Posso continuar aqui, focada no meu crescimento, dia após dia trabalhando em minhas construções, mal olhando para o lado, porém, infelizmente, lamentavelmente, tem sempre um para vir contar, desdenhar, mostrar prints de coisas que não me interessam e felizmente não tenho acesso. Ai, ai... o peixe sempre será pego pela boca. Um constante relógio parado... Se não se mexe, cresce, trabalha em si de verdade e para de se esforçar, continuará sufocando e se debatendo fora d´água. Com ou sem a minha aprovação. Até por que, quem sou eu?! E por que razão minha opinião é tão relevante assim?! Meu deus, quanta cena! Sabe, isso não me alegra, não! Até gostaria de ser capaz de fazer algo, no entanto, tudo tem limites. E as questões aparentemente importantes são: o que será que eu quero? O que é suficiente? O que é necessário? Eu, obviamente, tenho as respostas e condições. Isso só nunca ficou muito claro porque as perguntas certas nunca foram feitas. E já que isso parece importante, posso dar algumas indicações a quem estiver assim, de passagem, por aqui... O interesse na melhora, no desenvolvimento, no trabalho em si mesmo, psicologicamente, materialmente, fisicamente, intelectualmente, financeiramente, emocionalmente. Independência. Coragem. Mobilidade. Serenidade diante do contraditório. Isso sempre irá me causar boa impressão e dependendo do resultado a tão esperada admiração. Só que nunca irá acontecer dentro de uma carapaça, sem autoanálise, auto aceitação e auto sinceridade. Essa é uma tecla em que nunca deixarei de bater. Esse é o osso que nunca irei largar.
sexta-feira, 29 de março de 2024
quinta-feira, 28 de março de 2024
Arte não é Cultura
Sempre achamos que com a gente vai ser diferente, que os tempos são outros... que somos especiais... que tudo é sempre culpa dos ultrapassados, dos antigos, de coisas que estão até hoje aí porque têm funcionado, que só antigamente havia atraso... Nós sim faremos diferente. A partir de nós, tudo será progresso. Assim, o desequilíbrio entre caos e ordem vai levando todo mundo a crer que sabedoria, conhecimentos e práticas adquiridos a muito custo, precisam ser derrubados, destruídos, desconstruídos... Afinal, é uma questão legítima de se fazer: querem conservar o quê, se ninguém está satisfeito com nada? Porém, vamos lá. O equilíbrio não está nos extremos. Algo de mais valioso que a prática religiosa de uma arte marcial me abriu na consciência foi: aquilo que resiste ao tempo merece, no mínimo, respeito. Não chegou tão longe à toa. E o erro básico de qualquer faixa branca é subestimar. Mas, certas compreensões só chegam com vivência... experiência... trabalho... O problema é que na velocidade em que a realidade anda caminhando, se as crianças continuarem com a imbecilidade de transformar esse cabaré em estádio de futebol livremente, podem nunca chegar a ter o tempo de vida necessário para entender que não é por aí. Não falta tanto para um novo incidente. Depois de acharmos que era coisa do passado, dos livros de História da oitava série, quem diria... configura-se aí uma trilogia! Já começo a sentir na pele a angústia dos dadaístas. Está tudo de cabeça para baixo, às avessas, um nonsense generalizado e a escala agora é global de verdade... A regra, mais uma vez, irá se impor sem dó e não bastasse a tristeza que isso é em si, como sempre, o pior já são os comentários...
terça-feira, 26 de março de 2024
Oráculo
Não é curioso o tanto de sinais a nossa volta indicando acontecimentos futuros? Para não falar dos eventos extraordinários demais, captados por uma sensibilidade um pouco mais desenvolvida nesse sentido e que as pessoas nunca têm como provar, ficarei nos exemplos mais palpáveis e por isso, mais perceptíveis até mesmo aos distraídos. Uma sensação de perigo, um peso no ambiente, uma angústia por razão alguma, uma doçura no coração, pensamentos que chegam em momentos oportunos, um conforto a toa, idéias, sons, aromas, palavras e reflexões lidas ou ouvidas, situações estranhas, sonhos... tudo parecendo nos preparar para o que virá. A gente só entende depois. E quando é sobre algo realmente transformador, um daqueles eventos que mudam tudo, se você mantiver seus sentidos alerta, perceberá os avisos, a antecipação. E é nesses momentos - um nunca menos surpreendente que o anterior, talvez mais até, - o quanto fica claro para mim a ligação entre todas as coisas. Cada existência uma pequena peça de engrenagem da máquina infinita. Não existe lado de fora. Estamos todos no mesmo ônibus lotado, incomodando uns aos outros, nos voltando uns contra os outros, agindo terrivelmente, reclamando e amaldiçoando como se os outros tivessem alguma responsabilidade por nossa situação, quando deveríamos nos perguntar por quê estamos aqui, para quê, para onde vamos, como poderíamos tornar a viagem mais agradável para todos... A mudança (ou a revolução, para os mais infantis, que precisa ser, antes de qualquer outra coisa, interna) ocorre num abrir e fechar de olhos, mas nunca é de repente ou sem aviso. O universo, em eterna transformação, está o tempo todo anunciando o próximo capítulo. Para todos os eventos, existe uma conjuntura real e inegável, embora nós nem sempre desejemos desenvolver a habilidade de percebê-la.
