Neste jardim de infância que o mundo, em muitos momentos, parece ser, em algum ponto, em algum nível, tudo vira competição. Às vezes é uma questão de você contra o outro, às vezes é só você contra si mesmo, não importa. A insatisfação com o que se tem, o foco na falta, a vontade de ter mais, a cegueira para as bençãos, vêm com um treinamento iniciado bem cedo. Quando isso começa não é o ponto aqui, além disso, a mente por si só, é negativa. O ponto é aquele momento auto-sabotador, quando a vaidade, já bem sólida, mas sempre tão frágil, se sente ferida e a partir daí a intenção é a revanche, a dor, o sangue e as lágrimas de alguém. Neste momento fica claro o quanto o orgulho pode fazer de você alguém que se acredita completamente sem esperanças e desmerecedor de qualquer coisa boa. Você está competindo, está com raiva de si e de todos, não está se responsabilizando pelo que é, faz e sente, está culpando os outros, o destino, os deuses, os astros e assim lava as suas mãos, sem pensar sobre o fato de que elas estavam sujas, e passa a se sentir impotente, sozinho, mesmo num mundo com sete bilhões de habitantes, pois a sua mesquinhez não te permite nem amar, nem ser amigo de ninguém.
domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 28 de dezembro de 2013
No Labirinto do Fauno
Brilhando nos olhos daquelas noites de angústia. Agitadas. Bem no coração da loucura espelhada em lágrimas guardadas. Lá, onde o Sol nunca toca, a luz nunca chega. Onde estão soltas a dor, a saudade e a indulgência. Há três tesouros enterrados: o primeiro é o amor, o segundo a coragem e o terceiro a linha tênue entre teimosia e persistência.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Dia do Mestre
"Desde o início da minha vida, até agora, eu percebi que de fato só existem dois tipos de pessoa neste mundo: aqueles que estão a seu favor e aqueles que estão contra você. Aprenda a reconhecê-los, pois eles são freqüentemente e facilmente confundido uns com os outros."
sábado, 21 de dezembro de 2013
Dia de Traçar Metas
"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."
(William Shakespeare - Sonho de uma Noite de Verão)
Alegria, força e sonhos realizados para todas e todos nós.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
"PORRA!"
Tem situações que já são difíceis e absurdas sozinhas. Lá, condenadas ao congelamento do passado. Mas dizer que não tem como piorar é subestimar demais o universo. Sim, sempre tem como ficar pior. Tristeza duplica o peso de qualquer coisa. Raiva eleva à décima potência. Mas, nada transforma tudo numa tempestade de merda tão bem quanto o orgulho e consequentemente a falta de sinceridade. Isso só atrapalha a visão, ata as mãos. E aí, fica bem difícil quando, diante da pior atitude possível, o reconhecimento sincero do erro e a ação conciliadora, a boa vontade que denota humildade, ficam de lado em prol da sua auto imagem. Que inclusive é falsa. Para não dizer patética, digna de pena. Depois de mostrar o pior de si, a arrogância permanece e diz que agora sim está tudo bem, se sente aliviada e vai se afastar porque não consegue entender... Quando na verdade, entende muito bem, só que ser vingativo, punitivo, sair aparentemente "por cima" e agir com escapismo, foi tudo o que se aprendeu em algumas décadas de relacionamentos problemáticos, pouca reflexão, muito escapismo e atitudes duvidosas. Tem coisas que só sendo muito cego para não notar. E existem tantas formas de cegueira... Mas, por mais clichê que possa parecer, é uma verdade: o pior cego é o que escolhe não ver.
Ainda bem que levo muito pouco as palavras dos outros a sério. Foco no que eu quero sinceramente fazer, não em sair com uma imagem orgulhosa intacta e um ar de superior. Pra mim grandeza de espírito e imagem admirável tem mais a ver com silêncio, respeito e atitude do que com descontrole, birra e passividade. Pois o mesmo que disse ontem "não quero te entender só amar e respeitar" pode ser o mesmo que diz hoje que "não está entendendo nada, não está funcionando desse jeito e por isso vai se afastar"... E se eu acreditar nisso, se eu sequer parar para ouvir, se sentir sinceridade nessas palavras, e em tantas outras, simplesmente me levanto e volto para casa com toda a leveza que só aqueles que fizeram de tudo, que deram 100% de si, que jogam junto, sentem. Se preferir vencer uma discussão, "não baixar a crista", a resolver um problema de forma sincera e satisfatória para todos, já posso considerar a possibilidade de problemas sérios de habilidades sociais ou de idiotia. O que é sempre muito mais preocupante do que, apesar de uma patologia mental, as limitações biológicas de alguém com um mínimo de boa vontade.
Em outras palavras, não deixar o seu comportamento imaturo, seu ego infantil, abaixo do que realmente sente e quer fazer é no mínimo covardia, no máximo ignorância... Não tomar um movimento reparador, não buscar a iniciativa de conciliação, de solução, especialmente quando é para manter algo que para você importa muito... Não há confiança que se mantenha intacta depois disso. Fugir por vergonha de um erro cometido é uma das maiores besteiras que se pode fazer na vida e eu já vi isso acontecendo tantas vezes... Precisei lidar com isso de tantas formas... Mesmo assim ainda dói bastante ser sempre aquela que se mantém iluminada quando tudo mais escurece...
E é desnecessariamente violento e sombrio receber um balde de água fria enquanto se está apenas tentando ficar em paz, quieta. E não tem nada pelo qual eu tenha menos respeito do que pensamentos e atitudes passivo-agressivas. Exigir que o outro deixe de fazer o que quer, ou exigir que faça algo que você quer, só porque você quer e ainda num tom autoritário, seguido de repreensão? Tem atitude mais passiva, anti sedutora e egoísta? Você cria as expectativas, exige que o outro as cumpra, o repreende porque ele se recusa e ainda se descontrola irremediavelmente se ele insistir em reclamar? E ainda o ameaça, se faz de vítima, envolve outras pessoas e diz com o peito estufado e a maior tranquilidade que, foi bom o ocorrido, se sente aliviado, liberado e satisfeito com isso? Não percebe o quanto tudo isso é absurdo e covarde? "Pára de fazer isso. Por que? Porque eu quero." Hã? Como assim? Não é melhor ir fazer o que você quer de uma vez e ver se o outro tem interesse em te acompanhar? Não é mais maduro, sensato e respeitoso? Assinei algum contrato dizendo que sou obrigada a fazer ou deixar de fazer o que você quer, simplesmente porque você quer? Não é mais inteligente e elegante seduzir em vez de exigir feito criança mimada?
Piora quando além de tudo isso, ainda permanece aquela velha conhecida posição de vítima, as justificativas, as tentativas de causar um sentimento de culpa... A falta de bom senso em, apesar de estar completamente errado, esperar que seu lado seja considerado... Ainda assim agir com arrogância, como se estivesse cheio de razão, até o fim! É tão surreal que chega a ser inacreditável! Delegar ao outro, sim, àquele que apenas sofreu todas as consequências das suas piores atitudes, o papel de conciliador? Esperar boa vontade e compreensão daquele a quem você oprimiu? Por medo de ouvir um não, de ser recusado com todas as letras? Contar que o outro, e apenas ele, tenha a grandeza de espírito de compreender, relevar, resgatar, apaziguar e persistir, com todos os seus problemas e fraquezas e histórico e restrições, pois caso contrário sua decisão será fugir como um ladrão envergonhado, de mãos vazias, sem conseguir carregar seus espólios? Quão opressor e injusto isso é? O que é preciso para seguir adiante ainda assim? O que é preciso para não se sentir violentada diante deste quadro?
