É aniversário do meu avô hoje. Nunca mais o vi. E a única foto que tenho dele é tão pequena que mal se consegue ver o rosto. Um dia cheguei na casa da minha avó e ele havia ido embora. Ninguém me disse nada. Apenas cheguei saltitante na sala de música e o piano não estava lá. Nem o case do clarinete. Nem o teclado. Nem o órgão. Nem o violão... Minha avó estava deitada na cama e este foi o segundo retrato de coração partido mais triste que já vi. Ele teve suas razões. Ninguém pode culpá-lo. E eu até o admiro muito por esta coragem, apesar de sentir uma saudade que não cabe em mim. Mas, de certa forma, ele nunca se foi totalmente. Não é sempre assim? Então, seu sorriso permanece em meu coração na forma das coisas que se tornaram as mais importantes na minha vida: música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade. Queria poder ainda abraçá-lo, ouvir música, tocar o piano a quatro mãos, ler junto, conversar sobre temas elevados, viajar, pintar... E poder mostrar o que fiz de melhor com aquelas sementes que ele plantou.
O curioso sobre esta data, é que também faz aniversário hoje o meu último professor de piano, com quem igualmente dividi música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade... E de quem também sinto saudades sem fim. Mas, ao menos esse eu sei onde encontrar.
Um comentário:
Oh, Carol... Não sabia dessa...
Postar um comentário