Na casa da minha avó não se entra com sapatos, nem se deixa qualquer coisa fora do lugar. E ela estava sempre limpando alguma coisa. Nem mesmo podíamos molhar demais as pedras em volta da piscina. É uma casa com cortinas rendadas, janelas de madeira em arco, parede cor de rosa, protegida por muros e cercada por canteiros de flores diversas. Tem até um coqueiro, uma árvore de louros e uma de Bico de Papagaio, com flores tão vermelhas que parecem que estão em RGB! Logo depois da piscina tem uma escada de pedra em pirâmide, dessas que se sobe pelos lados e não assim em frente, direto para a porta, onde fica a sala. Mas nunca entramos por ali. É mais comum passar por debaixo da varanda à esquerda, uma passagem para carros, em ladeira, e subir pelas escadas da cozinha, que fica do outro lado, nos fundos.
Neste espaço há um abacateiro gigante, e tem um quintal enorme, mas todo coberto de cimento. Era bom para andar de patins e vir descendo lá do portão, de bicicleta, no caminho de pedras para carros, paralelo ao muro de pinheiros. Minha avó sempre nos esperava na porta para dar alguma coisa de comer. Gostava quando ela dava laranja lima. Porque só ela descascava e cortava uma tampinha, não saía cortando assim no meio. Nem do jeito da minha bisavó, com aquele corte estrelado, sem descascar, que queimava minha boca. Esse era o jeito de comer laranjas dos adultos. E, para mim o pior que poderia acontecer na vida de alguém era se tornar adulto.
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