Bom, faço de tudo. É assim quando me importo. Faço o que for necessário. Não aceito menos do que a paz e a harmonia. Vasculho minhas melhores lembranças. Elevo meu espírito com danças e canções. Lanço feitiços. Realizo rituais. Profiro palavras mágicas. Consagro amuletos. Pinto, escrevo, crio histórias, corro... Me ponho em movimento. Lembro do meu caminho. Esqueço, relevo, reflito e perdoo. Reviro meu coração. Olho bem nos meus olhos, me encaro de frente. E sei que sempre acabo encontrando, em algum lugar, de algum modo, a esperança perdida nessa bagunça toda.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Romantismo Concreto
- Que foto bonita é essa?
- Ah, bonita nada... Agora eu acho todas as fotos feias.
- Iiiih... Virou nerd de fotografia agora é?
- Nerd nada! Só que agora eu sei de algumas coisas e vejo que essas fotos estão todas erradas, acho uma droga.
- Droga nada... Não tem como ficar uma droga se você está nela.
- Aaaaah... Que amorzinho... - Estico a mão pra tocar no ombro dele enquanto joga COD. Ele pega minha mão e beija.
- Você é Dmin... Hmmm... Que cheirinho bom!
- É que acabei de lavar a mão com aquele sabonete novo.
- Tá tão cheirosa... Nem parece que acabou de ir limpar a areia da Salsa. - Beijando a minha mão!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Nossa, Jack... Quanta poesia... Que romântico você...
- Rapá, é o romantismo pós moderno.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Você estuda essas coisas aí... Deve saber do que tô falando... - Sem tirar os olhos do jogo!
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Ai, caraca, vai começar...
- É o romantismo CONCRETO! Sabe como é...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- O que você tá fazendo?
- Sai! Não olha! HAHAHAHAHAHAHAHA!
- Alá! Sou foda! Sou tão foda que já vou ser publicado em tempo real... Hahahahahaha... Alá...
sábado, 14 de dezembro de 2013
O Poder do Silêncio
É tudo tão bom quando está tudo bem. Explodo ainda, claro... Disse que está tudo bem, não que mudei de personalidade, oras! Mas nesse caso, é em campo aberto, a explosão não destrói, cria. O fogo não queima, só aquece e ilumina. Há quanto tempo não me sinto assim? Até mesmo minhas idéias estão mais brilhantes, sonoras e visuais... menos verbais, menos analíticas, menos tensas... Estou, por exemplo, sem palavras diante dessa tela. E isso é novidade. Sempre tenho tudo na ponta da língua... Mas, me obrigo a escrever. Não quero deixar passar os melhores momentos em branco. Assim parece até que sei apenas ser séria e triste com as palavras. Isso não é verdade. Está de dia, as horas são mais bem humoradas, claras e pode ser que eu precise da lembrança desta paz quando for noite outra vez. Então venho, depois de uma longa noite escura, só para registrar um retrato feliz. De paz, de silêncio e de luz. Agora o próprio título e a razão de ser deste espaço aqui volta a fazer mais sentido. Pensei primeiramente em deixar de vez em quando alguns textos curtinhos, sobre coisas que penso, que fossem bons por um minuto e neste último ano não poderia ter sido mais prolixa e confidente. Não era essa a intensão inicial, mas... A confiança enfim retorna e caminho com um pouco mais de otimismo e até entusiamo. É bom quando o fogo pode queimar livremente e a água escorrer tanto quanto desejar... Bom quando o vento rola sem aparos e o terreno respira sem sufoco. É bom quando tudo é luminoso e suave. A Primavera foi boa... Aprendi tantas coisas. Enterrei, não sem ajuda, um pedaço do céu carregado que tolamente guardei e sustentei sozinha durante o ano. Sem lápide. Sem epitáfio. Sem lágrimas. E recebo agora de volta todas as bênçãos dedicadas ao fogo de Belenos, tudo o que aquele entrave me impedia de ver. Era um pedaço do céu onde eu não podia brilhar. O pedido a Eu foi atendido, meus olhos e ouvidos bem atentos foram recompensados e meu coração se abriu como uma flor para essa existência outra vez. Eu sabia que aquela gaita era um bom agouro... Passei uns dias longe de casa, nas montanhas... Dias de luz, calma e silêncio... Recupero uma direção, um caminho, uma força... Volto a ver as estrelas bem de perto... Há muito trabalho a ser feito e o bom é que quero fazê-lo. Eu quero! São grandes e boas as possibilidades. O talvez nunca foi tão bem vindo... As reticências aparecem aos montes, a respiração está calma, o sorriso sereno, o sono com poucos sonhos e as palavras escassas. Pois, a tristeza tende à eloquência, mas a verdadeira alegria é silenciosa. E o segredo dos segredos é que eles são mais poderosos quando só nós sabemos sobre ele.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Sem controle
"Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada aguenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca... Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade."
(Epílogo - Mario Quintana - Sapato Florido, 1948)
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Carta Zero
Eu atraio pessoas loucas. Eu sou louco, é por isso. Mas as pessoas loucas são maravilhosas. Elas são as únicas pessoas sãs no mundo.
(Osho)
domingo, 1 de dezembro de 2013
"Kami Chan"
Durante o dia é mais fácil enxergar. Isso é o que sempre diz o sensei, especialmente para mim. E ele tem um jeito próprio para lidar com cada aprendiz. Categoriza-nos em elementos de centro e elementos de periferia. O meu centro, Ar e a periferia, Fogo, aparecem no meu modo de lutar sob condições de perigo real, ou desatentamente respectivamente. De fato, é realmente visível a diferença e, claro o contexto de confronto corporal é só um em meio a tantos outros que a vida nos coloca. Então, no meu caso, quando é noite, não estou pensando direito, tá tudo muito nebuloso, ajo com o lado mais sombrio da qualidade ígnea. Sou estúpida, brusca, exagerada, obcecada, precipitada, quente... Reconheço. E nos momentos que precedem o amanhecer, durante a hora mais escura, posso ser a própria encarnação do Balrog de Moria. Mas, é só até o Sol nascer. E ele sempre nasce. Às vezes parece que demora um ano, mas lá está ele iluminando tudo outra vez. Não me levo tão a sério por tempo demais, afinal. Faço de um erro uma oportunidade, uma piada nova para contar.
Infelizmente, com o tempo, a gente aprende também que o Sol não ficará alto no céu por muito tempo. Logo logo voltará a ceder espaço para a noite. A maestria está em aprender tudo o que puder durante o dia para que, quando a noite chegar outra vez, seja possível saber onde exatamente está guardada cada coisa, onde estão os terrenos inclinados, os caminhos escorregadios, os riachos... E usar a periferia do nosso ser, o ego, para criar uma sombra temível, mas apenas isso. Pois, o centro precisa estar presente todo o tempo. Não podemos nos perder dele. A tendência é que isso fique cada vez mais fácil com os olhos bem abertos diante das experiências a que nos submetemos. Quanto mais estranhas e difíceis, melhor. Mas, as decisões devem ser tomadas apenas durante o dia. Nunca de noite.
