sábado, 16 de dezembro de 2023

A Espera de Outro Milagre

Ia fazer uma lista, mas... sei lá. Deixa. Muita intimidade para a internet. Quem me conhece sabe a via crucis diária que foi e continua sendo 2023. Ainda estou passando mal e já descobri que é por causa da água. Uma semana disso! Vomitando... febre... moleza... como um monte de outras pessoas aí. Queria pelo menos ganhar um dinheiro com isso em algum momento, processando os irresponsáveis. Será que rola? Duvido. Porém, não era exatamente a quê eu me referia antes... não quero me precipitar... mas... acho que um milagre já rolou, hein! Acho. Olha a minha situação: acho. Pqp. Eu sei que mereço... E ainda tenho dois dias para descobrir!

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Visita de Krampus

Tudo fica mais fácil quando a esperança morre. Mas, se algo é fácil ou difícil, isso pouco me importou ao longo da vida, quero o que quero e pronto. Então, nesse meu caminho inevitável, nesses dias de fogo e enxofre, vou mantendo acesa a chama vermelha da esperança sobre a ocorrência de algo muito extraordinário acontecendo até o fim do mês...

E isso é só uma idéia vaga, melancólica e antecipadamente estabelecida, do quão pouco fácil foi, e certamente terminará sendo, esse ano para mim. Ainda temos 26 dias... mas, nada indica um milagre. Mês a mês... uma sequência tão avassaladora de preocupações, chateações, perdas e frustrações que até mesmo coisas que me incomodavam antes sequer percebo mais. Se eu soubesse que Janeiro estava sendo apenas uma preparação para tudo o que veio depois... para Novembro... certamente teria endurecido e congelado um pouco mais o meu coração. Falado menos e sorrido mais como resposta à quantidade de idiotices que ouvi, vi e experienciei. Porém, apesar da dor constante, dia após dia, eu jamais poderia estar preparada para o que se seguiria à maior felicidade de 2023... Nem com a minha intuição aguçada, meus cálculos avançados, meus baralhos, runas, mapas astrológicos, guias e guardiões fui capaz de sequer imaginar algo assim me acontecendo. 

Aconteceu. E estou há semanas algumas oitavas abaixo do que eu estava aqui. Tenho lutado contra qualquer faísca de sentimentos, afiado a racionalidade, pelo menos não deixando de comparecer aos meus compromissos, me forçando a sentar e trabalhar, a comer e dormir... ou, sendo forçada a isso, contando com a ajuda abençoada dos aliados, a quem estou devendo a minha vida... porém... tá foda. Não tenho detergente correndo nas minhas veias... E contra esse tipo de dor, poucos podem realmente fazer alguma coisa, inclusive eu mesma.

E parece ser sempre muito complicado para quem não está acostumado a me ver ferida entender que não sou de ferro, que, sinto dor, medo, tristeza, igualzinho a todo mundo. O fato de eu procurar optar pelo equilíbrio, soluções práticas e produtivas, escolher bem as minhas batalhas, ignorar discussões inúteis, não significa que é possível depositar sobre mim todo e qualquer peso, sem que eu acabe desabando ou explodindo cedo ou tarde.

E, cara... que dor insistente! No auge dos delírios já começo até a fazer considerações e conjecturas absurdas como "devia andar sempre com o cordão de alho... a cruz... a estaca..." Mas, aprendi cedo que essas coisas são apenas superstições e que, se não nos protegemos de formas mais contundentes, estamos todos vulneráveis aos vampiros. Inclusive os melhores, sempre sabem se esconder muito bem, tornando seus ataques tão agradáveis que você perde a vida e ainda é capaz de agradecer...

Como se não bastasse, bati minha cabeça tão forte hoje no granito... Certeza que, se não foi o satori aquilo que experimentei, ao menos tudo o que estava bagunçado aqui dentro deu uma organizada boa. Dores mentais, emocionais e agora físicas também, pra coleção Primavera-Verão.

