segunda-feira, 9 de novembro de 2020

O segredo dos segredos


"Estavam sobrevoando algum lugar do Nebraska e tomando um inexpressivo café da manhã de avião, quando Shadow disse:

- Minha Mulher.

- Aquela que já morreu.

- Laura. Ela não quer continuar morta. Ela me disse, depois que me liberou dos caras do trem.

- O ato de uma esposa maravilhosa. Libertar você da prisão vil e matar aqueles que o teriam machucado. Você deveria apreciá-la, sobrinho Ainsel.

- Ela quer ficar viva de verdade. Dá pra fazer isso? É possível?

Wednesday ficou tanto tempo sem dizer nada que Shadow começou a se perguntar se ele escutara a pergunta ou se tinha caído no sono com os olhos abertos. Então disse, olhando para a frente, para o vazio:

- Sei de um encanto que pode curar dor e doença, e que pode tirar o sofrimento do coração daqueles que sofrem. Sei um encanto que cura com um toque. Sei um encanto que faz as armas do inimigo se virarem para outro lado. Sei outro encanto que me solta todas as amarras e abre todas as fechaduras. Um quinto encanto: eu consigo pegar uma flecha no ar e não me machucar.

As palavras soavam pesadas, urgentes. O tom amedrontador não estava mais lá, o sorriso cínico também não. Wednesday falava como se recitasse as palavras de um ritual religioso, ou como se estivesse se lembrado de alguma coisa obscura e dolorida.

- Um sexto: feitiços feitos para me machucar só vão machucar quem os enviou. Sétimo encanto que eu sei: posso apagar o fogo só de olhar para ele. Oitavo: se algum homem me odiar, eu consigo ganhar sua amizade. Nono: eu posso fazer o vento dormir com o meu canto e posso acalmar uma tempestade durante tempo suficiente para levar um barco até a costa. Esses foram os primeiro nove encantos que eu aprendi. Durante nove noites eu fiquei pendurado na árvore, com a lateral do meu corpo perfurada pela ponta de uma lança. Eu balançava de um lado para outro e sacolejava com o vento frio e com o vento quente, sem comida, sem água, um sacrifício de mim para mim mesmo, e mundos se abriram. Como décimo encanto, aprendi a dispersar bruxas e fazê-las rodopiar no céu de modo a nunca mais encontrarem o caminho que as levasse de volta a sua própria porta. Décimo primeiro: se eu cantar quando uma batalha eclodir, posso fazer com que guerreiros passem pelo tumulto ilesos e intactos e posso trazê-los de volta a sua família e a seu lar são e salvos. Décimo segundo encanto que sei: se eu vir um homem enforcado, posso tirá-lo da forca para que sussurre no nosso ouvido tudo que consegue se lembrar. Décimo terceiro: se eu jogar água sobre a cabeça de uma criança, ela não vai sucumbir na batalha. Décimo quarto: sonho com poder, com glória, e com sabedoria, e sou capaz de fazer as pessoas acreditarem nos meus sonhos.

A voz dele estava tão baixa agora que Shadow precisava se esforçar para ouvi-lo por sobre o barulho do motor do avião.

- Décimo sexto encanto que sei: se preciso de amor, posso transformar a mente e o coração de qualquer mulher. Décimo sétimo: nenhuma mulher que eu desejo vai desejar alguém mais na vida. E ainda sei um décimo oitavo encanto, que é o maior de todos, e esse eu não posso contar para nenhum homem, porque um segredo que ninguém além de você sabe é o segredo mais poderoso que pode existir."

domingo, 8 de novembro de 2020

Uma coisa é uma coisa...

Existe o desnecessário e a dificuldade que só contribui para o crescimento. Saber distingui-los exige maturidade. Pois, frequentemente e facilmente um é tomado pela outro. 



