- Sr. Más Notícias, já estava na hora de aparecer... - disse a velha jamaicana sentada numa cadeira de rodas, no hospital.
- Não seja apressada, mulher. - responde Joe com o sotaque das ilhas.
- Não estou com pressa, homem. Mas, você veio me buscar, não é? Isso seria uma boa notícia.
- Não, eu vim para ver a doutora.
- O que há de errado com você? - responde a velha desconfiada.
- Nada, ué.
- Oh, você veio mesmo para ver a doutora? - a velha pergunta balançando a cabeça negativamente.
- É. Oras, o que é que tem?
- A minha doutora?
- Minha também...
- Você está apaixonado? - a velha pergunta com olhar surpreso.
Joe responde com a cabeça, positivamente.
- Ela está apaixonada por você?
Joe responde outra vez com a cabeça, positivamente.
- Ela sabe o que você é?
- Ela sabe o que sente.
- Ah, pára com isso! Que negócio é esse, homem?
- Não preciso de sua aprovação! - Joe se defende.
- Parece um garoto de colégio... Ruim para você. Ruim para ela. Ruim para mim, aqui, com um tumor do tamanho de uma fruta-pão me envenenando por dentro, e esperando... Você não está no lugar certo, homem. Nem eu. Leve-me e venha junto comigo agora.
- Mas eu não estou sozinho aqui. Alguém quer que eu fique.
- Bom que isso tenha acontecido com você, como se tivesse ido passar as férias na praia. O sol não queimou tanto, deixou apenas um bronzeado. Você dorme sem mosquitos te picando. Mas a verdade é que se ficar tempo demais, coisas ruins começam a acontecer. Então, leve para casa o retrato bonito que você traz em suas lembranças... Só não se engane: nós estamos sozinhos aqui. Mas se tivermos sorte, talvez tenhamos um retrato bonito para levar.
(diálogo do filme Encontro Marcado, Meet Joe Black, 1998)