Ontem foi meu primeiro dia de aula da faculdade nova e a primeira aula das segundas-feiras, Arte e Institucionalização, tratará exatamente sobre esse assunto, como está o mercado hoje e de que formas esse universo tem funcionado. Um monte de nomes que eu desconhecia totalmente foi citado e de todos achei válido compartilhar esse aqui com meus visitantes.
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Produto Artístico
Não tenho o costume de entrar em discussões, nem ao vivo, e menos ainda em fóruns de Internet, blogs, etc, onde o pessoal fica mais "corajoso" com a tela do monitor protegendo seus rostos, a menos que eu pense que fará alguma diferença o que tenho a dizer. E, um dia desses, eu li uma postagem num blog sobre Lost, que eu acompanho pra ficar atualizada das novidades, e achei importante fazer um comentário. O texto falava sobre o fim da série em maio desse ano, seus inúmeros mistérios ainda sem resposta, e terminava com a seguinte pergunta: "E aí, quais perguntas vocês acham que os roteiristas tem a obrigação de responder?"
É claro que o autor do texto se refere às grandes questões que certamente serão solucionadas, afinal o seriado já está na sexta temporada e é com muito pesar que todos que acompanham irão se despedir dele, e estava apenas querendo convidar os leitores à compartilhar suas perguntas, ver se uns lembrarão de eventos que outros podem ter esquecido e estimular a participação dos leitores. O problema é que, bem, não é novidade pra ninguém, a maioria das pessoas é bastante ignorante em assuntos básicos e por motivos que não quero enumerar aqui, já que o assunto é outro, mas aquela pergunta deu margem para que os comentários dessas pessoas se espalhassem como cogumelos no outono. Então foi um festival de exposição de questões totalmente inúteis para a história de Lost e feitas de formas grosseiras, tratando os roteiristas como se fossem pilantras, burros e inexperientes. Por isso, eu vi nessa aparentemente inofensiva perguntinha um dos grandes problemas por que passa o meio artístico hoje. Então, achei importante fazer o comentário a seguir:
"Para mim, os caras não tem obrigação de nada. A história é deles, não nossa e ninguém nos obrigou a assistí-la até aqui. Eu acho esse comportamento das pessoas que ficam indignadas com o rumo que a arte dos outros toma algumas vezes, estúpido e infantil. Criticar é tão fácil, que qualquer vagabundo põe sua cadeira na calçada e fala mal da vida dos outros muito bem. Criar e fazer algo relevante sim é para poucos. Sempre que apontamos uma falha deveríamos indicar uma solução. Só para exercitar e entender a genialidade e a dificuldade de se fazer algo."
Aí, um desses corajosos da internet, deu exatamente a resposta que eu esperava desse tipo de pessoa, com o deboche típico dos narizes em pé ;) e tocou certeiramente no ponto da minha questão:
"Eu acho esse comportamento das pessoas que ficam indignadas com o rumo que a arte dos outros toma algumas vezes, estúpido e infantil. "
A televisão além de um meio de comunicação nada mais é do que comércio.Os fãs de LOST nada mais são do que os "consumidores". Dão audiência (leia-se: assistindo pela TV, comprando os DVDs, etc). A partir do momento em que o consumidor paga (assistindo, comprando os DVDs, bla bla bla), ele tem o direito de reclamar por aquilo que ele paga. Ele não criou a série, mas pagou por ela, entende? ;)
Ex.: Um artista pinta um quadro meu, e me cobra 100 reais, só que ele desenha meu rosto de uma maneira errada e não se parece comigo. Ele não me obrigou a pagar, ele ofereceu o trabalho, e eu paguei, logo, tenho o direito de reclamar se não gostei. ;)
Imaturo e infantil é não aceitar a opinião alheia, já que cada um enxerga a vida de uma maneira diferente. Eu estou gostando da temporada, e da realidade paralela e tudo mais, mas não vou me irritar com quem pensa o contrário.