Minha bisavó sempre contava histórias sobre Krampus... São Nicolau só traria presentes se Krampus não dissesse coisas ruins ao meu respeito... Hoje é o dia que Krampus passa para dar uma olhadinha nisso aí... E sinceramente, nem sei o que ele dirá ao Papai Noel esse ano... Dei o melhor de mim. De verdade. Mas, embora eu não tenha sido santa também, por último, não serei ingrata ao ponto de não reconhecer os acontecimentos bonitos, importantes e maravilhosos. Houveram momentos de felicidade infinita... vitórias esmagadoras e ganhos imensuráveis nas mais diversas áreas da vida. E nem sei se é justo fazer comparações com as dores, para ver o que foi maior... Porém, Krampus passou aqui mesmo. E sei disso pois, saí ainda pouco de um estado catatônico que me atingiu hoje porque fiz a besteira de recapitular mentalmente o mês de novembro.  E estou sem palavras. Racionalizando bem... Com toda a minha história de vida...  todas as coisas que fiz e dei de mim... Tudo o que está acontecendo só não é mais absurdo do que ainda manter a esperança e consequentemente o sofrimento... Porque "o que seria do inferno se os habitantes daqui não pudessem sonhar com o paraíso?" É o que eu estava dizendo... tudo fica mais fácil depois que a esperança morre. Mas, pra mim o fácil é só o fácil... significa nada. No mais, vamos ver se Choronzon é ou não é derrotado até o fim do mês. 

sábado, 2 de setembro de 2023

Fones de ouvido com Pisca-pisca

Quando tenho idéias para organizar e entender, faço um monte de coisas diferentes, porém poucas parecem ser tão eficazes contra o medo e a desorganização mental quanto escrever. Além de ser uma ótima forma de afiar a agilidade mental e todos os processos que acontecem na parte lógica do cérebro... É uma pena toda vez que paro um pouco para isso, eu já tenha acumulado tanto. Acabo juntando tudo, misturando, embolando... E quando as feras já estão a ponto de derrubar o portão, preciso interromper as urgências, como um plantão de notícias. No fim, alguns textos acabam parecendo fios de fone de ouvido ou de pisca-pisca. No meu caso, poderiam ser mesmo fios de fones de ouvido COM pisca-pisca junto.

Assim, três ou mais assuntos têm se emaranhado na minha cabeça desde o último texto e um pode não ter qualquer relação com o outro. Claro, se tomarmos a costumeira proporção da perspectiva humana, bem mais que três, até. No macrocosmo, tudo acaba sendo a mesma coisa. E, pra mim, fazer associações é uma das partes mais divertidas ao escrever.

Mas, enfim,  cada vez mais a minha reduzida disposição para explicar se dissipa. Ao ponto de estar encerrando, ou suspendendo por tempo indeterminado, qualquer atividade que envolva ensinar. Então, as feras tomarão as linhas como sempre, conforme escapam do portão. Eu apenas o abro, para que ainda exista algum. Quem tiver interesse em desembolar os fones com pisca-pisca por aqui, que o faça. 

