domingo, 29 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Dia 22 de setembro no Rock in Rio 2013
Todos os 85.000 ingressos em cada dia do evento foram vendidos, então não seria correto afirmar que este foi o mais lotado, mas essa impressão ficou. Acredito nisso porque talvez tenha sido o dia com mais fanáticos reunidos. Daquele tipo que gosta do estereótipo, é alienado, reduz seu playlist à heavy metal e qualquer música diferente disso "é uma merda", quer parecer malvadinho, só anda mulambento, com camisas de banda já cinzas de tanto uso (o famoso "preto garage"), os cabelos desgrenhados, suados e fedidos. Horrível. As pessoas todas se aglomeravam para ver os shows, diferente dos outros dias em que se dividiam. Abriam rodinhas, suavam e passavam sem camisa ou com aqueles tecidos encharcados e catinguentos roçando na gente. E se no fim do dia 19 todos pareciam zumbis bêbados caindo em cima dos outros ontem foi a madrugada dos mortos! Cheguei à tarde bem no meio do Halloween e companhia no Sunset. Que ninguém tenha me visto por ali e se viu: EU ESTAVA INDO COMPRAR PASTEL! Aquilo é muito ruim... Comi sentada no meio da maior muvuca e só levantei para ver o Sepultura, outra vez, com o Zé Ramalho. Tocaram músicas que eu nunca tinha ouvido ao vivo, b sides e o Zé, que eu adoro, foi super bem recebido pela galera. Bonito. E neste show aconteecu algo que vivi quase 32 anos para ver: rodinha em Admirável Gado Novo! Todo mundo cantando junto as músicas do cara... Sensacional. O som estava limpinho e apesar das minhas cólicas, da falta de ar, da aglomeração excessiva e dos cigarros sem fim, gostei muitíssimo. O pouco que vi do Kiara Rocks pareceu bem legal. Já tinha ouvido alguma coisa, mas nem lembrava. Acho que estavam super empolgados e felizes. Mandaram bem com os covers e por convidarem Paul Di'Anno para uma participação. Isso inclusive serviu para quebrar o gelo com aquela galera preconceituosa. Era cada comentário besta que se ouvia... Ninguém está preparado para mudanças e o novo continua sendo sempre muito hostilizado. Humanos... Em seguida vieram os caras por quem saí de casa. Sem conversa, só pedrada. O som estava maravilhoso e o setlist perfeito, com a música tema da minha passagem por Mordor. Entraram, tocaram, riram e saíram. Slayer, sendo Slayer... Adorei! E teve até uma bela homenagem a Jeff Hanneman nos telões. Para mim o festival acabou aí. O show do Avenged Sevenfold me surpreendeu. Deram tudo de si, o som estva ótimo e assim as músicas pareceram menos chatas, menos covers de Metallica e outras bandas. Esperei por alguma música do Pantera, mas não rolou. E depois vieram os malas do Iron Maiden, por quem, claramente, a maioria estava ali. Fizeram o pior show deles dos cincos que eu já vi e um dos piores do festival. Produção de palco estava um lixo e o som mais desleixado de todos os tempos. Nunca vi equalização tão mal feita. Nem as guitarras estridentes do Metallica no dia 19 pareceram tão ruins perto daquela embolação sonora toda e daquele microfone estourado do Bruce. Sei que sou suspeita, mas nem falo das músicas. Parece que o setlist estava ao gosto dos fãs, na verdade. O som é que não condizia com a grandiosidade da banda mais querida deste público. Vi muita gente chateada, reclamando com sotaques de diversas partes do Brasil e isso foi triste, mas, enfim, ano que vem tem mais.
domingo, 22 de setembro de 2013
Estação das Brumas N. 31
Então é inferno astral... Cólicas, show do Iron Maiden, reinício das aulas, a volta ao ringue com a cara toda arrebentada e muito medo... A décima segunda casa, que no meu caso está no terreno do exuberante e majestoso Leão, com Marte e a Lua arranjando confusão lá no meio e não levando desaforo pra casa nesse período de reflexão, nessa mudança de anél da espiral, nessa virada de maré, que dura 29 dos 30 dias da justiceira Libra, minha constelação ascendente e onde fica meu Sol. Um problemão que sempre chega com a primavera. Mas, "O que seria do Inferno, se seus habitantes não pudessem sonhar com o Paraíso?". Maldito sonho, maldita esperança.
sábado, 21 de setembro de 2013
Eu disse cinco? Mas isso foi há seis meses...
O gelo seco, o fogo de palha, o devagar quase parando, o primeira engatada, o amante das horas, o celular com Super Bonder, o Maluco no Pedaço, o bipolar, o morde e assopra, o comigo num tá, o poker face, o estátua de mármore, o arremessador de regras, o pernas curtas, o pirata da cara de pau, o papagaio acorrentado, o decide você, o já fiz demais te procurando, o artista, o filósofo, o poeta, o caçula, o professor, o mestre dos magos, o agenda cheia, o reticências, o =], o Rs, o ..., o resumo da ópera, o Matrix, o não sabe o que quer, o rapaz de família, o bipolar, o umbigo do universo, o perfeito, o Coragem, o tocador de campaínhas, o malandro da ópera, o linha tracejada, o zebra, o listrado, o peixe palhaço, o cortina vitoriana, o Jerry, o Lorde Walder Frey, o bom demais para responder minhas mensagens, o piores atitudes, o coquete, o ídolo de milhões, o estrela exausta, o cansado e irônico, o toma lá dá cá, o é muito simples, o deixa disso, o me liga, o vamos marcar, o vou lá, o escreve vai compôr...
Dia 20 de setembro no Rock in Rio 2013
Cheguei ao evento à noite e direto para o pastel. O dia anterior havia sido muito cansativo, fui apenas para ver o Bon Jovi se redimir do último show na Apoteose. E estou esperando ainda. Mas, já na entrada senti que aquele seria o dia de evento mais fraco entre todos os que escolhi ir. Artistas que não me interessam e um público deslumbradinho demais... Definitivamente, Sambora faz uma falta maior do que todos imaginavam e pra piorar Tico não tocou também. O teclado soou quase nulo, John não estava com a voz boa, mesmo com as músicas um tom abaixo do normal e o setlist de divulgação do novo cd espantou todo mundo logo nas primeiras músicas. Triste. A parte boa foi ver aquele bando de micareteiro, menina bobalhona e uva passa se comportando como se tivesse 15 anos, murchar os sorrisinhos e gritinhos babacas. Isso foi sensacional. Depois da Bad Name veio uma decepção atrás da outra e logo a área ao meu redor esvaziou. Assim, ao menos do meio pro fim consegui assistir aquele show capenga melhorar um pouquinho. Mas, fato é que, quem diria?, a noite foi do Nickelback. E a impressão deixada por todas as headliners é a de que não têm nada mais a provar, então vão ali apenas cumprir sua agenda, enquanto as demais chegam para arrebentar. Mas, o que foi aquela... pessoa, que subiu no palco para ganahr um beijo e passou a música inteira japonesamente tirando foto com o Bon Jovi? E eu nem tinha levado bolsa nem nada para enfiar minha cabeça dentro, cara... Quase passei mal de constrangimento. Enfim, Bon Jovi, apesar do seu belo sorriso, claramente estava desconfortável e não gostou nada do show. Nem eu.
Dia 19 de setembro no Rock in Rio 2013
Este foi o dia que reuniu a maior parte dos artistas por quem aguardei nessa edição do festival. Logo cedo já estava no Sunset para encontrar o sorriso maroto do Gustavo no palco, ao lado de Edu Falaschi e compania. Asmah é muito ruim, Edu é um cara chatinho, sem graça e mimizento, com aqules vibratos exagerados e firulas desnecessárias, o som do Híbria estava muito melhor equalizado e mais pesado, mas são essas as coisas que a gente faz pelos amigos. E ele estava muito bem, super feliz, os dedos pegando fogo na guitarra, como sempre. Apesar disso, e da guitarra baixa, o show, em conjunto com o Híbria, foi bem animado, fãs de metal mimilódico estavam eufóricos, com aquele vocalista que poderia até trazer o Pantera de volta à vida sendo desperdiçado ali. E, ao menos no fim, me deixaram uma alegria, fecharam com a Rock N Roll. Fiquei satisfeita de ver o Gustavo ali, depois de tanto tempo na luta, tocando seu tipo de música favorito... Foi bonito. Da última vez havia sido na TV, numa apresentação do Erasmo Carlos... Um exemplo de persistência. Espero que seja daí pra cima.