Para mim, sermões, esporrinhos e lições de moral, não funcionam desde meu primeiro ano de vida. Não reconheço autoridade em quem não sabe conquistá-la. Nasci antes da hora, numa família que nunca me desejou de verdade e foi obrigada a suportar a minha recusa à conformação, às imposições e tentativas de moldagem por 22 anos. Foi e tem sido difícil ser eu mesma, viver por conta própria, mas meu irmão morreu num aborto que deveria matar a nós dois e com isso enganou a todos a respeito da fatídica gravidez, salvando assim a minha vida. Então, só me resta ser grata, porque nenhuma merda que tenha acontecido ou venha a acontecer será maior do que terem me deixado descobrir isso. Algumas até foram páreo duro, mas isso continua sendo imbatível. E 22 é o número do Louco, presente na minha vida de diversas outras maneiras... Aquele que está no início ou no fim de um ciclo, um inocente ou um sábio, ou os dois, já que não tem essa de início e fim...
Ah, mas a vida é de uma simplicidade encantadora mesmo... Durante o dia é fácil notar. Entretanto, as pessoas... essas nunca são simples, até escaparem do ciclo, evento raro. Têm segredos, bons, fortalecedores e maus, sabotadores; têm mistérios, infinitos, e são capazes de coisas maravilhosas tanto quanto o são das mais estúpidas atitudes. São milagres que nada fizeram para receber a vida, mas vivem. Nunca fizeram qualquer esforço para existir, mas existem, independente de sua vontade, e por isso deveriam todas apenas ser muito gratas, pois qualquer coisa que aconteça é, de certa forma, lucro, empurra pra cima e para frente.
Portanto, embora eu seja assim tão mental, não é possível, para mim, aprender com direcionamentos exclusivamente verbais, regras, menos ainda acompanhadas de tapas, pontapés e esperneios. Preciso viver, ir até lá e ver o que acontece com meus próprios olhos. E, sempre haverá quem se lixe pra isso, se colocando numa posição de superioridade, se acreditando muito centrada, amadurecida, sem falhas e patetices, e às vezes me dou muito mal quando imagino que receberei o carinho, a compreensão e a paciência com a qual costumo receber aqueles que a vida põe no meu caminho, apesar de todos os seus demônios. Minha guarda nunca foi das melhores, mas a resistência surpreende até a mim mesma e o contra ataque é uma habilidade especialmente notável. Levanto até depois de uma queda de cinco andares ou doses cavalares de drogas, anestesias... e depois... sempre tem um level up precedido de um fatality. Às vezes até um Flawless Victory.
Mas, nem foi tanto o caso agora. Nada de Perfect. No entanto, "envelheci dez anos ou mais, nesse último mês." A última valsa foi daquelas que Chopin gostava de compor, demoradas, cheia de notas, todos os dedos ocupados em todas as oitavas do piano. Fora que a partitura na minha frente parecia ter sido posta pela Rainha de Copas, estava de cabeça para baixo. Assim, perspectivas apontaram como problemáticas características minhas que até já foram bastante elogiadas e precisei aprender outras maneiras de fazer as mesmas coisas. Aprender junto é muito mais simples, mas não foi o caso. Estava sozinha numa peça para quatro mãos. Até aqui! Pois, essas últimas semanas me trouxeram a oportunidade de ver do alto o que acabou me vendando e prendendo a um ritornello sem fim. Assim como no mês passado, vi se manifestar na minha frente minhas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos fora de ritmo... Vi a mão pesar em pianíssimos, e Allegros Agitatos roubando a vez de Andantes Cantabiles... Vi aquelas qualidades sombrias do Fogo voltando em minha direção e entendi perfeitamente o que não dá certo em determinadas composições.
Agora está tudo suficientemente compreensível, com o Sol em Sagitário prestes a trazer a aurora novamente. E sinto especial alegria em compartilhar isso porque fui capaz de tratar o caso com a presença de espírito que eu gostaria que tivessem tratado as minhas ações imaturas e a minha confusão. Não fugi, nem me escondi, não me constrangi, não deixei de ser natural, não fiz pouco caso, não culpei, não rotulei, nem larguei à própria sorte alguém que claramente precisava de uma mão para virar a página e voltar mais confiante na próxima etapa. Vou procurando ser, eu mesma, um sinal de boa sorte, uma bênção. E isso me obriga a me recompor rapidamente, dar um exemplo preciso. Foi uma emergência e as melhores qualidades de Ar precisaram entrar em ação. Então me dispersei, flutuei, fui suave, compreensiva, paciente, tranquila e eficaz. Também usei do Fogo a melhor parte: eliminei com rapidez e eficiência os entraves. E o desfecho não poderia ser mais satisfatório: da lama retirei 538 estrelas, recebi um nome, um local, três objetos de poder, ganhei xp e novas possibilidades. É novamente tempo de celebrar!
sábado, 30 de novembro de 2013
Numa noite dessas no piano...
"And when your fears subside
And shadows still remain
I know that you can love me
When there's no one left to blame.
So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain."
(November Rain - GNR)
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Carta 1 do Tarot
"Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto.
O médico diz: 'O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.' O homem se desfaz em lágrimas. E diz: 'Mas, doutor... Eu sou o Pagliacci.' Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano."
domingo, 17 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Naquele dia...
...houveram lágrimas, mas também houveram aplausos e muita risada. Houveram estrelas e também chuva. Minha performance nunca foi tão boa, principalmente para um público tão próximo. Raro eu dizer que gostei de algo que tenha feito, né? Mas, gostei e as razões são várias e óbvias. O turbilhão de sentimentos foi um facilitador. Nunca antes havia sido tão precisa em andamento, ritmo, dinâmica, pianos e pianissimos, fortes e fortissimos. O afeto tem dessas coisas. Faz a gente saber exatamente o que quer, traz a consciência precisa do que se deve fazer. Não pensei, apenas toquei. Cheguei naquele ponto de me fundir de tal maneira com a música que nós deixamos de ser duas coisas separadas. Eu não era a pianista ali, era a própria ação de tocar o piano. Não era aquela que toca, mas a própria música. E numa delas, em especial, foi ainda mais simples, pois essa música sou eu.
Sim. O tempo fechou e o pedaço do céu que eu guardei neste dia está nublado. O som da chuva ao fundo saiu de brinde.
Sim. O tempo fechou e o pedaço do céu que eu guardei neste dia está nublado. O som da chuva ao fundo saiu de brinde.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Eu ou você?
