quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Caminho do Meio

O sol descendo em seu ritmo, a essa hora, no verão. O céu azul-alaranjado. A sombra do prédio cobrindo as casas lá do outro lado da rua. Flores e montanhas cheias de luz... O papel sob os lápis de cor se escurece e obriga a levantar os olhos para a janela. É a hora em que a praia está mais agradável e bonita. A hora da brisa fresca, da cigarra e do picolé. Já foi a hora em que minha mãe me deixava descer pra jogar queimado e eu ia descendo as escadas em saltos. Meus pés, ainda de pouca quilometragem, já eram bem conscientes daquilo que ninguém explica e nem por isso desconheça: liberdade. E esse dia-noite, não fossem os sons da rua, ou os aromas do dia que se vai, seria um reflexo da noite-dia, nas primeiras horas da manhã. Os dois horários mais belos, breves e promissores... São o silêncio que precede o estouro, os minutos antes do show começar, o vôo sobre a água da piscina, os momentos de despedida, o último adeus, em que o boa noite ou bom dia chegam cheios de dúvidas. E não, não são horas. Em poucos minutos o sol surge e confirma o bom dia, o sol vai e já é sim boa noite, mostrando para quem quiser o quanto é valiosamente irrecuperável o momento, o preciso agora.

Um comentário:

JP Mayer disse...

Simplesmente AMO seu blog. De verdade. Obrigado pelo texto.