quarta-feira, 20 de julho de 2011

Feliz Dia

Tem apenas quatro coisas que nunca falo sobre mim. E talvez elas definam muito a minha forma de agir. Mas, deixa pra lá. Esses detalhes, se conto, é só por acidente, se eu estiver caindo de bêbada, pois acho que ninguém realmente precisa saber. São pesos desnecessários. Mas o resto, nem me esforço para esconder. Bom, eu não gosto de gente de muita gente junta, nem de sentir calor e sinto frio à toa. Tenho pânico de frio. É uma sensação que não consigo explicar. Fico com muito medo de nunca mais parar de sentir frio, mesmo que eu fique exposta apenas por alguns segundos. Meu banho é quente, a menos que faça muito calor. E de calor, gosto menos do que do frio. Aprecio uma variedade enorme de estilos de música, piano, guitarra, clarinete, canto... Adoro ir a shows, embora seja sempre um sofrimento porque tem muita gente. Acho que assovio, cantoria ou música dentro do ônibus, no vizinho de baixo e rodinhas de violão, já mostram bem o quanto alguém é chato. Não gosto de dormir por último e faço uma apresentação de salto ornamental na hora de deitar na cama. Jack, dá notas para os meus saltos às vezes. Durmo em qualquer lugar quando sinto sono, mas tenho muita insônia às vezes... Meu horário normal de funcionamento é de 11h às 5h da manhã. O que acho ruim só porque perco uma parte muito bonita do dia. Medito, faço minhas práticas espirituais, mas passo períodos longos sem que consiga estabelecer uma rotina. Mas quando cantarei no dia seguinte procuro dormir mais cedo, além de não tomar chá preto ou mate, nem comer chocolate, gelo ou chupar balas. Como muita maçã. Bebo muita água, o dia inteiro. Gosto de mastigar coisas. Quando era criança, minha mãe colocava pimenta nos meus lápis, então parei de mastigá-los. Mas ainda gosto de chicletes e de gelo. Meu sabor de chiclete preferido é hortelã. Gosto de tudo de hortelã! Eu tinha esperança de que alguma das jujubas verdes do saco seria de hortelã, tipo pastilha Valda. Menta é bom para a garganta, mas não para cantar. Infelizmente tudo que gosto, faz mal se eu quiser cantar. Chocolate, mate, gelo, hortelã... ao menos limão, que eu ponho em tudo, escapa. E eu gosto tanto de conversar... Tanto que até hoje sou sempre a última a acabar de comer, não importa onde. Não como nenhum bicho sem necessidade, nem comida feia ou desarrumada. Não gosto de pimentões, aspargos, coentro, café, cigarros, cerveja, cachaça, doces de abacaxi, nem de nada muito doce. Especialmente perfume. Nunca experimentei drogas ilícitas e acho essa uma questão bem complexa. Não concordarei com sistema de cotas nas universidades enquanto não se falar em melhorar a situação da escola pública. Aliás, é ridículo ser avaliado através de provas e diplomas. Tenho preguiça de muitas coisas, especialmente de comer. Tenho preguiça das pessoas também. E de mesmice... Não gosto de telefones, nem de conversas por computador e faz mais de dez anos que não recebo uma carta sequer pelo correio. Não gosto de conversar com gente que só tem um assunto, de avareza, de rodízios de sei lá o que, nem de "muito de uma coisa só". Gosto de trabalhos manuais, colagem, pintura, desenho, tintas, pincéis, papelarias, jogos, futebol, basquete, patins, skate e surf. Gosto de jardinagem e decoração. Passei seis anos estudando Design, oras! Queria muito aprender Sapateado e Arqueirismo. Aprendi Astrologia para criar personagens para as histórias que escrevo, com qualidades e defeitos em equilíbrio. Gosto de escrever, tenho um monte de histórias e eu seria muito mais satisfeita com a minha vida se conseguisse terminar meu próprio livro ilustrado e ao menos uma história em quadrinhos. Adoro ganhar livros! Mesmo que sejam em branco. Tenho uma lista deles para ler ou ter e fico muito feliz em riscar mais um. Tenho o costume de pensar e refletir profundamente sobre tudo, fazer análises e isso nem sempre me ajuda. Penso muito e acho que minha educação fez com que eu supervalorizasse demais o pensamento. Devia pensar menos e sentir ou agir um pouco mais, pelo bem da minha arte e do meu espírito. Me interesso muito por todas as religiões e por quase todas as artes. Inclusive pela Arte. Sou fã de muitos filósofos, tenho incontáveis artistas favoritos e espiritualistas também. Acho que não sei fazer nada direito. Tenho problemas para terminar coisas. E sinto muitos medos que se eu falar sobre eles parecem bestas, mas quando vou dormir parecem problemas sem solução. Não gosto de chororô, melodrama, carência de atenção e de reconhecimento e de frescuras. Você nasceu sozinho, conviva com isso. Só não esquece que você não vive sozinho, que partilhar faz bem e que o espaço público não é só seu. As pessoas não darão atenção se você for um chato, sem graça, que não tem nada de bom para mostrar. E todos temos histórias tristes para contar. É o cúmulo alguém se sentir especial por causa das suas. Odeio reclamações de barriga cheia. Quer chorar? Te ajudo em três minutos e nem precisarei gastar minha faixa preta com você. Gente louca me persegue e me enlouquece. Já tenho meus medos e paranoias, não preciso de ajuda pra isso. Adoro pessoas idosas, animais e crianças interessantes e parece que eles gostam de mim também. Não entra na minha cabeça o desejo de ter uma vida cada vez mais longa, com essa regra de felicidade que as pessoas alimentam de ter que se formar na faculdade, arranjar um emprego, casar e constituir