nessas condições. 

Portanto, se você é meu amigo, parabéns.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Introspecção

Não há problema que não possa ser solucionado pela paciência.
Não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte.
Não há problema capaz de durar para sempre.
Não há problema tão grande assim.
Não há problema insolúvel.
Não há problema sério.
Não há problema.
Não há.
Não.

Raízes do Perfeccionismo

Na casa da minha avó não se entra com sapatos, nem se deixa qualquer coisa fora do lugar. E ela estava sempre limpando alguma coisa. Nem mesmo podíamos molhar demais as pedras em volta da piscina. É uma casa com cortinas rendadas, janelas de madeira em arco, parede cor de rosa, protegida por muros e cercada por canteiros de flores diversas. Tem até um coqueiro, uma árvore de louros e uma de Bico de Papagaio, com flores tão vermelhas que parecem que estão em RGB! Logo depois da piscina tem uma escada de pedra em pirâmide, dessas que se sobe pelos lados e não assim em frente, direto para a porta, onde fica a sala. Mas nunca entramos por ali. É mais comum passar por debaixo da varanda à esquerda, uma passagem para carros, em ladeira, e subir pelas escadas da cozinha, que fica do outro lado, nos fundos.

Neste espaço há um abacateiro gigante, e tem um quintal enorme, mas todo coberto de cimento. Era bom para andar de patins e vir descendo lá do portão, de bicicleta, no caminho de pedras para carros, paralelo ao muro de pinheiros. Minha avó sempre nos esperava na porta para dar alguma coisa de comer. Gostava quando ela dava laranja lima. Porque só ela descascava e cortava uma tampinha, não saía cortando assim no meio. Nem do jeito da minha bisavó, com aquele corte estrelado, sem descascar, que queimava minha boca. Esse era o jeito de comer laranjas dos adultos. E, para mim o pior que poderia acontecer na vida de alguém era se tornar adulto.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Hora das Frutas

Depois do chá eu ia até o salão vermelho rodeado de janelas com arcos alemães e jardineiras de gerânios, que se abriam para o sul e para o oeste, onde ficava o meu piano. Subia numa daquelas cadeiras de ferros retorcidos, art nouveau, para ver se a janela do quarto do meu primo Rafael, na casa dos fundos, estava aberta. Quando estava, tudo bem, era só ir até lá, chamar por ele e pronto, começávamos a decidir se construiríamos casinhas de madeira para onde fugíamos de casa à noite com sacos de biscoito, se caçaríamos tesouro pelo quintal, se faríamos pista de corrida de chapinhas, ou as experiências do meu livro de Ciências, se criaríamos a Nova Terra com as plantas, pedras e a água das torneiras do quintal, ou se faríamos coisas mais simples como brincar de pique esconde, jogar bolinha de gude, pegar frutas para a vovó fazer geléia, ajudá-la a polir a prataria, tomar banho de piscina, fazer e soltar pipas, essas coisas. Mas, se o Rafa ainda estivesse dormindo, eu teria de esperar com os meus desenhos, minhas músicas, meus livros ou meus poemas. A espera poderia durar até meia hora... Uma eternidade.

Às nove era a hora de comer maçãs, tangerinas, pêssegos, abacate, bananas, laranjas, uvas, caquis, frutas do conde, gelatinas, iogurte. Geralmente era a minha avó que chamava para isso, a casa dela também ficava ao fundo, logo depois do caminho de pedras entre as árvores do jardim, do lado esquerdo da casa do irmão dela, onde morava o Rafa. Ela sempre começava a me berrar no mesmo horário. Eu passava por aquele caminho aos saltos e gostava de arrancar uma folhinha roxa de uma arvorezinha que liberava um visgo branco... Lembro do dia que pensei sobre como essa atitude era besta e resolvi parar de arrancar folhas à toa.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A Hora do Chá da Manhã

Na casa dos meus bisavós sempre tinha bolo. Às vezes, tinha bolo, torta, biscoitos, claras em neve e pudim. Assim, tudo ao mesmo tempo! O dia começava bem cedo. A mesa do café às seis já estava pronta, embora nunca tomássemos café e sim chá preto. Minha bisavó, elegante até debaixo de seu avental xadrez, jamais foi ao quarto para me acordar. Haviam os gatos, de nome esquisito, para cumprir esta tarefa por lá. Lembro de, pelo menos, três: Cavalinho, Galinho, Cotó... Eles nunca foram muito bons para dar nomes. Por exemplo, pela minha avó, o meu seria Talita ou Vívian. Sorte do meu pai se chamar Fábio e da minha tia, Lílian. E azar das gatas que receberam esses nomes.

Era bonita a manhã vista pela janela daquele quarto que se abria para o sul. Uma enorme mangueira, onde  eternas orquídeas roxas trepavam às dúzias, saudava, metidos entre seus galhos, os raios de sol. De tanta folha verde, sombreando o quintal, mal se via o azul do céu. E todas aquelas árvores, flores e folhas, cobrindo a terra ao longo do caminho rochoso, reluzindo de orvalho, brilhavam como pedras preciosas... Ser premiada com esta cena era estímulo suficiente para enfrentar o esforço de acordar tão cedo. Quanta cor, quanta luz!

