sexta-feira, 2 de abril de 2021

Aqueles papos que já eram chatos na adolescência...

 A gente estuda tanto uma determinada área do conhecimento, desde a infância and counting, se cerca dos melhores que existem na praça num raio de muitos Km... Apenas para ter que aturar as atrocidades dos demais mesmo... Pra quê, né? Era só ficar na boa... Na mediocridade... No fim das contas somos só nós mesmos dentro da nossa cabeça, com nosso suor e nossas lágrimas. E isso está em graus infinitamente mais altos que teorias, discursos e toda a picaretagem que vem junto...  Ah, mas quem se importa? O valor da narrativa e o valor da prática  são confundidos propositalmente. Afinal, ser habilidoso em falar sobre o que leu ou ouviu ou vai fazer, dá menos trabalho do que praticar, fazer e mostrar habilidade, com todos os sentidos que essa palavra têm. E a situação fica ainda pior quando o papo nem é sobre teorias e discursinhos entediantes apenas, mas quando descamba para algo muito pior: a fofoca. Os bastidores daquela área. As figuras históricas. Rumores, boatos e encenações de Hollywood para se construir uma identidade ou gerar propositalmente uma história para vender (advinha) fofoca. Por que é só isso que realmente importa, não é mesmo? Destilar inveja e recalque sobre a ação dos outros e suas conquistas, quase como se dissesse "Estudando qualquer um sabe!". E justificar a rejeição a toda uma categoria, com detalhes que sequer correspondem à realidade. Pra piorar, o maldito assunto da conversa (se depender de mim, monólogo), que nunca teria começado de minha parte, sempre termina com a defesa de algum time. 

Até ia colocar aqui uma lista de fatos, apenas como um incentivo para se fazer autoanálise e refletir sobre complexo de inferioridade, em vez de repetir, apressadamente, os clichês e as fofocas de revista, de forma distorcida ainda, para justificar por que aceita ou rejeita alguma coisa e encontrar outra explicação mental para os recalques descarados. Mas, a prancheta tá cheia ali.


quinta-feira, 1 de abril de 2021

MIMIMI Mean

 


Eu não ia, não, sabe? "Nunca reclame. Nunca se explique." Mas, vai... Coisas ficam no ar demais...  Por uma razão óbvia para mim, mas não tão óbvia para... Como é o nome daquela florzinha amarela? Enfim, deixa falar sobre "coisas demais"...

Estou num projeto de destralhamento do armário. Da casa. Da vida! Anda a passos lentos, como todos os outros projetos? Anda. Mas, uma hora a audiência com Maat chega para tudo por aqui. Porque, nessa de deixar-me levar por impulsos irracionais, nem todas as coisas acabam tendo o funcionamento que eu esperava, nem todas mantém a sua beleza ou adequação com a mudança dos tempos. E esperar que algum dia a situação seja ideal para a coisa, só porque tive algum apego emocional a ela num momento, foi mais de uma vez, perda de tempo, energia, espaço, dinheiro... Verdade? Verdade. Triste? Nem sempre. Mesmo quando são coisas muito queridas que quebraram, mancharam, rasgaram, não quer dizer que não tiveram um final feliz. Foi bom tê-las, mas, perder o que gostamos pode ser tirar a sorte grande. Isso lembra Vento nos Cabelos em Dança com Lobos... "Ele se foi porque você estava vindo. É assim que vejo." Negociar e pesar mentalmente as vantagens e prejuízos de se manter certas coisas é fundamental para a sanidade, a higiene, a paz. Insistir em guardar peças quebradas, inúteis, inadequadas é conviver com "amigos" incapazes de oferecer uma boa companhia, não tem motivo. E manter o cadáver só por causa de uma história natimorta é doentio, desnecessário e cansativo. Algumas tralhas dão até vergonha... Meu deus, olha essa saia! Aí já é falta de sinceridade demais comigo mesma. Desnecessário. E então, aqui, diante deste armário, refaço esse exercício anual de lembrar que é perda de tempo esperar esgotar todas as possibilidades para ver o óbvio: o espaço é infinito, mas minha disposição para limpar, cuidar, consertar e arrumar, não. Não sou obrigada. Não preciso realmente perder meu tempo ou desperdiçar vida com coisas que só subtraem. Esse raciocínio é uma autodefesa para a alma.