Depois, não esperei muito e lá veio o Mr. Carisma com a sua lendária girada de microfone na Slave to the Grind. Tocou várias das músicas com a "nova" banda e isso foi ótimo, pois desanimou aquelas menininhas com seus gritinhos e comentários constrangedores. Depois da terceira música já dava para aproveitar o show em paz. Não tocacaram a By Your Side, nem as minhas duas baladas favoritas do Skid Row e Sebastian não estava tão bem de garganta, sua última apresentação fenomenal por aqui foi em 2005 no Canecão, mas é um showman. Foi divertido demais. E, nem preciso dizer, participei como se fosse minha própria banda.
Sem descanso, assim que Bach largou o microfone começamos a ouvir os tambores franceses no Mundo. Logo a Refuse Resist tocava enquanto eu ainda me deslocava pra lá. Outra vez, me acabei sem piedade e no final, já não sentia mais o chão embaixo dos pés, pareciam pregos no lugar... Quase me derreti, mas, enfim, voltei pro Sunset para comer pastel, beber um chá e sentar um pouco enquanto ouvia o sensacional Rob Zombie. Som, luzes e palco excelentes. Ali estava uma aula de performance que infelizmente precisei assistir sentada. Deu para descansar... Mas, não muito. Voltei logo pro Mundo, enquanto o Ghost tocava, encontrei os amigos, por acaso e sentamos um pouco mais para esperar o Alice in Chains. E, caraca, estou até agora com os Ah! da Them Bones na cabeça. Maravilhoso. De longe, o melhor setlist de todos e, lá do meio, onde eu estava, a equalização parecia perfeita. Não são o tipo de banda que investem em performances e presença de palco espalhafatosa, pois seu próprio posicionamento foge um pouco da cultura do espetáculo, por isso, teve gente sentindo essa diferença, mas acredito que a pronúncia do Português quase sem sotaque do "novo" vocalista apaziguaram bem o que talvez estivesse sendo recebido como frieza. Seria injustiça... Mandaram muito. Deviam voltar mais vezes!
Por último, outra vez vieram os nossos velhos conhecidos e sempre bem vindos Metallica. Atrasaram meia hora e me deixaram descansar um pouco mais. Nada de muito diferentes de nenhuma das suas quatro apresentações em que estive presente. A mesma introdução, as mesmas músicas "novas" na primeira metade do show, os mesmo efeitos pirotécnicos, a mesma animação nos clássicos da segunda metade, os mesmos recadinhos na palheta, a mesma encenação de despedida, as mesmas músicas de encerramento... Sem surpresas, mas deixou todo mundo satisfeito. Foi bem mais legal do que os últmos shows que fui, incluindo os de SP. E para os amigos que não vão aos shows, só assistem pela TV, aqui está um pequeno exemplo da diferença que faz estar presente no evento. Por alguma razão idiota, a voz do guitarrista está inaudível na transmissão, comprometendo pesadamente a música. Fora o resto, a pressão, a energia que circula do palco para o público em looping, a música vibrando pelo seu corpo, as luzes, as pessoas cantando e pulando juntas e todo o contexto. É incomparável uma coisa com a outra e esse é o tipo de experiência que gosto de viver sempre que possível, vale todo o desconforto. Tem gente que vai ao terapeuta, tem gente que vai a sessões de descarrego, tem quem prefira as giras de exu, tem o pessoal das drogas pesadas, outros só enchem a cara, alguns vão a festas raves, tem gente que toca, canta e dança, tem gente que pinta e escreve, tem quem corra, tem quem lute, tem quem nade e bata uma bola, tem quem faça meditação e pegue uma onda... e tem quem vá a shows de heavy metal.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
1,2,3...
Às vezes é necessário fechar os olhos, contar até dez, respirar fundo, lembrar a si mesmo de que você não ficará bem com aquelas roupas de listras horizontais e apenas sorrir para o babaca.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Hey, teacher!
Acredito que o maior empecilho à originalidade é o modo como usamos nossa memória. A princípio, a memória é a grande aliada do aprendizado que, quando bem empregado, ajuda na sobrevivência, nas relações humanas e na execução de tarefas. Por outro lado, o aprendizado pode ser muito limitante e um grande bloqueio à criatividade. É enquanto somos crianças a época mais criativa, e por quê? Porque tudo indica que não sabemos muita coisa, é nesse período que percebemos isso com muita clareza e então ficamos abertos a tudo. Como turistas chegando numa cidade nova, estamos tão alertas e interessados que talvez vivenciemos mais as belezas do local do que seus próprios habitantes. Ficamos surpresos, assombrados e apaixonados muito mais facilmente. E, ao longo da vida, a tendência é que as surpresas se tornem raras, pois, com a ilusão de que agora sim sabemos de muita coisa, tudo vai também perdendo um pouco da graça. Nossa sorte é que isso é apenas uma ilusão. E a verdade é que somos eternos Jons Snows: sabemos de nada!
Pois, o conhecimento é sempre sobre algo que já passou e muitas vezes, nem foi adquirido por conta própria. Lemos livros, assistimos palestras e vídeos e isso, em muitos casos, parece bastar para assumirmos posições, construirmos opiniões e criarmos certezas. Certezas até mesmo sobre nós. Começamos a aceitar os nomes que nos dão ou que outros dão para as coisas e deixamos de lado o fato de esses nomes dizerem muito pouco sobre a coisa em si e muitos mais sobre a relação de alguém com aquela coisa. Essa ilusão é criada em sociedade e representada institucionalmente pela escola e pela religião. O condicionamento a que somos submetidos é tanto que, depois de um tempo, já nem sabemos mais quem somos e o que queremos com a nossa Vontade. Mas, é bom lembrar, pré-conceitos servem apenas para organizar a vida. E só.
Conhecimento é coisa do passado. "Não se mergulha duas vezes no mesmo rio." Não se fala duas vezes com a mesma pessoa e sempre acho muito estranho gente que tem sempre as mesmas respostas prontas para tudo, os mesmos comentários repetidos à exaustão para cada pessoa que encontra pelo caminho. Sei lá, parece que ela se perde com certa ilusão de segurança e algum controle que fica orgulhosa de uma conclusão e sente necessidade de mostrar pra todo mundo, criando assim uma imagem de si, uma personagem. Mas, personagens, conclusões, pensamentos, sentimentos, certezas e opiniões são nuvens condicionadas ao tempo e suas intempéries. Não é muito inteligente levá-las a sério. E, acredito que começamos a ser criativos justamente quando esquecemos de nós, quando saímos de nossas seguranças, quando deixamos de lado aquilo que achamos ser e saber para voltarmos àquele estado em que percebíamos muito claramente que nada sabemos, àquele lugar onde não aceitamos nenhum papel e não nos reconhecemos como personagem algum.
Assim, é possível liberar espaço no HD para algo que não faça parte do que estamos habituados a responder frente às perguntas que a vida nos coloca. O que sabemos fazer, o que aprendemos sobre quem somos e tudo mais, serve para algumas poucas situações, e para muitas e muitas outras, não. Insistimos em reagir da mesma forma e que um jeito só basta para responder a qualquer coisa que se apresente. Ficamos cristalizados e frustrados com o fluir da vida, o tempo todo colocando em xeque o que tentamos construir com tanto esforço, e nocauteando tudo, inclusive o personagem, o ego. Porém, a criatividade, de fato, começa ao nos levantarmos para o próximo round, sem medo de errar, sem medo de perder, aceitando o risco. Começa ao se pensar outro jeito para enfrentar problemas recorrentes e adversários, mas não usando a estratégia dele ou as maneiras dos outros. Não é procurando incorporar o conhecimento do outro sobre aquela situação, mas, sim, diante do problema, pensar numa resposta a ser dada, mesmo com o medo ali.
O que seria possível criar que fosse maior que o problema, que a fragilidade sempre presente, mas completamente sem chance diante de uma vontade que a ultrapassasse? Diferente de quando se trata de provar alguma coisa, a criatividade está completamente ligada à paixão, pois só apaixonados enfrentam a vulnerabilidade e o medo. Quando o que se deseja, se torna maior, se torna mais importante, ao ponto de deixarmos de olhar para os obstáculos e passarmos a ver apenas o objetivo. Procuramos formas, respostas, e caminhos para responder as diversas perguntas também de diversas maneiras. Assim, sou criativa quando paro de pensar e simplesmente sou, quando me esqueço dos preconceitos que tenho sobre mim e o mundo. E, deste modo, sem o menor esforço ou preocupação, acabo sendo eu mesma. Verdadeiramente.
domingo, 15 de setembro de 2013
Dia 14 de setembro no Rock In Rio 2013
A semana foi pesada, movimentada, mas muito produtiva. Pesada porque levei um golpe certeiro e achei que dessa vez não fosse levantar. Movimentada porque ocorreram muitos turning points que ajudaram a lembrar do principal: nada é seguro. E produtiva porque há tempos não escrevia e compunha tanto num intervalo tão curto. Isso até se refletiu neste espaço aqui. Foram quase duas atualizações por dia. Bom. Mas, o principal é que nessa semana, às vésperas do Inferno Astral, lancei para Eu um apelo, um pedido de ajuda.