Mas isso não era tudo. Ainda havia a mesa do café, o bolo que quando se cortava tinha uma massa de chocolate bem no meio, em espiral, o pão quentinho com manteiga fumegante, o suco de laranja antes do chá, a geléia de jabuticaba e, ah, a geléia de cajá! Inigualável!

Hoje, mal tomei um chá e sequer comi pão. Ser cuidada por outras pessoas, ao menos, tinha  isso de bom.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Show Me The Money"

- Jack, sabe quem é meu amigo de Facebook agora? O Eicca! \o/
- O Eike?!
- Não! EICCA!
- Ah! Então que se dane!

sábado, 25 de junho de 2011

Everything Is A Remix

O movimento orgânico do universo cria naturalmente coisas novas e, exceto o Domingão do Faustão e uma ou outra coisa por aí, praticamente nada é estático. Como numa corrente de ação e reação, o novo sempre surge a partir de algo velho, infinitamente... Dito isso, deixo aqui essa série de quatro vídeos, com seus respectivos textos, deste trabalho excelente de Kirby Ferguson sobre criatividade e processo criativo. Querendo ou não todos estamos envolvidos nessa corrente, então vale a pena conferir.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Abracadabra

"Um poderoso rei, governante de muitos domínios, estava em tal posição de magnificência que os sábios eram seus simples servidores. Apesar disso, um dia sentiu-se confuso e os chamou:

'Não sei o motivo, mas algo me impele a procurar um certo anel que faça equilibrar meu estado de espírito. Preciso de um anel que me fará alegre quando eu me sentir infeliz, e que, ao mesmo tempo, ao olhá-lo, me faça triste quando eu me sentir feliz'.

Os sábios se consultaram e se colocaram em profunda contemplação. Finalmente chegaram a uma decisão. No anel que eles imaginaram estava inscrita a frase: ISTO TAMBÉM PASSARÁ."

domingo, 29 de maio de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"The light: puff."

Virou bagunça. Banalizaram o título. Agora saem distribuindo a qualquer lixo. Todo o medo, todo o moralismo, toda a covardia, toda a manipulação sofrida, as malditas regrinhas sociais, a preguiça de questionar, os paradigmas enfiados goela abaixo... Na falta de uma explicação razoável e bem fundamentada, num momento de desespero existencial, quando suas algemas ficarem à mostra, quando você se pegar agindo como um robô, quando for muito difícil se admitir um idiota, quando seu id pressionar sua cabeça contra o chão, basta chamar a atitude escolhida de "bom senso". Simples. Objetivo. Fácil de memorizar. 

Mas, não é estranho? Só chamam de "bom senso" algo que serve apenas para fortalecer o egoísmo de alguém. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Aqui e Agora

Quando minha escolha é consciente, nenhuma repercussão me assusta. Quando não é, qualquer comentário me balança.
(José Eustáquio)

sábado, 14 de maio de 2011

δαίμων

Sinto uma vontade enorme de chorar, mas não consigo. Às vezes parece que vou explodir. É bem estranho. Os sentimentos chegam, loucos, nem penso em refreá-los, nem mesmo penso, e tudo que tenho vontade de fazer na vida acaba sendo para me livrar deles. Cordas que me manipulam. É pelos sentimentos que me levanto pela manhã, é por eles que durmo, é por eles que me mantenho saudável ou sequer consigo comer... Lamentável... Não acordei ainda... Realizo coisas como uma espécie de exorcismo.

E é por isso que não acredito em caráter. Na possibilidade de que algo seja estático, na verdade. Não acredito em coisas pegajosas, em grades, colas e cadeados. Procuro responder com tudo de mim ao que aparece na minha frente e só. Não digo "eu sou assim" ou "você é assim". Acredito, acredito não, sei sobre a consciência, a eterna mudança, o movimento, a multiplicidade, as nuvens, as ondas, as chamas, as pedras, as sementes germinadas, a dor, o amor, os recém nascidos, o idoso em seu leito de morte, as ruínas, o aprendizado, os sentimentos e o despertar. Acredito na essência, porque nela posso apenas acreditar, supor, imaginar, nada sei a seu respeito ainda. Nada sei sobre mim, sobre meu núcleo, portanto. Menos ainda sobre você. Não posso dizer que sou ou que você é. Eu e você estamos, estivemos, agimos dessa ou daquela forma, reagimos à determinada situação, naquele momento, daquele jeito.

Mudar um caráter, os hábitos, os valores, pode não ser tão simples, mas é possível. Acontece. Quanto mais intenso o prazer, maior a dor. Prazeres brandos, dores suaves. Dor, crise, potência, mudança, movimento. A persona é uma massa moldável. Então, não posso acreditar em caráter. Nós somos promessas não cumpridas, a decepção, os intocáveis. "O mensageiro não é importante, apenas o conteúdo da mensagem." E é por isso que quando alguém pergunta meu nome, às vezes tenho até vontade de responder: "Legião, porque somos muitos."