Abraços "
E isso foi ótimo! Deu a mim a oportunidade de desenvovler o comentário anterior:
Sabe Raphael, não vejo dessa forma. Penso que Arte é um produto/serviço sim, mas não igual aos outros. O artista, um bom artista, claro, trabalha de uma determinada forma, só produz itens únicos, não é como uma máquina que repete a mesma coisa mil vezes exatamente igual, então haverá momentos que você não vai gostar do que vai ver e isso é normal. (O exemplo do quadro não acho que seja apropriado porque você pediu ao pintor previamente o que queria, bem diferente de um seriado que você nem sabe do que se trata quando começa, muito menos sabe que canal de TV irá transmití-lo, ou quando). Só acho que o melhor a se fazer nesse caso, é dispensar o que não gosta e apreciar o que gosta (como um músico que está tocando na rua, você tem a liberdade de parar para ouví-lo e pagar por isso ou não.) Não tratar os autores como se fossem menos do que nós, que apenas assitimos, como se não soubessem o que estão fazendo... Acho sempre a maioria dos comentários muito precipitada. Desde a primeira temporada tem gente dizendo que os roteiristas não sabem pra onde vão e tal, sem parar para pensar que talvez eles saibam sim, talvez eles tenham anos de experiência nisso, sejam profissionais que fazem seu trabalho com maestria, sejam geniais. Por mais que às vezes eu ou você achemos que uma parte ou outra ficou ruim, por mais que de fato cometam erros como qualquer um. Mas, ninguém nos obriga a pagar pelos DVDs, nem pelo canal na TV(vale lembrar que a maioria das pessoas aqui apenas faz download do seriado e mesmo assim reclama dele com categoria, coisa que não entendo MESMO, porque se não gosta é só parar de baixar e nem dá pra entrar nessa de "estou pagando"). Você começa a pagar pelo canal, não gosta dele, dê a sua opinião em algum veículo onde os responsáveis acessarão (não num blog em português) e pare de assistir e pagar, ué! É a melhor forma de notarem que não estão tendo muito sucesso, porque uma coisa é você dizer que não gostou, outra é ser "imaturo e infantil" e começar a fazer crítica pela crítica, só para contrariar, ou só porque VOCÊ acha que a história tinha que ser de outra forma, ou só porque VOCÊ não entende os processos, dificuldades e os altos e baixos de um trabalho como este. Isso é muito cômodo e não ajuda em nada. Assim, como você falou, cada um tem uma forma de enxergar as coisas, não é? Os caras acham que a melhor forma é aquela que eles apresentaram, mesmo que nós não concordemos. Também acho que as melhores histórias são contadas pelos autores que trabalham em paz, sem interferência de opiniões. A originalidade, que é o grande trunfo do artista, depende disso. Está aí o atual cenário artístico mundial como um bom exemplo do quão nocivo é tratar Arte como um mero produto/serviço. Até tem bastante coisa legal surgindo, não quero soar saudosista, mas olha o custo que é para os bons profissionais aparecerem!
E essa é uma opinião MINHA sobre o comportamento dos outros. Uma opinião dada no espaço apropriado para ela, sem infringir regras, ou impondo absolutamente nada. É essa a maneira com que EU enxergo a realidade. Não estou obrigando ninguém a concordar com ela, da mesma forma que ninguém está me obrigando a concordar aqui, certo? ;)
Como você, também estou gostando de tudo e não me irrito com quem não está. Mas acho estúpido e infantil mesmo tratarem o assunto como se os caras tivessem obrigação de coisas que eu acho que não têm. A questão é o comportamento de todo mundo, não a opinião. Cobram do artista tanto quanto cobrariam de um engenheiro, médico, juíz, vendedor de alimentos, mas não o tratam com o mesmo respeito. E da mesma forma que todos têm a liberdade de continuar se comportando assim, precipitadamente, achando que os autores tem OBRIGAÇÃO de explicarem porque escolheram 4 8 15 16 23 42 e não 5 6 17 19 28 45, eu tenho a liberdade de dizer que acho besteira.
Beijos pra você, não briga comigo."
Sei lá, achei relevante transcrever essa discussão aqui por se tratar de uma questão importante para nós que fazemos Arte.
sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
A diferença entre astros e estrelas
Existe uma diferença enorme entre gostar ou aceitar, e precisar ou não conseguir viver bem sem alguma coisa, certo? Mas, foi confundindo tudo isso que jogaram mais uma palavra no saco dos pejorativos: artista.
Quando desenhamos, tocamos alguma música, escrevemos, o resultado será muito melhor se o fizermos por prazer. E só quem faz de coração sabe como é indescritível o processo de composição, escolher as formas, as cores, passar pela prancheta com o lápis e dar mais uma rabiscadinha no desenho ainda incompleto, ir construindo a música parte por parte sem pressa de acabar, transformar a partitura em melodia pedacinho por pedacinho, ver o poema que se transformará em canção, pouco a pouco tomando forma e de repente olhar pro todo e ver o resultado. Às vezes muito bom, outras vezes decepcionante, mas o prazer para nós está mesmo no que acontece entre depois de começar e antes de acabar a obra, não é? E como é bom aprender, se aprofundar... sempre perguntando, lendo e buscando melhorar, considerando tudo o que sabemos ainda muito pouco perto do que gostaríamos de saber fazer.
