Continuei desenhando, o sinal tocou e ele subiu com a turma para a sala de aula. Nem perguntei o nome do cachorrinho dele... Não quis estragar o momento com uma pergunta retórica.
terça-feira, 30 de abril de 2024
Carlos Brown
Continuei desenhando, o sinal tocou e ele subiu com a turma para a sala de aula. Nem perguntei o nome do cachorrinho dele... Não quis estragar o momento com uma pergunta retórica.
sexta-feira, 26 de abril de 2024
Baixa Manutenção
Celebro qualquer evento significativo e bom, pelo momento, pura e simplesmente, apesar das datas e suas celebrações criarem belos retratos também. Estudo para saber, nada além disso, apesar dos diplomas terem a sua importância dentro da matrix. Trabalho pelo que posso me tornar a partir das minhas atividades, não é tanto pelo ganho material, apesar de essa parte ser bastante relevante, é lógico. E tenho trabalho a fazer amanhã, aula, festa... tudo num lugar só. Por isso, quero colocar algumas coisas em ordem aqui.
Não sei se acontece com todos, mas embora aqueça o coração, sinto dificuldade de lidar com situações de elogio, congratulação... Os motivos são óbvios, para quem conhece toda a história. Bom, a maioria não conhece, e até mesmo quem conhece, nem sempre entende. Simplesmente não sinto que as palavras estão à altura de qualquer coisa que venham me parabenizar ou agradecer. Sinto estranheza, não sei responder... se devo agradecer... tomar para mim realmente... Penso que as boas atitudes, o meu trabalho, os acertos, são coisas normais, consequências, nada de extraordinário, como colocam, quando há sentimentos neste sentido. Também sinto uma certa desconfiança... um receio... Com a mesma alegria que tentam colocar você num pedestal, irão torcer para você cair de lá. O cabaré queimando sempre foi um espetáculo muito maior do que o dia da inauguração.
Além disso, nascemos juntos por uma razão e não acredito que tenha sido para nos perturbarmos uns aos outros, medir forças. Sozinhos, a necessidade de auto superação não existe. Procuramos ser melhores uns para os outros. Mas, sabe, me concentro no que estou fazendo e só. Se gostarem, bem, se não, o baile segue. Por isso, me entristece bastante perceber que outros estão numa competição, comigo ainda! Quando me dou conta, saio na hora. Mas, é triste perceber que ser algo de bom, ter sucesso em algumas coisas, ser feliz por nada em especial, ofende. Então, acostumei a não esperar por aplausos, apenas fazer o melhor possível e me retirar discretamente seja qual for o resultado. Se for bom, podemos repetir, se não for, nem se preocupe, a última coisa que pretendo é incomodar novamente.
Minha intenção jamais é criar qualquer situação de competição ou cobrança. Acho até que se explicar ou tentar se desculpar, na maioria das vezes (não todas), só traz ainda mais mal entendidos. Se você entra em qualquer tipo de parceria comigo, à menor sombra de medição de forças, desrespeito, falta de companheirismo, deslealdade ou cobrança, estou fora. Tenho perfeita consciência do meu papel, contribuo com tudo que tenho, defendo a parceria até o fim e sou bastante compreensiva. Minha necessidade de tempo e espaço, não tem absolutamente nada a ver com desinteresse. NADA. Espero que compreendam isso também. Na minha cabeça, depois da internet principalmente, todos estão a alguns clicks de distância apenas. E mesmo que eu não veja a maioria das pessoas com quem me importo por muito tempo, elas sempre estão comigo. Nos pensamentos, nas considerações, nas decisões, nas escolhas, nas lembranças, nos meus exemplos e planos. Falo delas, faço por elas e as considero, embora, eu não seja boa para conviver com todos. Convivência diária, rotina, são diferentes de contatos esporádicos mais amenos... Assim, para a maioria, sou de fácil acesso, para quem entende espaço e tempo, sou de fácil disponibilidade. Para quem é fácil, casca grossa, também sou. Para quem é sensível demais, se afeta com qualquer coisinha, nem se preocupe comigo. Tenho baixa manutenção e só me relaciono com quem também tem.