Faço muitas perguntas, me sinto abençoada até quando pareço infeliz e insatisfeita com tudo, mas raramente peço favores. Eu sabe muito bem o que é necessário em sua onisciencia, porém a dor tem dessas coisas e convém procurar uma religação com o que aparentemente se separou, ou foi esquecido. Então, lancei o pedido de ajuda e me mantive alerta. Deixei de lado uma questão boba que estava me incomodando como um pedacinho minúsculo de farpa espetado na sola do pé. Não dói tanto assim e não sinto o tempo todo, mas às vezes incomoda quando quero andar. Parei por aqui antes que esta história ganhe mais relevância do que merece e acabe atingindo o adversário mais do que o necessário. Nunca foi essa a idéia. Ele quis muito, em qualidade e intensidade, mas eu sempre quis mais. E sou mais rápida também. I never drew first but I drew first blood. Chega. Às vezes algumas coisas precisam chegar ao fim para que ainda tenham alguma chance, algum dia.
Conversei bastante com amigos sobre minhas atitudes mentais, meus enfoques e suas consequências positivas e negativas dentro dos meus objetivos. Abri bem os olhos, mantive os ouvidos atentos e todos os outros sentidos foram postos em potência máxima. Foi assim que acabei vasculhando as caixas empilhadas esperando pela nova estante, onde estão referências muito queridas, velhas revistas, antigos livros, músicas, cartas, poemas, desenhos, idéias, projetos, estudos, fotografias e uma série de filmes clássicos. I was searching. Seeking and destroying. Um deles até deu as caras aqui no Retrato, duas vezes e, sem me dar conta, começaram a ganhar novos sentidos e a vibrar na mesma frequência do meu pedido. The Good, the Bad and the Ugly sozinho já havia feito boa parte do trabalho, mas a parte pesada e o desfecho ficaram com Once Upon a Time in West.
Tenho uma tendência a me expressar musicalmente de uma forma que fica evidente a raíz no Blues, no Folk e no Western Country. Isso sempre resulta em Hard Rock, Heavy Metal e Trip Hop. Então, mergulhada no Western durante essa semana, catei as velhas conhecidas composições das trilhas sonoras, que tocaram o dia inteiro por aqui. Uma delas até tocou no momento em que retirei e joguei definitivamente fora aquela farpa a que me referi aí em cima. Não há mais nada a dizer sobre esse assunto. Fim. Mas, com os ouvidos atentos àquele pedido, eu não perdia nada por esperar.
Não tenho inimigos, porque todo mundo que me magoa acaba ajudando muito mais... Nem tenho desafetos porque isso é coisa de gente fresca. Na minha vida você entra como coadjuvante ou como figurante. Pois os papéis de protagonista e de antagonista faço sozinha. Enfim, fiquei nessa de escrever, compôr e aproveitar tanto a única semana de férias que tive em dois anos que já tenho músicas novas, meu livro bem encaminhado e até um monte de textos programados para os próximos dias, sem falar que voltei a ficar de pé para o próximo round daquela luta que quase me levou à nocaute. E isso tudo, me fez esquecer completamente do Rock in Rio. Então, ontem à tarde acordei mais tarde do que eu gostaria. Mas, cheguei ao evento no momento certo, muito bem acompanhada e já pronta para encontrar um monte de amigos e várias pessoas que seria melhor nem ter visto. Mas, sabem como é, Sauron fez a orientação de pós doc dele comigo... So, every breath you take... Tenho que aceitar. Entre tchauzinhos à distância, rápidos cumprimentos e até a total ignorada acabei encontrando queridos companheiros de banda, de amizade, de estudos, de esportes e até de vida.
A primeira coisa que quis ver foi a Rock Street deste ano com a temática de Londres. Assisti duas bandas de Folk Irlandês, o guitarrista poser da sacada, o mágico, os malabaristas e o gaitista de fole vestido à caráter seguido como ambulância no engarrafamento. Acabei encontrando o Roberto Medina passeando por ali. Só um cumprimento rápido e um sorriso... Ia sugerir que Jack pedisse outro aumento, por conta dos últimos prêmios para a agência, mas me segurei e apenas apontei: "Olha quem está ali. Cotonete. Teu chefe." Em seguida, senti fome e um desejo por aquele pastel gigante que comi na quarta edição do festival. Cruzamos a área central e fomos lááááá para o outro lado, bem no meio do show do Capital, enquanto tocavam "17 anos e fugiu de casa..." Meus ouvidos estavam à toda. E achei ótima a idéia de reduzir a quantidade de ingressos. Ter 22 mil pessoas a menos fez muita diferença. Comemos os pastéis, bebi meu chá gelado e ficamos ali mesmo pelo Sunset. Queria muito ouvir o Offspring, pois da última vez que os vi foi lá pelos idos dias de 96. A coisa mais legal de revê-los foi que, mesmo depois de tanto tempo e da evocação de memórias de uma época feliz, de sol e surf todo dia eu ainda lembrava em que ordem as músicas estavam na fita cassete onde as gravei. Me diverti tanto que já estava sem voz depois dessa apresentação. De longe, a banda de Punk mais divertida de todas. Discípulos que derrubaram os mestres dez vezes. Afinal, Ramones é um saco. Sem alça.
Passamos um bom tempo descansando por ali mesmo. Relembramos coisas boas, falamos da vida e de equipamentos esquecidos nas casas uns dos outros há quase dez anos. Acabou que não vi os, tão bem humorados, 30 min to Mars... E nem fiz tanta questão. A conversa estava boa e embora quase todos fossem músicos, ninguém ali é chato resenhista. O que agradeço muito, pois para mim, o porre de estar com gente chata em shows, é que sempre rola o momento "comentaristas de futebol" quando todo mundo começa a querer discutir e analisar o que rolou há 10 segundos atrás. Vira um blábláblá de autoafirmação, onde ninguém quer ouvir ninguém, só falar, mostrar que é um "profundo conhecedor" do assunto e eu fico olhando para cada um, exercitando minha concentração pirocinética e imaginando como seria se suas cabeças explodissem. Tenho muita sorte em amizades. As más sempre viram as costas e as boas sempre voltam. Graças à Eu!
Logo começou o show da Florence, que não depositei muita expectativa, pois é o tipo de som que funciona melhor em ambientes fechados e menores. E por isso mesmo até surpreendeu bastante. Claro, tirando os gritinhos e o volume absurdo do microfone. De resto, estava linda e escolheu bem o setlist. Gostei. Depois de um tempinho os headliners subiram ao palco, sem cerimônia e inglesamente na hora. Fizeram um bom show, sendo que algumas músicas eu deixaria de fora, mas entendo a relação dos músicos com o último trabalho, ainda que este seja infinitamente inferior a todos os anteriores. A gente sempre quer mostrar as novidades... Foi legal. Não chegou nem perto do show de 2008 no Vivo Rio, mas foi bonito mesmo assim. E eu já estava pensando que sairia sem surpresas, olhando para uma estrelinha distante, bem em cima da minha cabeça. Meus pensamentos viajando para longe, passeando pela idéia de que é possivel relacionar qualquer coisa com qualquer coisa, pois tudo está conectado, ainda que anos luz os separe, ainda que jamais se encontrem. Foi neste momento, que aquela gaita começou as primeiras notas. De repente, meu corpo inteiro se arrepiou. Não esperava que aquele pedido de ajuda me trouxesse uma resposta tão rápida e tão direta. Num momento, a música tema de uma dor, se tornou a música tema de todas elas, se tornou uma indicação, A resposta. A gaita de Harmonica, o mestre que manteve meu espírito forte durante a semana, enquanto me recupero de uma queda, aquela mesma gaita e aquela mesma canção. A canção do destino implacável e do tempo, a canção do justiceiro, a canção da bravura, a canção do terror adversário. A canção que deixei tocar bem alto todos os dias nesta semana, enquanto pintava, escrevia, corria e parava de pensar e me importar, enquanto retirava uma farpa do pé, e que tocará quando estiver prestes a acabar com cada um, obstáculo após obstáculo. A canção que tocou antes da minha música favorita do Muse, apontada com luzes piscantes, raios lasers e fogos de artifício, em alto e bom som. A canção da resposta que Eu enviou para mim sublinhada com marca texto. Não podia ir dormir sem essa.
E esse foi só o começo, pois, depois desta luz acesa no caminho, me ocorreu que ainda haverá outras duas, pra não restar dúvidas e librianagens semelhantes. Afinal, Ennio Morricone sempre dá as caras no início das apresentações do Metallica e sempre tocou e continuará tocando por um bom tempo aqui nos meus ouvidos. Além do Bon Jovi, que também não deixará por menos. É, Inferno Astral, Eu não toca apenas, Eu atira também.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Rapidinha
- Faaala Maria Madalena.
