Sons of Anarchy recomeçou ontem. Legal olhar para a bela cara de Jax e todo o club outra vez. Principalmente porque é tão impressionante a quantidade de merda em que os roteiristas os colocam, que a minha própria imaginação e sua capacidade de inventar problemas parece um amor perto deles. Assistindo essa série, com uma das melhores trilhas sonoras de todas, me sinto um pouco mais em paz. Dá até vontade de retomar aquela idéia de ter minha própria moto. Uma que tivesse mais lataria que meu carro, guidom de dar câimbra e um ronco erótico. Eu a trataria muito melhor. Manteria sempre brilhando, para quando surgisse no horizonte, deixasse todos confusos e pensando se não seria uma estrela cadente passando entre carros e caminhões. Faria uma chopper, pois motos, como guitarras e tatuagens, são coisas muito pessoais. Dinheiro pra isso é fácil arranjar, com tanta obra pela cidade pra se tropeçar e processar a prefeitura por aí... Falta mesmo é a coragem. Quem dirige um carro já está tão exposto que andar de moto chega a ser loucura nessa cidade de mal educados. E meu pai sempre teve uma, então sei bem qual é a sensação. Você parece tão intocável dirigindo a sua máquina, mas basta um toque de leve para toda aquela dureza ir, literalmente, para a vala. Motos e motoqueiros são coisas frágeis. Então, falta um pouco mais de ousadia... Porque o dia que eu resolver arranjar uma dessas, vou sumir. Seguirei as faixas do asfalto para ver onde vai dar. Não precisarei tirar minhas botas, nem minha trança, muito menos a bandana, que de tão surrada todos saberiam que tem mais histórias para contar do que eu. Bom, também não haveriam mais desculpas para não fazer as minhas tatuagens. Precisaria deixar essa rebeldia de lado e desenhá-las de uma vez. Aí, pronto, eu viraria uma lenda urbana e deixaria aquele motoqueiro tigre no chinelo. Correria de cidade em cidade, sem que ninguém soubesse meu nome. Encontraria crianças sequestradas, reuniria famílias separadas, arrastaria criminosos procurados para a cadeia, ajudaria nos mutirões de qualquer coisa. E desapareceria da mesma forma que apareceria, do nada e sem provas. A única evidência de minha passagem, além das histórias, seriam as minhas iniciais no primeiro lugar dos fliperamas da cidade.
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