Impulsos irracionais... A experiência vai tornando-os cada vez mais raros. Shakespeare dizia que “as paixões ensinaram a razão aos homens”. Arrependimento? Alguns. Remorso? Hahahahaha... Ah... criança... (Deixa colocar meu chapéu de três pontas, pegar a bússola, o mapa... e explicar uma coisa aqui. Sabe? Uma demonstração de alguma consideração, já que é a única forma de CONSEGUIR falar o que é necessário.) Guarde essa poetagem para outra oportunidade... Eu precisaria sentir pena para isso, ou achar que fiz algo de errado. Mas, não é o caso aqui. Quando estou sozinha, estou no meu melhor. Minha própria companhia é a mais divertida e interessante. Tudo nos tira algo, de certa forma... Só que, algumas coisas fazem valer o espaço e o tempo que ocupam, pois nos trazem outras coisas em troca. Não há inocentes, nem prejuízos reais. O que há é apenas medo. E acredite, de errar e perder, tenho PHD. Bater com a cabeça e acordar três dias depois faz você voltar diferente, sabe? A vida é muito mais do que um mimimi fui santo antonio de batalharejeitado, mimimi estou com inveja e ciúmes, mimimi discordou de mim, mimimi estou em desvantagem, mimimi estão achando isso ou aquilo a meu respeito, mimimi preciso provar que estou certo, mimimi não estão me achando bom porque realmente nunca me esforcei para ser, mimimi a responsabilidade para toda e qualquer coisa é dos outros... mimimi olha uma incoerência, uma contradição, uma hipocrisia, mimimi o mundo é injusto e eu, o maioral, vou salvá-lo. Que Mundo Platônico de Bobby é esse? Ouvir e observar é mais vantagem que presumir e julgar, evita adquirir tanta coisa desnecessária e ter que lidar com elas depois... mimimi lógica do consumo... mimimi comparando pessoas e coisas... mimimi quero me fazer de besta... ZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzz... Há um bom motivo para o coração estar localizado abaixo do cérebro. E, olha que coisa, é o mesmo motivo para existir dois ouvidos e uma boca só. 

Não é você, sou eu. Pronto. Já pode dormir em paz. (1 de abril! \O/)

quarta-feira, 31 de março de 2021

✡ 2012 -2021 ✝

Saindo do meio da pilha de coisas que tenho para fazer, só porque estou com febre e garganta inflamada desde quinta passada e passando apenas para registrar que dessas metas aqui, algumas só foram possíveis de cumprir em 2021. Pelo menos, foi logo no inicio do ano. Mas, confesso que de uma delas acabei desistindo mesmo.

As coisas mudam. Não no tempo que queremos. Não para o que queremos. Mas, mudam sim. Saltos quânticos acontecem. Minha disposição e paciência para os mesmo erros, por exemplo, foi extinta. De qualquer forma é bonito assistir os momentos em que o oroboros morde o próprio rabo. Sabe, como uma percepção prévia que se confirma, como acompanhar um trajeto conhecido. Já se espera. É confortável e fácil assim. Satisfatório. Sensação de tudo no lugar, de que a habilidade para ler certas entrelinhas, em quase 40 anos, está cada vez melhor. Só paz. Só a certeza de um Sol nascendo no Leste todos os dias. Um dia, se escapa. Mas, não foi dessa vez. Sob os auspícios dessa configuração planetária, nunca será.

Gosto tanto de escrever... E como, cada vez menos levo a sério os pensamentos, a falação, as palavras acabam ganhando mais valor, mais força, com o tempo. As trocas, as ações, a contemplação, a presença, a experiência têm sido tão bonitas, tão ricas... Não há nada como selecionar sabiamente quem, quando, onde, como, o que, para que, por que... e reduzir. Ao mínimo. O drama.


Metas para 2020
✔Não morrer
✔Não surtar
✔Não matar
✔Deixar de ser trouxa
✔Não estragar tudo
Não chutar o balde
✔Não ir buscar o balde chutado

quinta-feira, 4 de março de 2021

De justiceiros e silêncio

A melhor coisa que se pode fazer por si mesmo nesta vida é crescer. O que de mais maravilhoso um jardim pode fazer pelo jardineiro, se não crescer e florescer? E tem sempre alguém para dizer "Não, não, eu quero fazer isso por você... Quero fazer aquilo para você..." Mas, se você vive um pouco aprende que não é essa a intenção real. Não é o objetivo. A melhor coisa que você pode fazer para qualquer pessoa sempre será algo que ELA queira. Não o que VOCÊ quer. E esse é sempre o problema. Todo o esforço, toda a sedução... Algumas pessoas me conheceram há algumas décadas... Não devem nem me imaginar desta forma, mas com o passar de alguns anos, algumas mudanças de foco aconteceram comigo. Tenho me tornado cada vez mais taciturna. Há dias em que eu fico sem dizer uma palavra sequer. Não é que eu tenha feito qualquer voto ou esteja em algum caminho espiritual específico. Estou apenas aqui. Mas, a maior parte do tempo, seja onde for, seja quem for, pessoas inteligentes, pessoas burras, pessoas que estudaram bastante, pessoas que não sabem dizer o ano em que estamos... está todo mundo engajado em falar tanta besteira. E eu estou há alguns anos num movimento em que na maior parte do tempo escolho o silêncio. Porque eu fico desanimada com as conversas que ouço, os comentários, os termos, as expressões, as palavras, os raciocínios... Não tenho a menor vontade de fazer parte disso.