terça-feira, 30 de abril de 2024

Carlos Brown

Randomicamente, assim que acordei, lembrei de um menininho do primeiro ano com quem falei rapidamente no recreio há muito tempo atrás. Ele devia ter uns seis anos, me viu sentada desenhando no meu caderno de esboços, próxima à cantina da escola. Sem dizer nada, se sentou e ficou ali, apenas observando. Em silêncio. Era uma quarta-feira anterior ao feriado e eu estava num tempo vago. Havia apenas as crianças da turma dele por ali. Então, para ser simpática, comentei que aquele dia parecia uma sexta-feira e perguntei se ele concordava. Ele disse que sim, parecia mesmo. E continuei:

- Que dia da semana você acha o mais legal, sexta-feira? 

Ele pensou por um tempo e respondeu:

- Professora... Eu não sei... Não sei de um monte de coisas... Acho tudo confuso o tempo todo... sabe?
- Qual é o seu nome?
- Carlos. (?!)
- Olha, Carlos... Eu entendo você... Sinto a mesma coisa. 

Continuei desenhando, o sinal tocou e ele subiu com a turma para a sala de aula. Nem perguntei o nome do cachorrinho dele... Não quis estragar o momento com uma pergunta retórica.

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