- Fala Bunda Frouxa.
- Tranquilidade na quebrada? Como você tá?
- Melhor... E a sobrinha? Já tá pedindo carro emprestado?
- Pô, tá namorando já. Conheci o moleque ontem. Veio cheio de papo que queria ver a galinha pintadinha dela. Mostrei logo minhas bolas azuis pra ele...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Tô muito babão cara. Vou te mandar uma foto dela.
- Fofurona! E nessa foto alguém tinha contado alguma piada infame pra ela.
- Pois é. Minha irmã falou que ela tá com cara de "Você tá dizendo que os outros bebês preferem a Xuxa ao invés do Bebê Mais e do Pingu?"
- Hahahahahahaha!
- E você, quando vai botar um pequeno messias no mundo?
- Provavelmente nunca. Hahahahaha. Odeio trânsito e multidões.
- Se bem que Jesus nasceu da VIRGEM Maria... Você pode estar grávida aí e nem sabe... Isso que é foda de ser mulher, nunca se sabe quando deus vai querer outro filho...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Impressionante!
- A gente se esbarra dia 20 pra cantar a Always bêbados?
- Sem qualquer dúvida. Só tô triste que o Sambora não estará lá pra cantar "Waaaanteeed!"
- Tô ligado, mas aí a galera canta essa parte. Vai terminar nesse semestre mesmo?
- Espero fortemente que me aceitem em todas as matérias. Você viu como escreveram teu nome na lista de Laboratório VI?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Porra, geralmente erram o Moutinho e escrevem Coutinho, mas esse erro daí foi novidade. Uma vez escreveram Coitinho.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! É que foda é o seu pai, você é fodinha.
- HEUAHEUAHEUAHEUAHEUAHEUAHEUA! Enfim...
- Fala Bunda Frouxa.
- Tranquilidade na quebrada? Como você tá?
- Melhor... E a sobrinha? Já tá pedindo carro emprestado?
- Pô, tá namorando já. Conheci o moleque ontem. Veio cheio de papo que queria ver a galinha pintadinha dela. Mostrei logo minhas bolas azuis pra ele...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Tô muito babão cara. Vou te mandar uma foto dela.
- Fofurona! E nessa foto alguém tinha contado alguma piada infame pra ela.
- Pois é. Minha irmã falou que ela tá com cara de "Você tá dizendo que os outros bebês preferem a Xuxa ao invés do Bebê Mais e do Pingu?"
- Hahahahahahaha!
- E você, quando vai botar um pequeno messias no mundo?
- Provavelmente nunca. Hahahahaha. Odeio trânsito e multidões.
- Se bem que Jesus nasceu da VIRGEM Maria... Você pode estar grávida aí e nem sabe... Isso que é foda de ser mulher, nunca se sabe quando deus vai querer outro filho...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Impressionante!
- A gente se esbarra dia 20 pra cantar a Always bêbados?
- Sem qualquer dúvida. Só tô triste que o Sambora não estará lá pra cantar "Waaaanteeed!"
- Tô ligado, mas aí a galera canta essa parte. Vai terminar nesse semestre mesmo?
- Espero fortemente que me aceitem em todas as matérias. Você viu como escreveram teu nome na lista de Laboratório VI?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Porra, geralmente erram o Moutinho e escrevem Coutinho, mas esse erro daí foi novidade. Uma vez escreveram Coitinho.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! É que foda é o seu pai, você é fodinha.
- HEUAHEUAHEUAHEUAHEUAHEUAHEUA! Enfim...
Saudações Irlandesas
- Wow! Tá linda... How long did it take?
- How long for what?
- For this makeup! Ho!
- Certamente menos tempo do que você vai levar se quiser ficar bonita também. Slut.
- Ah, é? How long do you think it would take for me?
- Pra ficar bonita? Ah, um pouco... Vai depender de quanto tempo você vai levar pra reencarnar.
- Oh, you bitch, Carol... I missed you...
- Me too, whore...
Lucífuga
Seu aniversário havia sido no dia anterior. Ela decidiu não vê-lo, então, hoje ele lhe trouxe numa pequena bolsa o seu presente. Era um frasco de perfume bonito, mas talvez ela tivesse escolhido uma outra fragrância. Não importava. Agora, nada mais importava. Ele tentou pegar em suas mãos, mas foi recusado. E então entendeu bem o que estava prestes a acontecer. Era uma despedida e nada que ele pudesse dizer mudaria isso. Estava decidido. Tudo havia sido planejado. Aquele era o momento derradeiro. Mas, não foi fácil. A cada palavra dita algo morria dentro dela, lenta e dolorosamente. Há quanto tempo sustentou aquela dor? Quanto havia tentado melhorar as coisas? Por quanto tempo esperou e manteve a calma, teve paciência? Nada disso importava agora. Era pesado demais. Ela sabia que havia acabado, porque alguma coisa dentro dela sempre sabia quando era hora de ir. Agora ele estava agradecendo e isso doeu ainda mais. Agradecer significava que não eram mais uma dupla. Ninguém agradece a um parceiro. O parceiro é você e você é ele. Gratidão demanda separação, distanciamento. Ela apenas o amava profundamente, sinceramente. Não se agradece esse tipo de coisa.
Ele, uma parte sua, estava sendo decepado como um membro gangrenado. Seus olhos, a lua cheia bem atrás de sua cabeça. Seus cabelos cortados... De repente as palavras dele foram abafadas pouco a pouco e ela deixou seus pensamentos vagarem até o dia em que, de longe, notou seus cabelos cortados. Como seu coração se acelerou! Como aquilo a havia magoado! Como tinha sido triste! Tanto estava mudando e aquilo fora apenas mais um ato simbólico de que ele começava a mudar as suas cores e a partir. Não sem antes partir seu coração. Não sem matá-la um pouquinho todos os dias, não sem antes apagar o seu brilho pouco a pouco, por um bom tempo.
Quando ela voltou a ouvir o que ele estava dizendo, a frase não fez sentido. Mas nem se importou em perguntar. Não era culpa de ninguém. Essas coisas acontecem o tempo todo, mas ali ela era ainda jovem demais e esta seria apenas uma entre as muitas lições sobre impermanência, aceitação e morte. Mas, como lidar com a morte e a destruição, o caos, de uma forma construtiva bem no auge do turbilhão em que a vida se encontra? Então, começou a falar e falar... Palavras desconexas, de sentido vago, subjetivas demais. Não houve qualquer esforço de coerência ou comunicação ou clareza. Ela falava para não explodir, falava para manter a sua luz acesa. E as lágrimas pintavam em seu rosto o perfeito retrato da perda.
Quando ela voltou a ouvir o que ele estava dizendo, a frase não fez sentido. Mas nem se importou em perguntar. Não era culpa de ninguém. Essas coisas acontecem o tempo todo, mas ali ela era ainda jovem demais e esta seria apenas uma entre as muitas lições sobre impermanência, aceitação e morte. Mas, como lidar com a morte e a destruição, o caos, de uma forma construtiva bem no auge do turbilhão em que a vida se encontra? Então, começou a falar e falar... Palavras desconexas, de sentido vago, subjetivas demais. Não houve qualquer esforço de coerência ou comunicação ou clareza. Ela falava para não explodir, falava para manter a sua luz acesa. E as lágrimas pintavam em seu rosto o perfeito retrato da perda.
Ambos se calaram. Encaravam-se tristemente e o mundo pareceu deixar de existir por um momento. Exatamente como há quatro anos e meio atrás, quando ela enclinou sua cabeça para cima e ele confessou palavras carinhosas guardadas por muitos meses, desde o dia em que se falaram pela primeira vez. O que ele estaria pensando agora? Da primeira vez ela sentiu uma profunda sensação de paz e pertencimento. Parecia uma união eterna e perfeita. Agora uma imensa solidão invadia seu espírito. Seu segundo nome era rejeição, mas não se lebrava de ter alguma vez se sentido tão só. Seu coração estava vazio e toda a história que havia criado em suas ilusões apagava-se. Uma onda lambia da praia as palavras escritas na areia.
Então, ela recitou um trecho de uma canção que um dia ouviram juntos, no auge de sua felicidade. "Sei que algum dia você terá uma bela vida, sei que será uma estrela, brilhando no céu de alguém. Mas por quê? Por quê? Por quê não pode ser no meu?" Ele apenas sorriu com pesar e disse saber que em algum momento se arrependeria muito de estar deixando aquilo acontecer sem lutar. Sabia que sim. Se arrependeria de desistir e seguir em outra direção. Mas sabia também que se alguém seria uma estrela entre eles dois, essa era ela. Apenas ela, com sua obstinação flamejante. Apenas ela com seu brilho iluminando as ruas por onde passa. Apenas ela, com seu sorriso enorme e seus longos cabelos. Apenas ela, com seus múltiplos talentos e habilidades ainda não descobertos. Apenas ela, a quem ele por fim deu as costas e desceu a ladeira, com a cabeça baixa, seguindo seu rumo incerto em busca de coisas que para ela eram tão naturais. Autossuficiência, imponência e vontade de ferro. Ela não precisava, nem desejava, até mesmo, recusava aceitação. Mas, ele... não enxergava sua própria luz. Precisava de aplausos, de espelhos, de uma bela imagem diante de todos, do jogo, da fama e do poder. Pois, enquanto ela estava farta e fugia de qualquer pertencimento, ele nunca havia sentido o gosto do luxo e do lustre social.
