terça-feira, 12 de julho de 2011

A Hora do Chá da Manhã

Na casa dos meus bisavós sempre tinha bolo. Às vezes, tinha bolo, torta, biscoitos, claras em neve e pudim. Assim, tudo ao mesmo tempo! O dia começava bem cedo. A mesa do café às seis já estava pronta, embora nunca tomássemos café e sim chá preto. Minha bisavó, elegante até debaixo de seu avental xadrez, jamais foi ao quarto para me acordar. Haviam os gatos, de nome esquisito, para cumprir esta tarefa por lá. Lembro de, pelo menos, três: Cavalinho, Galinho, Cotó... Eles nunca foram muito bons para dar nomes. Por exemplo, pela minha avó, o meu seria Talita ou Vívian. Sorte do meu pai se chamar Fábio e da minha tia, Lílian. E azar das gatas que receberam esses nomes.

Era bonita a manhã vista pela janela daquele quarto que se abria para o sul. Uma enorme mangueira, onde  eternas orquídeas roxas trepavam às dúzias, saudava, metidos entre seus galhos, os raios de sol. De tanta folha verde, sombreando o quintal, mal se via o azul do céu. E todas aquelas árvores, flores e folhas, cobrindo a terra ao longo do caminho rochoso, reluzindo de orvalho, brilhavam como pedras preciosas... Ser premiada com esta cena era estímulo suficiente para enfrentar o esforço de acordar tão cedo. Quanta cor, quanta luz!

Mas isso não era tudo. Ainda havia a mesa do café, o bolo que quando se cortava tinha uma massa de chocolate bem no meio, em espiral, o pão quentinho com manteiga fumegante, o suco de laranja antes do chá, a geléia de jabuticaba e, ah, a geléia de cajá! Inigualável!

Hoje, mal tomei um chá e sequer comi pão. Ser cuidada por outras pessoas, ao menos, tinha  isso de bom.

Um comentário:

JP Mayer disse...

Textos assim são nostálgicos para mim, apesar de ter sido totalmente diferente.

Lá em casa nunca teve fartura assim. No café o máximo que tinha era pão com café e as vezes um biscoito.

Sobre nomes esquisitos minha vó por parte de pai (que foi a única dos quatro que conheci) também caprichou: O nome do meu pai é Evilásio, tenho um tio chamado Estanislau e outro chamado Ladislau, além da tia Salete, rs

Amo textos assim.

Xero.