Em qualquer ramo encontraremos dificuldades, da Medicina à faxina. Os obstáculos não devem nos fazer esquecer o que queremos, não devem ser os motivos pra que a gente desista de fazer o que temos vontade. Por isso, apesar das inúmeras histórias que conhecemos por aí sobre péssimas condições familiares, falta de apoio, de má orientação, formação precária e até mesmo do meio e do mercado não serem os mais convidativos, os mais teimosos insistiram no que acreditavam e continuaram investindo em sua Arte. E nesse ponto precisamos da aprovação de outras pessoas para o que fazemos. No momento em que a obra artística se torna produto, a opinião dos outros se faz necessária. E realmente é muito prazeroso quando você acerta, fornecendo o que eles procuram. É gratificante atingir uma meta, vencer um obstáculo, a sensação de tarefa cumprida com sucesso. Neste caso, os aplausos, um olhar surpreso, palavras de elogio e curiosidade sobre como fazemos, que materiais utilizamos, onde aprendemos e tudo o mais, significam aprovação. Querem dizer em outras palavras que conseguimos satisfazer o público ou o cliente.
Mas, a autocrítica e a auto-afirmação sincera, são as verdadeiras aliadas de qualquer artista, de qualquer ser humano. É uma besteira esperar por elogios, ouvir aplausos, ser o centro das atenções, para cada passo que se dê na vida. Da mesma forma que é absurdo se ofender porque alguém não gostou de alguma coisa que produzimos. O incomodo, é natural, até saudável, é ele que nos move e nos faz refletir, mas ofensa, é baixa auto-estima demais! Minha definição de humildade é saber exatamente o valor do que se faz e do que se é, nem mais nem menos. Quando alguém se manifesta é legal, prazeroso, no mínimo construtivo, mas não faz mais diferença do que concordarem ou não sobre qualquer assunto. É certo que, infelizmente, muitos encarem seus sucessos como uma maneira de se sentirem melhores do que os outros, tornando o meio artístico esse lixo, cheio de gente arrogante, ególatra, que pensa possuir todo o conhecimento, todo o poder de sedução e que é o centro do universo e seria muito bom a existência dessas pessoas para nos mostrar como é besta essa necessidade, se esse não fosse o comportamento da maioria... E o mais curioso nisso é que o ego delas é inversamente proporcional ao seu talento em grande parte dos casos.
Enfim, cada um com os seus problemas, sua Arte é um reflexo de você mesmo, mas, apesar disso, tem coisa mais boba que dizer que gosta da música de alguém só porque ele é simpático? Ou que não sei quem não foi um grande pintor porque era um babaca? Isso é uma estupidez. Da mesma forma que muita gente confunde autor com a obra, também confunde necessidade de vender um produto, com necessidade de aprovação pessoal. E gostar com precisar.
Viver tentando agradar é um desgaste inútil, é dar um controle remoto das suas emoções para os outros. Com isso acabou-se a naturalidade, a inocência e a originalidade das pessoas. Criou-se um padrão que todos devem seguir. Sua Arte tem que ser de uma determinada maneira, se não ninguém vai gostar e como ela seus cabelos, seu corpo, seu rosto, suas roupas e sapatos. Isso não tem sentido. Pior ainda quando a pessoa é arrogante ao ponto de viver se comparando com os outros.Qualquer coisa se aprende. Não acredito em dons, muito menos os artísticos. E fazer comparações entre trabalhos e pessoas nos leva a lugar nenhum. As pessoas, assim como seus trabalhos, podem ter muitas semelhanças, mas são únicas. Até mesmo os plágios e aqueles que vivem tentando se parecer com alguém. Cada um é um mundo, com uma história, leis naturais e verdade próprias. Todos têm direito a uma opinião sobre tudo. Ninguém tem que viver sob a aprovação dos outros. Principalmente quando se trata do que as pessoas são no íntimo. Todos devem ser como bem entenderem. Procurar destaque, é só orgulho e egoísmo. Cada um de nós é especial.