Apenas a luzinha de um poste e o luar iluminavam o caminho. Apenas o vento lhe fazia companhia agora. Estava por conta própria. Mas, sempre esteve por conta própria... Ela o observou por um tempo, andando sem olhar para trás. Roupas velhas, botas surradas, mãos vazias, a cabeça borbulhando de sonhos e ilusões. Com aquele mesmo caminhar cheio de pose que ela esperara de sua janela por tantas noites. Agora ele seguia para longe de seus olhos e de seu coração. E quando ele já estava quase sumindo lá no fim da ruazinha, um pouco antes de virar a esquina para sempre, ela sentiu seu peito queimar. Mas, antes que aquele fogo a atirasse na direção errada, fechou os olhos, cerrou os punhos e virou as costas. De repente, começou a correr. Correu como se enxergasse todo o caminho à sua frente. Correu sangrando, correu com medo. Correu o mais rápido que pôde. Correu, não pensou, correu apenas. Dessa vez não tentaria consertar as coisas. Dessa vez deixaria ser.
E naquela noite as estrelas não se acenderam.
Exceto uma que, solitária, cruzou velozmente a escuridão.
Então, ela recitou um trecho de uma canção que um dia ouviram juntos, no auge de sua felicidade. "Sei que algum dia você terá uma bela vida, sei que será uma estrela, brilhando no céu de alguém. Mas por quê? Por quê? Por quê não pode ser no meu?" Ele apenas sorriu com pesar e disse saber que em algum momento se arrependeria muito de estar deixando aquilo acontecer sem lutar. Sabia que sim. Se arrependeria de desistir e seguir em outra direção. Mas sabia também que se alguém seria uma estrela entre eles dois, essa era ela. Apenas ela, com sua obstinação flamejante. Apenas ela com seu brilho iluminando as ruas por onde passa. Apenas ela, com seu sorriso enorme e seus longos cabelos. Apenas ela, com seus múltiplos talentos e habilidades ainda não descobertos. Apenas ela, a quem ele por fim deu as costas e desceu a ladeira, com a cabeça baixa, seguindo seu rumo incerto em busca de coisas que para ela eram tão naturais. Autossuficiência, imponência e vontade de ferro. Ela não precisava, nem desejava, até mesmo, recusava aceitação. Mas, ele... não enxergava sua própria luz. Precisava de aplausos, de espelhos, de uma bela imagem diante de todos, do jogo, da fama e do poder. Pois, enquanto ela estava farta e fugia de qualquer pertencimento, ele nunca havia sentido o gosto do luxo e do lustre social.
Apenas a luzinha de um poste e o luar iluminavam o caminho. Apenas o vento lhe fazia companhia agora. Estava por conta própria. Mas, sempre esteve por conta própria... Ela o observou por um tempo, andando sem olhar para trás. Roupas velhas, botas surradas, mãos vazias, a cabeça borbulhando de sonhos e ilusões. Com aquele mesmo caminhar cheio de pose que ela esperara de sua janela por tantas noites. Agora ele seguia para longe de seus olhos e de seu coração. E quando ele já estava quase sumindo lá no fim da ruazinha, um pouco antes de virar a esquina para sempre, ela sentiu seu peito queimar. Mas, antes que aquele fogo a atirasse na direção errada, fechou os olhos, cerrou os punhos e virou as costas. De repente, começou a correr. Correu como se enxergasse todo o caminho à sua frente. Correu sangrando, correu com medo. Correu o mais rápido que pôde. Correu, não pensou, correu apenas. Dessa vez não tentaria consertar as coisas. Dessa vez deixaria ser.
E naquela noite as estrelas não se acenderam.
Exceto uma que, solitária, cruzou velozmente a escuridão.
Don't you start no fight
Semestre passado foi um caos. Persisti, mas larguei de mão um monte de coisas por pura impossibilidade de lidar com tudo. E olha que foi difícil para a minha balança deixar para lá, sem conclusão, algumas delas. Quero sempre um pouco de cada e a pior forma de me torturar é me pedindo para escolher. Acabei também precisando fazer uma coisa que detesto tanto quanto: controlar cada minuto do meu tempo, para otimizá-lo. Por isso, há alguns meses comentei por aqui que precisava comprar um timer, desses de cozinha. E comprei logo. Ele fica tiquetaqueando durante o tempo que eu marco e assim não me deixa enrolar em detalhes e perfeccionismos, nem levantar para fazer qualquer outra coisa durante esse intervalo. Foi uma ótima aquisição. Não custou quase nada e ajuda muito. E antes que eu pudesse começar a me desesperar, concluí trabalhos e projetos, as férias chegaram. Assim, de sopetão, como tudo costuma acontecer na minha vida. Desde o princípio.
- Cacá, você já comprou o timer? - Eu não falava com ela desde aquele dia, há uns três meses.
- Oi, mãe! Sim! Consegui achar um bonitinho. É uma maçã.
- Ah que pena... Acabei de achar aqui um lindo. É uma bomba com uma caveirinha desenhada nela. Você ia adorar!
- Poxa... Ia mesmo...
- Tá bom. Então vou comprar assim mesmo.
- Legal, mãe... Tá tudo bem por aí? Ah, sabia que eu vou começar o... Mãe... Mãe.
Explica, ou não explica muita coisa? Pode falar...
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Sugestão para você
E, falando em seriados, bem a tempo acabei de assistir pela terceira vez um dos meus seriados favoritos: Boston Legal. E sempre que termina dá um aperto no coração... É uma pena que não passe mais e eu tenha que me contentar em assistir suas míseras cinco temporadas repetidas vezes... Amizade, questões humanas, morais, éticas, políticas, religiosas e sociais, humor fino, edição, roteiro, personagens, enredo, diálogos, elenco, trilha sonora, direção e performances impecáveis! Impecáveis MESMO! Desses que insisto e encho o seu saco para que você assista, se eu te amar. Penso, relaxo, rio e choro tanto com esses episódios... Há tanta identificação com Alan Shore, que quando chega no fim do dia até penso em procurar a varanda, as poltronas, os charutos e o whisky, pois o meu melhor amigo Danny Crane já tenho! Ganhei o box há um tempão, mas acho que é possível encontrar com facilidade na Internet. É o tipo de programa que vale cada byte e minuto de espera, mas acredito que não seja para qualquer tipo de público. Se resolverem assistir, assistam todas as temporadas, pois é grande a rotatividade de personagens e alguns dos mais geniais não aparecem logo na primeira. No entanto, não é como Game of Thrones, por exemplo, que ainda é válido para o telespectador pipoca: mesmo que ele perca a sofisticação das questões levantadas por Martin durante o contexto das intrigas de Westeros e Essos, tem as espadas, os personagens interessantes e cenários grandiosos. Em Boston Legal, isso não ocorre. Embora seja possível assistir fora de cronologia, se você não presta atenção nos diálogos e não fica atento à pscicologia dos personagens, à construção do raciocínio e à profundidade dos casos abordados, não verá a menor graça. Enfim, não quero falar muito mais para não começar entrar em detalhes e acabar com a surpresa de quem for assistir. No mais, este seriado está entre as minhas referências mais queridas e se eu puder indicar algo para você (é, você mesmo, que está longe e tem medo de chegar perto), tenho certeza que vai adorar tanto quanto eu. Vai lá, assista. Não me faça insistir e encher o seu saco.
