domingo, 26 de maio de 2013

Terreno Fértil

É... O silêncio tem os seus momentos e os seus bons sensos, assunto longo que já até comecei aqui e pretendo retomar. Mas, em geral, é nele que os monstros ganham mais força, sentem-se em casa, e dele nascem as piores confabulações. E hipóteses. Infinitamente. 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Questão de Opção

Mais importante que as respostas são as perguntas. Permanecer com a pergunta e apronfudá-la dentro do coração. Não procurar por nenhuma autoridade para respondê-la, nenhum livro, ou mestre, ou guru. Nada. As melhores respostas sempre vêm com a experiência pessoal, individual, sincera e íntima. São sempre silenciosas e impossíveis de transmitir totalmente. Acredito que esta é uma das razões por que alguns dos homens e mulheres mais belos a habitar este planeta jamais escreveram uma palavra sequer sobre as verdades que descobriram. A palavra limita e engana. É sempre incompleta e com a validade vencida. Especialmente a escrita. E a vida é tão cheia de possibilidades, tantas perguntas e tantas seduções... Claro, para quem é essencialmente um aventureiro, um curioso. Não me refiro aqui aos mais conformados à superfície, às portas fechadas e aos limites da visão. Nunca poderia escrever para esses, ou lhes falar... Sempre quero dizer tanta coisa com uma simples palavra e nem nos meus discursos mais longos, nos mais repetitivos, encontro um jeito de dizer tudo, com exatidão. Aprendi a aceitar isso... E procurar outras formas de comunicar, ou só expulsar meus demônios... Mas, a curiosidade é um bom ponto de partida, desde que depois se transforme em paixão. Ser curioso é ótimo, para começar a jornada. Mas, se não vou além da curiosidade, não sinto completude. Dou apenas pulos de curiosidade em curiosidade, vivo como se fosse uma folha ao vento, um barco à deriva seguindo ao sabor das ondas, sem nunca ancorar em algum lugar. E vejo que a vida precisa ser uma busca, não apenas uma curiosidade. São muitas as perguntas, mas a busca é uma só. Quando uma pergunta se torna tão importante que passa a valer a pena dedicar a vida a ela, então ela se torna uma busca. Quando uma pergunta tem tamanha importância, tamanho significado que desejo arriscar e apostar tudo o que tenho, então ela é uma busca. A sociedade ensina: escolha o conveniente, o confortável, vá pela trilha aberta de seus antepassados e os antepassados de seus antepassados; essa é a prova, tantos milhões de pessoas já o percorreram, não pode ser o caminho errado. Mas é bom lembrar que a multidão nunca passou pela experiência da verdade. A verdade só aconteceu a indivíduos. Sempre que há alternativas, um alarme toca dentro da minha cabeça: todas estão erradas. Então, nunca opto. Nem pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceito ou pelo honroso. Fico apenas com o que faz o meu coração vibrar, com o que eu gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências, com o que não me deixa escolha. Cometer erros não é errado, cometo todos os erros que consigo. E desse jeito acredito que aprendo mais. Só não acho válido insistir no mesmo erro. Duas vezes, é burrice. Três, já virou Alzheimer... É preciso me proteger, isso sim, dos valores de família, das pessoas decentes, de todas essa gente bem intencionadas, que gosta de praticar o bem e que está a todo instante dando opiniões sobre a minha vida, aconselhando a fazer isso ou aquilo, sem nem mesmo esperar pela pergunta! Até ouço o que têm a dizer e agradeço. Muitas vezes, eles não têm a intenção de causar mal. Mas causam! E essa é uma constatação das mais importantes. Portanto, ouço apenas o meu próprio coração. Esse é o meu único professor. Minha cabeça é meu único guia. Essa é a minha jornada e nela minha própria intuição sempre foi a melhor amiga e mestre. Porque no fim de qualquer coisa, sou apenas eu precisando lidar comigo mesma.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Caos, treino e luta.

