A verdade pressupõe clareza. Clareza demanda silêncio interior. Tudo que é dito se torna reduzido, limitado e banal. Os medos, as idéias que nos atormentam, sonhos ruins, e também toda a beleza e bondade, o que é infinito, magnânimo, incompreensível. Nomear é definir, limitar, dominar. E existem coisas que devem permanecer ocultas, porque elas só funcionam em sigilo. Como as raízes das árvores.. os bebês em gestação... as formas na noite... o artista em processo criativo... o que se passa em nossos corações...
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Se toca...
Como o Julgamento de Páris nos ensina muito bem, cada um opta de acordo com sua própria cegueira... E consigo reconhecer que a minha empatia e a minha piedade estão em dia quando tenho plena condição de descer a porrada em alguém que está tendo um comportamento completamente lamentável (não importa o motivo, nada justifica certas coisas), mas continuo fazendo algo de bom por essa mesma pessoa... E falo de porrada real aqui, sabe? Dessa que te deixa sem dormir em posição fetal na cama por noites inteiras... Já usei a analogia do monge e do escorpião meses atrás, anos atrás até, pela mesma razão. Mas, ei! Não sou monge algum... Só tenho uma paciência que é tão grande que alguns ainda acreditam que é infinita. Embora outros já tenham percebido que não é.
O mundo é mal e injusto, a família é um problema, a sociedade é hipócrita, o governo é corrupto, as religiões são falsas, o trabalho é demais, a escola deseduca... O primeiro sinal de maturidade é perceber que a única coisa que você pode decidir aqui é o que acontece dentro de si mesmo. Isso é responsabilizar-se pela sua felicidade, em vez de oferecê-la de bandeja para os outros. O segundo, é entender que as pessoas (QUALQUER PESSOA) só farão o que acham que é melhor para si. Quantas vidas, quebrando a cara e rastejando aos pés de reis, ainda serão necessárias para aprender a levantar e andar por sua própria conta?
Ah, também tem aquela do construtor de pontes: você constrói mil pontes, você é um construtor de pontes. Você constrói mil pontes e dá a bunda: você é um viadinho fdp. É mais ou menos isso aí. E egoísmo é quando eu penso em mim primeiro, não em você, certo? Entendi.
...é o que te resta.
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Mini Eu
Quando eu era criança, meu pai falava que era o Superman e a única coisa que me ocorria perguntar era: "Então onde tá a roupa?" Ouvia muito aquele disco do Dire Straits, "Brother in Arms" e achava que era Lulu Santos em Inglês. Queria ser cientista, porque para mim, um laboratório era um negócio de vidro onde os líquidos coloridos ficavam passando e dando voltas até virar fumaça. Passava um tempão acompanhando as formigas entrarem e saírem do formigueiro e ficava muito intrigada quando surgia um cogumelo no quintal. Cumprimentava as árvores e fiz uma promessa de nunca arrancar folhas a toa. Enterrava coisas para só desenterrá-las quando fizesse 10 anos. Vendia as frutas do quintal pra comprar papel fino, linha, cola de madeira e fazer pipa. Sempre escolhia picolé de uva e sacolé de groselha. Escrevia carta para o Papai Noel pedindo giz pastel e bicicleta. Reclamava quando minha mãe interrompia o queimado mandando subir e tomar banho, sendo que eu nem tinha brincado com terra! Montava uma casinha de tábuas no quintal, levava uma vela e Skiny e fugia de casa pra lá. Minha vó dava dinheiro para que o cachorro e eu pudéssemos tomar sorvete de casquinha. Tocava piano em casamentos e sentia muita vergonha disso. Vendia desenhos na escola e fazia a capa dos trabalhos de pesquisa dos colegas. Tentei escrever uma história onde não acontecia nada de ruim. Tinha medo do Freddy Krueger e do Chuck, mas nenhum medo de fantasmas. Era apaixonada pelo Robin dos Menudos, pelo Van Damme e pelo Zé Trovão. Tinha um namorado em cada lugar que frequentava. Não entendia por quê as meninas mais velhas só conversavam