sábado, 23 de março de 2024
Mão de Fogo
Poucas coisas me desanimam tanto quanto ser obrigada a ter aulas com alguém que não entende do assunto e principalmente, não entende as minhas dúvidas. É a realização daquela máxima irônica das ironias: quando o interlocutor é burro, quem fica parecendo burro é você. E o pior tipo de "professor" é o burro motivado. Muito cheio de cobranças, críticas, mistérios, tem clareza sobre nada, ensina errado, dá voltas demais, tem observações que acredita ser grandes insights baseados na sua experiência que sempre se revelam besteiras e ignorâncias tão grandes, ao ponto de toda e qualquer coisa dita precisar passar antes pelo crivo dos mais antigos e experientes para então ser aceita e aplicada sem medo por mim. Muitos preconceitos... Daqueles que realmente confundem alunos com crianças.
A sinuca de bico da situação é que não é tão simples reportar essa incompetência àqueles que deveriam saber dela urgentemente... E, na ausência de alguém mais para conversar sobre esse assunto específico, na minha dificuldade de mobilização no caso, prefiro vir aqui no espelho e colocar em palavras... clarear a mente. Temperança é uma virtude necessária. Porque, sabe? Mais isso! Tem sido demais... Do ano passado para cá venho me libertando do peso em excesso e fui deixando o máximo possível pelo caminho. Mas, mesmo assim não tem sido muito fácil. Até lamento o excesso de negatividade durante esse tempo por aqui... Porém, lidando assim, escrevendo para mim mesma, consigo manter o foco no objetivo e seguir na prática o sábio conselho do mestre em seu Epílogo:
Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada aguenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca... Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade.
Aliás, sua morte me proporcionou a experiência da tristeza real de se concluir a leitura da obra completa de um gigante que já se foi... Quando fechei aquele livro, uma década depois, contendo tudo, poemas, aforismos, textos diversos... e pensei "não haverá mais nada, nenhuma novidade depois disso.", bateu um vazio. Foi numa época de sentimentos transbordantes, sensibilidade e abertura nível Biografia de Van Gogh paralelamente ao Cartas a Theo, com as discografias de Damien Rice e de Philip Glass nos fones de ouvido, voltando para casa à noite, de ônibus em dias de chuva e indo dormir sozinha com uma enorme necessidade de companhia e orientação. Não sinto saudades desse período. Na verdade, sinto que apesar dos ganhos imensos, perdi muito tempo também. E isso é irrecuperável. O que me leva à algumas questões importantes: será que é exatamente o que acontece outra vez? Estou perdendo o meu tempo de novo? Meu caminho passa mesmo por aí? Não muito diferente de então. E nem tem nenhum professor, burro que seja, para me orientar, outra vez. O coração segue flamejante, a abertura nunca foi maior, a sensibilidade tem surpreendido pelos resultados, embora a solidão agora seja uma aliada...
Procuro ir até o fim com as coisas, embora os sinais antecipando o desfecho trágico sejam evidentes, em alguns casos. O que não me parece ser esse também, apesar das dificuldades... Sigo e vou ouvindo os conselhos pelo caminho. Acatando? Na maioria das vezes, não. Mas, esse é um caso especial. Fui avisada desde o início sobre os entraves, inclinações e curvas na estrada. Continuo com coragem. Onde quer que isso me leve, cumprirei a missão, os votos e sei que poderei fazer algo de bom no fim. Sem estapear algumas caras? Aí já não posso dizer... Hahaha...
segunda-feira, 11 de março de 2024
Diagnóstico Tardio
Quando criança, apontava bastante e esperava que entendessem o que eu queria. Com o tempo, aprendi a me comunicar mais claramente, porque percebi o quanto isso era ruim e causava problemas na minha família. Ali ninguém se comunica direito. Um dia comecei a notar que as letras e música estavam comunicando coisas, começou com Atirei o pau no gato. Músicas e imagens são meios de comunicação tão melhores... E depois de explorá-los bastante e criar uma ligação tão grande com eles, não foi tão difícil para a minha mãe me ensinar a ler e escrever... Letras e palavras são desenhos que expressam sons, sentimentos e identificam as coisas, afinal... Escrever continua sendo melhor do que falar in loco.