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"One More Soldier Down"



Não entendo essa droga de sentido comum de certo e errado. As pessoas não fazem o que sentem vontade, fazem o que não querem, perguntam o que não interessa e deixam de esclarecer o que mais importa. Pensam que possuem e controlam coisas e pessoas. E por isso, vivem acumulando o peso da culpa durante o curto espaço de tempo de suas vidas, numa covardia crônica e numa hipocrisia desnecessária, encobrindo um narcisismo borbulhante, um egoísmo tímido... Duas facetas de um complexo de inferioridade epidêmico. 

Se ao menos esse narcisismo trouxesse o verdadeiro amor próprio e esse egoísmo fizesse com que enxergassem dentro de si os verdadeiros tesouros, esses que só aumentam quando a gente partilha... Não. Melhor ser vítima. Melhor transferir o poder para outro. Arrependimento nem dói tanto assim... Responsabilidade dá trabalho. Melhor viver como boi no pasto, pensando que é dono daquela grama toda, que a mordomia vai durar "pro resto da vida", com a cabeça sempre perdida entre o ontem e o amanhã, deixando tudo passar enquanto fica ali comendo, dormindo e pensando, ignorando completamente seu destino, que é virar bife no prato de alguém. 

Sei lá, talvez pensem que assim despenderão menos energia e perpetuam os sorrisos falsos, os abraços medrosos, os "bom dia" vazios, as perguntas retóricas, o falso interesse pelo bem do outro, a falta de sinceridade consigo mesmo. Seguem pelos anos a fora fechados numa concha, com medo de errar, cheios de arrependimento, distribuindo migalhas e dormindo com a consciência tranquila. "Fiz o que pude." 

A fatalidade é que você pode mentir para todo mundo, mas não pode enganar a si mesmo! Será que não percebem que, em nome da droga do orgulho, perpetuam um modelo de sucesso tosco que nem foi construído por eles? Casamento, filhos, diplomas, emprego... Poucos estão prontos e realmente interessados ou dispostos a construir uma família, a dividir o que tem de melhor com outras pessoas, a tentar conhecer e amar o outro, a manter relacionamentos harmoniosos, a ser um bom amigo, a estudar de verdade, pesquisar e produzir de acordo com seus talentos, estar em alguma empresa ou servir ao  país... Que coisa maluca! O cara compra um modelo de sucesso, segue toda a cartilha, só para, no fim do dia, preencher com dados novos seu perfil numa rede social virtual, ou, se chegar a tanto, sentar num bar junto com alguns outros como ele, passar a noite disputando quem é o mais adestrado. 

É tão estranho... tudo se compra! Tudo se vende! E está todo mundo de cabeça erguida, batendo no peito, enquanto paga bem caro por esse sucesso vendido por aí. Todo mundo escravizado, pensando que é livre porque tem uma casa, um carro, contatos, conhecimentos e um pouco de dinheiro. Enquanto recalcam, esmagam bem lá no fundo do porão a sua própria idéia de sucesso, o animal selvagem, o verdadeiro sonho. Não conseguem olhar para ele de frente, aceitá-lo, conhecê-lo e apreciá-lo. Fingem que não existe. Tentam matá-lo. Bobagem. "O que os outros vão pensar?". Isso é liberdade? E tem alguém que sinceramente gosta de escravidão? Ainda busco o Caminho do Meio, mas toda essa burrice só me leva a crer que não é estando "em cima do muro" que se chega lá.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sherlock Pontes

Uma das melhores coisas da minha vida é ter noção do alto nível da dificuldade enfrentada por alguém que tenta mentir para mim. Por um lado, esta é uma das poucas habilidades da qual me gabo e mais uma dessas que, por algum motivo misterioso, desenvolvo desde a mais tenra infância. Razão para ser tão boa. Jack diz que eu poderia usá-la para ficar milionária jogando poker. Não. Dispenso. Minha avó já sugeriu um cargo de detetive de polícia. Não também. Sempre tentando me empurrar um cargo de autoridade governamental... E eu acredito mais em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e times de futebol do que em instituições... Melhor não... Por outro lado, esse meu dote, embora  me torne menos iludida e mais compromissada com a verdade, faz da minha vida um pouco mais solitária também, pois deveria ter vindo acompanhado das habilidades de perdoar, não criar expectativas e aceitar erros e diferenças, coisas que, infelizmente, venho desenvolvendo há muito menos tempo e portanto, nas quais sou ainda muito menos habilidosa. O falso para mim são luzinhas piscantes de farmácia, gritante, violento e custo um pouco a simplesmente encará-lo com naturalidade. Minha primeira reação é o repúdio, apenas depois de muita reflexão consigo agir bem. Fico decepcionada, magoada e às vezes acabo me machucando sem querer, antes que você perceba, e não importa se nossa comunicação se dá apenas por texto ou telefone. Um gesto, um jeito diferente de piscar, um movimento diferente com os pés, uma mexida nos cabelos, uma entonação da voz, uma palavra escolhida, o tempo que demora uma resposta, uma determinada sequência de eventos e está feito. Fico sabendo da verdade antes que digam. Memória de elefante, facilidade com associações, velocidade de pensamento... Há quem diga que intuição é isso mesmo, um raciocínio rápido demais para ser explicado. Concordo, não é nada de outro mundo. E eu poderia usá-la de formas mais práticas não fossem as grandes questões filosóficas atormentando minhas idéias: o que é a verdade? Ela existe? Está nas coisas ou está em nós? Para quê e Por que? Penso demais, eu sei. Perco um tempo que nem tenho com isso. Acho até que sai fumaça da minha cabeça às vezes... "Sou um cérebro, Watson, o resto é mero apêndice." Mas só me dei conta da gravidade do problema mesmo no outro dia, quando me peguei lendo sobre isso