sobre meninos. Acordava às cinco da manhã, fazia meu Nescau, ligava a TV e ficava esperando o SBT entrar no ar para ver os desenhos animados. Subia nas mesas do trabalho da minha avó e cantava Carinhoso. Usava botas ortopédicas e tinha muitas botas de todas as cores. Vivia com o joelho ralado. Comia uma beterraba cozida inteira sozinha. Não gostava de vinho, nem de queijo. Roubava palmito e lata de leite condensado da dispensa; quando não aguentava comer tudo, escondia dentro do piano. Não gostava de lugares muito cheios. Minha irmã era a minha boneca. Eu sempre escolhia a espada do Lion porque acendia o Olho de Thundera e meu primo Rafa usava a do He-Man. Sonhava com um rio cortando o quintal, então abria as 6 bicas ao mesmo tempo e deixava a água escorrer. Fazia contagem regressiva do dia das crianças até o dia do meu aniversário. Passava dias de chuva pintando com aquarela. Gostava de dormir na casa da minha tia. Fui dama de honra no casamento dela. Sempre ia à praia de camisa vermelha e ficava na beira da água de braços cruzados para todo mundo achar que eu era salva-vidas. Um dia eu contei para a vizinha que todas as pessoas eram monstros fantasiados. Nunca dormia bem à noite. Tinha uma coleção de chapéus. Queria sair cada dia com um penteado diferente. Tinha um monte de segredos. Não gostava de ter sardas no nariz. Sempre era a última a calçar o tênis depois do recreio. Também era a última a acabar de comer. Achava que quase ninguém gostava de mim.
terça-feira, 31 de agosto de 2021
A Irmã da Esperança
Esses dias estava lembrando da minha passagem pelo Copa Studio, quando trabalhei nos cenários de Irmão do Jorel. Lembrei da dificuldade que foi chegar numa sexta e descobrir que não precisava mais voltar na segunda, depois de meses de promessas sobre carteira assinada, novos projetos e coisas assim... Me senti traída, otária, questionei minhas reais habilidades artísticas, comecei a não conseguir mais enxergar nada do que eu achava que mais sabia fazer como bom... E pior, as contas não parariam de chegar. Fora que eu estava amando participar desse desenho animado, daquela equipe... E tudo estava sendo tirado de mim. Onde estava o meu erro? O que eu não tinha visto que deveria? Meu personagem favorito era o Mendigo dos Mares, hahahahaha... um herói bem virginiano, seu superpoder é a Humildade! E isso é algo que admiro e aprendo sempre com o signo de Virgem, especialmente com aquelas pessoas que têm o Sol aí, as vantagens da humildade. Mas, digo humildade mesmo. Não uma cabeça baixa diante de autoridades ou determinadas situações, nem um comportamento passivo e negacionista de minhas habilidades. Calar e fazer nada, quando é necessário falar e agir, tem mais a ver com preguiça e covardia. Falo dessa percepção clara e honesta sobre o que está bom e o que não está, entender o meu exato valor, sem aumentá-lo, nem diminuí-lo. Reconhecendo que não sei, não entendo, não consigo ainda, que tenho limites... Isso exige maturidade, observação sincera e tranquila, exige coragem para manter os olhos bem abertos e exige abandonar o seu oposto que é a presunção. E a principal vantagem é: só isso pode tornar possível meu aprimoramento ao nível da maestria. Essa esperança, essa convicção de que ainda não está bom e dá para ser melhor é o segredo virginiano para a excelência. Que todos temos, conscientes disso ou não, em pelo menos uma área da vida e por esta área fica mais fácil entender esse conceito para aplicá-lo nas demais. Então, do meio do fundo do poço onde fiquei após aquela rejeição tão repentina, comecei a escalar de volta, pois não havia outra opção. E nesse processo de luta pela sobrevivência acabei entendendo onde minhas habilidades eram muito boas sim e onde eu precisava crescer... Ah, também descobri que o acontecido não passou de má fé e mau caratismo, na verdade. Mas, o importante é que cumpri mais um carma e só cresci com isso. A vida seguiu, como sempre.