Interesse... filho do desejo, pai da ação... é um bom tema para começar. Qualquer coisa começa por interesse mesmo... Se tenho interesse, ajo. E quanto maior o desejo, mais interesse, mais ação. A ação é o resultado do interesse. Porém, na maioria dos casos, as pessoas não sabem o que querem, nem sabem o que é de fato aquilo que elas acham que querem. Não sabem o que é ter realmente aquilo, o que isso significa. Não lidariam um dia sequer com o que acham que querem. Queriam mesmo é que tudo fosse fácil. Além disso, se alguém me diz que quer algo, mas não se mexe, não sai do seu lugar, não vai atrás, não faz tudo o que está a seu alcance para conseguir, tendo a questionar seu real interesse. Às vezes, não sabemos nem por onde começar, é verdade. Podemos nem saber onde conseguir as informações que precisamos. É possível até que sequer saibamos o que não sabemos. Ou sequer saibamos que não sabemos. No entanto, se alguém me diz que queria saber desenhar, por exemplo, mas não consegue, recebo com muito cinismo essa alegada incapacidade. E questiono: qual foi o seu empenho? Estudou? Praticou? Com qual grau de disciplina? Levantou e foi aos lugares onde a atividade está? Conheceu gente nova e fez contatos? Pesquisou? Preencheu cem sketchbooks? Procurou as pessoas que desenham e encheu o saco delas com perguntas? Uma busca realmente engajada, mostra nosso verdadeiro interesse. Para os outros e para nós mesmos. Pode nos mostrar que nem queremos algo tanto assim, ou até que o interesse real está em outra coisa, só pensávamos que havíamos entendido qual era. Porém, antes de concluir isso, é necessário se mexer, levantar e zerar todas as possibilidades. Antes de se definir a impossibilidade, é preciso ter certeza de que 100% foi dado na jornada. E você saberá disso quando o coração estiver  mais leve que uma pena, a consciência tranquila. Pois, do contrário, haverá culpa. Culpa indica arrependimento. E arrependimento indica que havia mais para fazer, para dar de si. Em contrapartida, nem tudo nos cabe, todo um universo de possibilidades e fatores podem estar contra as nossas intenções, esforços, interesses e ações, essa é a parte a ser simplesmente aceita, não podemos controlar. Porém, o que podemos, está totalmente em nossas mãos.
 
Então, eu sei... Meu coração flutua de tão leve... Maat deve estar orgulhosa. Esse esgotamento a respeito de ensinar é generalizado. Por todos os pontos de vista, bati essa meta aí e cumpri todas as minhas horas. Geralmente demoro bastante para encerrar certas coisas, mas quando encerro, está encerrado MESMO. A primeira vez que dei aulas para alguém, eu tinha 12 anos. Por muito tempo, achei que gostava disso, embora sempre estivesse muito claro para mim que meu destino é outro. Descobri que não desgosto, no entanto, meu interesse não está, nunca esteve, em professar nada, ensinar... Isso é só uma partezinha do que de fato me atrai. Tenho interesse mesmo é em criar e construir, ver coisas sendo feitas, fazê-las e vê-las prontas. Gosto do processo de construção, da produção e gosto de resultados. Acho assombrosa a capacidade humana de materialização de idéias. Isso é mágico. Um dia, do nada, a coisa passa a existir na sua cabeça, depois de uma série de processos ela se materializa e passa a existir no mundo físico. É incrível. Sou contra esforços, fazer força, esmurrar ponta de faca, sofrimento, embora o processo criativo seja tempestuoso e nada confortável. Embora, também, nem sempre se consiga atingir metas sem fazer sacrifícios e escolhas difíceis. Mas, enfatizo, tenho especial apreço por toda a trajetória da construção, desde o seu planejamento até sua finalização. Se a jornada passar por ensinar coisas aos outros, farei o meu melhor. A questão é que meu enfoque está na construção da minha própria vida, no meu crescimento, no meu aperfeiçoamento. Pois, é onde tenho minimamente alguma chance de garantir total empenho. Se mais alguém quiser aprender algo comigo, ter aulas, ou se submeter ao meu direcionamento, agora vai precisar antes provar um real interesse. Porque eu cansei de fazer isso apenas por dinheiro, senso de coletividade ou caridade. Tenho conhecimentos de muito valor e tenho prazer em compartilhar. Porém, meu tempo e minha energia precisam receber um pouco além de todo o aprendizado e o crescimento pessoal que ensinar para outras pessoas pode me trazer. E nesses anos todos, exceto por uns poucos "alunos" que valeram cada minuto de atenção dispendido em suas causas, não consegui muito além disso, ensinando. Logo, voltarei a dedicar tempo exclusivo a mim mesma e ao que posso, de fato, fazer.