segunda-feira, 22 de abril de 2024
Plenilunio
Acordei tarde. Isso bagunçou totalmente o meu dia. Uma confusão mental e ansiedade extrema atrapalhou também o mínimo de concentração necessária para sentar e esboçar, rapidamente que fosse, os desenhos do dia. Não comi bem, nem saí de casa para fazer as coisas que eu precisava... A pressão sanguínea posso sentir nos olhos. Parei por uns minutos e pensei o que poderia ser. Não tive nenhum sonho como o da outra noite em que eu estava num palco, teatro lotado, tudo em p&b, e de frente para o piano não conseguia lembrar a música. Nada muito fora do comum aconteceu. Tenho estado em paz nos últimos dias até. No máximo, terei um trabalho de fogo para fazer na quarta-feira e precisarei lembrar de algumas orações, pontos, materiais e procedimentos. Mas, nada de muito diferente me perturba no momento. Então, o que poderia ser? Aí lembrei da minha anotação no cabeçalho da agenda no dia de hoje. Fui até a janela e lá estava ela, maravilhosa, surgindo atrás da serra, a razão de toda essa bagunça. Se ninguém dormir bem hoje ou estiver se sentindo meio agitado ou confuso... já sabe, não é nada demais.
sábado, 20 de abril de 2024
Da Mesma Matéria
Já falei sobre isso aqui em algum lugar, a parte que mais me interessa em qualquer coisa é o processo. Mas, não foi sempre assim. Quando eu era criança, cheguei a tentar escrever uma história onde nada de ruim aconteceria. Não deu muito certo, é obvio.... Eu precisava tanto sentir segurança, que costumava ser muito ansiosa pelos resultados e por isso, era muito controladora. Precisou acontecer algo bem sério, experimentar o limite do medo e me conscientizar da impermanência enfaticamente, para isso amadurecer em mim, e o que está acontecendo agora, passar a ser mais relevante que o que vem depois. No entanto, processos observados a certa distância continuam sendo mais poéticos. Até mesmo quando se trata da própria experiência, a distância faz belos retratos das cenas mais terríveis. Depois de muito tempo, vamos analisar as aventuras e tudo fica lindo. Mas, só os guias e guardiões sabem o estresse, o desconforto e a luta que foram certas jornadas. Talvez porque exista muita poesia na falta, no passado e na saudade também. Provocam dor. E a dor evidencia a vida, nos possibilitando a consciência da abundância, do presente e do contentamento.
Assim, nas histórias, as partes que me interessam mais são sempre aquelas onde contam as etapas do aprendizado dos personagens, tudo por que precisam passar, todos os erros, para construir um grande final. O empenho certo, o foco total direcionado a alguma coisa é muito mais interessante até do que a coisa em si. Ela acaba sendo apenas uma consequência, um registro. E depois de uma ou duas dores pelo caminho, aprendemos, por isso, a apreciar as cicatrizes. Elas provam que foi real e apesar de tudo estamos vivos. Por que é isso o que a vida é, um processo. Então, fico muito feliz quando tenho notícias de que alguém está empenhado em alguma coisa e quanto mais global é esse empenho, afetando mais áreas da vida, mais fico feliz. A pessoa está se planejando, estudando, pensando a sua vida profissional ou o seu negócio de forma estratégica, aprendendo a se organizar financeiramente, cuidando da alimentação e do corpo, da aparência como um todo, pondo tudo em prática, em movimento... Até quando são pessoas que já me fizeram algum tipo de mal... não tem como não admirar.