sábado, 7 de novembro de 2020

Teria sido melhor ir ver o Pelé

Terminado um trabalho que consegui via rede social, fico um bom tempo sem razões para voltar ali. Ás vezes passo tanto tempo distante, trabalhando e cuidando da vida, que até esqueço o motivo do distanciamento. Mas, quando retorno, lembro imediatamente. Acontece em relação a outros lugares e um monte de pessoas também. Prefiro manter distância, diminuir a frequência, o contato, para continuar gostando de todo mundo. Gostava de mais gente antes do celular e da internet. E, sinceramente, gosto demais da minha própria companhia. Fico muito entretida com minhas próprias idéias. Sou auto suficiente em piadas. Sinto uma enorme nostalgia de situações que nem sei se as vivi realmente, talvez apenas nas minhas divagações. Fico intrigada com minhas próprias teorias e práticas. E, também acho estranho isso: raramente sinto saudades de alguém. Mas, se participo de alguma tarefa em grupo, participo de verdade. Considero covardia o isolamento e a falta de atitude, aproveitar a estrutura que outras pessoas criaram, se manter fora de todo e qualquer envolvimento que contribua para uma melhoria, com medo dos conflitos causados pela convivência. Sem jamais desbravar a mata fechada das estruturas sociais, deixar de encontrar ou provocar as rachaduras que rompem essas represas. É moleza se proteger atrás do silêncio ou da tela para criar uma maquiagem de autoridade e erudição dizendo o óbvio,  para ser o caolho em terra de cego. Entendendo um pouquinho mais profundamente de uma coisa ou outra, toda aquela parafernália de falsa espirituosidade e erudição, referências e palavras difíceis, oportunamente inserida numa conversa ou atualizações de status, caem num vazio tão raso quanto o cérebro vaidoso de quem os gerou.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Confundindo as coisas

Não entendo certos códigos. Pra mim não faz sentido não se comunicar com todas as palavras necessárias. Especialmente se você não conviveu o suficiente comigo a ponto de entender o que quero dizer ou o que quero deixar de dizer com apenas alguns gestos. Também não faz sentido se importar com o que as pessoas fazem da vida delas e achar que é um bom juiz. Ninguém é. E dane-se se alguém faz uma coisa e diz outra, se no fim das contas você não está envolvido com as questões dela. Outra coisa, e aí já sou eu no meu limite mesmo, é brincar com assuntos ultra sensíveis. Não é possível que não se tenha o mínimo de empatia para perceber quando alguém brinca com assuntos pesados só para conseguir lidar de um jeito mais leve, no entanto isso não te dá liberdade para fazer o mesmo. Menos ainda está aberta a temporada das "verdades que você acha que precisam ser ditas" sobre esses assuntos. Lembre-se que você não tem todos os dados para opinar sobre a maioria dos assuntos. E isso inclui principalmente a vida de outra pessoa, suas razões e motivações. Ter mente crítica e se eleger a palmatória do mundo são coisas bem diferentes. Alguém com essas idéias vibra tão baixo que devia se questionar a respeito de sua própria saúde mental. O tempo que se perde odiando os odiáveis, podia se ganhar amando os amáveis. Nunca que perderia meu tempo escrevendo um texto quilométrico sobre o que não vale a pena, para quem não fará a menor diferença. Talvez essa seja uma das razões por que esse espaço aqui é assim, quase exclusivo. E aproveitando a queda na vibração, é sempre bom lembrar que quando decido entrar é com tudo e de uma vez. Mas, quando decido sair, isso pode até levar alguns anos, não só saio com tudo o que tenho como sempre levo algo de muito valor para você junto. Respeito é um prato que se come com todos os seus dentes no lugar. Portanto, mais cuidado com o que pensa, com seus julgamentos e cuidado redobrado com o que resolve dizer e fazer.

domingo, 14 de junho de 2020

De ausência e lacuna

Enquanto a folha está em branco,  há silêncio, poucos são os que têm a coragem de fazer o primeiro risco, dar a primeira nota. Depois que algumas formas são colocadas, aí aparecem os especialistas com suas opiniões. E raramente a intenção é boa. As palavras denunciam isso. Se alguém ouvisse, se alguém se importasse, se fosse fazer alguma diferença, depois de ouvir um pouco, pediria para todo mundo dar um tempo... Parar. Chega, sabe? Tá chato. Tá cada dia mais difícil interagir... falar... ouvir... Mas, o que eu penso não faz a menor diferença, o que tenho a dizer não muda nada... nem escutar, demonstrando atenção e cuidado... Continuar agindo, fazendo e sendo é só o que resta. Não há comunicação através das palavras. Até a presença é um problema. E cada dia está mais desesperador, menos vantajoso e mais desinteressante viver. Fazia tempo que não me sentia assim.

domingo, 7 de junho de 2020

Baseado em que?

Baseado.