O que você decide ver sempre, sempre, SEMPRE, faz toda a diferença. E enquanto não se consegue enxergar a si mesmo muito bem, com sinceridade, sem reservas, não será possível enxergar mais ninguém. Fato. Além disso, as atitudes só servem pra mostrar por que as palavras servem para muito pouco. Então, é bastante estranho achar que pode sair concluindo coisas, inclusive o significado do que se diz e faz, a coerência ou a falta dela, a partir de uma distância. Sem o mínimo de empatia e proximidade. Com a muralha do ego enoooooorme obstruindo completamente a visão do outro lado e, especialmente, o ouvido. Fica pior quando não falamos de humanos de sangue quente e sim daqueles cujo sangue de suas veias vem da vida dos outros: os vampiros. E, se um vampiro não consegue ver a si mesmo no espelho, ver a pessoa que é, ou já foi antes de seu coração parar e sua pele gelar, será que consegue ver algo mais no outro além de um saco de carne, ossos e sangue? Será que consegue ouvir, perceber, sentir o quanto cada pessoa é especial, única, diferente e não substitui nenhuma outra? Será que consegue ver a luz de cada um? Reconhecer sua qualidade estelar? Ou vê a todos igualmente como presa, meros personagens a serem usados para manter a farsa que é a sua "vida"? Será que aparece sorrateiramente, jamais revelando sua real condição, por outra razão que não seja a fome apertando? Se é um vampiro, o que mais se pode esperar que não seja ter sua energia, seu tempo e sua vida sugados? E, é bom confirmar, será que é um vampiro mesmo? Ou só uma criatura que ainda não sabe direito o que é, e por isso precisa se apegar a regras, definições, controle e tradições? Para classificar algo como contraditório é preciso primeiro entendê-lo. Como concluir com tanta convicção se, por puro preconceito de gênero, falta de sinceridade e vontade de estar certo acima de vontade de estar em paz, tudo parece muito "codificado" e igual? É mais cômodo pensar que o problema não somos nós, certamente, e os vampiros estão aí, o tempo todo, loucos para nos convencer do contrário. Para nos fazer sentir desmerecedores de qualquer coisa boa, infelizes, angustiados, culpados, miseráveis, desqualificados... Principalmente se não damos, de boa vontade, aquilo que desejam de nós: sangue, energia, atenção e disponibilidade. E esperar que eles se enxerguem só tornará o seu coração pesado. São vampiros! Não têm vida própria, não se vêem no espelho e assim buscam outras pessoas, onde por fim acabam vendo a si mesmos, mas jamais reconhecerão isso. Não têm tempo para você, a menos que a eles se ofereça o pescoço. E só reagem aos estímulos negativos, pois os positivos não passam de sua obrigação oferecer. Eles estão por toda parte e são a mais perfeita definição de adolescentes mimados e reativos, que precisam parecer poderosos e desejados, que não se importam com os sentimentos dos meros mortais, que buscam lógica e justificativa em vez de compreensão. Querem a leveza e a despreocupação, porque isso lhes facilita o ataque e a dominação, mas são um peso na vida de qualquer pessoa, estando elas conscientes do fato ou não. Não se interessam pela verdade de ninguém e envelhecem, mas não crescem nunca. Portanto, contraditório é esperar afeto, atitudes maduras, clareza e honestidade, de qualquer um deles.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Gente Diferente
Aham... Diferente, né? Passou uns 17 anos na escola, fez curso de inglês, arte marcial, talvez algum esporte com bola, natação... entrou na faculdade, arranjou emprego, fez pós, se casou, teve filhos e agora almoça com a família todo domingo. Por que "família é tudo.". Sim, inclusive o tribunal que define e avalia seus objetivos, aprovando-os ou não. Importante é agradar o pai e a mãe. Chega em casa do trabalho tão cansado que mal consegue pensar em qualquer coisa boa e logo vai dormir, porque precisa acordar cedo pro trabalho. Corta o cabelo como todo mundo, usa as roupas de todo mundo e até os acessórios e adornos de todo mundo. Tem os mesmos gostos "diferentes" de todo mundo, as mesmas referências intelectualóides e o mesmo discurso analítico, armado e aprofundado de todo mundo. Quer títulos e mais títulos, chegar ao que todos dizem ser o topo do status. Mas, você nem dá tanta importância a essas coisas... Imagina... Nunca tem tempo pra nada que não seja compromisso. Profissional, financeiro, afetivo, fraternal, familiar... Compromisso é seu segundo nome. As contas chegam, os dias passam... O relacionamento "monogâmico" é um fardo tão grande que precisa de mais de duas pessoas para sustentar. Usa quem estiver pelo caminho e descarta no momento seguinte à satisfação. O coração e o sexo são aquela maravilha. Vive uma vida de mentiras. Mas, enquanto houver rede social, será possível se enganar postando fotos de sorrisos e viagens, e todos esses check-in de felicidade, como se tudo fosse muito perfeito e linear. Sonhou em ser astro do rock. Não funcionou, porque, né, deve existir uma fórmula misteriosa para o sucesso. Então é isso, rumo à aposentadoria. Parabéns. Diferentão você.
domingo, 10 de novembro de 2013
Nevermore
"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
(Cântico Negro - José Régio)
Um Pedaço do Céu
Hoje haveria comemoração, música, sorrisos, palavras e beijos... Seria bonito. Mas, a menos que um milagre aconteça e o Xangô de Baroness Street apareça, o que duvido, a Terra retorna de sua volta completa em torno do Sol para dizer que não. Então, não há tanto pelo que celebrar, exceto o crescimento que minhas lágrimas trouxeram, exceto os olhos mais abertos. No entanto, seja como for, só posso me sentir muito grata pela dor que não foi capaz de me matar ainda e pelos sorrisos que também apareceram durante esse tempo estranho. Não haverá festa mas, ao menos, tenho agora o pedaço do céu que eu guardei.
Caçador de Sonhos
“Normally, in anything I do, I'm fairly miserable. I do it, and I get grumpy because there is a huge, vast gulf, this aching disparity, between the platonic ideal of the project that was living in my head, and the small, sad, wizened, shaking, squeaking thing that I actually produce.”
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Portas
Dizem que quando uma porta se fecha, outra abre. Aconteceu tantas vezes para mim que jamais poderia duvidar disso. Mas, por maior trabalho que dê, estou cansada de ver portas se fechando, de fechá-las, de abandonar. Por todos os motivos possíveis, isso já aconteceu demais e me trouxe até à encruzilhada onde me encontro agora. Já abri tanta porta que me trouxe problemas. Tantas delas me fizeram chorar, é verdade. Mas cada uma tornou minha consciência mais forte. Seguir a diante não deveria significar, necessariamente, subtração. Tomei para mim um conselho que Keith Richard deu a Slash quando este lhe contou sobre sua situação em seus últimos dias de GNR. Keith disse apenas "Há uma coisa que você não deve fazer, que é sair.". Como todos sabem, Slash acabou não seguindo estas palavras, achou que não valia mais passar por aquilo tudo afinal, só para manter uma banda... "Mantive isso comigo enquanto foi humanamente possível, mas eu estava tentando fazer um acordo com alguém que não estava dando a mínima". Ninguém pode julgá-lo, há momentos assim na vida de todo mundo, não é inteligente nem saudável dar murro em ponta de faca e só ele pode decidir o que deseja ou não suportar. "Não havia nada que você pudesse fazer.", Keith o consolou no fim das contas. Pois, nem sempre manter é o mais indicado. Coisas velhas precisam ser destruídas, de vez em quando, e dar espaço para a próxima etapa. Não se vai muito longe indo e voltando aos mesmos lugares. Mas, também não se vai muito longe indo sempre para a frente. Percebo que a soma tem me trazido dificuldades novas, crescimento, então dou um pouco mais de atenção a ela agora. E isso tem me levado ao óbvio: quando uma porta se fecha, outra abre, sim. Mas, se uma porta se fecha, posso muito bem ir até lá e abri-la outra vez. Afinal, não é assim que as portas funcionam?