Separava os lápis de cores em pares, como se um fosse menino e o outro menina. Enfileirava os brinquedos, pedras, conchas, peças. Empilhava coisas. Passava horas observando plantas e formigas. Quando surgia um cogumelo, ficava muito intrigada. Saber que existia uma coleção de qualquer coisa que eu tivesse só uma ou algumas peças me angustiava demais, até completar tudo. Ainda tenho meus álbuns de figurinha, todos são completos, porque até vender as frutas do quintal eu vendia para conseguir completar.
Uma aversão, quase um pânico, de ambientes muito cheios, exceto shows, onde me sinto muito confortável, na verdade. Subia nas mesas do trabalho da minha avó e cantava Carinhoso... músicas antigas que minha avó curtia... Gostava mais de pessoas mais velhas que eu, ou que pelo menos, aparentavam ser. Sentia mais conforto assim. Isso não mudou. Fui convidada ao palco, num show do Daniel Azulay, que eu era mega fã. Peguei aquele microfone e ninguém nunca mais me tiraria dali, não fosse minha mãe dizendo que íamos embora porque meu avô queria... Pediram o contato, ninguém deu... Minha mãe só tinha 22 anos... Ai, ai... Porém, uma vez me levou num clube na Praça Seca que tinha carnaval pra crianças, eu amava me fantasiar e ir no carnaval com meus pais numa rua aqui de perto, jogava água nos bate-bolas com garrafinhas de lança-perfume. Mas, nesse dia eu odiei. Nem era uma criança de chorar a toa, e comecei a chorar, assim que chegamos. Amava ir pra escola, mas dava muita ansiedade quando as professoras ensinavam coisas que eu já conhecia... Quando fui estudar num colégio que tinha semi-internato para as pessoas de comunidades próximas, senti medo. Sempre brinquei com as crianças da rua da minha avó... a maior molecada... Mas, ali, eu senti medo... as meninas na fila pareciam agressivas demais. E só comecei a perceber que havia uma certa rejeição, que eu fazia algo de errado, na quarta série. Daí pra frente é só ladeira abaixo nesse sentido. Nunca consegui, nem consigo explicar ainda.
Tenho familiaridade com metáforas e ironias porque exercito bastante. Adoro, na verdade! Acho bonito e poético, engraçado... No entanto, demoro um pouco mais do que os demais para captar essas nuances algumas vezes, especialmente quando não tenho familiaridade com o assunto ou a pessoa... Até textos que eu mesma escrevo, não entendo imediatamente. Parece que existe algo na minha cabeça que vai mais rápido do que eu e escreve as coisas. Talvez seja por isso que escrevendo entendo melhor o que se passa, inclusive comigo. Na verdade, eu sempre compreendia muito melhor os assuntos da escola, alguns meses depois de dada a matéria. Ia bem nas provas, muito mais porque me esforçava e preparava exatamente para fazer provas. Para entender de verdade e ganhar fluência eu precisava focar nos textos e exercícios por algum tempinho sozinha, com métodos de estudo que eu mesma criava para mim. Engraçado, sempre achei que isso se devesse a eu ter sido adiantada na escola e todo mundo sempre ser mais velho...
Em geral, há uma sensação horrível de avassalamento e deslocamento em multidões e grupos muito grande de pessoas. Sinto muito mais a situação do que percebo sinais não verbais e tendo a não entender nada quando alguns ficam nervosos por coisas que apenas constatei e são fatos... Procuro até usar palavras mais tranquilas do que aquelas que me vêm primeiro à mente, hesito em falar sem pensar antes, tenho a fala lenta, principalmente com pessoas de menor convívio, e procuro explicar meu raciocínio desde a sua semente, justamente para não haver confusão. Muitas vezes, a precipitação, a ansiedade e a falta de educação dos outros é que impedem que meu pensamento seja compreendido. Porque sequer consigo concluí-lo devidamente. Acabo, nesses casos, falando rápido qualquer coisa e tudo sai de uma forma que fica mal explicada e mal compreendida, prolongando a situação adversa, ainda que minha intenção seja encurtá-la. A quantidade de mal entendidos provenientes dessa questão podem preencher uma bíblia. No entanto, quando sinto conforto, a conversa flui naturalmente, do contrário, a comunicação é simplesmente cortada porque não sou obrigada.