Abrir e fechar de olhos

A gente cresce e vira outra pessoa. Às vezes penso em vidas que já tive, que acabaram um dia. Penso bastante nisso, não sem melancolia... E os momentos que sou especialmente interessada em encontrar, enquanto vasculho o baú, são os finais. 

É difícil falar sobre finais, não apenas pela carga emocional e psicológica que a cultura constrói em nossas cabeças sobre eles. Há dificuldade também em defini-los, porque raramente acontecem num ponto específico. São geralmente uma progressão, nebulosos, sem contorno, como a maior parte da realidade costuma ser. 

No entanto, é poético, embora triste, pensar que houve um dia em que minha mãe me pôs no chão e nunca mais voltou a me pegar no colo. Teve o dia que falei com meu avô pela última vez, antes de descobrir que foi embora, ou tive uma última conversa com meus bisavós ainda lúcidos. Um dia, o sinal tocou pela última vez, saí pelo portão da escola e nunca mais voltei lá. Em muitas ocasiões, nós, em todas as bandas que tive, tocamos a última música e não voltamos a nos ver. Soltei a mão de um namorado e lhe dei um beijo de boa noite, sem imaginar que na próxima vez que nos encontraríamos seria para nos despedir para sempre. Um dia, saí pela porta de casa e não voltei para dormir no meu quarto nunca mais.

Estou em casa desde março, sem sair nem para ir ao mercado. Tenho tentado lembrar da última vez que estive pessoalmente com as pessoas mais importantes para mim, antes dessa pandemia... Alguns eu havia visto um dia antes do início do isolamento. Outros já fazia dias, outros semanas, meses, alguns até, anos que não via... Porque sempre penso na importância de viver o momento presente, o único onde a vida é possível, na verdade. Penso na relevância que isso tem para o despertar total da consciência e no quão crucial para uma existência de valor isso é. Marco na minha cabeça certas cenas, para não esquecê-las, para guardá-las no baú de tesouros como gemas preciosas e sentir tudo que teve realmente valor para a pessoa que sou agora. Essas lembranças me entristecem um pouco, sim, mas a força que trazem vale a dor. Às vezes fujo de todas as formas das despedidas, justamente por levar a sério a idéia que quero guardar de alguma situação, pessoa ou atividade... Justamente por valoriza-los todos os dias ao ponto de tentar mantê-los o máximo que conseguir, de vivê-los como se fosse a última vez, um dia acaba sendo mesmo. Mas, crescer dói, virar outra pessoa dói e embora os finais aconteçam em degradé, a mudança acontece num abrir e fechar de olhos, sem nos darmos conta. E a gente nunca está pronto, nunca nos acostumamos com a mudança, que é um fato e raramente indolor.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Gente feliz não enche o saco

O vazio da existência, o tédio, a monotonia, poderia levar todo mundo por caminhos melhores que descarregar e projetar no outro suas carências. Mas, isso não acontece geralmente. E o mais curioso é o tanto que todos acham que são bons, estão fazendo a coisa certa, sendo sensatos, refletindo sobre a paz e a igualdade na Terra, mesmo armados com um tom que desestimula qualquer conversa. Todo mundo pronto para dar uma aula, lição de moral, para mostrar o que aprendeu de suas leituras ou só para descarregar mesmo as frustrações, a raiva e a falta de criatividade. Sem qualquer atitude prática em seu cotidiano. E não importa o tema. Dúvidas, observações sobre a ilegalidade de alguma decisão, discriminação, fascismo, Chopin, limpeza de canetas nanquim recarregáveis, luzes estranhas que têm aparecido no céu em diversos lugares, um depoimento sobre as medidas que escolas do RJ estão tomando para contornar a crise sem qualquer tentativa de defesa ou ataque ao que for, uma foto de família, um desenho. Absolutamente TUDO, qualquer assunto besta, rompe a represa de negatividade do outro.

