quinta-feira, 25 de abril de 2013

Verborragia

Queria que alguém entrasse agora no meu quarto com uma bandeja de qualquer comida gostosa e um copão de mate com limão. Nem me importaria que fosse um fantasma. Queria que toda a marcenaria da casa estivesse pronta e eu não precisasse mais me refugiar aqui na cama para ler, escrever, desenhar e estudar. Minhas costas agradeceriam.

Ainda pouco observei a Lua cheia pelo telescópio. Passei algumas horas tentando tirar uma boa foto dela com o celular, não é tarefa fácil. Tentei observar Júpter e algumas estrelas próximas mas, com plenilúnio, qualquer observação que não seja da própria Lua parece impossível. Apesar de estar fazendo uma bela noite, queria que estivesse chovendo. O céu assim limpo, com essa lua enorme ofuscando as milhares de estrelinhas orvalhadas, me faz sentir desamparo e o dobro do frio. Mas, ao menos isso, faz frio e eu adoro. Lua cheia raramente me faz bem, mas essa época do ano é maravilhosa, devolve minha sensação de paz. Combina com preto e botas e jaquetas. Sinto mais vontade de fazer coisas e realizar sonhos.

Comecei um novo diário de desenhos hoje. Assim que eu puder organizar todos os livros e materiais empilhados outra vez espero conseguir organizar o resto de todas as pendências. Há músicas para terminar, outras para ensaiar, outras para estudar. Preciso atualizar o portfólio e a lista de contatos. Tem uma pilha de assuntos para escrever e roteiros para organizar. Finalmente, meu romance começa a receber o combustível necessário e já sinto até vontade de começar as ilustrações. São tantas idéias que vou me sentindo transbordar. Minha história em quadrinhos e meu livrinho de poemas também aguardam ansiosos pelo momento do parto. Mas, esse é o ano de encerrar assuntos mais longos, começados há um tempão. Não estarei livre só para a Música, a Literatura e a Ilustração exclusivamente. A graduação vai se aproximando e minha casa começa a ficar mais a minha cara, praticamente em nada lembra o cenário de toda a minha infância e adolescência.

A insônia continua firme. O horário do meu estado de vigília é noturno, por isso tenho dificuldade para dormir à noite. E essa é só uma das insanidades que viver em sociedade nos causa. Faz um tempo que os pesadelos constantes desistiram de mim, mas o sono continua chegando em horas inoportunas. Estou cansada, mas confiante.

As pessoas continuam não falando a mesma língua que eu e achando que compreendem bem o que digo, o que penso... Continuam confundindo sinceridade e liberdade de expressão com falta de bom senso e implicância. Meu interesse em explicar continua cada vez menor. Estar sozinha, por minha própria conta, já foi um terror, no entanto, é tão bem vindo agora. E cada um colhe de mim exatamente o que semeou. Acredito cada vez menos no que ouço dos outros. Saber me interessa, não acreditar. E sei mais pela minha experiência direta do que através de discursos e idéias sem qualquer aplicação.

Acho cada vez mais insano o ódio institucionalizado pelo amor do outro: o ciúme; e o sentimento de posse e controle que são as bases de toda essa loucura decadente. Observar as estrelas talvez esteja me deixando um pouco mais lunática, trazendo mais pensamentos que tanto me afastam quanto me aproximam do convívio social. Diminui em quantidade, mas aumenta enormemente em qualidade. Os amigos pedem fotos do céu, mas o que são fotos diante da experiência de olhar diretamente para o infinito? Sem palavras. Compreendo o significado do silêncio, do Zen e de totalidade. Meus problemas, minhas vontades, se desfazem por alguns momentos. Parecem tão bestas e minha vida tão sem sentido. Ao mesmo tempo, o meu problema é o maior do mundo, porque é o meu, e sem mim o universo seria completamente diferente, porque sou eu.

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