Ser aplaudido é muito gratificante, mas depender disso é escravidão, não liberdade e um artista de verdade precisa ser essencialmente livre. Livre para criar, livre para ser como quiser. Livre inclusive para errar, porque os erros são o que nos torna melhores. O artista precisa ser um humilde insatisfeito. Porque a insatisfação é sua melhor aliada, é o que o faz buscar sempre mais, que o impulsiona para o topo. Pensar que já chegou lá é condenar-se à estagnação. E definitivamente, um artista não tem que precisar de um spotlight. De jeito algum! Nem como artista nem como ser humano. É preciso cultivar sua própria luz, se refinar sempre, saber cada dia mais um pouco, ser você mesmo de todas as formas, sem exageros, se expressar sem se preocupar com a opinião dos outros e, acima de tudo, ter autoconfiança e estilo próprio.
Numa noite de céu estrelado, há uns vinte anos atrás, estávamos passeando numa praia do Nordeste completamente sem iluminação, eu e meu avô Carlos, que começou a ensinar Música quando eu ainda nem sabia falar direito. Eu tinha muito medo de ficar sozinha no escuro e estava naquela idade em que pra onde quer que se olhe se vê um ponto de interrogação. Falávamos sobre as estrelas e meu avô disse uma coisa que eu nunca mais esqueci: "As estrelas iluminam, os outros astros são iluminados por elas. O que precisa ser iluminado é porque não tem luz própria."
quarta-feira, 10 de março de 2010
Figura Mor
Faz tempo que ela não liga pra me perturbar, mas esses dias eu estava lembrando do quanto minha avó é figura e aí lembrei também dessa história.
Normal eu chegar na casa dela sob a recepção calorosa da cachorrada pulando em mim e correndo atrás dos gatos pelo quintal e minha vó já me fazendo perguntas lááááá de longe, aos berros, sempre sentindo obrigação de me dar alguma coisa. É impossível ir embora e não levar nem que seja um pedaço de papel. Mas o comum mesmo é sair de lá com bolsas quase impossíveis de carregar, mesmo que por uma pequena distância. Às vezes são roupas, outras são coisas variadas, mas geralmente são as frutas. Já levei de lá uma bacia com tantos abacates que precisei parar algumas vezes pra descansar. E olha que da casa dela eram são só dois quarteirões até a casa do Jack, onde eu morava. Não adianta dizer que não quero, que vai estragar. Ela fica irritadíssima.
Então, sempre que chego lá, minha avó oferece tudo que tem em casa. Começa na geladeira e armários da cozinha. " Quer suco? Quer caqui? Fruta do conde? Ameixa? Laranja? Quer Polenguinho? Quer Iogurte? Quer gelatina? Quer sorvete? Quer biscoito? Quer ovo de codorna?" E nisso eu vou falando que já jantei, no mínimo por umas dez vezes. Mas, ela ignora completamente, contando todas as fofocas das redondezas, da família e o resultado dos últimos rounds das brigas dela com seu irmão Pedra. Nesses papos que temos, fico em dúvida se rio ou se choro. Muitas vezes tenho que prender o riso. Muitas vezes não consigo, e ela me chama de boba pra baixo. Depois vai pras gavetas e armários dos quartos. "Quer essa blusa? Esse sapato? E esse brinco? Olha que lindo esse cordão!" Imaginem agora eu vestida com aquelas blusas enormes e coloridas dela. Ou com aquelas sandalhas brancas que ela adora. E os brincos então! "Não vó, não precisa me dar nada, pára com essa mania de achar que tem que me dar alguma coisa." Até os produtos de higiene dos banheiros ela oferece. "Quer esse creme? E esse perfume? Já usou esse shampoo?" E me chama de babaca quando não aceito.
É a maior figura de todas! Tenho a quem puxar mesmo. Mas num dia desses, eu estava lá, ela já frustrada porque naquele dia recusei todas as coisas possíveis e não tinha mais nada pra oferecer, estava na sala com ela, assistindo seu programa favorito. Aquele da Luciana Gimenez. Ela tinha acabado de xingar o irmão, nada mais havia no estoque de fofocas. Nada mais pra falar mesmo. Aí vira e manda essa:
- Carolina, você já tomou ismino, esmirno, emisso... ah não lembro o nome daquele troço... ice...?
Na hora me veio Smirnoff Ice na cabeça, mas pô, claro que não era isso. Óbvio! Minha vó, tomando Smirnoff Ice? Nada a ver...