Às vezes o objetivo final é na verdade apenas uma desculpa. Tipo comprar morangos só para comer creme de leite. As conversas de bar são exemplos disso. Todo mundo bêbado, falando nada que preste, sequer ouvindo os outros, um monte de besteiras e soluções sem sentido para toda e qualquer coisa... E todo mundo feliz por simplesmente estar ali, sem apego ao que vier depois, só pelo conversar, pelo momento, pela companhia... pelas histórias...
Lembro de uma aula em que eu precisava mostrar aos alunos do Ensino Médio a importância dos processos. Para que aprendessem a valorizar seus erros e não demonizá-los. O medo de errar é ruim para qualquer um, mas no início da vida, pode ser fatal. E se misturar com a preguiça, então... Mas, como eu dizia, cada "erro" a mais, na verdade, é um "erro a menos" e assim você acaba encontrando seu caminho individual e único. Só assim, na verdade. Daí vem aquela idéia do Kant sobre a impossibilidade do Ensino e da Psicanálise. É impossível ensinar realmente. Qualquer coisa. No entanto, é possível aprender. Só que é impossível aprender sem se deparar com os erros. Claro, se você aprende a reconhecê-los também e como corrigi-los. Fingir que nada aconteceu, não leva ninguém a crescimento algum. E precisar falar sobre isso, elaborar uma aula, com exemplos obviamente no universo das Artes, acabava tocando em partes minhas tão profundas que tenho certeza, me ensinou muito mais do que a eles... Nessa aula eu os apresentava aos livros de artista, aos sketchbooks, ao Abstracionismo, ao Expressionismo Abstrato, à obra de Pollok e dos artistas do Colorfield e, assim, essas propostas artísticas começavam a fazer um pouco mais de sentido para meninos e meninas de 14 anos, cheios de convicções e preconcepções enfiadas na cabeça deles por adultos que geralmente não entendem de coisa alguma. Recebem um monte de respostas para dúvidas que sequer surgiram ainda. E além disso, tem as redes sociais atrapalhando esse meio de campo também, na medida em que são ambientes onde se vai para expor opiniões. E se você tem acesso a elas numa época em que ainda precisa estar apenas observando, contemplando e recebendo informações, não dá tempo de haver um amadurecimento adequado das idéias antes de pensar em expô-las. E assim, as opiniões acabam sendo pouco valorizadas porque de fato têm pouco valor. Então, o estudo prático das linguagens artísticas, todas, passa a ser essencial por essa razão! Porque elas oferecem experiência real, processo, erro, mais apreço pela jornada do que pelo destino. Ao experimentar, por exemplo, colocar a tela no chão e ir deixando a tinta cair aos poucos com pincéis encharcados ou até mesmo com colheres, abre-se uma série de concepções filosóficas e percepções sobre a realidade e a vida que nenhuma aula expositiva, documentário, palestra, conseguiria. O ser aí, passa à frente do ter. E já que aí para ser é preciso fazer, então o processo ganha prioridade sobre o resultado. O produto nessa história é um mero registro, a prova de que algo importante aconteceu.
O mundo virtual acaba distanciando as pessoas da realidade. A lógica do download e dos clicks faz acreditar no imediatismo de tudo mais e na não materialidade da vida. A realidade do mundo físico e do tempo de cada coisa vai ficando distorcida, como se pudesse ser substituída ou acelerada e cada vez mais o ontem e o amanhã, o outro lugar, e nunca o aqui e o agora, vão tomando de nós o presente e a experiência sensível, real, objetiva.