CSP
Sons of Anarchy recomeçou ontem. Legal olhar para a bela cara de Jax e todo o club outra vez. Principalmente porque é tão impressionante a quantidade de merda em que os roteiristas os colocam, que a minha própria imaginação e sua capacidade de inventar problemas parece um amor perto deles. Assistindo essa série, com uma das melhores trilhas sonoras de todas, me sinto um pouco mais em paz. Dá até vontade de retomar aquela idéia de ter minha própria moto. Uma que tivesse mais lataria que meu carro, guidom de dar câimbra e um ronco erótico. Eu a trataria muito melhor. Manteria sempre brilhando, para quando surgisse no horizonte, deixasse todos confusos e pensando se não seria uma estrela cadente passando entre carros e caminhões. Faria uma chopper, pois motos, como guitarras e tatuagens, são coisas muito pessoais. Dinheiro pra isso é fácil arranjar, com tanta obra pela cidade pra se tropeçar e processar a prefeitura por aí... Falta mesmo é a coragem. Quem dirige um carro já está tão exposto que andar de moto chega a ser loucura nessa cidade de mal educados. E meu pai sempre teve uma, então sei bem qual é a sensação. Você parece tão intocável dirigindo a sua máquina, mas basta um toque de leve para toda aquela dureza ir, literalmente, para a vala. Motos e motoqueiros são coisas frágeis. Então, falta um pouco mais de ousadia... Porque o dia que eu resolver arranjar uma dessas, vou sumir. Seguirei as faixas do asfalto para ver onde vai dar. Não precisarei tirar minhas botas, nem minha trança, muito menos a bandana, que de tão surrada todos saberiam que tem mais histórias para contar do que eu. Bom, também não haveriam mais desculpas para não fazer as minhas tatuagens. Precisaria deixar essa rebeldia de lado e desenhá-las de uma vez. Aí, pronto, eu viraria uma lenda urbana e deixaria aquele motoqueiro tigre no chinelo. Correria de cidade em cidade, sem que ninguém soubesse meu nome. Encontraria crianças sequestradas, reuniria famílias separadas, arrastaria criminosos procurados para a cadeia, ajudaria nos mutirões de qualquer coisa. E desapareceria da mesma forma que apareceria, do nada e sem provas. A única evidência de minha passagem, além das histórias, seriam as minhas iniciais no primeiro lugar dos fliperamas da cidade.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
De um jeito que eu entenda...
- I've been looking for you for 8 months. Whenever I should have had a gun in my right hand, I thought of you. Now I find you in exactly the position that suits me. I had lots of time to learn to shoot with my left.
- When you have to shoot, shoot. Don't talk.
Game Over
Na noite passada levei uma porrada. Forte. Certeira. Dessas que deixam a gente no chão se contorcendo de dor. Foi bem em cheio numa ferida que não terminou de cicatrizar e que, na verdade, parece maior a cada ano. Não tem sido fácil suportar isso sozinha. São tantas coisas pesando na cabeça... E sempre me cobro o máximo. Então, quando me pedem calma, quando me pendem o mínimo, minha única vontade é acertar uma shuriken bem no meio da testa do interlocutor. O que dói principalmente é a repetição, a reincidência, essa tortura chinesa. A maldade, a frieza e, acima de tudo, a injustiça, com que tratam a minha inocência, o meu coração aberto, a minha boa vontade e os meus momentos de confusão ainda me espantam, ainda me surpreendem e isso é grave. Mas, do lodo surge a lótus e quando eu já estava desidratada de tanto chorar ele apareceu, como sempre aparece: iniciando o discurso com a leveza, a inteligência e a criatividade do Ar, mas encerrando de forma sarcástica, dura e implacável como manda seu ascendente de Terra. Espero lembrar de tudo.
- Carol, o que aconteceu? Por favor, para de chorar e me fala! Você já está me assustando!
- É aquilo outra vez. Não precisa me olhar assim...
E depois de um tempo em silêncio:
- Olha só, me fala o que é pra fazer e eu farei junto com você. Vamos acabar com isso. Chega, não aguento mais essa história. Isso acontece por escolha sua, porque você deixa a porta aberta. Você decide ser assim e está sendo vítima das coisas que rejeita. Está pondo um parâmetro onde não existe e está esperando que o caos seja ordenado. Escolhe andar por conta própria e espera ter uma vida certinha como a do seu pai com aquela rotina massacrante dele? Estão te embarreirando e é o que vão fazer sempre. Mas, nesse caso isso daí sabe para quê serve? Para limpar a bunda. Não é necessário. E ainda corre o risco de só entrar para a lista das coisas que você considerou perda de tempo na sua vida. Você quer continuar? Então a resposta virá em atitude. Se não quer, é um abraço. Fim. Esquece isso e vai dar valor e investir o seu tempo no que quer de verdade. Você quer? Se quiser, eu farei junto com você.
- Não.
- Então, acabou. Pronto. Aprende isso. Essa sua boa memória só te faz mal nessas horas.
- Mas... O que me mata são essas atitudes, essas injustiças... É covarde, é sujo.
- Sim! É covarde, sujo e você não precisa disso. Escuta o que estou te falando: você não precisa disso para nada. Tudo o que você faz de melhor aprendeu por conta própria.
- Só que ela só está agindo assim depois de ter ido falar com aquele imbecil. Cara, que raiva! É muito escroto.
- O que ele falou, o que ela pensou, o que se concluiu, na boa, foda-se. Pára com isso. Pára de achar que resposta se dá argumentando. Você desistiu de Direito lembra? Pára de se importar, pára de gastar energia pensando sobre essa gente que só foi babaca. Só existem dois tipos de pessoa: as que nos fazem bem e as que nos fazem mal. Se nos faz bem, serve. Se nos faz mal, não serve. Corta fora. Acabou. Eu vejo você se importando, tentando entender, procurando um ponto pacífico, um equilíbrio em situações e pessoas que são causa perdida. Acho ótimo quando esse seu perfeccionismo te torna uma pessoa que está sempre buscando, sempre achando que ainda precisa aprender mais e melhorar, mas quando ele te leva por esse caminho de querer consertar tudo, caramba, isso me cansa só de pensar. Pára de pensar, pára de imaginar, pára de idealizar... A realidade sempre perde para a imaginação, mas a imaginação sempre perde para a atitude. Faz. Enquanto você estiver fazendo, aproveita. Não pensa no que vai dar, não pensa em ninguém. Não pensa. Só faz. Entra naquele seu estado meditativo e fica lá. Seja a ação. Porque a situação passa, as pessoas passam, o que fica é o que você fez.
Acho que foi mais ou menos isso que ele falou, foram essas as palavras e os pontos abordados... Depois disso, ele voltou a ficar em silêncio. Bonito, né? Um verdadeiro mestre. Mas eu sabia que não tinha terminado. Já sei como é... E, como se não fosse o maior chorão que conheço, usando minhas próprias palavras contra mim, arrematou:
- E pára de chorar! Da última vez que vi alguém chorando assim foi porque perdeu a perna.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Parceria de Titãs
O interessante sobre a ironia e a burrice é que as duas são formas de fingimento. A gente sempre é irônico quando cansou de pensar, quando, em vez de argumentar e explicar nosso ponto, mudamos de estratégia, fazemos corpo mole e fingimos ignorância para que a pessoa conclua por si mesma ou caia numa armadilha de contradição. É um artifício arrogante que se mostra totalmente ineficaz se o outro não notar essa mudança de postura, mas continuar comportando-se como se entendesse tudo. Ou seja, fingindo conhecimento, sendo orgulhoso, não dando o braço a torcer, se fazendo de entendido. Sendo burro. Pois, a burrice... Bem, a burrice é a recusa em aprender, é essa qualidade que assumimos aos nos passar por conhecedores e experientes em assuntos e situações nos quais aprenderíamos muito mais se admitissemos estar entendendo nada e perguntássemos: "Ora, mas o que está havendo? O que é isso?" Qualidade essa muito presente no comportamento daqueles que jamais admitem terem errado, dos que nunca se desculpam, dos egos inflados, dos covardes que te tratam mal gratuitamente e matém seus argumentos preguiçosos, cansados e cínicos como justificativa, dos que sentem medo de um "não" e por isso agem com sarcasmo e passivo-agressividade, dos que se acham invencíveis escondidos atrás do monitor ou das palavras de outras pessoas e só falam e falam, mas são surdos. Quando o outro começa a falar olham para o relógio como se dissessem "não tenho tempo para você e o que você pensa", e ao mesmo tempo dizem ter medo do dia em que a sua mente começará a se fechar, meia hora depois de ter acabado de rotular você baseando-se em algo que você disse que gosta, sendo que nem o conhece mínimamente para concluir qualquer coisa, e até poderiam ter conhecido um pouco mais, se não fossem tão burros. Pois, burrice são olhos que emitem luz em vez de recebê-la, é um tipo cruel de surdez, e de cegueira, é um tipo de arrogância. Não é não saber do que se fala, mas deixar de saber porque prefere achar ou fingir que sabe. E sim, nessa briga de titãs, entre ironia e burrice, a segunda é invencível. Mas, imbatível mesmo é quando as duas se juntam.
You see...
...in this world there are two kinds of people, my friend. Those with loaded guns and those who dig. You dig.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
Toda fragilidade incide
- Se eu tivesse um dinheiro sobrando, contrataria o Djavan pra tocar lá em Saquarema no aniversário do meu pai. Ele sempre disse que se tivesse muito dinheiro faria isso. Hahahaha.
- Ah, mas nem é assim tão caro um show do Djavan.