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Hoje a noite não tem luar

Tudo que vive morre, pura tragédia. Muito vi passar e perdi pensando... Deixei ir, não agi. O que é bom, que me fará bem, o que tenho de melhor e mais bonito, fica para depois. E algumas coisas só fazem sentido a sua época, só são possíveis, só vivem, por um período. Não senti. Não vivi. Perdi. Esperei tanto... Traiçoeiro é o momento seguinte, o amanhã uma lenda.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Catarse

Por um tempo, nada. Tudo num instante e subitamente. A mesma confusão de sempre, essa esquizofrenia. Dúvidas mil num liquidificador. Comi um sorvete nesses dias. Fui à praia e o mar nem estava gelado. Senti muita raiva de muitas coisas. Não, senti raiva só de mim mesma. E cada dia que passa sinto mais. Fui embora depois de esperar por horas, com fome. Ok, só mais um descaso e abandono para a pilha de rejeições, ela só cresce. Ansiedade, impotência, medo. Repressão, repressão, repressão. Abandono. Duvido de mim. Acredito que não posso, não devo e até que não quero. Sigo me obrigando, forçando e impedindo. Quando vou aprender? Compromisso com todos, menos comigo. Onde eu fico? Onde eu vou? Sei lá. A solidão é boa, mas ainda dói. Decidir ainda é como devem ser as dores de parto. Ir até lá e resolver, em quase trinta anos, ainda é o corredor que me leva a arena de gladiadores. E antes de abrirem os portões tenho certeza que daquele momento minha vida não passa. Sempre igual. Ri muito. Reencontrei meu melhor amigo. A alegria é silenciosa. Mas, caramba, como a tristeza é eloqüente! Faço tudo ao contrário. Adio todos os meus melhores sentimentos, todos os sonhos, todo o meu desejo e a raiva entra em ação tão logo surja a sua sombra. Está quente. Hoje tem luau. Um furacão devasta tudo por dentro. E eu nem bebi nada. Ainda.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Você tem tempo?


No último domingo e também na última segunda-feira passei alguma das piores situações da minha vida. Não encherei a paciência de ninguém descrevendo em detalhes todo o ocorrido, mas em resumo: fui a um show mal organizado, de uma banda que eu não gosto, no quinto dos infernos, adiado para o dia seguinte, que foi quando depois de um engarrafamento de quase uma hora, não deixaram entrar com o meu carro no estacionamento novamente, porque me cobraram um tal ticket que não recebi no dia anterior e por conta disso agora estou com minha garganta ferrada, Jack tomou um chute e eu também quase tomei um, meu carro está arranhado, com o espelho esquerdo quebrado e uma alma sequer parou para tentar ajudar a entender e resolver o problema. Enfim, eu não sei o que é isso que faz com que um vice treco de um sub-troço qualquer se sinta no direito de tratar com indiferença e desprezo o direito do outro. Talvez seja desrespeito, mas não sei. Posso estar enganada. 

E foi esse fato, ainda não superado totalmente, que me impulsiona a compartilhar um trecho de uma palestra do filósofo Mário Sérgio Cortela, de quem sou fã. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

E Lá Vamos Nós Outra Vez

Sei que já é a terceira vez que escrevo algo sobre o início de um novo ano e já até falei aqui sobre o quanto parece insano contar o tempo. Mas, cada louco com a sua mania conta o que sente vontade, não é verdade? Agora vai!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Feliz Ano Novo! (agora é sério)

Bom, agora que as Escolas de Samba já desfilaram, que os blocos já mijaram as ruas todas, que quem quis soltar a franga aproveitou a "chance única" no ano, que a apuração do desfile terminou, que as campeãs se foram, que perdi um trabalho quase terminado, além de seis reais e quatro horas do meu dia indo e voltando da UERJ, feliz ano novo! E bóra caçar uma trouxa de roupa pra lavar!

Três luzinhas

Tem luz na Sapucaí, nos estádios de futebol, nos bares... Só não tem luz mesmo é na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Só hoje: perdi um trabalho que estava finalizando no computador, por queda de energia, gastei 6 REAIS de ida e volta da Uerj e QUATRO HORAS de trajeto só nessa palhaçada, À TOA, por falta de luz. Vai lá povinho, vai lá encher a cara, mijar em tudo e cair na folia do carnaval. A gente só tem mesmo o que comemorar, né? 