Tem um outro detalhe interessante, está até naquela lógica do Goethe: além de o processo nos fazer alertas, vivos, presentes, com o tempo aprendi, se você dá tudo de si nele, os outros começam a torcer por você, a sentir vontade de contribuir, participar. As coisas vão ficando mais fáceis e rápidas assim. Porque você passa a ser exemplo, inspiração. E sem perceber, começa a dar algo aos outros: esperança. Assim, as pessoas passam a querer acompanhar a sua jornada. Vibram com seu empenho, sofrem e eventualmente, aprendem com seus erros... Você acaba mostrando que algo é possível e isso é o suficiente para plantar uma semente de sonho na cabeça de todo mundo e mostrar que agora precisam florescer em objetivos realizados, reiniciando assim a samsara. E essa é a prova de que na verdade, não sou só eu que acho os processos interessantes. Desde que existe gente no mundo, existe erro e portanto, existem também as histórias e os sonhos, os três itens que nos constitui.
quinta-feira, 18 de abril de 2024
Pla(n)tão
Há três dias estava um pouco angustiada pensando nesse piadista. Com tantas notícias sobre guerras lá pelos lados da casa dele, foi simples fazer essa associação e encontrar uma explicação racional para a preocupação aparentemente do nada... Então, hoje de manhã, recebi umas notícias sobre um temporal super violento ali, há três dias atrás, dizendo que algo assim não ocorria naquela terra há 75 anos. E a coisa está bem mais séria do que parece. A cidade virou um lago. Simplesmente não tem canais, sequer meros bueiros. Os caras "semeiam nuvens", têm acesso às maiores facilidades que a alta tecnologia pode proporcionar, mas não estão preparados para um monte de coisas simples. Detalhe imperceptível e totalmente inesperado assim de longe. Um caos generalizado. Não tá dando pra fazer compras... pedir comida! Tem gente presa no aeroporto há 3 dias.
Estou procurando brincar, trocar memes, fazer piadas com o calor... Tentando não enviar mensagem de cinco em cinco minutos... Mas, pra ser bem sincera, não estou conseguindo ficar em paz. A pior sensação que existe é a de não poder fazer nada diante do sofrimento daqueles com quem me importo. E já é a segunda deste tipo só esse ano.
quarta-feira, 17 de abril de 2024
De Probleminhas e Guerras
Apesar do cheiro de pizza vindo do vizinho estar me desconcentrando um pouco, estou tentando pôr as pequenas coisas em ordem. Na maioria das vezes eu quero e ao mesmo tempo não quero falar sobre elas, parar pra refletir, analisar... Talvez eu precise mais do que tenho vontade, é isso. E em nome da manutenção do mínimo de sanidade, faço esse esforço, mas nem tanto também. Especialmente quando são miudezas, coisinhas, um furinho a toa na boia... Tendo a não dar tanta atenção, ou procuro não deixar ocuparem espaço na minha cabeça. Mas, quando se tornam um enxame, começa a ficar ligeiramente preocupante. Aí preciso ver um dia para sentir essas pequenas dores pelas quais vou evitando me entristecer por falta de tempo. Hoje acabou sendo um bom dia para isso. Não dormi bem... acordei muitas vezes durante a noite. E talvez isso tenha comprometido o meu horário um pouco, porque não produzi, não estudei, nenhuma idéia ficou boa, minha concentração está uma droga.
Fui para a academia, pelo menos. Me arrastando pelo caminho. Encontrei a gatinha ali do outro condomínio. Todo dia ela vem me cumprimentar... Mas, aí, fiquei triste por isso também. Lembrei que há três anos, quando eu passei uns dias fora de casa e voltava só pra conferir a comida e a água do Mambo, ele ficou claramente deprimido. Ele tem feito muita falta. E quando começo com essas lembranças vou seguindo num trem fantasma de memórias tristes e pequenas chateações antigas e recentes que nem passam pela minha cabeça normalmente, como se de fato não existissem. Mas, a cabeça é um computador, tudo sempre esta lá em algum nível, por mais inacessível que pareça.