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
The Thing That Should Not Be
É tanta coisa... Sei nem por onde começar. Então, nem vou. Só quero ficar em paz, sabe? Tá tudo bem... Eu me importo, amo, sinto falta... Seria bom se fosse possível transmitir a consciência de que todos temos valor, todos somos pequenos universos, cheios de vida, ricos... mas, ninguém tem o direito de dizer ao outro o que pensar, o que fazer, o que sentir, o que é o certo, o que é bom para ele, regulando o que ele pode ou não, sob o pretexto de que ama, quer proteger, quer cuidar, tem medo de perder. E sob a ameaça de se iniciar com isso um joguinho de nervos, cheio de ardis, pequenas mentiras, tentativas de impressionar. Vai impressionar, vai conseguir o que quer, em dois tempos a máscara cai e aí? Aí é o que temos agora. Se você não acha que eu tenho o direito de sentir raiva e expressar o que penso e sinto, se o que eu tenho pra dizer não tem valor algum, se você, afogado aí em suas presunções, com nada na vida no lugar, chegou ontem e já quer me dizer insistentemente, desrespeitosamente, o que é melhor para mim, tentando calar a minha boca, perde de vez o direito à minha atenção. E é bem difícil recuperá-la nesse caso. Acho perigoso ficar para ver até onde se pode chegar com certas reações, especialmente quando o que se fala e o que se faz vive em conflito. E um erro está nessa crença de que o que você pensa é o que é a realidade, sem qualquer abertura para outras possibilidades, outro é achar que alguém é obrigado a te dar alguma coisa, atenção que seja, ou a ficar pra sempre em algum lugar. Eu sei que não sou.
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Remédio
Contra cobiça, abundância
Contra avareza, desapego.
Contra gula, equilíbrio.
Contra luxúria, sossego.
Contra ira, suavidade.
Contra inveja, contentamento.
Contra preguiça, desespero.
Contra as sombras, luz.
Contra dor, conforto.
Contra ódio, serenidade.
Contra o impossível, coragem.
Contra má vontade, nada.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
A Cereja, a gota d'água, o estopim
Nunca vou entender você ter a possibilidade de dizer tudo o que quer para alguém que está na sua frente, tentar perceber se o que ouviu era aquilo mesmo que entendeu, etc... mas, pelo contrário, neste momento se negar a "discutir" (na verdade, felizmente, porque, ninguém estava interessado mesmo), por soberba, falta de tempo, paciência, ou sei lá. E então, ir dizer tudo para uma outra pessoa, que obviamente pensa como você. Ou, mais infantil, chegar em rede social e enfiar em toda e qualquer brecha que encontra, uma "verdade" que você achava que precisava ser dita, no momento em que sentiu que sua opinião era boa demais para ser contrariada, mas preferiu dizer que não tinha tempo para falar ou ouvir o que quer que a contrariasse. Fica pior: ainda escrever textos enooooooormes com a pretensão de que alguém fora da sua bolha vá ler. Pode acreditar: não. Essa é a parte da feminilidade que não admiro: a passivo-agressividade.
Se as pessoas não discordassem, haveria nada no mundo. Mas, se as pessoas não sabem boas maneiras e razões para se fazer isso, só estão dispostas a se desfazer de idéias contrárias e nunca ouvi-las com a mesma disposição com que quer dizê-las, igualmente, não se constrói nada. E o curioso é que quanto mais contundentes, mais reativos e sensíveis à contundência.
Só pode falar quem tem o que dizer, quem sabe falar. E quem decide isso? Quem sabe? A pessoa que escreve "a nível de"? A pessoa que cai nas falácias de ad hominem, de argumentum ad personam, de falsa analogia, de egocentrismo ideológico, falsa dicotomia e de tu quoque o tempo todo? Ou a pessoa que nunca dá atenção aos assuntos que não domina, finge que conhece o que não conhece para não parecer menos, faz outra coisa enquanto o outro fala numa demonstração total de falta de respeito, educação, elegância... levanta a voz, torna-se ofensivo e aumenta a velocidade da fala quando é minimamente contrariado? Ou a pessoa que descreve a conduta do outro com todas as atitudes lamentáveis que pratica e não vê: interromper e não se importar com o que o outro diz, viver e expor o outro a situações arriscadas, dizer que adoraria ver, ouvir, ler e sequer saber até agora qual era a pergunta que teria sido feita se fosse possível, no meio de tantos parêntesis? Verdade... realidade... sinceridade... A lógica só existe mesmo para justificar o que queremos fazer.