Porém, por falar em luz, temos ao menos três boas notícias nesse dia abafado, escuro e dispendioso: o filhinho do João e da Maria nasceu, e os gêmeos da Paula e do Luiz também, gente! Mais piscianos maluquinhos para fazer bastante bagunça nesse mundo doido. Felicidades às famílias. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

Ying e Yang

"A rigidez é boa na pedra. Ao homem cabe a firmeza, o que é muito diferente." Esse tal de George Gurdjieff, até que sabe das coisas, né? Realmente é estranhíssimo gente certinha demais. Nem hesita em dizer "não" sem experimentar, sem compreender. Uma chata... E como usa a torto e a direito as palavras "sempre" e "nunca", se referindo às suas atitudes, comportamentos, opções e opiniões! Se fecha numa concha e finge estar segura nela. Como consegue? É tão clara a falta de linearidade do nosso ser, o caos onde estamos todos imersos, a nossa inerente susceptibilidade ao erro, nossa falta de controle... Por que não encarar e resolver os problemas logo? Estar consciente? Aceitar a realidade e olhá-la de frente, ao invés de fugir, de mentir pra si mesmo? Bagagem inútil! A perfeição pesa demais... e traz tanta frustração... Todos acharão linda a sua fantasia, realmente, mas é um preço alto demais, não? Vale mesmo a pena, negar a verdade e postergar a solução?

Bom e mau! Certo e errado são convenções, como horas, metros e graus, diferente de separar aquilo que pode nos favorecer do que não pode. E essa é a importância de prestar bastante atenção ao que se faz, agora mesmo! Isso é consciência, seu único e verdadeiro guia. No mais, oscilamos ora para a luz, ora para as sombras e assim corremos o mundo. E só é possível seguir em frente desta forma, nos equilibrando e desequilibrando seguidamente, em movimento. Já a perfeição é estática. Uma prancheta arrumada, um piano fechado, um sapato que nunca foi usado... e, precisamos aceitar esse fato, nem mesmo quando tentamos, de verdade, conseguimos ficar totalmente imóveis.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Movimento de Aproximação

Às vezes gostaria de dominar algum idioma universal. Chego a achar uma pena que todos os esforços para a existência de uma língua única tenham sido, são e serão frustrados. Mas, eu entendo. O motivo deste fracasso é uma lei natural, o que se pode fazer? O universo inteiro se expande e se comprime de tempos em tempos e esses dois movimentos, partes da força que cada religião chama por um nome diferente, hora padroniza, hora diferencia, hora aproxima, hora afasta todas as coisas. Todas mesmo! Então, não seria diferente com as culturas, os grupos e os indivíduos, certo? Basta observar como todos queremos fazer parte de algo, mas ainda assim preservar nossas particularidades. Nunca conseguimos traçar uma linha exatamente igual, embora a existência de um certo padrão seja indiscutível. Você sabe diferenciar uma assinatura sua da escrita de outra pessoa e, se tiver um ouvido treinado, pode até mesmo perceber certas nuances características de um determinado instrumentista. Muitos procuram copiar, outros tantos buscam originalidade e de certa forma ninguém consegue ser idêntico a ninguém, ainda que sejamos todos perfeitamente agrupáveis. Mas, penso que a vontade de se diferenciar não seja motivo para não criarmos um meio de comunicação único. Até me vem à mente algo que meu pai gosta de me dizer "Não deixe o que nos separa separar o que nos une." Poderíamos todos aprender nossa língua pátria mais esta outra global, oras!

Estava refletindo sobre isso depois de receber uma visita espanhola e muito bem vinda aqui no Retrato... Como assim?! Sou tão intuitiva, minhas idéias são tão velozes, muitas vezes escrevo pensamentos tão complicados, tão intrincados, mal formulados, fragmentados, difíceis até mesmo para transcrevê-los em palavras! Sempre tenho a sensação de não ter conseguido dizer tudo... E ainda assim, alguém lááááá do outro lado do mar, que nem fala Português, me entende?! Fico feliz que consiga compreender meu idioma e ainda mais complexo, compreender os meus pensamentos! Isso é algo que vai além do mero conhecimento da língua. Entender palavras é moleza, mas entender o outro, exige uma sensibilidade que ultrapassa as barreiras da comunicação verbal e sobe para o terreno do humano, em termos universais. É complexo. E, fico ainda mais feliz que o fato de não escrever em Português não a tenha impedido de enviar um trecho de Drummond, uma mensagem carinhosa e até um desabafo. Me encantaría ver sus árboles, su casa y su jardín. Me alegro de que no han renunciado a seguir adelante con su sueño. Y esto incluso se recuerda uno de mis propios sueños: publicar un libro ilustrado. Actualmente estoy trabajando en la ilustración de un jardín de hadas para el libro de una amiga. Además, me encanta la jardinería, el paisajismo, decoración... Enfim, que alegria ter a sorte que tenho e receber as bênçãos da maior de todas as forças que, num de seus movimentos de compressão, coloca em meu caminho as boas pessoas que dedicam alguns minutinhos de suas vidas para ler os meus devaneios tão bobos, reclamões e infantis. E ainda vêm de longe para isso! Vejam vocês!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Forca

Não, calma! A situação não é das melhores, mas ainda não cheguei a tanto. Vim apenas guardar aqui um site que o Jack achou, onde tem um tipo de forca, mas só de filmes. Aparece um objeto e você precisa adivinhar o filme de onde ele é. 

