Em minhas lembranças mais antigas estão os lápis de cor e o piano, os filmes da Disney e os livros de histórias, as revistinhas. Esse universo me trouxe naturalmente um olhar artístico, poético e dramático sobre a vida. E estou tão imersa em Artes que não fossem os malditos "profundos conhecedores", com quem já tive e tenho o desprazer de conviver, era capaz de eu sequer reconhecer esse meu próprio universo.
Os peixes não reconhecem o oceano e cada um tem seu próprio habitat natural. E isso não é algo para se tentar olhar de fora, como se fosse separado, é impossível. De certa forma, acabei caindo nesse erro, lá pelos anos conturbados da adolescência e ainda sofro as consequências.
Foi desnecessário e doloroso sair do mar e quase morrer asfixiada para me sentar à mesa com os mergulhadores que "sabem tudo sobre as profundezas" e comem peixe. E, talvez por isso, não aguento os "grandes conhecedores". É entediante todo esse seu discurso em loop sobre coisas que para mim são tão comuns e simples, até mesmo óbvias, antigas e naturais, como se fossem a maior descoberta, vindo de quem apenas observa tudo por trás do escafandro, mas faz questão de manter uma postura de veterano sobre um assunto pelo qual passou a se interessar ontem. E não é nenhuma novidade também para você que me lê, o quanto ainda não aprendi a conviver com o problema de auto afirmação das pessoas e essa mania quase universal de viver escondido atrás de máscaras e supervalorizar a opinião dos outros.
Tenho mesmo obsessão pelo verdadeiro, pelo original e autêntico. Já reparou em como ninguém deixa que alguém simplesmente seja quem é? Enfiam um monte de idéias na sua cabeça, desde que nasceu e elas ficam tão enraizadas que parecem suas. Então surge alguém que consegue livra-se dessas idéias e ser verdadeiro, e todos tentam reprimir essa atitude tão bonita e corajosa. Mas, é preferível uma árvore sem folhas a uma que tenha folhas de plástico. Máscaras só são legais em festas à fantasia. Como aceitar alguém que está fingindo, que se esconde, que mente até para si mesmo? A mim parece mais vantajosa a solidão a desperdiçar tempo com quem apenas embaça a vista e confunde os sentidos.
Cansei, sabe? Ou você é peixe de verdade, ou tire esse escafandro. De resto, a porta está aberta apenas para outras línguas, outros sotaques, aquilo de que nunca ouvi falar, novidades e crescimento, novas experiências, histórias novas. O caminho está livre para pontos de vista diferentes, outras maneiras de viver, outros valores. Nunca conheci nenhum outro país, sequer conheço lugares relativamente próximos daqui. E me sinto realmente empobrecida por não ter por perto médicos, bombeiros, esportistas, feirantes, crianças, gays, juízes, mecânicos, pilotos de avião, arqueólogos, astrônomos, ufólogos, praticantes de alguma religião exótica ou qualquer outro tipo humano que eu nem mesmo saiba que existe.

Um comentário:
Já foi dito em certo lugar que o ruim de usar máscaras é que um dia elas sempre caem. É até bom, para aquele que as usa, contar com elas por algum tempo. Mas, quanto mais a usar, maior será a vergonha no dia em que ela cair. Pena que tantos de nós andamos por aí mascarados... e olha que tá longe do Carnaval ainda...
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