- Pô vó, não sei o que é. Não devo ter tomado. Não entendo muito dessas bebidas.
Aí ela levanta, vai na cozinha e volta com uma garrafa:
- Ah, não tem mais. Pensei que tivesse, mas devo ter bebido todas as garrafinhas quando estava limpando o quintal. Aqui a garrafa ó. Depois compro mais pra você experimentar.
Era. A garrafa. De Smirnoff. Ice. E ela bebeu todas.
...
Assim, a minha avó toma Smirnoff Ice! Bebidinha de boate, de night, de galerinha muito louca que dá beijo na boca... bom, deu pra entender, né?
Ah, sim. Eu só tenho essa avó. Logo, é a mesma que vai até o Quebramar comigo de bicicleta, aquela que dá Coca-cola pro papagaio, que pega tudo quanto é bicho na rua e traz pra casa, a mesma que se veste como um pirulito, que pede quentinha pros cachorros no restaurante, que inventa de eu ir tocar piano pros velhinhos dos asilos (do nada), que faz "shsssssss!" altão na fila do banco quando as pessoas estão falando muito. E claro, a mesma que vai arranjar um jeito de enfiar na conversa que eu toco piano. Ela vai dar um jeito. O assunto pode ser a vida secreta das iguanas. Não importa, "você sabia que Carolina toca piano?", vai entrar em algum momento na conversa. Então, eu não sei porque senti essa surpresa sabe? Mas, por esse papo de Smirnoff Ice eu não esperava meeeeesmo!
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mais um dia
Haverá um tempo em que neste momento do ano os homens não dirão que dia da mulher é todo dia, que os supermercados não mais nos presentearão com flores por isso, que as pessoas não mandarão mais mensagens de feliz dia da mulher e que os programas de TV não mais farão reportagens mostrando mulheres em "atividades masculinas". Haverá um tempo em que uma pessoa olhará para a outra e verá um ser humano, antes de sua idade, sexo, condição social, etnia, religião, profissão, crença, estilo, altura, peso, cor do cabelo, gosto alimentar ou preferência sexual. Haverá um tempo em que as mulheres definitivamente aceitarão como algo natural o fato de serem mulheres e não com a velha falta de autofirmação feminina que as impulsionam a procurar definir seu universo e a se sentirem especiais ou inferiores aos outros de forma não assumida. Haverá um tempo em que ela não mais procurará nivelar-se com o homem e ele por sua vez não mais a olhará com velado desprezo e desdém, e ambos aceitarão com naturalidade suas diferenças nas formas de enxergar o mundo. Haverá um tempo em que elas entenderão o quão desnecessário são certas frescuras e eles perceberão que não há nada de bonito em bancar os valentões. Haverá um tempo em que a mulher não mais receberá remuneração inferior ao homem simplesmente por uma questão de gênero, que não haverá cota para negros ou estudantes da rede pública nas universidades e que no mundo todo ela será livre para expressar-se como achar melhor. Haverá um tempo em que piadas sobre TPM perderão a graça, que elas serão poupadas de ouvir palavras grosseiras ou inconvenientes enquanto caminham sozinhas pelas ruas e que a discriminação de fato será extinta. Haverá um tempo em que todas serão respeitadas, mesmo aquelas que não respeitam a si mesmas. Haverá um tempo em que as diferenças serão entendidas como necessárias para o equilíbrio do mundo e por isso incentivadas e compreendidas enquanto uma das mais valiosas particularidades de nossa condição humana. Haverá um tempo em que o oito de março será apenas mais um dia no ano, que o dia da consciencia negra será igualmente banal, e que o dia do orgulho gay cairá em obsolescência. Haverá um dia em que esse sonho será real... Pena não ter sido hoje.
Oração do Impaciente
Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que não posso aceitar, e sabedoria para lidar com as situações irritantes, porque se me der força, eu mato um.
Também, me ajude a ser cuidadosa com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar diretamente conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.
Ajude-me, sempre, a dar 100% de mim no meu Trabalho: 12% na segunda-feira, 23% na terça-feira, 40% na quarta-feira, 20% na quinta-feira, 5% na sexta-feira.
E, ajude-me sempre a lembrar, quando estiver tendo um dia realmente ruim e todos parecerem estar me enlouquecendo, que são necessários 42 músculos para socar alguém, 17 para sorrir e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Soprando no Vento
♫ How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, and how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind. ♫
Before it's washed to the sea?