Estou sentindo muitas dores hoje, nem sei de onde arranjei forças pra ir levantar uns pesos. Talvez tenha sido esse senso de auto preservação. Já que está ruim, se eu me mexo, existe uma chance de encontrar uma posição mais confortável. Ficar parada é desconforto certo. No, entanto, aquele dois de paus hoje de manhã já estava me preparando para o dia. Embora a rotina tenha seguido normalmente, nada pareceu sair do lugar. Fiz um chá, mas nem ouvi música, nem li nada de legal... O silêncio está agradável. Tirando esses projetos de foguete que deram errado passando toda hora aqui na rua.
Ser introspectiva e introvertida num mundo barulhento onde não respeitam seu espaço, seu jeito, seu tempo, seu silêncio sempre foi motivo de muita frustração. Não para mim, claro. As expectativas depositadas em mim, as projeções, a carência e o egocentrismo de quem pensa que os outros existem para entretê-los ou servi-los acabam tornando as situações pesadas e cansativas para quem não se manca. Isso somado à intromissão e intimidade forçada só contribuem ainda mais para o Himalaia, onde me refugio, ficar ainda mais alto e distante do resto do mundo. E só eu sei o que me fechou, o que me tornou cautelosa e isolada. Disponibilidade zero para marias mijonas, vitimistas e chorões.
Sempre existe muita oportunidade para mostrar o seu valor na minha vida, pra quem se interessa. Mas, raramente acontece. E meu critério não é assim tão alto. Poderia ser. Não é. E nem vou entrar numa reflexão sobre isso porque o assunto é outro. Em especial, no ano passado houveram centenas dessas oportunidades. Teve polícia... Ministério Público... Gente louca em excesso. Precisei de muitas coisas, dessas que qualquer pessoa que se importasse o mínimo comigo poderia oferecer. Mas, como sempre, eu estava sozinha. Curioso, pois, sempre houveram aqueles que praticamente levei no colo. Gente com quem passei dias inteiros oferecendo apoio, conforto, companhia. Gente por quem eu arrisquei coisas extremamente importantes, por quem eu iria até o inferno tirar satisfação com o demônio, por quem fiz malabarismos com meu tempo, meus compromissos, meu dinheiro, meu espaço. E que estaria, de um jeito ou de outro, completamente incluída como parte da minha vida. Porque, podem me achar maluca, não entender absolutamente nada sobre a forma como vejo as coisas, mas para a alegria ou a tristeza dessas pessoas, eu sou de verdade. Não vou ficar fazendo teatro a troco de nada. E todas sabem disso! A vida é curta demais para certas bobagens. No entanto, até este momento, continuo lidando sozinha com cada pequeno foco de incêndio que se inicia e pra mim isso é uma constante desde o início. Normal. Cada um que cuide da sua vida e é isso aí. Parem de depositar expectativas sobre mim. Parem de esperar sorrisos, simpatia, qualquer tipo de cuidado ou atenção da minha parte. De tanto ir pra guerra sozinha, me acostumei e comecei até a achar bom. Então, já que nas minhas guerras estou sozinha, espero que na minha paz me deixem sozinha também. Oportunistas. Abusadores. Covardes. A carapuça tá aí para qualquer um.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
Carta 24
O projeto vinha muito bem até a carta da Montanha, quando recebi uma proposta irrecusável e precisei dar uma pausa. O planejamento ficou ali, por um ano, no mural, sem avançar. Depois de muitas dificuldades, retomei na carta seguinte: Caminhos. Daí entrei numa de que nada estava ficando como eu queria, nada estava bom, não era nada daquilo... Muitas dúvidas, experimentos e indecisão diante de tantas idéias diferentes. Sou minha pior cliente. Fiz tantos desenhos dessa carta, passei noites sonhando com idéias até decidir como afinal todo o baralho irá ficar. Mudei tudo. Completamente. Layout, desenhos, linhas, cores, estilo... E esse processo me obrigou a repensar toda a minha vida, tudo o que gosto, toda a verdade sobre o que realmente quero fazer. Isso provocou a reformulação dos meus processos e do resultado que procuro. Então, muita coisa será bem diferente daqui para frente.