Alfinetadas, grosseria, deboche, animosidade, palavras escolhidas a dedo podre... Cansa, sabe? Quando começa a idéia de que há gente boa e gente má no mundo, adia-se qualquer possibilidade de acerto da civilização. O primeiro adjetivo entra e o diálogo termina. A gente podia estar conversando, diminuindo as distâncias, oferecendo apoio, agindo de forma cortês, unindo esforços para atitudes práticas, ensinando, aprendendo, rindo juntos, nos confortando, mostrando coisas que fez, viu, ouviu, leu, pensou... Mas, em geral, a faca é usada para "jantar" os outros em vez de simplesmente preparar a comida. Não tem essa de gente boa e gente má. O que existe é gente que está feliz e gente que está triste. O que eu procuro fazer é: antes de ir até alguém e fazer um comentário negativo, grosseiro, sem qualquer intenção construtiva, vou tomar um sorvete, revejo um filme antigo, ouço meu cd favorito, tento procurar um amigo que não vejo faz tempo,  mato o Maltael do Diablo III no modo Suplício XIII, dou uma olhada no céu lá fora... Depois volto e vejo se vale mesmo a pena.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Entrega

Separe um pouco, só uma parte, daquilo que você tem e arde para mim, guarda em caixa de ébano, fecho de ferro e forro de cetim. Entrega sem cerimônia mas com carinho, deposita em meus portais aquilo que tanto anseio; mas para você, é nada demais.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Uma Muralha da China

De vez em quando é bom fazer uma revisão. Mas, reforço minha posição de preferir estar feliz a estar certa. Porque, a realidade não muda de acordo com a minha opinião sobre o que é certo ou errado. Não muda de acordo com a minha sensibilidade ou falta dela... Não muda se sou solidária e empática, ou se trato o problemas dos outros com frieza... Não muda, se eu consigo entender uma reação catastrófica, se eu mesma já me vi em situações limite e reagi de formas totalmente contraproducentes, ou se faço pouca idéia do que é viver com medo e estar revoltado. O mais apto sobrevive. Isso é a realidade. Diante do estouro do outro, dar espaço, manter a cabeça no lugar e oferecer suas idéias mais racionais é fundamental para se conseguir realmente ajudar. Acompanhar ou incentivar a loucura, não. E não falo aqui em nome de outras pessoas. Sou só eu mesma. Não acredito em coletivizar culpa ou punição. Se queremos ver os problemas resolvidos de verdade, as consequências devem recair sobre um documento de identidade e endereço completo. Tem muita gente mal intencionada tentando se dar bem às custas do sofrimento dos outros. E em qualquer grupo que se junta para lutar por direitos haverá alguém para me envergonhar. Então, o que deveria prevalecer é que me importo ao ponto de refletir, por minha conta, sobre as melhores maneiras de outras pessoas atingirem os objetivos delas. Se paro para pensar e ofereço críticas é porque o outro me importa. Isso não me traz qualquer benefício direto. Não o faço com o intuito de defender o que quer que seja, menos ainda de estipular regras. Mesmo que eu tenha vivido algumas situações meio chatas e tenha duas ou três lições para oferecer sobre elas, não penso que tenho esse direito. Mas, se estou vendo você quebrar, queimar tudo e ainda dizer que só está fazendo isso porque foi o que aprendeu do seu agressor, e sou sua amiga, direi para agir com mais inteligência se quer de fato resolver seu problema. Da forma que está fazendo, você só consegue piorar as coisas para o seu lado. E isso não é uma opinião.

sábado, 30 de maio de 2020

E nessa loucura de dizer que não te quero...

Os caras se importam com o visual da nave, dos uniformes, dos capacetes... Há toda uma liturgia, com texto, som e imagem, para mostrar a trajetória de vida dos astronautas, a despedida da família, as conquistas da astronomia, a história da NASA... As filmagens são cuidadosamente planejadas para mostrar a grandeza do evento... Da diversidade de etnias e gêneros dos muitos componentes da space force aos apresentadores... Dos carros elétricos à caminhada até a nave... O mundo todo ligado, ansioso pelo grande momento, um grande feito para todos enquanto humanos... Fotógrafos, redatores, cinegrafistas, até uma cantora com seu timbre, impostação e afinação perfeitas para o hino nacional... Enfim, olha bem para essas fotografias e diz que arte não serve pra nada e que não devemos tratar com mais cuidado os nossos artistas.

A imagem pode conter: céu, nuvem, árvore, atividades ao ar livre, natureza e água

A imagem pode conter: nuvem, céu, noite, árvore, atividades ao ar livre e natureza

Edison X Tesla

Estava prestes a comentar, com um amigo. Isso seria uma forma de expressar gratidão e amor, até. Mas fazer comentários é sempre abrir uma porta. Nem sempre tenho paciência ou interesse para lidar com o que sai de lá. Muito menos por texto. Então, pensei em enviar uma mensagem de voz. Deixei pra lá.  Não sei se faz mesmo assim muita diferença abrir essa porta. E o amigo já sabe que tem meu amor e gratidão...

