Esses dias estava lembrando da minha passagem pelo Copa Studio, quando trabalhei nos cenários de Irmão do Jorel. Lembrei da dificuldade que foi chegar numa sexta e descobrir que não precisava mais voltar na segunda, depois de meses de promessas sobre carteira assinada, novos projetos e coisas assim... Me senti traída, otária, questionei minhas reais habilidades artísticas, comecei a não conseguir mais enxergar nada do que eu achava que mais sabia fazer como bom... E pior, as contas não parariam de chegar. Fora que eu estava amando participar desse desenho animado, daquela equipe... E tudo estava sendo tirado de mim. Onde estava o meu erro? O que eu não tinha visto que deveria? Meu personagem favorito era o Mendigo dos Mares, hahahahaha... um herói bem virginiano, seu superpoder é a Humildade! E isso é algo que admiro e aprendo sempre com o signo de Virgem, especialmente com aquelas pessoas que têm o Sol aí, as vantagens da humildade. Mas, digo humildade mesmo. Não uma cabeça baixa diante de autoridades ou determinadas situações, nem um comportamento passivo e negacionista de minhas habilidades. Calar e fazer nada, quando é necessário falar e agir, tem mais a ver com preguiça e covardia. Falo dessa percepção clara e honesta sobre o que está bom e o que não está, entender o meu exato valor, sem aumentá-lo, nem diminuí-lo. Reconhecendo que não sei, não entendo, não consigo ainda, que tenho limites... Isso exige maturidade, observação sincera e tranquila, exige coragem para manter os olhos bem abertos e exige abandonar o seu oposto que é a presunção. E a principal vantagem é: só isso pode tornar possível meu aprimoramento ao nível da maestria. Essa esperança, essa convicção de que ainda não está bom e dá para ser melhor é o segredo virginiano para a excelência. Que todos temos, conscientes disso ou não, em pelo menos uma área da vida e por esta área fica mais fácil entender esse conceito para aplicá-lo nas demais. Então, do meio do fundo do poço onde fiquei após aquela rejeição tão repentina, comecei a escalar de volta, pois não havia outra opção. E nesse processo de luta pela sobrevivência acabei entendendo onde minhas habilidades eram muito boas sim e onde eu precisava crescer... Ah, também descobri que o acontecido não passou de má fé e mau caratismo, na verdade. Mas, o importante é que cumpri mais um carma e só cresci com isso. A vida seguiu, como sempre.
terça-feira, 31 de agosto de 2021
A Irmã da Esperança
segunda-feira, 30 de agosto de 2021
The Thing That Should Not Be
É tanta coisa... Sei nem por onde começar. Então, nem vou. Só quero ficar em paz, sabe? Tá tudo bem... Eu me importo, amo, sinto falta... Seria bom se fosse possível transmitir a consciência de que todos temos valor, todos somos pequenos universos, cheios de vida, ricos... mas, ninguém tem o direito de dizer ao outro o que pensar, o que fazer, o que sentir, o que é o certo, o que é bom para ele, regulando o que ele pode ou não, sob o pretexto de que ama, quer proteger, quer cuidar, tem medo de perder. E sob a ameaça de se iniciar com isso um joguinho de nervos, cheio de ardis, pequenas mentiras, tentativas de impressionar. Vai impressionar, vai conseguir o que quer, em dois tempos a máscara cai e aí? Aí é o que temos agora. Se você não acha que eu tenho o direito de sentir raiva e expressar o que penso e sinto, se o que eu tenho pra dizer não tem valor algum, se você, afogado aí em suas presunções, com nada na vida no lugar, chegou ontem e já quer me dizer insistentemente, desrespeitosamente, o que é melhor para mim, tentando calar a minha boca, perde de vez o direito à minha atenção. E é bem difícil recuperá-la nesse caso. Acho perigoso ficar para ver até onde se pode chegar com certas reações, especialmente quando o que se fala e o que se faz vive em conflito. E um erro está nessa crença de que o que você pensa é o que é a realidade, sem qualquer abertura para outras possibilidades, outro é achar que alguém é obrigado a te dar alguma coisa, atenção que seja, ou a ficar pra sempre em algum lugar. Eu sei que não sou.
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Remédio
Contra cobiça, abundância
Contra avareza, desapego.
Contra gula, equilíbrio.
Contra luxúria, sossego.
Contra ira, suavidade.
Contra inveja, contentamento.
Contra preguiça, desespero.
Contra as sombras, luz.
Contra dor, conforto.
Contra ódio, serenidade.
Contra o impossível, coragem.
Contra má vontade, nada.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
A Cereja, a gota d'água, o estopim
Nunca vou entender você ter a possibilidade de dizer tudo o que quer para alguém que está na sua frente, tentar perceber se o que ouviu era aquilo mesmo que entendeu, etc... mas, pelo contrário, neste momento se negar a "discutir" (na verdade, felizmente, porque, ninguém estava interessado mesmo), por soberba, falta de tempo, paciência, ou sei lá. E então, ir dizer tudo para uma outra pessoa, que obviamente pensa como você. Ou, mais infantil, chegar em rede social e enfiar em toda e qualquer brecha que encontra, uma "verdade" que você achava que precisava ser dita, no momento em que sentiu que sua opinião era boa demais para ser contrariada, mas preferiu dizer que não tinha tempo para falar ou ouvir o que quer que a contrariasse. Fica pior: ainda escrever textos enooooooormes com a pretensão de que alguém fora da sua bolha vá ler. Pode acreditar: não. Essa é a parte da feminilidade que não admiro: a passivo-agressividade.
Se as pessoas não discordassem, haveria nada no mundo. Mas, se as pessoas não sabem boas maneiras e razões para se fazer isso, só estão dispostas a se desfazer de idéias contrárias e nunca ouvi-las com a mesma disposição com que quer dizê-las, igualmente, não se constrói nada. E o curioso é que quanto mais contundentes, mais reativos e sensíveis à contundência.
Só pode falar quem tem o que dizer, quem sabe falar. E quem decide isso? Quem sabe? A pessoa que escreve "a nível de"? A pessoa que cai nas falácias de ad hominem, de argumentum ad personam, de falsa analogia, de egocentrismo ideológico, falsa dicotomia e de tu quoque o tempo todo? Ou a pessoa que nunca dá atenção aos assuntos que não domina, finge que conhece o que não conhece para não parecer menos, faz outra coisa enquanto o outro fala numa demonstração total de falta de respeito, educação, elegância... levanta a voz, torna-se ofensivo e aumenta a velocidade da fala quando é minimamente contrariado? Ou a pessoa que descreve a conduta do outro com todas as atitudes lamentáveis que pratica e não vê: interromper e não se importar com o que o outro diz, viver e expor o outro a situações arriscadas, dizer que adoraria ver, ouvir, ler e sequer saber até agora qual era a pergunta que teria sido feita se fosse possível, no meio de tantos parêntesis? Verdade... realidade... sinceridade... A lógica só existe mesmo para justificar o que queremos fazer.
Bom, chega dessa modorrência contagiosa. Até minha febre melhorou porque não estou com paciência nem pra ficar doente. Separei tudo em textos programados pra ficar didático, dar tempo de pensar e gerar reflexões por meses. Mas, enfim, I rest my case. Câmbio final.