"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
(William Blake)
sábado, 2 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Transmutando chumbo em ouro
Tenho em casa um estúdio de gravação quase completo. Às vezes dá até para gravar voz, quando está muito quieta a rua, mas o forte dele é que dá pra fazer quase tudo eletronicamente. Entre gastos com cursos no IATEC, na UNESA, livros, instrumentos, equipamentos e softwares, já se vão quase duas décadas de construção. E ainda não está pronto. Há meses está desmontado. Porque agora cismei que ele, além de ser meu, em casa, precisa também ser bonito. Uma librianisse que só os outros três companheiros cardinais: áries, câncer e capricórnio, conseguem entender. E é sempre muito bom ser compreendida, ser estimulada... Compartilhar e somar... Assim, o que posso chamar de "meu" também podem os meus amigos. Não sem a ajuda deles vou conseguindo seguir à diante nos meu planos, inclusive neste. Pois, alguns braços, pernas, corações, mentes e sorrisos fortes foram e continuam sendo fundamentais. "Life is a journey, not a destination", o que importa é o que acontece no meio. E por mais que a gente nasça e morra sozinho, esteja dentro do nosso próprio centro sozinho, ninguém realmente vive sozinho. Eu, menos ainda... Não gosto de ter hora pra ir embora, de seguir comandos, de ser manipulada, de ciúmes, de regras ou roteiros, de muito de uma coisa só, de promessas, de falta de espaço e tempo, nem de coisas escondidas, indiretas, situações pouco claras. Sou capaz de iniciar a Terceira Guerra Mundial só para resgatar a paz que essas coisas me tiram. Meu amor ou meu ódio são, sempre que a comunicação é possível, guerras declaradas. Mas, fato é que acabam sendo exatamente essas mesmas coisas que me movem e estimulam a minha imaginação, embora isso nem sempre tenha bons resultados. Júpiter, o grande parceiro e Saturno, o grande demônio assim, juntos logo no ascendente, já deixam bem claro que para mim simplicidade também pode ser uma coisa complicada. E estão lá também, Mercúrio e Plutão pra tornar a jornada pelo Caminho do Meio ainda mais sinuosa. Mas, vai, isso não me torna alguém desastrosamente impossível de se lidar. Exagero e me perco até de mim, é verdade, mas, olha só, não acho difícil nem enxergar, nem admitir, nem mudar de atitude. Três coisas que substituem muito bem qualquer desculpa que eu possa arranjar, qualquer argumento ou justificativa, não é verdade? Acho que sou sim muito Alice, ou muito Sandman nesse sentido. Faço chover por dias com as minhas lágrimas dramáticas, resultado desse furacão de pensamentos e idéias que tem na minha cabeça de vento, mas no fim da tragédia, morro, ou saio do buraco, mais (d)esperta. E acho que tenho tantas matizes de sorrisos, quanto os esquimós tem para a cor branca. A minha complicação nunca é terrena, rochosa... Nunca cria raízes ou pesa demais... Embora seja intensa, é sempre aérea e pode se dissipar com um simples sopro, ou se consumir com o fogo. A mesma imaginação usada para perceber as sombras, percebe também a luz, coisas indissociáveis. A natureza de ninguém muda, ou se manipula, mas as atitudes diante dela sim. Porque "I don't wanna change the world. I don't want the world to change me.". Só é necessário um pouco de conhecimento e boa vontade para entender quais comportamentos não interessam e ajudam em nada. E o tempo é um grande aliado nisso, certamente. Mas, vocês vêem, nem era sobre isso que eu vim aqui falar hoje... Vim só para dizer que entre os meus equipamentos de estúdio tenho um que considero a pedra filosofal deles, o fone. Geralmente ele é usado apenas na produção, na edição e na mixagem das músicas, mas por esses dias, tem substituído as caixinhas desse computador aqui, pois só tenho um par delas que estão no outro. Esse fone esmaga a minha cabeça, abafando todo o barulho externo e me permitindo focar apenas no som que sai dele. Assim, é desconfortável usá-lo por um longo período, mas é perfeito para perceber detalhes, corrigir ruídos, escolher timbres, ajustar os volumes e alturas... Mas, como quase nunca é usado para, realmente, ouvir música, quando resolvo usar, às vezes pode acontecer de eu acabar sendo surpreendida. Nessas horas, ouço a música vibrando na minha alma, como se os instrumentos estivessem à distância de um toque e o vocalista cantasse aqui pertinho no ouvido. E, se eu fechar os olhos, uma música que já me era até familiar e nem foi feita para mim, me envolve como um abraço, as palavras se tornam confortantes como um carinho e a voz me toca como um beijo daqueles bem dados. Um milagre acontece: até um furacão categoria 5, iniciado há tempos por um monte de motivos acumulados, volta a soprar como brisa outra vez. A música me apronta dessas. Certa música. Mas, quem disse que dinheiro não compra felicidade, não sabe quanto custou esse fone. Então, só resta considerar a minha imaginação uma qualidade primorosa, se a tratarmos da forma adequada.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Karma Cop
As I search through the ashes
For someone to blame
I'm afraid to see my face
As I walk through the ashes
I whisper your name
Meeting you have forced me
To meet myself
(Idioglossia - Pain of Salvation)
Coisas que evitam muitas coisas
Aqui, no meio das minhas pinturas, músicas e leituras, me esmago entre um minuto e outro para arranjar também tempo para a escrita. A semana está bem no dia de Odin, a quarta-feira, e para mim esse sempre foi muito mais crítico do que a segunda... Não dá para voltar, mas ainda falta o mesmo número de horas já percorridas para terminar. E, parece que nesta em especial os karma cops resolveram me dar uma dura. O pior é que os documentos não estavam em dia... Biquei três bolas pra galera ao melhor estilo Odvan, assim, só nesse tempinho... Exagerei e não pensei direito antes de agir. Então, fiz o que sempre faço quado o cerco aperta. Dei uma volta por caminhos que não costumo seguir.
Sempre me pareceu que ir a lugares diferentes, falar com estranhos e ver coisas incomuns fosse a chave para descobrir formas diversas de pensar. Aí, na volta do meu dia cheio, peguei um ônibus que segue uma rota muito maior do que o meu caminho normal para casa, mas passa bem em frente ao meu portão. E desse modo, hoje, acho que entendi por um minuto as razões de certas coisas. Como, por exemplo, porque o mundo é assim tão do jeito que ele é. Entre uma perda e outra, acabamos esquecendo que certas coisas preciosíssimas custam tão pouco, quase nada. Será que nós, adultos (tá, pode pôr um pouquinho de ironia nessa), não preferiríamos que os médicos continuassem nos receitando aqueles xaropes infantis docinhos? E que as pessoas nos sorrissem e acenassem na rua sem qualquer intenção?