O mundo não é ainda próprio para garotinhas. Garotinhas só existem porque homens adultos precisam delas. De nada adianta toda a bravura do pássaro diante do gato. E, nem sempre um argumento se vence com argumentos. E então? Atitudes inteligentes possibilitam existências mais longevas. Quem vence? "Escravos servirão." Ninguém deve aguentar pacientemente até que o agressor se conscientize de suas ações, por outro lado as consequências de atitudes temerárias são imprevisíveis. Nem sempre sobrevivemos a elas. E é aí que a conduta inteligente deve se sobrepor à barbárie. Nada deveria ficar entre mim e meus objetivos. Considerando a liberdade de todos, é claro. Mas, é fundamental entender que somos peças de uma engrenagem só. Não é soltando um parafuso que sobrevivo ao sistema, é entendendo bem o mecanismo e encontrando o kairós.

Chilique nunca foi um bom marketing para resolver causa alguma. Muito menos para se conseguir adeptos que não sejam diretamente atingidos pela opressão que você sofre. É preciso conhecer as ruas e caminhar por elas até onde se quer chegar. Dá para abrir atalhos. Dá para construir veículos que ajudam a chegar mais rápido. Mas, é preciso reconhecer que não dá para sair voando ou se teletransportar. E que o sistema é perfeito para quem o mantém funcionando.

As coisas mudam... A mudança é inevitável. Alguns mais duros, outros mais macios, todos somos moldados pelo mesmo martelo. Mas, se não estamos vivos para ver chegar o momento em que a mudança nos favorece, que diferença isso fará?

A forma é tão importante quanto o conteúdo. Era sobre isso que eu falava aqui.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Regras da Vida #6

Quando se executa qualquer tarefa em que as mãos são essenciais haverá coceira em alguma parte do corpo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Diariamente

Tem algo que, com muita frequência, sinto vontade de lembrar ao mundo, toda vez que ele se interpõe de maneiras completamente dispensáveis entre mim e minha paz.  Felizmente, é algo que pode ser dito com palavras simples e poucas chances de ruído para interlocutores dos mais variados níveis de capacidade intelectual, com multiplas interpretações e graus de profundidade, mas em todos os sentidos, verdadeiro: não tenho saco.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O sim e o não

Só percebemos as coisas na presença daquilo que elas não são. Devo ser mais grata pela presença dos contrários.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

?

Queria dizer que estou aqui. Confusa demais. Demais! Não quero me mexer, sair do lugar. Deixa assim por enquanto... Eu me escondo debaixo das mil coisas que a Mrs. Dalloway tem pra fazer. Os caras gostaram da pintura que fiz para eles. Então, ao que tudo indica, estou no time. Preciso seguir em frente, continuar no foco. Mas, fez calor demais e hoje uma coisa aconteceu. Nada aconteceu de concreto. Mas, uma coisa aconteceu na minha cabeça. Ou sei lá. Num mundo que não é o de todo mundo, mas também não é só meu, porque tem mais gente nele... Eu tô com medo. Quase desmaiei, então continuei deitada no chão da sala. Derramei a água toda e precisei secar rápido. Vi tudo de cabeça pra baixo. Fiquei sem forças. Não quis comer, mas comi. Quero resolver logo as coisas fáceis que são tão simples. Hoje eu não quis fazer absolutamente nada. Nem dormir. Nem nada de bom. Estou com medo de perder. Eu não quero sequer arranhar, manchar um pouquinho. E estive tão perto disso. Esperei tanto, demorei tanto pra conseguir...  Mas o que tenho? Nada! Tenho que lembrar toda hora. Mesmo assim... Tem esses contratos, cheios de letras bem pequenas que ninguém lê, e devia! Porque as pessoas só fazem o que querem. E eu acho que só não estou preparada o suficiente.  (Logo eu, me importando assim!) Então, encontrei a mesma saída que o Charada. Porque não consigo mentir.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Metas para 2020

Não morrer
Não surtar
Não matar
Deixar de ser trouxa
Não estragar tudo
Não chutar o balde
Não ir buscar o balde chutado