terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Utilidade do Que É

É interessante, sabe, como a gente tende, numa das maiores provas de apego e ganância humanos, a procurar "utilidade" para tudo e como gostamos de dar "explicações" que de certa forma nos sejam convenientes. Não conseguimos simplesmente sentir a beleza, aproveitar uma sombra sob a árvore, aceitar a casualidade dos eventos e que certas coisas não precisam ter utilidade alguma, sem no fundo pensar de que forma aquilo poderia nos favorecer, ser útil. Não nos entra na cabeça facilmente que algo não precisa ser bom, ou mau, que às vezes ele simplesmente é. E que nós, assim como uma flor ou qualquer outro na multidão, estamos aí não para sermos classificados, rotulados, entrar para o time dos heróis ou dos vilões, mas apenas para ser. Para que? Para nada! Se há mesmo uma utilidade ou não, isso não importa, não devemos desperdiçar nosso presente com isso, porque nem dá para afirmar que se esse conhecimento fosse realmente necessário, nós o teríamos. Afinal, nunca descobriram uma utilidade para o apêndice, para os dedos dos pés, ou para os dentes do siso. Irônica e contraditóriamente, levar a vida com leveza, sentí-la, sem procurar explicá-la o tempo todo, sem tentar encontrar em tudo uma razão de ser, uma maneira certa, uma utilidade ou uma coincidência, seria até mesmo mais útil.

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