- Beleza... Não é tão caro quanto o AC/DC, mas ainda assim não é um dinheiro que tenho sobrando, né cara?
- Pô, Carol... Teu pai tem esse dinheiro. Se ele quisesse mesmo, contratava.
- Ah, nem deve lembrar mais. Por isso seria ainda mais legal. Ele falou isso numa época em que a gente só comia arroz, feijão e ovo todo dia. E eu tô falando de ter o dinheiro sobrando. Não de ter o dinheiro simplesmente!
- Ah, porra... Se eu tivesse esse dinheiro sobrando eu não contratava o Djavan pra tocar, eu comprava o Djavan.
- ...
- E ainda mandava ele lavar a louça. Cantando "Um dia triste..."
- Ah, mas nem é assim tão caro um show do Djavan.
- Beleza... Não é tão caro quanto o AC/DC, mas ainda assim não é um dinheiro que tenho sobrando, né cara?
- Pô, Carol... Teu pai tem esse dinheiro. Se ele quisesse mesmo, contratava.
- Ah, nem deve lembrar mais. Por isso seria ainda mais legal. Ele falou isso numa época em que a gente só comia arroz, feijão e ovo todo dia. E eu tô falando de ter o dinheiro sobrando. Não de ter o dinheiro simplesmente!
- Ah, porra... Se eu tivesse esse dinheiro sobrando eu não contratava o Djavan pra tocar, eu comprava o Djavan.
- ...
- E ainda mandava ele lavar a louça. Cantando "Um dia triste..."
sábado, 7 de setembro de 2013
Ihi Passiko
Às vezes noto que um ou outro texto que escrevo aqui é mau interpretado e tomado como agressão pessoal por egos mais reluzentes. Estranha escolha essa a de se manter distante murmurando frases feitas quando se tem a disponibilidade de chamar para uma conversa agora mesmo. Também é muito estranha essa escolha diante de todas as minhas tentativas de aproximação. É estranho ir no mais fundo da intimidade de alguém, mas não querer se aprofundar intimamente, fugir feito bicho do mato. E ainda querer apontar contradição. Não tem contradição alguma, talvez tenham sido vocês que não entenderam os muitos lados de determinada questão. Uma das características do que chamo verdade é o paradoxo, pense nisso.
Vir até aqui para tentar saber de mim e me conhecer, quando basta digitar algumas letras do meu endereço de e-mail ou alguns números para me ligar e, de fato, me conhecer e experimentar cara a cara? Do que é que vocês têm medo? Alguma vez os recebi com estupidez gratuita? Alguma vez os deixei sem explicação? Alguma vez fui até o seu espaço invadí-lo com alguma tentativa ególatra de aparecer ou ditar? Enfim, é cada louco com a sua mania, eu por exemplo detesto coisas e pessoas "a banda mais bonita da cidade", mas algumas manias realmente não consigo entender. E, é atravez dessas atitudes que se nota mesmo o quanto as pessoas que mais falam em desapego e na oposição inteligência x julgamento são as mais apegadas e fazem juízo de tudo. Rotulam, debocham e ironizam, baseando-se em conclusões tomadas a partir de palavras, não de vivência. E ainda, são os primeiros a levantarem em protesto quando a eles se aponta apenas os fatos e o que eles provocaram. O pior tipo sempre é aquele que acha que sabe. Não tem como encher uma caneca cheia.
Se eu disser que mentiu e tiver mentido e me chateado, isso é uma observação de um fato, não um julgamento. Se eu disser que meu interesse foi ignorado, mas meu repúdio recebe toda atenção porque existe uma apego enorme ao ego, isso é um fato, não um julgamento. Se eu enumerar o descaso, a auto-preservação covarde e a desonestidade em atos e palavras, isso são fatos, não julgamentos. Se eu disser que correu de uma conversa séria e tiver corrido, isso é um fato, não um julgamento. E contra fatos não há argumentos. Estou pouco me fodendo em me esforçar para parecer alguma coisa como ser "inteligente", "artistica", "filosófica", "politizada", "espiritualizada". Quem se esforça é porque precisa fazer esforço. Gosta de seguir regrinhas para a vida e com isso só mostra o quanto não entende nem as frases feitas que repete. Só mostra que vive na coleira dizendo que os outros são doentes enquanto pensa que é muito livre. Fora que, se vocês se sentem agredidos diretamente, saibam: ninguém agride sem estar ferido. Talvez, para mim, com um ou outro, ainda não tenha surgido uma oportunidade de esclarecimento. Mas, se eu me importar de verdade, essa oportunidade virá, só que talvez isso dependa mais de você, porque certamente eu já tentei. Então, beatle juice, beatle juice, beatle juice! Apareça!
Amigos, muitas são as coisas que me acontecem, muitas são as situações a que me submeto, muitos sãos os pensamentos que me arrebatam, os problemas que enfrento, muitos sãos os meus interesses e atividades. E, principalmente, muitas são as pessoas que povoam o meu universo caórdico. Algumas até já estão mortas, outras só existem porque eu as criei. Então, não caiam na besteira de tomar para si o que escrevo. Se eu quiser lhes dizer alguma coisa, estejam certos de que direi em particular e abertamente, assim que encontrar a melhor oportunidade.
Esse blog foi aberto porque fechei o outro. Aquele já não servia mais, se você procurar pelo texto inaugural deste aqui entenderá melhor. Reservo este espaço para anotar e editar algumas de minhas idéias. Aqui fica organizado, consigo acessar de qualquer lugar e ainda tenho o bonus de receber complementos, críticas e troca de idéias... Não é um diário, talvez um baú, um mural. E por mais nua que eu esteja ao expor uma opinião, não caiam na besteira de achar que me conhecem. Eu não me conheço! Imaginem só vocês. É muita ingenuidade acreditar que pode conhecer toda a complexidade de alguém através de palavras. Opiniões mudam, pensamentos são nuvens no céu, palavras vão com o vento... Além disso, com alguns, a gente se relaciona melhor quando está longe, outros quando estão perto. O mesmo vale para se relacionar pior. Tem gente que odeio quando está longe, mas adoro quando convivo. E isso só confirma o lance que já escrevi sobre conhecer através de palavras.
Não foi uma, nem duas vezes, que alguém veio dizer que deu uma passada aqui, mas não comentou para não incomodar outra pessoa, ou já começou a conversa achando que sabe como sou, ou o que penso, ou que leu, não entendeu nada e saiu tendo conclusões sobre o que não entende mesmo assim. Parem de palhaçada e fofoquinha. Não, vocês não sabem. Não, vocês não conhecem. Se não entenderam, então não fiquem por aí frustrados, mimizando comentários irônicos sem o menor fundamento e com a sensação de terem sido atingidos por uma flecha que não foi disparada em sua direção. Parem de vestir carapuças que não foram feitas para vocês. Parem com essa mania de ler livros e tomar as experiências de outras pessoas como se fossem suas. Parem com os preconceitos que vocês mesmos repudiam. Parem de tentar parecer coisas... Forçar uma visão artística, filosófica e poética de tudo para parecerem especiais... Vocês são muito mais legais e amados pelo que são de verdade. Quando não fazem esforço e são naturais. Falem e façam o que quiserem, mas sob a ótica de sua própria autoridade! Sejam sinceros!
Amigos, o universo não gira em torno de seus umbigos e, se não perceberam ainda, esse blog gira apenas em torno do meu! São minhas indéias sobre minhas próprias experiências. Publico o que quero, do jeito que quero, quando quero, se eu quiser. Não escrevo para vocês. Não aqui! Querendo contribuir com um pensamento, com uma piada, com uma discordância, há espaço logo aqui embaixo, na caixa de e-mail, nas mensagens do Facebook e na minha caixa de mensagens do celular, no Whatsapp. Se eu tiver algum problema com qualquer um de vocês eu deixarei isso muito claro assim que possível. Se vocês tiverem algum problema comigo, entrem em contato. Se não tiverem os meus contatos, então não têm intimidade suficiente para terem problemas comigo. Entendam isso! São e sempre foram todos muito bem vindos. Não escrevo pela exposição, publico virtualmente desde 2005 e nem mesmo divulgo ou incentivo a leitura deste blog. Não escrevo para atacar, nem para me defender, se tenho algum problema com alguém, procuro primeiramente a pessoa. No mais, o problema é todo meu e eu escrevo sobre ele, não sobre VOCÊ. Não escrevo para condenar, não acredito em coisas estáticas e fixas, em certo e errado. Não escrevo para fechar o assunto. Escrevo para provocar. Escrevo para pensar. Escrevo para entender.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Like a Pro
Nos tempos em que eu ainda não tinha minha própria banda e estava começando a ser convidada para tocar com futuros amigos, conheci um certo editor, de uma certa revista de rock e heavy metal bastante popular. Estava sempre presente nos ensaios da Statik Majik, da qual fiz parte enquanto a banda se propunha a levar um som que contava com pianos, órgãos e efeitos de sintetizador. Era bem diferente do power metal que fazem agora, com aquele vocalista sensacional que arranjaram, mas me agradava mais. Não sou fã de metal fanático. E, bom, cada subgênero do heavy metal é tão diferente do outro que quando ouço um "ah, mas é apenas um subgênero", já sei que a pessoa gosta de falar sem conhecer e nem discuto. Enfim, fui levada pela corrrente de Ár e me desviei do que ia dizer...