Bom, chega dessa modorrência contagiosa. Até minha febre melhorou porque não estou com paciência nem pra ficar doente. Separei tudo em textos programados pra ficar didático, dar tempo de pensar e gerar reflexões por meses. Mas, enfim, I rest my case. Câmbio final.
terça-feira, 6 de abril de 2021
Conteúdo e Forma
De novo esse assunto por aqui...
Um senhor chegou outro dia na banca de jornal do mercado e perguntou à atendente:
- Tem pilha Duracell?
- Tem sim. O pacote AA com 4 custa 45 reais. - A moça respondeu.
- Não te perguntei o preço. - Continuou, o fofinho.
A atendente me confessou depois o que foi que sentiu na hora, mas apenas respondeu:
- Sim, senhor, mas é natural que o cliente queira saber o preço para ver se quer ou não levar.
- Mas, eu não te perguntei isso.
Daí pra lá foi só troca de gentilezas...
Num outro dia, o senhor Leo Batista, bem conhecido por apresentar programas esportivos na Rede Globo, estava entrando neste mesmo mercado, enquanto eu tomava um mate na lanchonete que tem ali. Desse diálogo eu não lembro bem os detalhes, mas um homem que saía começou a olhar para ele e fazer elogios ao contrário sobre a emissora. E o senhor Leo, que também gosta de uma exaltação, porque já o vi sendo tão gentil quanto um boi de rodeio, na padaria, na oficina e dentro do próprio mercado, devolveu uma série de observações contundentes e ficaram entretidos nisso por uns bons 10 minutos.
Poderia passar também o dia inteiro relatando pequenos eventos como esse. Se me esforçar, creio que tenho lembrança de presenciar e até protagonizar situações assim desde os anos 80. O que vejo de comum nessas duas aí de cima? Um estava seguindo com a vida até ser abordado por outro que só disse verdades. Ninguém passou a pensar ou se comportar diferente, o dia de todos só ficou pior e qualquer possibilidade de interação a respeito do que quer que seja entre essas pessoas se tornou muito mais difícil. Quando você quer realmente mudar alguma coisa, quando realmente se importa, encontra as melhores maneiras de se conseguir atingir o objetivo. Com foco, elegância, cuidado, estratégia, maturidade e especialmente inteligência. De resto, é só vontade de punir o outro por algum tipo de frustração sua ou só uma vontade incontrolável de aparecer mesmo.
Do Mau Estilo...
Todo o bem, todo o mal que eles te dizem, nada
Seria, se soubessem expressá-lo...
O ataque de uma borboleta agrada
Mais que todos os beijos de um cavalo.
Mario Quintana
segunda-feira, 5 de abril de 2021
domingo, 4 de abril de 2021
sábado, 3 de abril de 2021
Apocalipse (Contém Spoilers)
"No princípio era o Verbo..."
(...)
Então surgiu o primeiro adjetivo.
Fim.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Aqueles papos que já eram chatos na adolescência...
A gente estuda tanto uma determinada área do conhecimento, desde a infância and counting, se cerca dos melhores que existem na praça num raio de muitos Km... Apenas para ter que aturar as atrocidades dos demais mesmo... Pra quê, né? Era só ficar na boa... Na mediocridade... No fim das contas somos só nós mesmos dentro da nossa cabeça, com nosso suor e nossas lágrimas. E isso está em graus infinitamente mais altos que teorias, discursos e toda a picaretagem que vem junto... Ah, mas quem se importa? O valor da narrativa e o valor da prática são confundidos propositalmente. Afinal, ser habilidoso em falar sobre o que leu ou ouviu ou vai fazer, dá menos trabalho do que praticar, fazer e mostrar habilidade, com todos os sentidos que essa palavra têm. E a situação fica ainda pior quando o papo nem é sobre teorias e discursinhos entediantes apenas, mas quando descamba para algo muito pior: a fofoca. Os bastidores daquela área. As figuras históricas. Rumores, boatos e encenações de Hollywood para se construir uma identidade ou gerar propositalmente uma história para vender (advinha) fofoca. Por que é só isso que realmente importa, não é mesmo? Destilar inveja e recalque sobre a ação dos outros e suas conquistas, quase como se dissesse "Estudando qualquer um sabe!". E justificar a rejeição a toda uma categoria, com detalhes que sequer correspondem à realidade. Pra piorar, o maldito assunto da conversa (se depender de mim, monólogo), que nunca teria começado de minha parte, sempre termina com a defesa de algum time.