Uma das coisas mais estúpidas que li recentemente foi um pequeno trecho de pensamento referente ao trabalho. Dizia algo como: "jamais faça nada além do que é sua obrigação, pois nunca vão te pagar nada além da obrigação." Aparentemente, parece lógico e justo, porém, essa idéia contém tantas premissas equivocadas quanto essa ideologia típica dos que não gostam de fazer, mas curtem aproveitar as coisas que aqueles que gostam produzem e exigi-las como se fossem um direito de todo ser humano. Mentalidade da esmagadora maioria dos funcionários públicos brasileiros que trabalham apenas porque precisam de dinheiro. Ou de gente que já nasce rica e acha que tudo o que existe, existe para lhe servir. Pra começar, se a busca é pelo progresso pessoal, é preciso ficar claro que tudo que se faz, se faz para si. E fazer para si é fazer para os outros necessariamente. A mentalidade de empregado deve ser substituída pela mentalidade de negociante imediatamente. Um contrato de trabalho é um negócio. O contratante tem um negócio que precisa do seu serviço. Seu serviço é necessário ao funcionamento do negócio. Não é apenas você que precisa do contratante. Ele precisa de você também. Logo, você também é importante aí. Ou não é? Ou você é um medíocre e como você existem milhares procurando simplesmente um emprego para pagar as contas? Se for esse o caso, temos um problema, com certeza, mas que não está no contratante. Se alguém tem um negócio, quer prosperar, juntar-se àqueles que desejam prosperidade. Alguém que busca excelência nas suas tarefas, por mais simples, recebe atenção. E é alguém que constrói para si a perceptividade mais positiva possível. Isso se expande, porque as pessoas conversam, comentam e lembram, quando necessário, de quem se destaca de forma positiva. Todos querem por perto aqueles que trazem soluções e evitam aqueles que trazem problemas. Sabedoria para qualquer área da vida. Quando há empenho total, os outros até torcem por você, até desejam participar e contribuir para o seu crescimento. E é assim, de pouco em pouco que se consegue, dentro dos negócios de outra pessoas, crescer e trabalhar para si enquanto trabalha para os outros. Na busca por crescimento é preciso estar sempre encontrando formas de valorizar o próprio passe. A mentalidade de se fazer nada além do combinado faz de você um estagnado, ressentido, mimado que acha que todos lhe devem algo seu de direito. Onde há senso de merecimento, eu procuro substituir por senso de gratidão. Minha experiência pessoal ensinou que as melhores oportunidades surgiram por criação minha, resultado de uma busca incessante pela excelência e, olha que coisa, por crescimento pessoal. Envolveram desejo, interesse e atitude. Somou necessidade, muitas vezes até desespero e vontade. Aliás, quanto mais necessidade, maior deve ser o empenho para provar o seu valor. Seja para oferecer produtos, seja para oferecer serviços. Na intenção de subir degraus e não ficar, para sempre no mesmo lugar, se faz o que for necessário pela notabilidade. Na ausência de reconhecimento e consequente crescimento, outras possibilidades precisam ser consideradas. E vivemos todos num mundo grandão. 8 bilhões de pessoas nele. Um monte de coisas podem ser criadas aí. Ninguém é obrigado a estar no negócio criado pelos outros. O foco em si mesmo é a chave. A mudança acontece lentamente e deve ser íntima. Pois, o processo de melhorar a mim mesma inclui melhorar o mundo a minha volta, nessa luta, sai todo mundo beneficiado.

Aí, eu li que uma menina pediu demissão logo no primeiro dia de trabalho. O título dizia que a demissão se devia a ela ter descoberto que teria de trabalhar oito horas. E os comentários eram os mais babacas possíveis. Por que ler a notícia quando posso simplesmente julgar os outros através de um título clickbait?  Claro que não era simplesmente essa a história. Eram oito horas ininterruptas. Sem parada para almoço! E as tarefas, um pouco demais para uma pessoa só. Ela estava coberta de razão. Não era o combinado, saiu fora. A vida não é só trabalho. Lazer e descanso também são vida. Fazer nada, também é essencial. Por outro lado, tantos jovens conscientes de seu papel, de seu valor e ainda existe essa outra categoria que nasceu em 2000 e acha ter o suficiente para argumentar com pessoas que estão há décadas antes de sonharem em nascer, debruçadas sobre livros e práticas de um determinado assunto. Vêem graça em debochar do envelhecimento de pessoas já idosas, além de comemorar a morte dos outros. Sei lá, fico curiosa sobre o que eles acham que irá acontecer com seus corpos com o passar dos anos. Isso que dá viver demais no mundo virtual. Concluem coisas sobre pessoas que nunca viram na vida, na velocidade da luz, julgam e condenam, esses bundas sujas. Tão fragilizados a respeito do contraditório, anestesiados com a idéia de que os outros têm a obrigação de satisfazer cada pequena carência sua, cheios de poder desde que entenderam que ser vítima de alguma coisa os torna os reis do mundo e sendo constantemente satisfeitos pela Publicidade que maquiavelicamente os contempla com ilusões sobre o mundo ideal que eles pensam que conseguirão viver. Não aprenderam que no fim, não sairão nem satisfeitos, muito menos vivos disso. 