Yes, and how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind. ♫
Auto Sabotagem
Uma questão antiga que volta e meia me faz desacreditar um pouquinho nas pessoas é o prazer que sentem em fazer os outros sentirem-se inferiores. Já tomei tanta antipatia por gente que a princípio eu até achava bem legal, mas que em algum ponto revelou o que a maioria delas acaba revelando um dia, esse lado "sou melhor do que você"! Claro, tem aqueles que ainda são crianças incorrigíveis, no mau sentido, mesmo depois de uma certa idade, apelando pela atenção de todo mundo das formas mais escrachada possíveis. Mas, esses acabam ganhando a inimizade geral logo de cara, quando resolvem dar suas primeiras demonstrações de infantilidade. O engraçado é quase sempre serem muito ruins no que fazem, exceto valentões, discutidores e críticos-de-tudo. Mas, não é fácil identificar, de primeira, os casos em que se desenvolveu a habilidade de maquiar aquele argentinozinho interior. Aí é que dá tempo de você ser legal e a pessoa achar que vai dar pra te fazer de platéia. E como arrancar um pentelho desses depois, sem soar estúpido e tendo uma paciência minúscula feito a minha?
Eu não sei o que passa por essas cabeças... Lêem meia dúzia de livros, assistem a um ou dois filmes, conhecem essa e aquela banda e pronto, é o suficiente. Não precisam fazer nada de mais relevante na vida, do que espalhar isso aos quatro ventos como se fosse um grande feito. Mas, eu não entendo... Criticar alguma coisa é tão fácil que até crianças de 5 anos o fazem. Onde está o merito disso?
Chato, sabe? Você acha que tem amigos e um dia se dá conta do contrário. São apenas pessoas mais interessadas em fazer você se sentir inferior a elas do que em passar um momento agradável do seu lado. Estão o tempo todo se comparando, com uma raiva não assumida de você. São seus oponentes, não amigos. A amizade é só uma máscara, uma formalidade. Em suas vidas normais são sádicos: gostam de tornar difícil a vida dos outros, de torturar, derrotar, competir, conquistar. Se o outro tiver que ser destruído, então que seja, o importante é vencer: ser o sabichão, o mais rico, mais esperto, mais bonito, mais forte, mais habilidoso, mais talentoso, o primeiro lugar em tudo, ter títulos e mais títulos de cuspe a distância ou sei lá o que. E assim são infelizes e não entendem o motivo; sentem-se abandonados quando não há bajulação; sozinhos, pois não gostam de sua própria companhia; nunca estão em paz; reclamam que ninguém os entende, quando nunca pararam para tentar entender o outro; dizem que ninguém os escuta, quando sequer prestam atenção ao que o outro tem a dizer; não sabem esperar a vez do outro; acham que a lei não se aplica a eles. Enfim, o pior disso tudo é que essa foi a educação recebida por todos nós "Vá lá e acabe com eles!", "Seja o melhor.", "Leve vantagem." Desse jeito, sobram poucos a quem podemos chamar de amigos, pois no íntimo, a maioria é de competidores imersos nesse ciclo vicioso: faço os outros infelizes e fico infeliz, sou infeliz e faço os outros infelizes.
quarta-feira, 3 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
De um jeito que ele entenda.
- Estou procurando uma imagem de uma coisa que não é bem o que parece que é.
- Caraca. Complexo, hein!
- Não, pô. Quero alguma coisa que se você olhar bem, não é o que parece, só isso.
- Ah, tá... Tipo aquele desenho do André no nosso time de Imagem & Ação, que parece uma bigola, mas na verdade é um hidrante?
- É, Jack, tipo isso.