Estava hoje me desesperando com a bagunça que está a minha casa e lembrei de algo em que sempre penso toda vez que o caos vai se esgueirando e tomando espaço por aqui. Durante meu tempo na Escola de Belas Artes, aquele período negro, estudei com um professor de filosofia excelente. Ele viajava o mundo todo e todas as fotos que mostrava nas aulas eram dele mesmo. Era um exemplo de leveza, organizção e equilíbrio. Não era do tipo que sabia apenas porque leu ou ouviu alguém falando. Conhecia da melhor forma: pela experiência direta. E, portanto, falava com muita autoridade sobre o que procurava nos apresentar. Suas aulas eram às oito da manhã, lááááááá em Mordor e eu não tinha carro, nem águia gigante, precisava pegar dois ônibus, mas às sete estava lá e nunca perdi uma aula sequer. Minha vida caía em queda livre para o fundo do poço e aquele era um dos poucos professores que eu admirava ali. Ouvia cada palavra dele com todos os meus sentidos. Anotava tudo depois da aula. E um dia ele comentava sobre uma de suas idas à Grécia e sobre a organização que as viagens demandavam, pois ele estava longe de ser rico. No meio de seus comentários disse uma das lições que mais trago comigo: se uma pessoa tem uma mala bagunçada, essa é a coisa mais organizada que ela tem na vida, é o menor dos seus problemas. E lembrar disso me leva agora ao drama desses últimos meses desde o fim da obra.

A necessidade de um marceneiro começa a entrar em estado de emergência. A falta de tempo está me esmagando feito uva, porque vou fazendo tudo meio mais ou menos. Mas falta de tempo também é um sintoma de que me descuidei e a sujeira está embaçando os vidros da minha janela. Quando a vida começa a ficar caótica ou o sentido das coisas se perde, o sintoma mais claro é a bagunça que fica a casa. Eu estou longe de me deprimir ou surtar, mas já começo a largar papéis empilhados na prancheta e a ser mais displicente com a limpeza, lavo minha louça sem muita atenção, as varridas ficam mais escassas, como se eu não confiasse mais no propósito da limpeza. O olhar fica vago, vou a outro cômodo e esqueço o que fui fazer lá. Não corro com o mesmo entusiasmo. Saio com o cabelo bagunçado, deixo para me arrumar no último minuto e não uso perfume. Aqui, no microcosmo da minha casa, acontece o que em breve acontecerá com todos os âmbitos da minha realidade. Aqui eu posso observar minha mente começando a se perder, meu corpo começando a entortar. E aqui mesmo eu posso redirecionar tudo com a vassoura, a esponja e o cuidado de guardar cada coisa em seu lugar, na medida do possível. Aumento o vigor, corto a ilusão, sorrio. Pois, se deixar, a confusão cresce para além da casa, e aí fica bem mais difícil encontrar depois algum pensamento Zen para retomar a sobriedade.

O mais importante disso é saber que posso fazer um chá e apenas fazer um chá, escrever um texto e apenas escrever um texto, ler um livro e apenas ler um livro, limpar a casa e apenas limpar a casa. Ou posso aproveitar cada ação para me engajar em algum treinamento, para desenvolver qualidades corporais e mentais que serão utilizadas em muitos outros contextos. E em vez de exercitar apenas o piano exercito tocar minha vida inteira de outro modo. Vinculo cada processo musical com um desafio específico de proporção muito maior. Vou me direcionando de um modo que se torna necessário mudar boa parte da vida para conseguir tocar a Ballada n. 1, ou preparar aquele bolo perfeito sem hesitação, ou escrever mais precisamente, ou pintar de um modo verdadeiramente espontâneo… Qualquer coisa pode servir para espelhar a vida, como um mecanismo orgânico de biofeedback e auto-regulação. É quando relaxo que o traço sai perfeito, a melodia ganha em sentimento e as palavras parecem mais fáceis. Se me desespero, o piano grita isso nos meus ouvidos e no dos outros também. É quase como se eu começasse a enxergar nitidamente meus monstros: o medo e a impaciência. O resultado técnico é o de menos. O que importa é quanto o corpo aprendeu e como ele começou a se mover por trás, em paralelo, ao redor daquele aprendizado específico. Se começo a seguir esse processo com várias coisas, a vida inteira encontra o seu propósito novamente, o de ser um treinamento incessante.