Falando nisso, e Marcos? Simplesmente não sai da minha cabeça. Não sei como surgiu esse nome. Mas, o tempo todo, vem nos meus pensamentos. Já pesquisei a origem etimológica, li sobre as figuras históricas, procurei me lembrar dos Marcos que conheço ou conheci... Amigos... amigos de amigos... alunos... colegas... E o único Marcos que tenho contato próximo atualmente é uma criança. Aparece pouco, geralmente quando preciso encontrar algo perdido, e nem vivo é... Preciso ver com calma de onde vem isso, gente. Em mais de uma situação, quando um nome surgiu aleatoriamente na minha cabeça, algo importante aconteceu ou estava acontecendo. Na verdade, depois da última etapa que concluí no meu sacerdócio, sinto algo diferente no ambiente. No meu ambiente pessoal, espiritual, com certeza. Sinto com mais força a proximidade de quem está do outro lado, sinto facilidade em coisas que antes pareciam herméticas demais. Sinto uma leveza, um destemor e uma fluidez inexistentes anteriormente. Além da consciência de um amor transbordante por todas as pessoas queridas.

Com certeza outros pequenos assuntos e ramificações estavam perambulando pelos meus dias mas, até eu lembrar de outra coisa, por enquanto, é isso. Se quiser, desembole os fones de ouvido com pisca-pisca nessa música do Dream Theater aí, hahaha.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Canecas cheias

Em interações prolongadas com a maioria das pessoas, amigas ou não, pouco importa, sinto meus olhos e meus ouvidos se cansarem, desligarem depois de um tempo... Vai desligando tudo, até que eu desista completamente delas. Talvez, eu devesse ser honesta e simplesmente agir de forma ríspida, cortá-las, pedir licença e me retirar, ou só ir embora e nunca mais voltar, sei lá. Foi assim em todas as vezes que alguém já tinha passado de limites demais para merecer minha presença. Mas, não é o normal. Geralmente, sou gentil, faço que estou concordando e entendendo tudo. E, isso só torna as coisas piores, pois o que o fdp precisa para existir é da boa educação e pacificidade dos demais. Eu sei disso! Por que então, fico nessa de não querer chatear ninguém? Com certeza, é a falha que me leva à maioria das confusões da minha vida! Com a intenção de ser legal, gente boa, sinto meu espírito dissolver, meu tempo escapar... Em torno de mim surge uma armadura e já não vejo, não ouço, não penso, nem sinto. Escuto qualquer coisa dita por último e respondo com aquelas frases coringas que, na verdade, só servem para manter acesa a fogueira verborrágica, tagarela e desinteressante daqueles que são autocentrados demais para nem notarem minha ausência.