Escovando os Dentes

- Sabe o que acontece? Sobra pose e falta talento.
- Sobra pose e falta trabalho. Isso sim.
- Não, mas trabalho tem um monte. Falta é talento mesmo.
- Se tem um monte de trabalho e a maioria é bem ruim, significa que não houve trabalho suficiente e sim vontade de se livrar para poder aparecer logo.
- Não. Falta talento e tenho dito!
- Trabalho.
- Talento. Eu é que sou o autor da frase original, portanto eu é que decido.
- Trabalho. Eu é que sou a autora do primeiro comentário sobre a sua frase original.
- Mas eu ganho porque criei a frase!
- Tá bom. Fique com sua frase, que eu fico com a minha dignidade!
- Fica com a sua dignidade que eu fico com a minha originalidade!
- Fica com a sua originalidade que eu fico com o meu talento!
- Fica com o seu talento que eu fico com o meu Serenata de Amor!
- Fica com o seu Serenata de Amor que eu fico com o meu Diamante Negro!
- Fica com o seu Diamante Negro que eu fico com o meu diamante de verdade!
- Fica com o seu diamante de verdade que eu fico com você!
- ...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- É... Acho que temos uma vencedora!

quarta-feira, 2 de março de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Distanciados

Acordei com a voz viceral do mestre Steven Tyler cantando o finalzinho da Dream On, na cabeça. E ela continua aqui ainda, aos berros, até agora. DREAM ON! DREAM ON! DREAM ON! Soando como um alarme durante a monotonia do meu dia. E embora sonho tenha muito a ver com sono, com repressão, com a vida não vivida, com o não realizado, também penso que é o grande combustível da chama que nos impele à ação.

O sonhar pode até ser um pouco dramático e triste, ainda que possível de ser revertido à nosso favor, mas triste e dramático de verdade é aquele estágio, numa determinada situação, em que chegamos ao ponto de precisar berrar. Isso sim movimenta as profundezas da alma. Talvez até por essa razão gritos combinem tão bem com Blues - o pai de uma família de estilos que expressa em música grande parte do que não consigo dizer em palavras. Não é curioso? Se começamos a levantar a voz é porque precisamos nos fazer entender e parece estar havendo uma falha na comunicação. O outro não compreende ou concorda com aquilo o que tentamos expor. E é exatamente o que se dá quando tentamos nos comunicar com um estrangeiro, mas não falamos a mesma língua. Como se levantar a voz resolvesse. E também é assim quando falamos com quem tem problemas auditivos, quando o telefone está falhando, ou quando locutor e ouvinte estão distantes um do outro. Precisamos de atenção, mas ela foi perdida.

Não à toa discórdia, ao pé da letra, é o nome dado ao que acontece quando dois corações não batem juntos. E essa necessidade de se fazer entender está ligada à nossa parte mais sensível, essa que nos lembra que estamos vivos, que o sangue está correndo, mesmo quando agimos feito zumbi.

Gritar é um ato catártico, quando o significado das palavras perde completamente a importância e a ditadura do  raciocínio leva um golpe de estado. É uma gota d'água em águas calmas, uma explosão, um despertador no silêncio da manhã. Talvez por isso esteja assim tão associado à dor, é puro sentimento. E tanto dores quanto gritos ligam-se à vida. Gritamos porque estamos vivos, existimos, estamos ali e precisamos lembrar isso à alguém que está longe. E muitas vezes esse alguém somos nós mesmos. 

Dream Mode: On

Every time that I look in the mirror
All these lines in my face gettin' clearer
The past is gone
It went by like dusk to dawn
Isn't that the way?
Everybody's got their dues in life to pay.

I know, nobody knows
Where it comes and where it goes
I know it's everybody's sin
You got to lose to know how to win.

Half my life's in books' written pages
Lived and learned from fools and from sages
You know it's true
All the things
Come back to you.

Sing with me
Sing for the year
Sing for the laughter n' sing for the tear
Sing with me
If it's just for today
Maybe tomorrow the good lord will take you away

Dream on
Dream on
Dream on
Dream until your dream comes true

Dream on
Dream on
Dream on
And dream until your dream comes true
(Aerosmith - Dream On)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bênção Virtual

Muita gente fala tão mal da Internet... Reclamam de falta de privacidade, de excesso de informação, dizem que é uma devoradora do tempo e da vida social. Distancia as pessoas, falsifica a aparência, esconde a realidade, propaga a ilusão. Alguns até atribuem a ela o insucesso de seus relacionamentos! Mas, é compreensível. É preciso encontrar alguém para culpar. A responsabilidade por todos os seus fracassos pode ser uma carga pesada demais. E assim, todo mundo esquece que as coisas são para nós o que fazemos delas. Eu mesma já reclamei do universo virtual um pouquinho por um tempo, mas aí, lembrei do quanto o mundo pareceu tão maior e quantas possibilidades surgiram como portais mágicos na minha vida, assim que consegui ligar pela primeira vez aquele fiozinho do moldem. Lembrei o quanto ela me aproximou de um monte de gente que está longe (há uma maldição que leva para terras distantes todos os meus amigos mais queridos), quantas oportunidades me trouxe, quanto me salvou do tédio, o quanto pude aprender, quantos sonhos ressurgiram das cinzas e quantas pessoas boas me encontraram e se tornaram amigos queridos através dessa rede. Pensando bem, a Internet, o mundo, as coisas e as pessoas, tudo e todos, podem ser muito maus sim, mas também existe a chance de que sejam bênçãos. Cabe a nós decidir o que vai ser. 