Só para os mestres
Hoje eu passei pela serra e voltarei a passar por lá, em quase todos os dias, pelos próximos quatro anos. Gosto da serra, é linda, mais ainda coberta de nuvem como estava. Tanto que nem liguei (muito) para o fato de estar num ônibus lerdo e cheio. As árvores passando, algumas escondidas pela névoa, Muse no ouvido e os pensamentos longe... Lembrei da época da primeira faculdade, como eu fiquei feliz e depois tão desiludida com aquela porcaria e com um monte de outras coisas mais. Amigos indo morar longe e mudando de curso, minha banda se revelando um verdadeiro estorvo, problemas com meus pais adolescentes, eu voltando a ficar sozinha a maior parte do tempo... E como isso era amedrontador e triste! Já nem conseguia apreciar a beleza da serra, da luz do sol colorindo as folhas de um verde clarinho, do cheiro do chá de manhã, sentar em paz para ler, tocar por estar afim, desenhar, nem ficar feliz por uma vitória que na verdade serviu mais para atrasar tudo. Todos dizendo que aquele era um dos períodos mais dourados da vida e eu havia planejado tanta coisa boa para fazer nele... Mas ficou ruim mesmo naquela época e só foi piorando. Meus sonhos desmoronaram alí e ainda hoje estou tentando recontrui-los outra vez. Mas aí penso no Jack, quem eu nunca teria conhecido se a banda não precisasse de tecladista; nos amigos tão legais que eu fiz durante as aulas e por causa da banda; nos livros que acabei conhecendo e me ajudaram tanto a aprender um monte de coisas; e em um ou outro professor que realmente tiveram relevância na minha formação. Às vezes simplesmente não temos a menor idéia do verdadeiro motivo de estarmos onde estamos e de fazermos o que a gente faz. Descobrir a moral da história depois que o período passou, é moleza. A grande sacada mesmo é entender as razões e apreciar a beleza do momento em que se vive.
Quem se importa?
A verdade é que provavelmente a vida não tem sentido nenhum, mas isso não significa que não possamos fazer algo divertido enquanto estamos aqui.
Hisoka
segunda-feira, 1 de março de 2010
E o Rio de Janeiro continua sendo...
Hoje é aniversário da minha cidade. Quem gostaria de comemorar isso se deu mal, está uma chuva maravilhosa lá fora e é segunda-feira. Mas, a comemoração não deveria ser mais importante que uma pequena pausa apenas para pensar nas questões que precisamos enfrentar por aqui e no quanto podemos dizer que somos abençoados por sermos cariocas. Como nasci e desde então vivo no Rio, posso falar mal de tudo o que me incomoda mesmo, dizer o quanto acho essa cultura da malandragem lamentável, o quanto as pessoas que forçam o sotaque são ridículas, que esse é um lugar para passar férias e não para morar, que a falta de educação é assustadora e meus conterrâneos são em sua maioria fúteis, porcos e acéfalos. Posso, porque eu sim vivo aqui e sofro com tudo isso. Não gosto de calor, medo de sair de casa, trânsito hostil, abismo social, oba-oba, nem muvuca. E apesar do surf que já nem sei mais como é desde minha adolescência, sou tão noturna! Gosto de preto, botas, cabelos compridos, chá, comida quente, atividades que não combinam com sol e clima de azaração e estou sempre tentando refletir sobre os motivos de eu ter nascido aqui. Deve haver alguma razão muito especial. Por outro lado, também me incluo no grupo dos afortunados que podem contar, com categoria, o quanto este lugar é mesmo muito bonito, algo que o pessoal que conhece o Rio de Janeiro apenas como praias de Copacabana, Ipanema e Leblon, Baía de Guanabara, Pedras do Arpoador, Cristo Redentor, Arcos da Lapa e Bondinho do Pão de Açúcar não podem dizer. Porque esses cartões postais não representam nem de longe a beleza dessa cidade. Na verdade, até fazem uma propaganda bem negativa. E até acho bom que continue sendo assim...
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!
Nem precisou esperar muito e o pênalti saiu assim, logo no primeiro minuto do primeiro tempo! Vejam se não é conspiração.
Como o mundo inteiro sabe, Jack virou jogador-de-poker-viciado-que-não-vai-parar-de-tremer-se-não-jogar-uma-partidinha-agora-mesmo. E como manda a tradição das histórias de jogadores iniciantes, a família (leia-se: eu) está se opondo a isso com a convicção que só quem não se imagina fazendo uma maluquice dessas - deixar outras atividades mais interessantes, nobres e construtivas de lado por conta de mesas de jogo -, tem. Então, desde que essa rotina nada saudável começou, Poker é assunto diário, revemos prioridades, estipulamos horários e sobra às vezes até um espacinho para eu me desesperar. E só tenho uma frase para dizer quando ele vem me contar detalhes sobre o jogo de hoje: Show me the money! Porque para mim, esse universo gira em torno disso e apenas disso, então, enquanto não me aparecer com uma limousine, jóias da H.Stern e aqueles vestidos usados pelas acompanhantes dos jogadores em Las Vegas, serei contra. Não consigo enxergar como alguém consegue achar que reduzir sua vida a isso e perder dinheiro à toa, pode ser uma coisa saudável, ou simples.