O tal editor, estava noivo. E, não sei o que acontece com os noivos, casados, mais velhos e comprometidos, mas eles sempre me adoraram. Devo causar a mesma sensação que as brechas na caixa causam às galinhas que conseguem escapar do caminhão que as levam para o abate. Não sei. Tenho esse tipo de assunto tão bem resolvido e refletido na minha cabeça... Já nem sei mais qual é a sensação de manter uma coleira voluntária no pescoço. Vez ou outra até, amigos prestes a assinar contrato, me chamam para ouvir os meus pontos, querem conselhos e opiniões, uma outra visão sobre o assunto. Imagino que é porque uma vozinha lá no fundo de suas cabeças esteja gritando que tem algo de muito errado com essa decisão e, sabendo que vejo um outro lado, me procuram. Entretanto, cada um age segundo sua vontade. No fim das contas, ninguém sabe de nada. Mas, aprendi a não levar esses contratos a sério, pois nem mesmo quem assina leva. Peço apenas que, por uma questão de bom senso, resolvam o caso em suas cabeças, no mínimo amadureçam, conversem com suas sócias... Não me usem, não me exponham, não hajam com reservas comigo, não fiquem tentando se preservar, assumam-se! E que tudo seja claro e limpo. Tenho bons ouvidos, rio à toa, me interesso profundamente quando me interesso, me mostro disponível e acolhedora, sou amiga e jovial. E sei bem o efeito desses detalhes na mente masculina. Porém, o caso citado ocorreu numa época em que o meu pensamento a respeito de relacionamentos afetivos era ainda muito imaturo, fantasioso, irreal. Esse mesmo pensamento que ronda o senso comum e ataca quase a totalidade das pessoas do mundo.
Sim, já disse mil vezes que tenho sorte, esses noivos, comprometidos, casados, mais velhos e afins, trouxeram isso de bom. Pois, uma vez ou outra, acabaram sendo correspondidos em suas intenções e isso me fez pensar. Mas, não era o caso do editor. Além de horrorizada com aquele seu anel, ele estava longe de conseguir atender as minhas demandas. E, enfim, a corrente de Ár outra vez me levou para longe, mas fato é que fui convidada a estampar a seção de "metaleira gata do mês" daquela revista.
Pu-ta-que-o-pa-riu!
Eu era adolescente e para algumas meninas, mesmo as mais velhas, isso poderia até parecer lisonjeiro, mas me ofendeu profundamente. Por todas as razões que passarem em suas cabeças e todo o contexto. Sempre levei as bandas muito à sério, mais do que devia, em certos caso, até. Lidava com desconhecidos o tempo todo, em meio aos entra-e-sai dos estúdios, numa época em que poucas meninas tocavam e compunham em bandas. Em qualquer coisa que eu me proponha a fazer dou 100%, assumo a responsabilidade, visto a camisa e mantenho meus compromissos. Ali eu não era, de jeito algum, a "metaleira gata do mês", se é que poderia ser em algum outro lugar, eu era uma tecladista, uma musicista, antes de qualquer coisa. E sequer dava muita atenção aos papinhos pré e pós ensaio. Estava o tempo todo calçando botas masculinas escondidas pelas calças de capitão do exército, que pertenceram ao pai do meu pai, de onde pendia uma longa corrente presa às chaves de casa e blusas que deixavam apenas aparente um pedacinho da minha barriga quando fazia calor. Meus cabelos extra longos geralmente escondiam o meu rosto enquanto levava num ombro o meu humilde E-56 da Roland e no outro a estante desmontada. Que raiva, cara. Mas a elegância e presença de espírito do meu Sol sempre me salvou nessas situações. E sem interromper a desmontagem do equipamento, do alto dos meus 14 anos e 1,60m, apenas respondi: "Não vou, não, cara... Mas, a boa notícia pra quem quer me ver de biquini é que pretendo me tornar escritora um dia. E compositora." E naquele silêncio constrangedor de caras desentendidas complementei: "Não sei vocês, mas pra mim, perto de quem escreve e compõe, sair semi nua numa revista de circulação nacional é coisa de amadora."
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Sobre Ironia e Cansaço
Lá está ele, olhos irônicos e cansados brilhando na escuridão, mantendo sua distância segura. Não leva, nem larga. Fica, mas de longe. Chega perto apenas quando já não aguenta mais, quando a fome transborda e começa a elouquecer, quando imagina ter sido esquecido, feito parte da paisagem, quando acredita ter ficado tempo suficiente para nem mesmo ser mais notado, quando tudo parece mais fácil. Mas, de longe, imóvel, ele planeja meticulosamente a abordagem. O que acontece raramente, defensivamente, resistentemente, medrosamente, covardemente, no escuro, na tocaia. Seu vício é o controle. Ai! Posso imaginar a sua dor... Arrancando as próprias unhas, pesando em sua espinha e revirando o estômago como liquidificador. E por isso a fome sempre é grande, louca e voraz. No escuro ele contém sua dor, evita comer. Rejeita, antes que seja rejeitado. Foi isso o que aprendeu. Essa foi sua conclusão cansada. Teme sua própria sombra: a defesa, a resistência, o medo, a covardia, o escuro e a tocaia. Ele precisa controlar! Precisa ser o caçador, mas ainda é jovem demais. Não aprendeu o principal. Quem não arrisca nada, arrisca tudo. Um dia precisa ser o da caça para que o dia do caçador venha em êxtase. A caça só é boa quando o risco existe. Justamente o que ele procura evitar. Sem risco, sem jogo. Sem dor, sem ganho. Sem luta, sem glória. Sem guerra, sem heróis. E essa é a sua maior fraqueza, a fonte de sua agonia. Em agonia ele planeja, calcula e sente as dores do receio correndo em seu sangue frio. Cada passo é planejado, cada piscar de olhos... Ele empina o nariz para o alto, não enxerga muito bem, mas fareja e assim julga, diferencia, agrupa, divide, separa osso de carne em cada piscar de olhos, em cada movimento e em seus julgamentos a língua roça os dentes uma idéia que não foi sua: julgar não é inteligente. Ora, ora, mais essa agora! Isso é o que chamo de ironia. Então, resolve atacar, apenas quando a cabeça espreitada está mais baixa que a sua, apenas quando a ele se estende uma mão. Aí sim! Aí morde, rosna, arranha, finca suas garras, lambuza com sua saliva venenosa e sai correndo para a escuridão, outra vez. Mas continua ali. Sempre ali. Rondando, à espreita, esperando ouvir qualquer gemido, qualquer sussurro, qualquer grito de dor. Pois está nisso a sua satisfação. Nunca pretende saciar a fome, ele gosta de ser assim, faminto. Foi o que entendeu quando ouviu um galo cantar sobre o vazio e a sabedoria de se esvaziar. Teme a aproximação, pois há sempre o risco de sair ferido, ou de nunca mais conseguir fugir. Assim, se contenta. Vendo a ferida que causou, engana suas próprias dores. Para ele, basta saber que feriu, que conseguiu submeter e controlar. É esse o seu jogo. É esse o seu prazer. E é isso o que chamo de cansaço.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
E volta o cão arrependido...
Tomando carona no assunto do período, não precisa passar muito tempo neste mundo para notar que há padrões de eventos e que o movimento de contrair e descontrair faz parte de qualquer coisa que se pode dizer viva. Nosso coração, nossos pulmões, nosso sexo, o mar, as plantas, a terra, as galáxias...Tudo segue se contraindo e se expandindo eternamente... se movendo num enorme círculo e a própria idéia desta figura contém o conceito da perfeição. Perfazer: fazer perfeito, circular. Enfim, o que é vivo, é verdadeiro, morre e nasce constantemente. Mas, se é verdadeiro, está ali, não desaparece. Apenas dá espaço a outras coisas, apenas vira uma curva e deixa de ser visto. E sempre retorna. Como aqueles problemas que você nunca resolve na sua cabeça. Ou aqueles fanáticos que não te deixam em paz. Ou até mesmo aquelas características sinceras que todos temos. Por isso, essa vontade louca de verbalizar, de falar e escrever, tão típica da tríplice de Ar, pode até dar espaço para o silêncio, de vez em quando, mas isso é só para voltar depois com as idéias mais claras, a língua mais afiada e a mira mais certeira.
Assinar:
Comentários (Atom)