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Maya

Despedidas são, para mim, sempre muito doloridas. Mesmo as pequenas, que serão por pouco tempo. Mesmo com pessoas que mal conheço, ou me relaciono de modo puramente profissional. Afinal, se é uma despedida, é porque algo de significativo foi criado, envolve gratidão, do contrário seria livramento. Por isso, evito sempre que possível. Mas, às vezes me encontro no meio da situação e não há escapatória. Então, me refugio no mais simples, onde a verdade costuma residir: quando uma porta se fecha, posso simplesmente ir lá e abri-la outra vez. Não é assim que portas funcionam? No mais, nenhuma despedida é real, nada está parado e não existe lado de fora, importante lembrar.

sábado, 3 de junho de 2023

De bem X do Bem

Estranho como ultimamente não vejo mais ninguém publicando foto de sacolas de supermercado e mostrando quanto gastou na compra. Os preços baixaram? Cadê os índices de desmatamento da Amazônia, o abandono dos indígenas? Tudo isso melhorou? E a reforma agrária, cadê o projeto? Mulheres no poder? O que aconteceu? Às vezes apenas imagino o investimento de tempo em textos quilométricos, ironia, comentários nervosos, os ataques a todos que pensam de outra forma, se os atores estivessem em papéis diferentes. Porque certamente estariam fazendo as mesmas idiotices, cometendo os mesmos erros... Mas aí seria fascismo. Enfim, não vou fazer a mesma coisa e ficar tripudiando. Não tenho problema com discordâncias. O lance mesmo são as atitudes e só. Porque pra mim é tudo ruim. Igualmente? Não. Mas, ruim. Não tem essa de lado certo, posicionamento virtuoso... blábláblá consciência do escambau... A maior burrada é se desfazer das pessoas simplesmente por discordarem. Você apenas perde aliados, momentos agradáveis com pessoas queridas. Enquanto os fdps continuam milionários, vivendo como se nada estivesse acontecendo. Você perde, eles continuam ganhando, porque quem está no comando é apenas uma única e enorme quadrilha que se une para nos roubar. 

sábado, 20 de maio de 2023

A ausência que preenche uma lacuna

Recebo muitas mensagens diariamente. Apesar de nos últimos anos estar com pouco tempo para publicar e organizar a divulgação dos meus trabalhos de ilustração ou música, sempre tem um "oi", um "tudo bem?", um "estou precisando falar com você", um poema, textos autodescritivos que parecem propaganda de supermercado, uma figurinha, uma carinha sorrindo, um coração ou simples cumprimento a respeito de alguma pintura ou showzinho meu... E, quando respondo, procuro ser o mais breve possível. QUANDO respondo. Na esmagadora maioria das vezes evito responder por motivos que poderiam preencher uma bíblia. 

Existem pessoas realmente admiráveis no mundo com quem eu gostaria de conversar, no mínimo. Mas, penso que, se de fato gosto delas, quero o seu bem. Logo, eu, alguém que elas na maioria das vezes sequer sabem que existe, não vou abordá-las sem ter algo que julgo muito bom para dizer. Esse simancol inclusive já me rendeu respostas de contatos que tenho vontade de emoldurar e colocar nas paredes aqui do estúdio.

No mais, as pessoas estão excessivamente, emocional e psicologicamente, quando não, economicamente, carentes, ou seja, doentes. Isso fica claro, entre outras coisas, em abordagens que me terceirizam a iniciativa de começar um assunto, a insistência em simplesmente ser notado. Na falta de atitudes que as tornem interessantes, recorrem à mendicância. Algo que redes sociais apenas amplificaram nas últimas décadas. E isso independe se tenho um real valor ou não. Em geral, as pessoas apenas fantasiam coisas mesmo depois de me "conhecerem" (me conhecerem hahahahaha). 

Mas, e se, em vez de viver em função dos outros, bisbilhotando, seguindo cada passo de alguém que está simplesmente investindo em viver em paz, toda essa energia fosse direcionada para resolver a própria vida, criar, ser produtivo, trabalhar em sua própria saúde mental, física, financeira, intelectual, social? Será que não seriam eles mesmos pessoas admiráveis, interessantes ao ponto de outras os procurarem? Não estariam essas pessoas autossuficientes o bastante para sequer se importarem com serem notadas? E por isso mesmo, não seriam muito mais procuradas pelos outros? 

