quinta-feira, 23 de maio de 2013

Questão de Opção

Mais importante que as respostas são as perguntas. Permanecer com a pergunta e apronfudá-la dentro do coração. Não procurar por nenhuma autoridade para respondê-la, nenhum livro, ou mestre, ou guru. Nada. As melhores respostas sempre vêm com a experiência pessoal, individual, sincera e íntima. São sempre silenciosas e impossíveis de transmitir totalmente. Acredito que esta é uma das razões por que alguns dos homens e mulheres mais belos a habitar este planeta jamais escreveram uma palavra sequer sobre as verdades que descobriram. A palavra limita e engana. É sempre incompleta e com a validade vencida. Especialmente a escrita. E a vida é tão cheia de possibilidades, tantas perguntas e tantas seduções... Claro, para quem é essencialmente um aventureiro, um curioso. Não me refiro aqui aos mais conformados à superfície, às portas fechadas e aos limites da visão. Nunca poderia escrever para esses, ou lhes falar... Sempre quero dizer tanta coisa com uma simples palavra e nem nos meus discursos mais longos, nos mais repetitivos, encontro um jeito de dizer tudo, com exatidão. Aprendi a aceitar isso... E procurar outras formas de comunicar, ou só expulsar meus demônios... Mas, a curiosidade é um bom ponto de partida, desde que depois se transforme em paixão. Ser curioso é ótimo, para começar a jornada. Mas, se não vou além da curiosidade, não sinto completude. Dou apenas pulos de curiosidade em curiosidade, vivo como se fosse uma folha ao vento, um barco à deriva seguindo ao sabor das ondas, sem nunca ancorar em algum lugar. E vejo que a vida precisa ser uma busca, não apenas uma curiosidade. São muitas as perguntas, mas a busca é uma só. Quando uma pergunta se torna tão importante que passa a valer a pena dedicar a vida a ela, então ela se torna uma busca. Quando uma pergunta tem tamanha importância, tamanho significado que desejo arriscar e apostar tudo o que tenho, então ela é uma busca. A sociedade ensina: escolha o conveniente, o confortável, vá pela trilha aberta de seus antepassados e os antepassados de seus antepassados; essa é a prova, tantos milhões de pessoas já o percorreram, não pode ser o caminho errado. Mas é bom lembrar que a multidão nunca passou pela experiência da verdade. A verdade só aconteceu a indivíduos. Sempre que há alternativas, um alarme toca dentro da minha cabeça: todas estão erradas. Então, nunca opto. Nem pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceito ou pelo honroso. Fico apenas com o que faz o meu coração vibrar, com o que eu gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências, com o que não me deixa escolha. Cometer erros não é errado, cometo todos os erros que consigo. E desse jeito acredito que aprendo mais. Só não acho válido insistir no mesmo erro. Duas vezes, é burrice. Três, já virou Alzheimer... É preciso me proteger, isso sim, dos valores de família, das pessoas decentes, de todas essa gente bem intencionadas, que gosta de praticar o bem e que está a todo instante dando opiniões sobre a minha vida, aconselhando a fazer isso ou aquilo, sem nem mesmo esperar pela pergunta! Até ouço o que têm a dizer e agradeço. Muitas vezes, eles não têm a intenção de causar mal. Mas causam! E essa é uma constatação das mais importantes. Portanto, ouço apenas o meu próprio coração. Esse é o meu único professor. Minha cabeça é meu único guia. Essa é a minha jornada e nela minha própria intuição sempre foi a melhor amiga e mestre. Porque no fim de qualquer coisa, sou apenas eu precisando lidar comigo mesma.

Nenhum comentário: