Aqui, no meio das minhas pinturas, músicas e leituras, me esmago entre um minuto e outro para arranjar também tempo para a escrita. A semana está bem no dia de Odin, a quarta-feira, e para mim esse sempre foi muito mais crítico do que a segunda... Não dá para voltar, mas ainda falta o mesmo número de horas já percorridas para terminar. E, parece que nesta em especial os karma cops resolveram me dar uma dura. O pior é que os documentos não estavam em dia... Biquei três bolas pra galera ao melhor estilo Odvan, assim, só nesse tempinho... Exagerei e não pensei direito antes de agir. Então, fiz o que sempre faço quado o cerco aperta. Dei uma volta por caminhos que não costumo seguir.
Sempre me pareceu que ir a lugares diferentes, falar com estranhos e ver coisas incomuns fosse a chave para descobrir formas diversas de pensar. Aí, na volta do meu dia cheio, peguei um ônibus que segue uma rota muito maior do que o meu caminho normal para casa, mas passa bem em frente ao meu portão. E desse modo, hoje, acho que entendi por um minuto as razões de certas coisas. Como, por exemplo, porque o mundo é assim tão do jeito que ele é. Entre uma perda e outra, acabamos esquecendo que certas coisas preciosíssimas custam tão pouco, quase nada. Será que nós, adultos (tá, pode pôr um pouquinho de ironia nessa), não preferiríamos que os médicos continuassem nos receitando aqueles xaropes infantis docinhos? E que as pessoas nos sorrissem e acenassem na rua sem qualquer intenção?
Sabe, isso é o que nos fecha, não ter mais quase ninguém disposto a enrolar docinhos e pô-los em forminhas para o nosso aniversário. Não relembrar as piadas bobas que sempre arrancam risadas. São os cumprimentos vazios, os apertos de mão gelados, os beijos quase inexistentes e as alfinetadas. É o sumiço das brincadeiras e apelidos implicantes... É a falta de embrulhos bonitos nos presentes. É o abandono dos livros ilustrados e dos desenhos animados. É o desaparecimento das palavrinhas mágicas, dos sorrisos sinceros e dos abraços que falam mais que mil palavras. Será que não queremos (e necessitamos) daquelas bolinhas nas ponteiras dos guarda-chuvas, como os das crianças, para que não furem os olhos? E em que idade ter uma escova de dentes de dinossauro passou a ser errado? Ou desencorajar uma discussão argumentando de cima de um Pogobol? Quem quer razões e explicações quando pode ter uma tigelona de sorvete com calda e castanhas para se acalmar? Ou várias fases de Super Mario para passar? Ou até mesmo, um minuto de viagem na maionese com um amigo? E pergunto também: algum dia eu disse que não queria mais que entrassem no meu quarto à noite para ver se estou com frio, ou que não me contassem mais histórias para eu dormir?
Um comentário:
Um pouco de gentileza e carinho nunca fizeram mal a ninguém...
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