Até ia colocar aqui uma lista de fatos, apenas como um incentivo para se fazer autoanálise e refletir sobre complexo de inferioridade, em vez de repetir, apressadamente, os clichês e as fofocas de revista, de forma distorcida ainda, para justificar por que aceita ou rejeita alguma coisa e encontrar outra explicação mental para os recalques descarados. Mas, a prancheta tá cheia ali.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
MIMIMI Mean
Estou num projeto de destralhamento do armário. Da casa. Da vida! Anda a passos lentos, como todos os outros projetos? Anda. Mas, uma hora a audiência com Maat chega para tudo por aqui. Porque, nessa de deixar-me levar por impulsos irracionais, nem todas as coisas acabam tendo o funcionamento que eu esperava, nem todas mantém a sua beleza ou adequação com a mudança dos tempos. E esperar que algum dia a situação seja ideal para a coisa, só porque tive algum apego emocional a ela num momento, foi mais de uma vez, perda de tempo, energia, espaço, dinheiro... Verdade? Verdade. Triste? Nem sempre. Mesmo quando são coisas muito queridas que quebraram, mancharam, rasgaram, não quer dizer que não tiveram um final feliz. Foi bom tê-las, mas, perder o que gostamos pode ser tirar a sorte grande. Isso lembra Vento nos Cabelos em Dança com Lobos... "Ele se foi porque você estava vindo. É assim que vejo." Negociar e pesar mentalmente as vantagens e prejuízos de se manter certas coisas é fundamental para a sanidade, a higiene, a paz. Insistir em guardar peças quebradas, inúteis, inadequadas é conviver com "amigos" incapazes de oferecer uma boa companhia, não tem motivo. E manter o cadáver só por causa de uma história natimorta é doentio, desnecessário e cansativo. Algumas tralhas dão até vergonha... Meu deus, olha essa saia! Aí já é falta de sinceridade demais comigo mesma. Desnecessário. E então, aqui, diante deste armário, refaço esse exercício anual de lembrar que é perda de tempo esperar esgotar todas as possibilidades para ver o óbvio: o espaço é infinito, mas minha disposição para limpar, cuidar, consertar e arrumar, não. Não sou obrigada. Não preciso realmente perder meu tempo ou desperdiçar vida com coisas que só subtraem. Esse raciocínio é uma autodefesa para a alma.
quarta-feira, 31 de março de 2021
✡ 2012 -2021 ✝
quinta-feira, 4 de março de 2021
De justiceiros e silêncio
A melhor coisa que se pode fazer por si mesmo nesta vida é crescer. O que de mais maravilhoso um jardim pode fazer pelo jardineiro, se não crescer e florescer? E tem sempre alguém para dizer "Não, não, eu quero fazer isso por você... Quero fazer aquilo para você..." Mas, se você vive um pouco aprende que não é essa a intenção real. Não é o objetivo. A melhor coisa que você pode fazer para qualquer pessoa sempre será algo que ELA queira. Não o que VOCÊ quer. E esse é sempre o problema. Todo o esforço, toda a sedução... Algumas pessoas me conheceram há algumas décadas... Não devem nem me imaginar desta forma, mas com o passar de alguns anos, algumas mudanças de foco aconteceram comigo. Tenho me tornado cada vez mais taciturna. Há dias em que eu fico sem dizer uma palavra sequer. Não é que eu tenha feito qualquer voto ou esteja em algum caminho espiritual específico. Estou apenas aqui. Mas, a maior parte do tempo, seja onde for, seja quem for, pessoas inteligentes, pessoas burras, pessoas que estudaram bastante, pessoas que não sabem dizer o ano em que estamos... está todo mundo engajado em falar tanta besteira. E eu estou há alguns anos num movimento em que na maior parte do tempo escolho o silêncio. Porque eu fico desanimada com as conversas que ouço, os comentários, os termos, as expressões, as palavras, os raciocínios... Não tenho a menor vontade de fazer parte disso.


