Já escrevi sobre isso muitas vezes, eu sei, mas novamente essa volta a ser uma questão. Na verdade, o DDA torna impossível qualquer desfecho conclusivo sobre este assunto e assim, ele nunca deixou de estar em pauta por aqui. É tanta coisa e são tantas as distrações... O inferno é mesmo os outros. E toda vez que relembro isto aqui (que, a propósito, já foi publicado em Coisas Frágeis vol.2) sendo lido na minha frente pelo mestre dos sonhos himself, ainda sinto arrepios. Gente demais, carros demais. E com isso não há espaço, luxo, calma, ou beleza. Todos os dias, milhares de pensamentos tagarelam sem parar, milhares de cabeças pensam juntas, produzem juntas, confabulam juntas e, princialmente umas contra as outras. E assim caminha a humanidade. Novas infinitas informações a cada segundo. Os carros passam loucos, as pessoas andam com pressa, itens são produzidos em série. Negócios são fechados, os telefones tocam, as mensagens chegam e as engrenagens não param. "Às vezes parece que está tudo parado.". "Carol, nada para." Tudo e todos disputam a sua atenção. Os sentimentos e as palavras são vomitadas, nunca oferecidas, ou digeridas, não há foco e vivemos como se não fossemos morrer a qualquer segundo. E morremos como se nunca tívessemos vivido. A mente, esse relógio de pêndulo, está angustiada com o passado, ansiosa pelo futuro, enquanto o corpo, a vida, só pode existir neste exato momento. Mas, deixamos as melhores idéias no plano dos sonhos, deixamos as pessoas de lado, deixamos de digerir com calma o que nos alimenta e engrandece, deixamos de saborear, deixamos de viver propriamente o momento, viramos amantes das horas, das teorias, das discussões e dos sonhos não realizados. Vivemos mais na ágora do que no agora. Queremos tudo e quando temos já descartamos! Nos conformamos, nos contentamos com o que dá menos trabalho, com aquilo que vamos levando, empurrando com a barriga. Assim, ficamos pela superfície mesmo, até que alguma outra coisa nos chame mais a atenção. Se aprofundar é ter que lidar com o Balrog, então, permanecemos nesse sexo tântrico, nunca estamos satisfeitos. Fica para depois o que dá trabalho, a dificuldade, o que nos faz suar, sangrar, chorar, por fim, sorrir. E estamos tão cheios de tanto peso inútil, que sentimos dores inúteis e qualquer carga a mais nos estoura, quebra. Somos tão frágeis que nem notamos a força, a ironia, das coisas frágeis: quebram, mas também cortam. E no meio de tanto corte, tanta luta, a delicadeza é igualmente esmagada e partida em mil pedaços. O horror, o horror... A pressa... Uma vez, a única chance. Não há personagem sem sangue na espada. E nessa guerra, todos saem perdendo. Perdemos o tato, o toque, o beijo, o aroma, a troca, as risadas. Perdemos. Mas, se perdemos é porque existe. E se existe deve estar por aí, em algum lugar, mesmo transformado. Pois, nada se perde... Assim, focando no princípio da impenetrabilidade: "dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo", que para uns define o próprio conceito de solidez, para outros apenas aponta uma consequência dela, a gente acaba deixando passar o outro lado desta lei: um corpo também não pode ocupar dois espaços num só tempo, nem dois tempos num só espaço.
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