Por quanto tempo essas moscas ficarão nesse movimento sazonal, dominando ou sendo dominadas, mas sempre presentes? Por quanto tempo terei de fingir que não vejo, relevar, espantá-las? Não nasci para ser uma espanta-moscas... Na verdade não nasci para nada disso do que sou agora e não vejo de que forma posso ter um desfecho satisfatório. Como seguir em frente? Há tempo demais me esforço para não depender de ninguém e por muito tempo estive sempre fora de casa. A casa era um problema. Eu queria uma casa. Consegui. Queria companhia. Tive. Agora, a casa estranhamente passou a ser uma prisão. A companhia está entediada. Há mais tempo que a maioria das pessoas, luto para fazer algo de realmente bom, ser útil e isso prova que não sou capaz? O tempo sempre me pareceu muito curto, pois o que esperava conseguir era talvez grande demais para mim. Tive tanto medo da dor que agora ela se tornou o meu destino. Eu sou dor. E gostaria muito de poder dizer que no fim serenamente darei o primeiro passo no caminho da eternidade e blá blá blá, mas nada do que sou ficará, não serei história, não deixarei nada, tudo irá comigo. Além disso, me falta coragem e o destino da dor é doer. Infinitamente.
Um comentário:
Então resumindo: você é tipo um Cavaleiro de Ouro agora, é?
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