domingo, 15 de setembro de 2013

Dia 14 de setembro no Rock In Rio 2013

A semana foi pesada, movimentada, mas muito produtiva. Pesada porque levei um golpe certeiro e achei que dessa vez não fosse levantar. Movimentada porque ocorreram muitos turning points que ajudaram a lembrar do principal: nada é seguro. E produtiva porque há tempos não escrevia e compunha tanto num intervalo tão curto. Isso até se refletiu neste espaço aqui. Foram quase duas atualizações por dia. Bom. Mas, o principal é que nessa semana, às vésperas do Inferno Astral, lancei para Eu um apelo, um pedido de ajuda. 

Faço muitas perguntas, me sinto abençoada até quando pareço infeliz e insatisfeita com tudo, mas raramente peço favores. Eu sabe muito bem o que é necessário em sua onisciencia, porém a dor tem dessas coisas e convém procurar uma religação com o que aparentemente se separou, ou foi esquecido. Então, lancei o pedido de ajuda e me mantive alerta. Deixei de lado uma questão boba que estava me incomodando como um pedacinho minúsculo de farpa espetado na sola do pé. Não dói tanto assim e não sinto o tempo todo, mas às vezes incomoda quando quero andar. Parei por aqui antes que esta história ganhe mais relevância do que merece e acabe atingindo o adversário mais do que o necessário. Nunca foi essa a idéia. Ele quis muito, em qualidade e intensidade, mas eu sempre quis mais. E sou mais rápida também. I never drew first but I drew first blood. Chega. Às vezes algumas coisas precisam chegar ao fim para que ainda tenham alguma chance, algum dia. 

Conversei bastante com amigos sobre minhas atitudes mentais, meus enfoques e suas consequências positivas e negativas dentro dos meus objetivos. Abri bem os olhos, mantive os ouvidos atentos e todos os outros sentidos foram postos em potência máxima. Foi assim que acabei vasculhando as caixas empilhadas esperando pela nova estante, onde estão referências muito queridas, velhas revistas, antigos livros, músicas, cartas, poemas, desenhos, idéias, projetos, estudos, fotografias e uma série de filmes clássicos. I was searching. Seeking and destroying. Um deles até deu as caras aqui no Retrato, duas vezes e, sem me dar conta, começaram a ganhar novos sentidos e a vibrar na mesma frequência do meu pedido. The Good, the Bad and the Ugly sozinho já havia  feito boa parte do trabalho, mas a parte pesada e o desfecho ficaram com Once Upon a Time in West.

Tenho uma tendência a me expressar musicalmente de uma forma que fica evidente a raíz no Blues, no Folk e no Western Country. Isso sempre resulta em Hard Rock, Heavy Metal e Trip Hop. Então, mergulhada no Western durante essa semana, catei as velhas conhecidas composições das trilhas sonoras, que tocaram o dia inteiro por aqui. Uma delas até tocou no momento em que retirei e joguei definitivamente fora aquela farpa a que me referi aí em cima. Não há mais nada a dizer sobre esse assunto. Fim. Mas, com os ouvidos atentos àquele pedido, eu não perdia nada por esperar. 

Não tenho inimigos, porque todo mundo que me magoa acaba ajudando muito mais... Nem tenho desafetos porque isso é coisa de gente fresca. Na minha vida você entra como coadjuvante ou como figurante. Pois os papéis de protagonista e de antagonista faço sozinha. Enfim, fiquei nessa de escrever, compôr e aproveitar tanto a única semana de férias que tive em dois anos que já tenho músicas novas, meu livro bem encaminhado e até um monte de textos programados para os próximos dias, sem falar que voltei a ficar de pé para o próximo round daquela luta que quase me levou à nocaute. E isso tudo, me fez esquecer completamente do Rock in Rio. Então, ontem à tarde acordei mais tarde do que eu gostaria. Mas, cheguei ao evento no momento certo, muito bem acompanhada e já pronta para encontrar um monte de amigos e várias pessoas que seria melhor nem ter visto. Mas, sabem como é, Sauron fez a orientação de pós doc dele comigo... So, every breath you take... Tenho que aceitar. Entre tchauzinhos à distância, rápidos cumprimentos e até a total ignorada acabei encontrando queridos companheiros de banda, de amizade, de estudos, de esportes e até de vida.