Sons muito barulhentos, gritos, tosses altas, obras, motos que passam na rua, sons ou movimentos repetitivos, luzes fortes, gente histérica ou espalhafatosa, brigas, textura de borracha nas roupas, toques suaves no meu corpo me irritam, me estressam, me assustam e às vezes me causam dor física. Uma vez fui acordada por um helicóptero da polícia que voava muito próximo ao meu telhado... aquilo causou uma crise de choro incontrolável, não sei explicar. E essa não é uma situação isolada... bagunça já me desestabilizou dessa forma... me colocarem em situação de responsabilização por coisas que não são minhas... mexerem nas coisas da minha casa, como o relógio de luz, o registro do gás, o capacho da porta... Coisas que acabam em casa, sem que eu seja informada antes de querer usá-las... Motoristas no trânsito que me põem em risco ou atrapalham o meu caminho descumprindo leis e regras... Tudo isso já me deixou em estado de quase ataque cardíaco. No entanto, acho que tenho dificuldade de expressar dor ou qualquer outra sensação. Ninguém entende quando falo que algo está realmente doendo ou que realmente me incomoda. Acho que sou confusa com sentimentos também... Sempre pensam que não me importo com os outros, que não gostei tanto de algo, que não tenho empatia, que não fico triste com coisas que nem me dizem respeito, mesmo havendo dedicado muito do meu tempo, dinheiro e energia a um monte de gente. Só percebo isso por causa do feedback.
Sou extremamente focada no que me interessa praticar e aprender. Isso pode durar horas, dias, semanas, meses, anos... E varia com o tempo porque me interesso realmente por muitas coisas. Até tomo decisões de última hora, porém, me sinto mais confortável com o planejamento da semana toda. Ser obrigada a sair da rotina é bem estressante. A organização dos meus livros, materiais, roupas, sapatos, arquivos, trabalhos, segue alguma lógica: cor, forma, tamanho, alfabeto, número... Dá uma agonia muito grande ver estojos de hidrocor ou lápis de cor dos alunos fora da ordem do espectro cromático. Gente cantando desafinado, instrumentos desafinados, letras erradas, erros de tempo ou nota nas músicas são insuportáveis. E coisas desalinhadas me dispersam... quadros... móveis... carros no estacionamento... sujeira... bagunça...
sexta-feira, 8 de março de 2024
Mahashivrat
Poucos prazeres se comparam àquele dos dias em que posso dedicar exclusivamente aos meus estudos e projetos pessoais. Desenho... Música... Leituras... Planejamento... Nada pendente para resolver com ninguém. Nenhuma demanda externa. Temperatura agradável. Silêncio. Sobremesa só para mim. Exercícios físicos. Meditação... Algumas respostas, mensagens, agradecimentos e pedidos de desculpa para receber? Até tenho, mas o desapego de qualquer uma dessas coisas é total. Nada disso me cabe. Quando chegarem, chegaram e sejam como forem, para mim estará bem. Porque espero nada até de quem disse que me pagaria. Não ajudo para receber algo de volta posteriormente... Mesmo que, por outro lado, também seja uma enorme surpresa receber estupidez justamente nesses casos. Mas, ah, quero mais é que o cu de uma pá de gente pegue fogo e que o bombeiro esteja em greve. Sou tão entretida com a minha própria vida... passa uns minutos nem lembro mais de quem são, imagina se vou lembrar de estupidez. E a vida sempre se encarrega de cada um. Pra esgotar minha paciência precisa ser persistente de verdade... Talvez isso me faça uma amiga difícil... Rio das minhas próprias piadas, sei fazer minha própria comida, pago minhas contas, adoro ficar sozinha, poucas opiniões me importam, não me interessa a estagnação... Porque, né? Até as amebas e os vírus evoluem! É inadmissível, em tempos de Internet, tendo dois braços, duas pernas e uma cabeça funcionando, com café da manhã, almoço e janta na mesa, ter a saúde cada vez pior, o mesmo valor na conta, o mesmo currículo, a mesma vida social, os mesmos assuntos, a mesma mentalidade e os mesmos hábitos do início da vida adulta. Não dá.
Enfim, é bom chegar a um ponto de equilíbrio onde nem mesmo gente, dinheiro, testes e provas conseguem perturbar mais a minha paz. Muito menos numa noite tão auspiciosa quanto essa! Meu dia feliz vai acabar só de manhã, com as bênçãos do Adiyogi.