Falando nisso, felicidades, João! Espero que seu dia seja maravilhoso e que muitas pessoas queridas estejam aí para te abraçar. Tomara que ganhe muitos presentes, também. Afinal, desejo que todos os dias sejam bons e felizes, mas não dá para ter presentes sempre, então, é para isso que o aniversário deve servir! Obrigada pela companhia, mesmo de longe, e pelo esforço em me ajudar. Você tem sido um super amigo e é uma grande sorte minha que tenha me encontrado por aqui. Beijos do Rio.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Veio de lá

Você gosta de arte, não é? E gosta de rir também, certo? Então faça uma visita ao mais novo integrante da lista Outros Retratos, aqui ao lado. E, só para saberem o que esperar, conto um episódio do semestre passado. No fim do período, passávamos para dar uma olhada na galeria do atelier, na faculdade, e nos deparamos com um trabalho exposto que nos fez pensar. O título era Penetrável, mas eu não conseguiria descrevê-lo aqui com a merecida fidelidade, então, nem tentarei. Um colega, tímido, gente simples, quase não abre a boca para falar, personalidade reservada e calma, de repente, solta essa "Parece um avestruz defecando.". Agora deixe sua imaginação trabalhar. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Queria tanto...


Na cara do astronauta!

Cada pessoa, todos os fatos de sua vida, ali estão porque ali você os pôs. O que fazer com eles cabe a você resolver.
Richard Bach

O que está havendo?

Acordo com vontade de dormir, pinto enquanto quero fazer música, toco, mas quero pintar, trabalho com vontade de ir à praia, saio de casa para fazer compras, como salada querendo mousse de maracujá, gosto de frio, faz calor, preciso conversar, estou sozinha, durmo sem sono. E, então, numa tentativa desesperada de exercer algum controle sobre alguma coisa qualquer, aperto o play para ouvir Ella Fitzgerald e o Windows Media Player decide tocar uma lista aleatória de músicas variadas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

San Valentin


"I should have seen it coming when the roses died"

Passamos, em diversos momentos da vida por situações em que o abandono é a tônica. Eu então, já o conheci em cores, sabores, texturas, aromas, sons, formatos e mídias variadas. Lembro até, que em certos momentos, um estava apenas me preparando para outro. Mas nunca fui capaz de aceitá-lo, de encará-lo positivamente, para mim é uma ferida que não cicatriza. E o abandono seguinte é como espada atingindo um ferimento já aberto. E se a ferida funda está lá, mais fundo ainda a tornará o golpe. Então me pergunto se essa minha teoria vale agora. Se a ferida, de tão aberta, já não tem mais fundo. Se não seria como aqueles buracos que quando jogamos uma pedra não se ouve o eco do barulho que faz assim que ela atinge o chão. E se isso não começa a ser um vislumbre de lucidez, um momento de consciência, um sintoma do despertar.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Maldito Calor

Uma semana esperando o clima esfriar um pouco para ir ao banco pagar o IPVA. Peraí, né? Já tenho que entrar com mãos ao alto para entregar setecentos e poucos reais destinados a NADA e enfrentar fila, pelo menos o calor durante o trajeto eu posso evitar!  Bom, hoje o dia finalmente amanheceu chuvoso. Precisei até fechar as janelas de trás e pensei que sentiria frio com a blusa que escolhi de manhã. Ah, mas todos sabem o tempo que dura alegria de pobre. Justamente hoje é o dia das inscrições em disciplinas da faculdade. E por precisar suportar, ao mesmo tempo, em seu sistema virtual, milhares de estudantes, que matariam por uma vaga nas turmas, tem tudo para vencer o prêmio Fila do INSS todos os anos, se concorrer. Mas então, eis que consigo enviar minha grade de horários para a aprovação. E o sol lá fora já secou todas as poças da chuva forte de uma hora atrás. Malditas obrigações civis!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

No ar


Faca fatia
O aroma da cebola
Lágrimas nos olhos.

O Caminho do Meio

O sol descendo em seu ritmo, a essa hora, no verão. O céu azul-alaranjado. A sombra do prédio cobrindo as casas lá do outro lado da rua. Flores e montanhas cheias de luz... O papel sob os lápis de cor se escurece e obriga a levantar os olhos para a janela. É a hora em que a praia está mais agradável e bonita. A hora da brisa fresca, da cigarra e do picolé. Já foi a hora em que minha mãe me deixava descer pra jogar queimado e eu ia descendo as escadas em saltos. Meus pés, ainda de pouca quilometragem, já eram bem conscientes daquilo que ninguém explica e nem por isso desconheça: liberdade. E esse dia-noite, não fossem os sons da rua, ou os aromas do dia que se vai, seria um reflexo da noite-dia, nas primeiras horas da manhã. Os dois horários mais belos, breves e promissores... São o silêncio que precede o estouro, os minutos antes do show começar, o vôo sobre a água da piscina, os momentos de despedida, o último adeus, em que o boa noite ou bom dia chegam cheios de dúvidas. E não, não são horas. Em poucos minutos o sol surge e confirma o bom dia, o sol vai e já é sim boa noite, mostrando para quem quiser o quanto é valiosamente irrecuperável o momento, o preciso agora.