Sabe, isso é o que nos fecha, não ter mais quase ninguém disposto a enrolar docinhos e pô-los em forminhas para o nosso aniversário. Não relembrar as piadas bobas que sempre arrancam risadas. São os cumprimentos vazios, os apertos de mão gelados, os beijos quase inexistentes e as alfinetadas. É o sumiço das brincadeiras e apelidos implicantes... É a falta de embrulhos bonitos nos presentes. É o abandono dos livros ilustrados e dos desenhos animados. É o desaparecimento das palavrinhas mágicas, dos sorrisos sinceros e dos abraços que falam mais que mil palavras. Será que não queremos (e necessitamos) daquelas bolinhas nas ponteiras dos guarda-chuvas, como os das crianças, para que não furem os olhos? E em que idade ter uma escova de dentes de dinossauro passou a ser errado? Ou desencorajar uma discussão argumentando de cima de um Pogobol? Quem quer razões e explicações quando pode ter uma tigelona de sorvete com calda e castanhas para se acalmar? Ou várias fases de Super Mario para passar? Ou até mesmo, um minuto de viagem na maionese com um amigo? E pergunto também: algum dia eu disse que não queria mais que entrassem no meu quarto à noite para ver se estou com frio, ou que não me contassem mais histórias para eu dormir?
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A questão
Não importa o quanto possamos ter, ou ser. Belos, inteligentes, admiráveis, bondosos, apaixonantes, carinhosos, ricos, famosos, semi-divinos... Nada disso importa realmente. Nada disso consegue assegurar aquilo o que mais queremos: sermos verdadeiramente amados. Em muitas vezes até, aquilo que deveria nos servir como fogo aliado nos expõe ainda mais a espíritos sem luz que não se enxergam. Talvez o medo de nunca conseguirmos o que buscamos não more na impossibilidade do amor (não que esta possa ser descartada), mas sim na névoa que envolve essa busca. Afinal, o que é isso, amor? E ainda que um dia possamos provar da fruta, que semente é essa capaz de gerá-la?
É sábio esperar por sentimentos que ascendem ao divino quando aqueles que os geram e alimentam não passam de humanos? O que queremos, afinal, sermos amados apesar de nossa beleza, dedicação e acessórios? E este seria o ideal? Sermos podados, despidos daquilo que também somos, para caber no coração do outro? Se for assim, a pergunta e a dúvida não é sobre amor, amores ou desejos. É sobre o que queremos que seja o objeto de tudo isso: nós. Puros, sem máscaras ou chantilly.
Então, aí é que fica difícil mesmo. Afinal, o que somos nós, verdadeiramente?
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
A grande família
A vida, com suas memoráveis cenas e inúmeras ironias, me convenceu há muito tempo de que o sentimento mais forte que existe não é o amor, como gostam de crer os poetas, nem o ódio, como pensam os estrategistas. A força mora na raiva, gêmea da depressão, filha do medo. É a raiva que cerra os punhos, fortalece os músculos, melhora a aparência, a conta bancária, o currículo, o portfólio, o círculo de amizades, transforma palavras em dinamite, lava a alma, planta idéias transformadoras na cabeça, faz esquecer até mesmo que sentimos dor.
Ela passa, mas isso não quer dizer que seu efeito seja breve, que não faça uma devastação em todo um contexto.
O ruim é quando se associa à humilhação, sua outra irmã. Ou então quando dá cria e gera a revolta, filha da raiva com a razão. O bom senso diz que essas duas coisas jamais se associariam, mas a experiência mostra o contrário.
Então, nesse momento, já se forma uma família, com três gerações. E você percebe que é para valer e que você terá de conviver com isso.
domingo, 27 de outubro de 2013
"Fail harder."
- Leu?
- Li. Sabe o que acontece?
- Hã?
- Você tem uma corda. Fraca. Amarra numa pilastra de pedra. Inflexível e fraca. E aí você insiste em fazer isso:
Com a diferença que embaixo não tem piscina e você é mais gostosa em trajes de banho.
- Como você consegue ser tão preciso sempre? E ainda me fazer rir de mim mesma?
- Sou pica.
- Você é esse velho do final da cena. Isso, sim...
- Pois é... E só mais uma coisa.
- O quê?
- Quando os karma cops acabarem de te dar a dura geral, se você ainda estiver interessada em continuar com essa história, se achar que vale a pena, (e isso só você pode saber, eu nem conheço o maluco, minha opinião é suspeita), faz o seguinte: pensa no que te fez começar, pensa no que te mantém nisso, pensa no que tem de vantagem pra você e segue em frente. Esquece tudo que aconteceu até aqui, apaga tudo que tiver sido e deixa pra trás. Amassa e pega outra folha em branco. Porque, na boa, sei que você não fez o trabalho sozinha mas, o layout tá esquisitasso do jeito que tá.
- É, tá mesmo. Farei isso, sim... Eu quero continuar, ainda mais agora, com aquele lance de "não abandonar mais as coisas" e tal... Parece até ironia da vida. Quando decido mudar de postura, a primeira pessoa que aparece é essa... Podia tanto ser como nas aulas de música, primeiro as mais fáceis... Lidar de cara com falta de sinceridade, de comunicação e de atitude... Principalmente associadas a orgulhozinho... Assim, tudo junto!? Tá mais pra nível avançado.
- Será que você é tão principiante assim? Ou o alzheimer já começou? De certa forma, mesmo tendo te deixado mais triste que feliz, isso tá te fazendo bem, pô. Há quase um ano você tá melhorando numa caralhada de coisas. Tá mais atenta, tá mais compreensiva. Tá mais flexível. Tá até mais paciente! Ter medo de falar as coisas, fugir da situação, "deixar passar", não responder, sumir e ficar mandando indiretinha, depois de te tratar como se você é que tivesse falando por códigos também acho meio caído. Mas, ninguém disse que ia ser fácil... É cada um com as suas razões de ser. E se não fosse esses problemas, seriam outros. Você também tem os seus. Mas, não pensa por aí, não. Dá pra passar por cima disso. As pessoas crescem... Pesa tudo. O que tem de bom? Entra, medita sobre isso. Agora, as pilastras não podem ser fracas. Nem a corda. E você não pode se desequilibrar em cima dela. Se qualquer um desses itens não estiver direito você vai cair de novo, com telhado e tudo. Até acertar... Mas, qual é o lema?
- É... sim... sim... Não, claro, tem um monte de coisas boas... Talvez fosse mais simples se não tivesse. Eu errei e não sei como consertar... É um situação estranha, parece que tenho que ficar me explicando sempre pra não ser tratada como adversária, mas, ao mesmo tempo, me explicar é o que causa esse caos... Preciso de tempo e não sei se terei, é complicado. Tem aquelas questões lá que já te falei... Aí rola um lance meio Hallelujah...
- Ei. Quem é que vive dizendo "Sword not word!"? Tem que explicar nada. Tem que fazer nada. Tem nada de tão complicado assim. Fica na sua. Se rolar de novo, rolou. Se não, fim. Mas, fica tranquila. Ele parece meio reativo, mas gosta de você, com certeza. Só que você se afobou... Isso nunca é bom... Agora aguenta. Ele não te conhece. Tempo não existe. Hallelujah não é problema seu.
- Acaba sendo... E, pô, fazer nada? Esperar? Isso vai ser mais um teste de resistência insuportável pra mim. Eu tinha planejado daqui uns dias... Até perguntei a ele se dava... Tava até esperando uma resposta... Te falei, né? Acho que depois disso nem vai rolar mais. Talvez, nunca mais... Devia ter ido dormir quando você chamou.
- Planejou? Se ferrou.
- Poxa, ia ser legal...
- Chora. Layout reprovado. Pega outra folha.
- Sim. Já me liguei nisso. Morreu o assunto.