Odeio lutar. Luta, para mim, é sempre o último recurso. Então preciso continuar com o treino, justamente para não ter que lutar.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Verborragia

Queria que alguém entrasse agora no meu quarto com uma bandeja de qualquer comida gostosa e um copão de mate com limão. Nem me importaria que fosse um fantasma. Queria que toda a marcenaria da casa estivesse pronta e eu não precisasse mais me refugiar aqui na cama para ler, escrever, desenhar e estudar. Minhas costas agradeceriam.

Ainda pouco observei a Lua cheia pelo telescópio. Passei algumas horas tentando tirar uma boa foto dela com o celular, não é tarefa fácil. Tentei observar Júpter e algumas estrelas próximas mas, com plenilúnio, qualquer observação que não seja da própria Lua parece impossível. Apesar de estar fazendo uma bela noite, queria que estivesse chovendo. O céu assim limpo, com essa lua enorme ofuscando as milhares de estrelinhas orvalhadas, me faz sentir desamparo e o dobro do frio. Mas, ao menos isso, faz frio e eu adoro. Lua cheia raramente me faz bem, mas essa época do ano é maravilhosa, devolve minha sensação de paz. Combina com preto e botas e jaquetas. Sinto mais vontade de fazer coisas e realizar sonhos.

Comecei um novo diário de desenhos hoje. Assim que eu puder organizar todos os livros e materiais empilhados outra vez espero conseguir organizar o resto de todas as pendências. Há músicas para terminar, outras para ensaiar, outras para estudar. Preciso atualizar o portfólio e a lista de contatos. Tem uma pilha de assuntos para escrever e roteiros para organizar. Finalmente, meu romance começa a receber o combustível necessário e já sinto até vontade de começar as ilustrações. São tantas idéias que vou me sentindo transbordar. Minha história em quadrinhos e meu livrinho de poemas também aguardam ansiosos pelo momento do parto. Mas, esse é o ano de encerrar assuntos mais longos, começados há um tempão. Não estarei livre só para a Música, a Literatura e a Ilustração exclusivamente. A graduação vai se aproximando e minha casa começa a ficar mais a minha cara, praticamente em nada lembra o cenário de toda a minha infância e adolescência.

A insônia continua firme. O horário do meu estado de vigília é noturno, por isso tenho dificuldade para dormir à noite. E essa é só uma das insanidades que viver em sociedade nos causa. Faz um tempo que os pesadelos constantes desistiram de mim, mas o sono continua chegando em horas inoportunas. Estou cansada, mas confiante.

As pessoas continuam não falando a mesma língua que eu e achando que compreendem bem o que digo, o que penso... Continuam confundindo sinceridade e liberdade de expressão com falta de bom senso e implicância. Meu interesse em explicar continua cada vez menor. Estar sozinha, por minha própria conta, já foi um terror, no entanto, é tão bem vindo agora. E cada um colhe de mim exatamente o que semeou. Acredito cada vez menos no que ouço dos outros. Saber me interessa, não acreditar. E sei mais pela minha experiência direta do que através de discursos e idéias sem qualquer aplicação.

Acho cada vez mais insano o ódio institucionalizado pelo amor do outro: o ciúme; e o sentimento de posse e controle que são as bases de toda essa loucura decadente. Observar as estrelas talvez esteja me deixando um pouco mais lunática, trazendo mais pensamentos que tanto me afastam quanto me aproximam do convívio social. Diminui em quantidade, mas aumenta enormemente em qualidade. Os amigos pedem fotos do céu, mas o que são fotos diante da experiência de olhar diretamente para o infinito? Sem palavras. Compreendo o significado do silêncio, do Zen e de totalidade. Meus problemas, minhas vontades, se desfazem por alguns momentos. Parecem tão bestas e minha vida tão sem sentido. Ao mesmo tempo, o meu problema é o maior do mundo, porque é o meu, e sem mim o universo seria completamente diferente, porque sou eu.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Surdos Mudos


Já compartilhei esse vídeo do The Amazing Atheist uma infinidade de vezes em vários lugares, mas ele sempre parece atual e pertinente. Uma pena.

Em tempo, o mesmo vale para esse aqui.