terça-feira, 2 de março de 2010

Só para os mestres

Hoje eu passei pela serra e voltarei a passar por lá, em quase todos os dias, pelos próximos quatro anos. Gosto da serra, é linda, mais ainda coberta de nuvem como estava. Tanto que nem liguei (muito) para o fato de estar num ônibus lerdo e cheio. As árvores passando, algumas escondidas pela névoa, Muse no ouvido e os pensamentos longe... Lembrei da época da primeira faculdade, como eu fiquei feliz e depois tão desiludida com aquela porcaria e com um monte de outras coisas mais. Amigos indo morar longe e mudando de curso, minha banda se revelando um verdadeiro estorvo, problemas com meus pais adolescentes, eu voltando a ficar sozinha a maior parte do tempo... E como isso era amedrontador e triste! Já nem conseguia apreciar a beleza da serra, da luz do sol colorindo as folhas de um verde clarinho, do cheiro do chá de manhã, sentar em paz para ler, tocar por estar afim, desenhar, nem ficar feliz por uma vitória que na verdade serviu mais para atrasar tudo. Todos dizendo que aquele era um dos períodos mais dourados da vida e eu havia planejado tanta coisa boa para fazer nele... Mas ficou ruim mesmo naquela época e só foi piorando. Meus sonhos desmoronaram alí e ainda hoje estou tentando recontrui-los outra vez. Mas aí penso no Jack, quem eu nunca teria conhecido se a banda não precisasse de tecladista; nos amigos tão legais que eu fiz durante as aulas e por causa da banda; nos livros que acabei conhecendo e me ajudaram tanto a aprender um monte de coisas; e em um ou outro professor que realmente tiveram relevância na minha formação. Às vezes simplesmente não temos a menor idéia do verdadeiro motivo de estarmos onde estamos e de fazermos o que a gente faz. Descobrir a moral da história depois que o período passou, é moleza. A grande sacada mesmo é entender as razões e apreciar a beleza do momento em que se vive.

Um comentário:

JP Mayer disse...

Muito bonito. Gostei muito.