- Nunca mais? Duvido! Agora quem não tá se enxergando é você.
- :/
- :/ => :)
- Devia ter parado aí quando recebi essa mensagem pela primeira vez, mas me senti tão mal...
- Ih! Olha só! Já é a terceira! Só pode ser um sinal: :/ => :)
- Tá. Parei.
sábado, 26 de outubro de 2013
Ainda bem que os amigos não precisam...
Sempre que imagino ter tomado uma decisão errada, não reflito muito antes de falar e ajo por impulso, procuro pensar nos 12 editores que rejeitaram a idéia de publicar os livros da série Harry Potter, em todas as gravadoras que recusaram os Beatles, nas agências que disseram para a Gisele Bündchen que o nariz dela era grande demais, nos astrônomos que não se interessaram em fotografar os eclipses que provariam a Teoria da Relatividade de Einstein, nos professores da Academia de Belas-Artes de Viena que reprovaram o führer por diversas vezes... E vejo que sou uma humilde gafanhoto na arte de me dar mal e fazer escolhas baseadas em "foda-se". O que só diminui a dor porque rio um pouco. Mas, mudar mesmo, não muda em absolutamente nada a droga da situação.
Quando a gente discute...
- Ei! Quero te ver hoje ainda! É possível? Tenho música pra mostrar...
- Pô... Achei que estaria ocupada...
- Não, queria tocar ou sair ou sei lá... :/ Onde você está?
- Playing for the high one, dancing with the Devil. :~D
- LOL!!! Seven or eleven... snake eyes watching you!
- Double up or quit, double strike or split: the Ace of Spades! 8D A♠
- Going with the flow... it's all a game to me... :P
- Read 'em and weep, the dead man's hand again. :P 8AA8 ♠
- You win some, lose some, it's all the same to me. :P
- The pleasure is to play, makes no difference what you say. :PPP
- I don't share your greed, the only card I need is the Ace of Spades... :(
- If you like to gamble, I tell you I'm your man. 8D
- You know I born to lose, and gambling is for fools. :P
- But that's the way I like it baby, I don't wanna live forever. :~DDD
- Pushing up the ante, I know you've got to see me. I see it in your eyes, take one look and die:
- The only thing you see, you know it's gonna be the Ace of Spades. 8D
- But, don't forget the Joker, hein...
- :PPPP
- Pô... Achei que estaria ocupada...
- Não, queria tocar ou sair ou sei lá... :/ Onde você está?
- Playing for the high one, dancing with the Devil. :~D
- LOL!!! Seven or eleven... snake eyes watching you!
- Double up or quit, double strike or split: the Ace of Spades! 8D A♠
- Going with the flow... it's all a game to me... :P
- Read 'em and weep, the dead man's hand again. :P 8AA8 ♠
- You win some, lose some, it's all the same to me. :P
- The pleasure is to play, makes no difference what you say. :PPP
- I don't share your greed, the only card I need is the Ace of Spades... :(
- If you like to gamble, I tell you I'm your man. 8D
- You know I born to lose, and gambling is for fools. :P
- But that's the way I like it baby, I don't wanna live forever. :~DDD
- Pushing up the ante, I know you've got to see me. I see it in your eyes, take one look and die:
- The only thing you see, you know it's gonna be the Ace of Spades. 8D
- But, don't forget the Joker, hein...
- :PPPP
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Data querida
É aniversário do meu avô hoje. Nunca mais o vi. E a única foto que tenho dele é tão pequena que mal se consegue ver o rosto. Um dia cheguei na casa da minha avó e ele havia ido embora. Ninguém me disse nada. Apenas cheguei saltitante na sala de música e o piano não estava lá. Nem o case do clarinete. Nem o teclado. Nem o órgão. Nem o violão... Minha avó estava deitada na cama e este foi o segundo retrato de coração partido mais triste que já vi. Ele teve suas razões. Ninguém pode culpá-lo. E eu até o admiro muito por esta coragem, apesar de sentir uma saudade que não cabe em mim. Mas, de certa forma, ele nunca se foi totalmente. Não é sempre assim? Então, seu sorriso permanece em meu coração na forma das coisas que se tornaram as mais importantes na minha vida: música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade. Queria poder ainda abraçá-lo, ouvir música, tocar o piano a quatro mãos, ler junto, conversar sobre temas elevados, viajar, pintar... E poder mostrar o que fiz de melhor com aquelas sementes que ele plantou.
O curioso sobre esta data, é que também faz aniversário hoje o meu último professor de piano, com quem igualmente dividi música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade... E de quem também sinto saudades sem fim. Mas, ao menos esse eu sei onde encontrar.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Sannyas
"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."
(Osho)
Drink up me hearties yo ho
A pessoa quer intimidade. A pessoa quer afeição. A pessoa quer atenção. A pessoa quer segurança. A pessoa quer privacidade. A sua E a dela!
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.
Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
sábado, 19 de outubro de 2013
O gênio, o poder e a magia
Permitir-se gostar de alguém é sempre um ato de coragem e quanto mais se permite gostar, investir sua energia e seu tempo neste sentimento, mais corajoso você se mostra. Porque, independente de qualquer intenção, caráter ou cuidado, haverão momentos em que a pessoa irá te magoar, irá tornar todo o universo meio sem cor, haverão dias tristes, haverá dor e bastará para isso uma palavra mal colocada, um detalhe omitido, um gesto descuidado, uma ausência... E quanto mais você se permitir sentir, maior será o risco, maior pode ser o desastre. Mas, todo o meu carinho, toda a minha lascívia, todos os meus pensamentos mais obscenos e os meus aplausos de pé, a minha devoção, as minhas armas, vão para aqueles que arianamente, arriscando tudo o que têm e são, além de se permitirem sentir, ainda mostram isso de peito aberto, com todo o medo, toda a adrenalina contida neste gesto. Pois, compor e gravar na privacidade do seu estúdio, já é bastante audaz, mas subir num palco e cantar e tocar seu próprio coração para as pessoas... Uau! Esses sim são badasses, esses sim são feras de esportes radicais. E, para os ousados, toda a minha admiração, todo o meu amor e tudo mais que tiver para dar.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Só lamento
Quando o cara é sorridente, brincalhão, simpático... é natural, popular, o jeitão dele. Se for na dele, calmo, mas se irritar com facilidade, nada mais masculino. Se for meio moleque, gostar de jogos, filmes de ação, achar que a vida é uma festa e se entristecer às vezes porque está numa via de mão única com os seus sentimentos, não tem nada mais normal. Se não quiser compromisso, se gostar de ser livre, se detestar promessas, se adorar esportes radicais, se for um artista, músico e transformar tudo em motivo para produzir, o cara está apenas seguindo sua natureza. Se ele não souber como lidar com uma situação e se sentir pressionado, constrangido e meio bobo por ser obrigado a tomar uma iniciativa ainda assim, que cara nunca passou por isso? Não é verdade? Se não se importar demais com sua aparência, em demonstrar um ar de seriedade com as roupas que veste e coisas assim, ah, é coisa de homem, sabe como é? Não liga para essas frescuras... Se optar por viver por sua própria conta, não alimentar sonhos de ter filho e família, quiser uma vida sexual e afetivamente livre, esse sabe aproveitar a vida. Se insistir numa direção que não o obrigue a ter que entrar num coletivo de manhã, junto com um monte de gente que ele nem conhece, para ir para um trabalho que não tem nada a ver com ele, lidar com pessoas que ele despreza e prefere investir em seus sonhos de menino, retirar seu sustento disso, ele é autêntico, persistente, admirável, um bravo. Mas, se for uma mulher... Ah, aí ela não passa de uma vagabunda que não quer sossegar o facho, uma adolescente tardia que não quer crescer, imatura... Uma afronta para seu próprio gênero.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
A objetividade das crianças
"Quando eu tiver um namorado vou falar assim: só não me trai, mas também não gruda em mim."
