A pessoa quer intimidade. A pessoa quer afeição. A pessoa quer atenção. A pessoa quer segurança. A pessoa quer privacidade. A sua E a dela!
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.
Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
2 comentários:
Hmmm... então foi assim que tudo começou... ;)
Hahahahahahaha. Caroooooool. Que babado, hein!
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