A primeira coisa que quis ver foi a Rock Street deste ano com a temática de Londres. Assisti duas bandas de Folk Irlandês, o guitarrista poser da sacada, o mágico, os malabaristas e o gaitista de fole vestido à caráter seguido como ambulância no engarrafamento. Acabei encontrando o Roberto Medina passeando por ali. Só um cumprimento rápido e um sorriso... Ia sugerir que Jack pedisse outro aumento, por conta dos últimos prêmios para a agência, mas me segurei e apenas apontei: "Olha quem está ali. Cotonete. Teu chefe." Em seguida, senti fome e um desejo por aquele pastel gigante que comi na quarta edição do festival. Cruzamos a área central e fomos lááááá para o outro lado, bem no meio do show do Capital, enquanto tocavam "17 anos e fugiu de casa..." Meus ouvidos estavam à toda. E achei ótima a idéia de reduzir a quantidade de ingressos. Ter 22 mil pessoas a menos fez muita diferença. Comemos os pastéis, bebi meu chá gelado e ficamos ali mesmo pelo Sunset. Queria muito ouvir o Offspring, pois da última vez que os vi foi lá pelos idos dias de 96. A coisa mais legal de revê-los foi que, mesmo depois de tanto tempo e da evocação de memórias de uma época feliz, de sol e surf todo dia eu ainda lembrava em que ordem as músicas estavam na fita cassete onde as gravei. Me diverti tanto que já estava sem voz depois dessa apresentação. De longe, a banda de Punk mais divertida de todas. Discípulos que derrubaram os mestres dez vezes. Afinal, Ramones é um saco. Sem alça. 

Passamos um bom tempo descansando por ali mesmo. Relembramos coisas boas, falamos da vida e de equipamentos esquecidos nas casas uns dos outros há quase dez anos. Acabou que não vi os, tão bem humorados, 30 min to Mars... E nem fiz tanta questão. A conversa estava boa e embora quase todos fossem músicos, ninguém ali é chato resenhista. O que agradeço muito, pois para mim, o porre de estar com gente chata em shows, é que sempre rola o momento "comentaristas de futebol" quando todo mundo começa a querer discutir e analisar o que rolou há 10 segundos atrás. Vira um blábláblá de autoafirmação, onde ninguém quer ouvir ninguém, só falar, mostrar que é um "profundo conhecedor" do assunto e eu fico olhando para cada um, exercitando minha concentração pirocinética e imaginando como seria se suas cabeças explodissem. Tenho muita sorte em amizades. As más sempre viram as costas e as boas sempre voltam. Graças à Eu!

Logo começou o show da Florence, que não depositei muita expectativa, pois é o tipo de som que funciona melhor em ambientes fechados e menores. E por isso mesmo até surpreendeu bastante. Claro, tirando os gritinhos e o volume absurdo do microfone. De resto, estava linda e escolheu bem o setlist. Gostei. Depois de um tempinho os headliners subiram ao palco, sem cerimônia e inglesamente na hora. Fizeram um bom show, sendo que algumas músicas eu deixaria de fora, mas entendo a relação dos músicos com o último trabalho, ainda que este seja infinitamente inferior a todos os anteriores. A gente sempre quer mostrar as novidades... Foi legal. Não chegou nem perto do show de 2008 no Vivo Rio, mas foi bonito mesmo assim. E eu já estava pensando que sairia sem surpresas, olhando para uma estrelinha distante, bem em cima da minha cabeça. Meus pensamentos viajando para longe, passeando pela idéia de que é possivel relacionar qualquer coisa com qualquer coisa, pois tudo está conectado, ainda que anos luz os separe, ainda que jamais se encontrem. Foi neste momento, que aquela gaita começou as primeiras notas. De repente, meu corpo inteiro se arrepiou. Não esperava que aquele pedido de ajuda me trouxesse uma resposta tão rápida e tão direta. Num momento, a música tema de uma dor, se tornou a música tema de todas elas, se tornou uma indicação, A resposta. A gaita de Harmonica, o mestre que manteve meu espírito forte durante a semana, enquanto me recupero de uma queda, aquela mesma gaita e aquela mesma canção. A canção do destino implacável e do tempo, a canção do justiceiro, a canção da bravura, a canção do terror adversário. A canção que deixei tocar bem alto todos os dias nesta semana, enquanto pintava, escrevia, corria e parava de pensar e me importar, enquanto retirava uma farpa do pé, e que tocará quando estiver prestes a acabar com cada um, obstáculo após obstáculo. A canção que tocou antes da minha música favorita do Muse, apontada com luzes piscantes, raios lasers e fogos de artifício, em alto e bom som. A canção da resposta que Eu enviou para mim sublinhada com marca texto. Não podia ir dormir sem essa. 

E esse foi só o começo, pois, depois desta luz acesa no caminho, me ocorreu que ainda haverá outras duas, pra não restar dúvidas e librianagens semelhantes. Afinal, Ennio Morricone sempre dá as caras no início das apresentações do Metallica e sempre tocou e continuará tocando por um bom tempo aqui nos meus ouvidos. Além do Bon Jovi, que também não deixará por menos. É, Inferno Astral, Eu não toca apenas, Eu atira também.

2 comentários:

Gugu Keller disse...

Relato/desabafo interessante e muito bem escrito!
GK

Filipe disse...

Uaaaau! Você não falou em outra coisa na semana passada... Até resolvi assistir aos filmes e acontece isso! Carol, você é bizarra mesmo.