E ninguém dirá a ela que o grande problema desse pensamento está no verbo ter. E muitas vidas se passarão até que ela, finalmente, comece a entender um pouquinho sobre por que uma flor se abre para o mundo e emite sua fragrância, sem julgar se quem a sente é bom ou mal, feio ou bonito, sem criar expectativas, sem sonhar com ideais, sem nem mesmo se importar se alguém está lá para vê-la ou senti-la, sem medo de ser pisada, esmagada, comida ou arrancada, sem nem mesmo parar para pensar que já ao anoitecer suas pétalas poderão começar a murchar... Assim, ela crescerá e em algum momento achará que TEM um namorado, poderá vir a "ter" um marido, filhos, família. Será a única referência de mulher para suas crianças, durante alguns anos, os mais decisivos. Não sei... A única certeza é que sofrerá com isso. Poderá mostrar o contrário, gritar sua felicidade aos quatro cantos... Mas sofrerá porque em algum momento achará que perdeu o que nunca teve, porque não cuidou de sua própria liberdade, porque caiu numa armadilha ao criar uma armadilha para o seu parceiro e seus filhos, porque perpetuou um sistema que não a favorece em nada. Nem favorece ninguém mais. Por que traçou uma linha divisória entre aqueles que são sua família e aqueles que não são. Mas no fundo, lá onde ninguém a vê como ela realmente se sente, pensa e é, lá ela sentirá um certo desconforto e em sua inconsciência, em sua relutância, sua resistência, se armará contra sua própria objetividade, com lógicas bastante subjetivas. E permanecerá e levará essa vida adiante. Parece mais seguro assim, mas o preço é alto e, para todos, difícil de se pagar. As condições da exclusividade compulsória são simplesmente antinaturais e resultarão em "traição", se não em ato, ao menos em pensamento. O que dá na mesma. E mentir para si mesmo é sempre a pior mentira. Por outro lado, ela também sofrerá se escapar desse ciclo vicioso. Pois quem está nele repudia ferozmente quem não está e aí ela será obrigada a sobreviver no exílio, com todos os seus obstáculos. Será obrigada a ver seu coração partir muitas vezes até encontrar pessoas que respeitem sua decisão e compartilhe dela. Mas, se é assim que tem que ser... É sempre muito mais rico levantar, lutar e caminhar com suas próprias pernas, criar seu próprio universo, viver segundo suas próprias regras, assumir seu caminho e sua natureza com todas as suas verdadeiras qualidades, do que apenas se deixar levar pelo medo e aceitar as correntes. Porque vender sua liberdade para comprar a do outro só resulta em liberdade para ninguém. E, pra começar, a liberdade de alguém nunca deveria estar à venda, nem ser um problema.
Das profundezas
Uma coisa que não se pode exigir de ninguém é compreensão. Muito menos quando não nos expressamos com clareza. Menos ainda quando não emitimos os sinais adequados. E ainda menos, quando somos artistas e não conseguimos separar arte e vida. Como esperar compreensão, quando damos tanta margem para interpretações, quando sentimos prazer em apresentar experiências e depois apenas observar passivamente aqueles que se importam tatearem no escuro todas as significações possíveis? Seria incoerente e injusto. Não podemos sequer ficar tristes, o que dirá ofendidos, se as hipóteses começarem a surgir e se mostrarem o exato oposto daquilo que intentamos provocar. A falta de objetividade até nos ajuda a conhecer quem chega e a reconhecer quem realmente se interessa. Atrás do espelho é sempre o melhor lugar para se esconder e ser óbvio demais não tem graça alguma. Além disso, a realidade sempre perde para a imaginação. Mas, é bom saber dosar o quanto nos escondemos, dosar o grau de subjetividade emitido com as sugestões expostas, sob o risco de também nos tornarmos enfadonhos e desnecessariamente labirínticos... A vida sozinha já apresenta-se com essa abordagem e é próprio da arte procurar por formas diferentes de ver, ser, existir... Subjetividade é lindo, suave, livre, imaginativo, mas não pode ser apenas uma armadura contra o medo de se expor. Afinal, se tem medo e não enfrenta, porque começou a obra? Entendo que só abandonamos, quando não vale a pena o esforço. Mas se vale, se temos peito para encarar nossa autoria, a energia precisa circular! Do palco para a platéia, do plástico para o olhar, do som para o ouvido, de corpo para corpo... E pra isso, quem começou a abrir a trilha, precisa também se abrir para ela. Porque semelhante atrai semelhante, quem se abre, abre. Mas, quem se constrange, constrange. A timidez, intimida, a defensiva induz naturalmente à defensiva. E com isso vai-se embora toda a energia, toda a poesia e todo o encanto.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Num dia desses...
Unheard
Commotion
Intro (Dm Bb F#m Dm Dm Bb Gm Bm)
Dedilhado (Dm9)
Dm
It's all about those days
Bb
When you know what's right,
C Dm
But you can´t follow your thoughts.
Dm
You're the enemy
Bb C
A shadow of intents and wishes
Dm
Listening that single voice.
Dm
All you feel is grey,
Bb
You know exactly what should be done
C Dm
But the danger is yourself.
Dm Bb
Twisted heart, declaring rights undone
Gm Dm
Willing to extract life from this nothingness
Willing to extract life from this nothingness
Dm Bb
I can’t bear other denial from existence
C A
Time won’t pass through involuntary tolerance.
Dm
In a trap of chaos
Bb
My perfection failed
Gm C
Only silence remains
Dm
And there is no tomorrow
Bb
Nothing last to borrow
Gm C
I am here to fade.
Bb
In those pale fails
Dm
Everything is so pale
C Gm
Senseless world of me
Bb
Not
a way to follow
Dm
Another
shade of sorrow
C Gm
I can´t hear you saying.
(Dm Bb F#m Dm Dm Bb Gm Bm)
Dm
My unheard commotion:
Bb
Utter suffering...
Dm
Dm
And your deepest devotion
Gm
Has never been towards me.
(Bb Dm C Gm)
Bb
Dm
In this silent decay the mystery won’t be unfold
C
Bb
My perfect excuse has been told.
Dm
I am just a shadow
Bb
Wishes of tomorrow
Gm C
All is pale today
Dm
But, you know, I can’t follow
Bb
This stupid heart is hollow
Gm C
I'm not here to stay.
Bb
In those pale fails
Dm
Everything is so pale
C
Gm
Senseless world of me
Bb
Not a way to follow
Dm
Another shade of sorrow
C Gm
I
can´t hear you saying.
Dm
You know what's right to be done
C
What’s supposed to be done,
Bb
But you just can’t
Dm
You know what's must to be done
C
What feels right to be done
Gm
And you just don’t.
Assinar:
Comentários (Atom)








