quarta-feira, 15 de abril de 2026

No passo do cavalo baio

Enviei hoje um conto para um concurso literário. Precisei transformar 1000 vocábulos em 300. Eu, logo EU! Cortar, escolher, decidir, abandonar... Depois de mais de 5 horas, alternando com o meu trabalho de ilustração de cenários, entreguei, a poucas horas do fim do prazo que se encerra hoje às 23:59h. Digitar pelo menos é algo que posso fazer com as mãos, sem forçá-las demais. Já que, amigos, ainda há este detalhe: estou com a mão direita quebrada. Lesão de boxer. Pelo menos o pé já parou de doer e não teve nenhuma fratura. Soquei e chutei a cara de alguém? Devia, mas não. Meu réu primário continua intacto, apenas soquei e chutei a parede. E por que? That's the main question... A resposta seria longa demais e me obrigaria a voltar em algo que chega, sabe? Quebrei a minha mão por causa disso!

Então, me inscrever hoje nesse concurso, foi algo importante. Pois, apesar de ainda precisar trabalhar nos cenários, cozinhar, limpar a casa, lavar o cabelo, tomar banho, dirigir e viver, a mão imobilizada acabou com a minha rotina de treinos na academia, no piano, no violão. E essas coisas estavam sendo motivo de muita esperança pra mim. Eu estava conseguindo finalmente me manter na disciplina. Então, essa mão já me deixou muito desanimada. E quando lembro da cadeia de eventos até isso acontecer... Foi uma sequência de coisas quebrando, pegando fogo, acendendo sozinha. Sonhos. Tiroteio. Até um lençol ficou eletrificado aqui em casa. Vocês já viram isso? Como vou explicar? Meu lençol ficou um bom tempo à noite soltando raios como um céu de tempestade. Bastava apertá-lo, sacudi-lo, manipula-lo. Coisa mais esquisita. Gente louca se incomodando com a minha simples presença e achando que pode me atacar é parte da minha vida normal, mas até no meu carro parado no estacionamento do condomínio, bateram. Tive que operar um olho, quase perdi a visão do outro. 

Hoje, imagino o que tenha acontecido nesse período... Acredito que foi uma forma da realidade me mostrar que se eu ainda não estava cansada dos absurdos, ela sim. E havia algo que demorou bem mais do que cinco horas para ser cortado, escolhido, decidido, abandonado... Agora, vamos ver o resultado do concurso de contos no dia 30 de maio. Nunca participei dessas coisas... nem acredito em competições, muito menos artísticas. Mas, acima de qualquer coisa, acredito que o movimento é melhor do que a inércia. 

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