Haverá um tempo em que neste momento do ano os homens não dirão que dia da mulher é todo dia, que os supermercados não mais nos presentearão com flores por isso, que as pessoas não mandarão mais mensagens de feliz dia da mulher e que os programas de TV não mais farão reportagens mostrando mulheres em "atividades masculinas". Haverá um tempo em que uma pessoa olhará para a outra e verá um ser humano, antes de sua idade, sexo, condição social, etnia, religião, profissão, crença, estilo, altura, peso, cor do cabelo, gosto alimentar ou preferência sexual. Haverá um tempo em que as mulheres definitivamente aceitarão como algo natural o fato de serem mulheres e não com a velha falta de autofirmação feminina que as impulsionam a procurar definir seu universo e a se sentirem especiais ou inferiores aos outros de forma não assumida. Haverá um tempo em que ela não mais procurará nivelar-se com o homem e ele por sua vez não mais a olhará com velado desprezo e desdém, e ambos aceitarão com naturalidade suas diferenças nas formas de enxergar o mundo. Haverá um tempo em que elas entenderão o quão desnecessário são certas frescuras e eles perceberão que não há nada de bonito em bancar os valentões. Haverá um tempo em que a mulher não mais receberá remuneração inferior ao homem simplesmente por uma questão de gênero, que não haverá cota para negros ou estudantes da rede pública nas universidades e que no mundo todo ela será livre para expressar-se como achar melhor. Haverá um tempo em que piadas sobre TPM perderão a graça, que elas serão poupadas de ouvir palavras grosseiras ou inconvenientes enquanto caminham sozinhas pelas ruas e que a discriminação de fato será extinta. Haverá um tempo em que todas serão respeitadas, mesmo aquelas que não respeitam a si mesmas. Haverá um tempo em que as diferenças serão entendidas como necessárias para o equilíbrio do mundo e por isso incentivadas e compreendidas enquanto uma das mais valiosas particularidades de nossa condição humana. Haverá um tempo em que o oito de março será apenas mais um dia no ano, que o dia da consciencia negra será igualmente banal, e que o dia do orgulho gay cairá em obsolescência. Haverá um dia em que esse sonho será real... Pena não ter sido hoje.
2 comentários:
E que possamos estar vivos para contemplarmos isso!
Adorei.
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