Enfim, agora tudo está andando de novo, a carta dos Caminhos trouxe uma escolha no meio de tantas possibilidades. Em seguida, fiz o mais rápido que pude, a carta dos Ratos. A propósito, foi justamente no dia de pagar contas e fazer compras... Comprei, inclusive, material de desenho. E precisei gastar com uma multifuncional nova também. Comecei, correndo, a rabiscar ideias para a carta seguinte a essa (e neste momento ainda estou nela)...
domingo, 7 de abril de 2024
Gabriel
quinta-feira, 4 de abril de 2024
Gonna Fly Now
Voltei da academia hoje andando ao melhor estilo Samurai de Olhos Azuis. Com sede de vingança e vontade de arrancar cabeças pelo caminho? Motivos podem até não faltar, mas... Libra, you know... Minha vingança é me preocupar com minha própria vida e nem lembrar de ninguém. Na verdade, voltei parecendo que haviam coisas pesadas amarradas nas pernas mesmo. A série mudou e eu mal consigo mexer braços, pernas, barriga, costas, bunda... Além disso, vim pensando no tema de uma ilustração que preciso entregar em alguns dias... Ainda não tive A idéia e só vou sossegar quando encontrar uma que seja muito boa. No entanto, não posso deixar de notar, para onde quer que eu olhe agora, tudo parece conspirar para me cercar e praticamente levar no colo até o caminho que preciso percorrer. Não nesta tarefa apenas, falo num sentido amplo dos meus objetivos atuais mesmo. Mente e músculos explodindo. De repente, minha vida passou a ser a própria manifestação daquele parágrafo do Goethe sobre o poder, o gênio e a magia. De repente? Mas não foi sempre assim?
segunda-feira, 1 de abril de 2024
Fênix
Essa brisa fresca que entra pela janela do estúdio ao anoitecer finalmente, anuncia a melhor parte do ano. O cheiro dos biscoitos amanteigados no forno me desencoraja agora a acender o incenso que geralmente deixo queimando no altar neste horário. Aproveito para escrever e desenhar enquanto espero o lanche ficar pronto e mantenho assim a escrita e o desenho livres dentro da rotina. O céu está cravejado de estrelas e a festa dos grilos no jardim já começou. Metade dia, metade noite. Parecido com a manhazinha. E a lua minguante irá surgir só mais tarde, de madrugada, quando tudo estiver quieto. Agora, é o momento do dia em que tenho a sensação recorrente de expectativa sobre algo de muito bom. Difícil explicar, como acontece com os sonhos... Você põe em palavras e tudo parece meio besta. Será que todo mundo sente algo assim nesse horário? Me vem na cabeça um monte de pequenos fragmentos aparentemente sem sentido. Uma cadeira de palhinha, um lustre colorido, uma mesa para muitas pessoas, cartas de tarô, uma senhora com cabelos presos e roupas de uma época que nem sei dizer qual é... uma janela com cortinas pesadas, toalhinhas de renda, árvores, caminho de terra seca, cavalos, chapéus, uma pensão. Uma sensação tão boa de acolhimento, de segurança, de que alguém muito esperado irá entrar pela porta, luzes amareladas... E agora, essa brisa aqui nos ombros me lembra, são tantos planos, tanto trabalho a fazer... Tantas idéias borbulhando e ansiedade para vê-las no mundo real... No entanto, tenho sentido um cansaço preocupante, uma vontade de dormir que não me pertence. Assisti três filmes de ontem pra hoje. Três! Isso não pode ser normal. Quieta, em frente a uma televisão? Mas, serei compreensiva comigo dessa vez. A guerra que foi o ano passado...Todo aquele desgaste... Não é inacreditável o quanto podemos suportar sozinhos sem sermos destruídos? E agora, ainda estou aqui, caminhando sobre as cinzas... recuperando forças... Reacender a chama é a parte que sempre exigiu mais.