família. Também não entendo o "sonho de ter um filho". Vai lá, tenha um filho com essa sua mentalidade egocêntrica! Aproveita e dê o seu nome a ele, é a cereja do bolo. Gente e carro são duas coisas que o mundo não precisa fabricar mais, pelo próprio bem da humanidade. Mas, assim ela caminha. Valorizo autenticidade, por isso reconheço fácil quando mentem para mim, quando só querem fazer tipo, quando as pessoas são em tudo falsas e ainda não aprendi a lidar muito bem com nenhuma delas. Se fiz algo errado só preciso ter consciência disso. Agradeço se puder me alertar, sem estupidez, sem rodeios ou julgamentos. Tenho ódio mortal de indiretas e alfinetadas quando existe a opção do diálogo cordial. Covardia é péssimo. Também sou capaz de matar um quando agem no sentido de me criar expectativas e depois frustrá-las. Admiro quem se assume e não tem medo de se responsabilizar. Acho lindo pessoas que esquecem completamente que já me deram alguma coisa, ou fizeram algo por mim. Basta uma cobrança sem sentido para me afastar da sua vida. Amo minha liberdade. E se marcou comigo e não foi, sem um bom motivo, foi a última vez que marquei algo com você. Mongolice e bobeirinha não passam muito bem pelos meus ouvidos, nem arrogância. Mas, eu adoro rir! Adoro quando as pessoas são inteligentes e engraçadas. Se eu falo e você não me ouve, logo pararei de falar com você. Olhou o tempo todo pro relógio, já vou logo achando que há egoísmo em excesso. E egoísmo me afasta da sua vida. Ter que tomar decisões me deixa nervosa. Pressão me obriga a fazer de qualquer jeito coisas que não quero e isso pode ser um desastre. Descaso faz doer o meu estômago. Malandragem faz o seu estômago doer. Antipatia, grosseria gratuita e bipolaride também não vão bem comigo. Só três motivos juntos me empurram para uma discussão: ter certeza do que penso, a importância de se esclarecer algum ponto, e o fato de que isso mudará muito o rumo das coisas. Odeio perguntas retóricas. Odeio perguntas idiotas. Odeio falta de foco e de sinceridade. Quase todas as pessoas que eu conheço já me torraram a paciência em algum momento. A maioria delas, por um bom tempo até. Portanto, não, não sou eu que sou muito impaciente. Inclusive sou bastante flexível, gosto de consensos, de equilíbrio! Só não tenho uma maneira suave de reagir à atitudes em que bastava um pouco de cuidado para serem evitadas. Nem à falta de comunicação ou cuidado. E se fui chata com você, pense bem, talvez tenha havido um bom motivo. Quando erro e sei disso mudo de atitude rapidamente. Mas, não sei lidar com resistência, justificativas, falta de autoanálise, vontade de estar certo acima de vontade de se resolver os problema. Para mim, não existe o orgulho separar pessoas que se gostam. Sou carinhosa, amiga, mas preciso de espaço, de tempo e de contato. Intimidade me faz desconfiar um pouco menos e faz maravilhas. Desconheço alguém que tenha se arrependido. Não sou ciumenta, acredito em poliamor, amo um monte de gente, não acho que uma pessoa substitua outra, não acho que sejam todas iguais e não compreendo os limites para se expressar isso por alguém. Acho garotice um relacionamento acabar por qualquer razão que não seja a transformação do que se sente. Se você quer ficar, para mim é suficiente, nem precisa aparecer todo dia. Mas, também não suma ou eu acharei que fui abandonada e aí tudo fica mais difícil. Sou insuportável quando estou insegura de alguma coisa. Mas, resolver isso é simples: não me deixe sozinha com a minha imaginação. Não reconheço limites sexuais. Para mim só não é possível suportar dor ou porcaria. De resto... Amo gente cheirosa, que capricha na aparência e que goste de conversar. Não entendo pessoas acharem que possuem as outras e se fecharem em relacionamentos sufocantes. Por que sexo tem que ser necessariamente entre duas pessoas apenas? E de gêneros diferentes? Por que família são só as pessoas com quem compartilhamos laços sanguíneos? Por que não pode haver amizade sincera entre homens e mulheres? Por que sexo deveria atrapalhar a amizade? Por que crianças devem ter apenas um "pai" e uma "mãe"? Não sou política e acho que ser político é a coisa mais feia que pode acontecer com alguém. Então não mentirei, nem medirei as palavras quando não houver algum interesse em jogo. Procurarei ser sempre eu mesma e agirei com a maior espontaneidade possível. Se isso te ferir, esse é um problema só seu. Se isso cria inimigos, não estou preocupada com isso. Não quero viver cercada de amigos superficiais, ser popular, ter a aprovação do mundo todo, já disse que amo minha liberdade. Odeio que me digam o que fazer quando não estou precisando de instruções. Considero inimigo qualquer um que me queira obrigar a um sistema de regras e crenças. Datas aleatórias, frases feitas, senso comum, moda, status e compromissos sem sentido são solenemente ignorados. Tenho aversão à instituições. E enquanto todos estiverem competindo não é possível construir algo que valha a pena. Não acredito em coisas permanentes, em tolerância, em sociedades, em moral, em prisões, em caráter, em família, em casamento, em escola, em governo, em Estado, em política, em religião, em jornalismo, em marketing, em indústria, em bancos, em gente que fala sem conhecimento, nem em amizade nessas condições. 

Portanto, se você é meu amigo, parabéns.

Um comentário:

JP Mayer disse...

Tudo anotado. Acho que agora só me resta pedir perdão.