Consciência


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sem máscaras, por favor.

Em minhas lembranças mais antigas estão os lápis de cor e o piano, os filmes da Disney e os livros de histórias, as revistinhas. Esse universo me trouxe naturalmente um olhar artístico, poético e dramático sobre a vida. E estou tão imersa em Artes que não fossem os malditos "profundos conhecedores", com quem já tive e tenho o desprazer de conviver, era capaz de eu sequer reconhecer esse meu próprio universo.

Os peixes não reconhecem o oceano e cada um tem seu próprio habitat natural. E isso não é algo para se tentar olhar de fora, como se fosse separado, é impossível. De certa forma, acabei caindo nesse erro, lá pelos anos conturbados da adolescência e ainda sofro as consequências.

Foi desnecessário e doloroso sair do mar e quase morrer asfixiada para me sentar à mesa com os mergulhadores que "sabem tudo sobre as profundezas" e comem peixe. E, talvez por isso, não aguento os "grandes conhecedores". É entediante todo esse seu discurso em loop sobre coisas que para mim são tão comuns e simples, até mesmo óbvias, antigas e naturais, como se fossem a maior descoberta, vindo de quem apenas observa tudo por trás do escafandro, mas faz questão de manter uma postura de veterano sobre um assunto pelo qual passou a se interessar ontem. E não é nenhuma novidade também para você que me lê, o quanto ainda não aprendi a conviver com o problema de auto afirmação das pessoas e essa mania quase universal de viver escondido atrás de máscaras e supervalorizar a opinião dos outros.

Tenho mesmo obsessão pelo verdadeiro, pelo original e autêntico. Já reparou em como ninguém deixa que alguém simplesmente seja quem é? Enfiam um monte de idéias na sua cabeça, desde que nasceu e elas ficam tão enraizadas que parecem suas. Então surge alguém que consegue livra-se dessas idéias e ser verdadeiro, e todos tentam reprimir essa atitude tão bonita e corajosa. Mas, é preferível uma árvore sem folhas a uma que tenha folhas de plástico. Máscaras só são legais em festas à fantasia. Como aceitar alguém que está fingindo, que se esconde, que mente até para si mesmo? A mim parece mais vantajosa a solidão a desperdiçar tempo com quem apenas embaça a vista e confunde os sentidos.

Cansei, sabe? Ou você é peixe de verdade, ou tire esse escafandro. De resto, a porta está aberta apenas para outras línguas, outros sotaques, aquilo de que nunca ouvi falar, novidades e crescimento, novas experiências, histórias novas. O caminho está livre para pontos de vista diferentes, outras maneiras de viver, outros valores. Nunca conheci nenhum outro país, sequer conheço lugares relativamente próximos daqui. E me sinto realmente empobrecida por não ter por perto médicos, bombeiros, esportistas, feirantes, crianças, gays, juízes, mecânicos, pilotos de avião, arqueólogos, astrônomos, ufólogos, praticantes de alguma religião exótica ou qualquer outro tipo humano que eu nem mesmo saiba que existe.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um


Há um ano atrás, eu estava ansiosa, sem dinheiro, sem saco para o mundo, tentando terminar as pinturas do livro de contos, com calor e mil expectativas sobre a faculdade. Os rumos não estavam muito claros na minha cabeça, mas eu sabia que deveria agir rápido. Bom, continuo ansiosa, o dinheiro ainda é pouco, o mundo cada vez mais sem graça, as pinturas já formam pilhas acumuladas para terminar, o calor está outra vez uma tristeza e continuo esperando para ver o que vem a seguir na faculdade, mas fato é que nesses últimos 12 meses, várias coisas que estiveram em gestação dentro de mim por muito tempo começaram a aflorar e tomar seu espaço, a me definir. Passei por lugares diferentes, mudei minha rotina, vi coisas bonitas, tomei um monte de sorvetes, me esforcei sem sucesso, tive um monte de frustrações, acumulei vários livros para ler, quase não sobrou tempo para escrever e aprendi tanta coisa! E observo especialmente o movimento de pessoas nesse tempo corrido. Há o amigo que ainda não encontrei pessoalmente mas, acompanhou a mudança para cá, há amigos que me cansaram, outros que procuraram estar mais próximos, há novos colegas queridos e um monte de gente que nem me conhece, mas não poupam palavras de carinho e incentivo e há o Jack que sempre esteve ao meu lado, mesmo antes de toda essa hitória de blog, nos melhores e piores momentos. Pois saibam todos que não está tudo bem, mas vou seguindo e fico feliz por saber que tenho por perto pessoas tão boas, as que considero as melhores. Feliz, mas não satisfeita. Escrever sempre é uma experiência catártica para mim e me faz sentir melhor, mas é especialmente bom porque sei que alguém lê. Então, só tenho a pedir que continuem comigo, pois penso que o que está por vir é ainda melhor do que o que já passou.

A imagem é só para lembrar que quem tem um ano não é bobo.