Até aí, morreu Michael Jackson. O problema fica maior porque, para ajudar, o universo também parece ter entrado na brincadeira. O hotel onde ele se hospedou no fim do ano estava abrigando um torneio de que? De Críquet? Não, de Poker. Restaurantes onde vamos, passam desfile de moda em suas TVs? Não, campeonatos de Poker. Nas livrarias damos de cara com livros sobre como limpar objetos de prata logo na entrada? Não, vemos A Psicologia do Poker. E toda hora agora descobrimos que alguém é atleta de esportes de inverno? Não, jogador de poker. Os amigos brincam, dizem que o Jack vai dar meu piano pra pagar dívida de jogo, que vamos perder nossa casa, falam que vão combinar de jogar pra implicar comigo e tudo mais, só porque não têm noção da gravidade da situação que estou vivendo. E eu só posso rir de volta. Eles sabem o quanto minha casa não precisa mais de reformas, já tem todos os móveis e não falta nada, não é mesmo? Ok, o quadro é esse, mas a piada não.
Como o mundo inteiro sabe, Jack virou jogador-de-poker-viciado-que-não-vai-parar-de-tremer-se-não-jogar-uma-partidinha-agora-mesmo. E como manda a tradição das histórias de jogadores iniciantes, a família (leia-se: eu) está se opondo a isso com a convicção que só quem não se imagina fazendo uma maluquice dessas - deixar outras atividades mais interessantes, nobres e construtivas de lado por conta de mesas de jogo -, tem. Então, desde que essa rotina nada saudável começou, Poker é assunto diário, revemos prioridades, estipulamos horários e sobra às vezes até um espacinho para eu me desesperar. E só tenho uma frase para dizer quando ele vem me contar detalhes sobre o jogo de hoje: Show me the money! Porque para mim, esse universo gira em torno disso e apenas disso, então, enquanto não me aparecer com uma limousine, jóias da H.Stern e aqueles vestidos usados pelas acompanhantes dos jogadores em Las Vegas, serei contra. Não consigo enxergar como alguém consegue achar que reduzir sua vida a isso e perder dinheiro à toa, pode ser uma coisa saudável, ou simples.
Até aí, morreu Michael Jackson. O problema fica maior porque, para ajudar, o universo também parece ter entrado na brincadeira. O hotel onde ele se hospedou no fim do ano estava abrigando um torneio de que? De Críquet? Não, de Poker. Restaurantes onde vamos, passam desfile de moda em suas TVs? Não, campeonatos de Poker. Nas livrarias damos de cara com livros sobre como limpar objetos de prata logo na entrada? Não, vemos A Psicologia do Poker. E toda hora agora descobrimos que alguém é atleta de esportes de inverno? Não, jogador de poker. Os amigos brincam, dizem que o Jack vai dar meu piano pra pagar dívida de jogo, que vamos perder nossa casa, falam que vão combinar de jogar pra implicar comigo e tudo mais, só porque não têm noção da gravidade da situação que estou vivendo. E eu só posso rir de volta. Eles sabem o quanto minha casa não precisa mais de reformas, já tem todos os móveis e não falta nada, não é mesmo? Ok, o quadro é esse, mas a piada não.
Hoje, um amigo roteirista com quem não falo há um ano ou dois veio me convidar para o aniversário dele no sábado agora. Falamos rapidamente pela Internet, perguntei a que horas passo lá e trocamos os novos números de telefone e endereço. Até aí beleza. A coisa pegou mesmo no finalzinho do papo, quando já nos despedíamos para voltarmos aos afazeres:
- Ah, Carol! Esqueci de dizer que vai rolar um carteado. Você joga Poker, né?
...
...
Nem preciso dizer que minha cara ficou igual a desse famoso bonequinho, aí em cima. Se isso não é conspiração, não sei mais o que é. Já descobri, tá gente... Podem parar agora.
Dizia eu que a Aritimética...
Bom, acho que já dá pra voltar a postar com mais frequência. Não que eu esteja com mais tempo sobrando, na verdade tudo indica que acontecerá justamente o contrário conforme forem passando os dias. Um livro de contos pra terminar, outro para começar a ilustrar assim que acabar o primeiro, faculdade nova... mas aquela sensação de tempo suspenso, entre Reveillon e Quarta-Feira de Cinzas, já vai ficando para trás e o ano de fato começa a engrenar.
É isso. Não tenho nada de muito relevante a dizer hoje ainda, mas tô na área. Se derrubar é pênalti.
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