Com mais frequência do que gostaria sou abordada por amigos, conhecidos ou desconhecidos que esperam algo de mim. Desde a introdução de uma conversa para se entreter, até a solução dos seus problemas. Para cada assunto, ofereço uma ou nenhuma resposta, no tom mais cientificamente correto que conheço: de mesma intensidade e direção contrária. Procuro ser prática, simples e direta. Sem incentivar o choro, convidando à atitude. A filosofia deve surgir da experiência, não o contrário. Porque na prática a teoria é outra.

Mas, apesar da energia investida em lhes conceder atenção, ajuda concreta e palavras, alguns só aprendem se fodendo. Sendo assim, quero mesmo é que se fodam.  E que parem de criar dependências por aí, especialmente comigo! Tenho prazer em contribuir com o crescimento das pessoas, porém, quando vejo qualquer movimento no sentido de não conseguir viver por conta própria, sempre com uma necessidade muito grande de manipular, escravizar, possuir e controlar, descarregando toda sua carga emocional e psicológica em cima de quem vem pra contribuir, por não receber o que espera na hora em que espera, já tô arrumando minhas coisas e partindo o mais rápido possível. Seja adulto primeiro, pare de achar que alguém é obrigado a te dar alguma coisa, razão ou atenção que seja, depois podemos ser amigos.

Assim, não é raro, encontrarem em mim uma decepção muito grande. Fantasiam coisas a meu respeito... Acreditam ter visto algo em mim que nunca esteve lá... Confundem minha disposição para ajudar com disponibilidade 24h... Pensam que entenderam o que penso, o que gosto, o que quero, o que sou... Se ofendem com sua própria falta de habilidade interpretativa... Fazem análises equivocadas a meu respeito... E quando sentem que estão segurando vento, entram numa de acharem que ir cuidar de suas vidas é me dar algum tipo de troco. Da minha parte, quando isso acontece, me sinto enfim recompensada por ter oferecido tempo e energia em suas causas. Foram, finalmente, caçar um rumo e fazer coisas que os tornem realmente interessantes. Se, em algum momento, acharem importante voltar a me abordar, tenho certeza que trarão whisky, charutos e belas canções sobre as coisas que tiveram orgulho de realizar. E esse será um encontro que me interessará, valerá a pena não apenas para eles mesmos.

Humildade é saber seu exato valor, sem aumentá-lo, nem diminuí-lo. Quando vejo ex escravos que antes esperavam ME escravizar, tornando-se senhores de suas próprias vidas... se respeitando e consequentemente me tratando com respeito... depois de baterem no paredão de gelo que encontram aqui, sinto meu real valor. E começo a sentir interesse real por eles, não mais compaixão. Pois, finalmente passaram de obsessores a amparadores, entraram no grupo daqueles que somam no mundo.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

segunda-feira, 3 de abril de 2023

#teamresistance

Quando o último artista morrer e tudo o que restar for as combinações e reproduções cada vez mais diluídas das obras remanescentes de música, pintura, escultura, fotografia, literatura, arquitetura, design, artesanato, dança, cinema, teatro... Quando se tornar impossível, de verdade, a privacidade dos vivos e o mundo físico for completamente substituído por telas, ships, aplicativos e gadgets, este será o sinal de que todo ser humano sobre a Terra se esqueceu, ou nunca soube, que máquina não come, máquina não dorme e máquina não cria. Mas, será tarde demais para alguém até mesmo achar que deveria desligar os botões. 

terça-feira, 21 de março de 2023

Canção da Ovelha Negra

Agora que o outono chegou, o ano começa a tomar fôlego outra vez. Aproveito as energias guerreiras dos recomeços para desejar a todos mais um ano que valha a pena viver. Desejo aos meus visitantes que esses retratos e pensamentos nucleares, tão íntimos, tenham a honra de continuar provocando seu coração, seu amor, sua ira e seu orgulho. Espero que firam conceitos podres sobre moralidade, deus, família, casamento, amizade, escola, nação, religião e tudo que seja antiquado. Pois é através dessas coisas que temos o péssimo vício de nos enxergarmos em nossas mentes e, apesar de a mudança ser inevitável, nunca é fácil. Nem mesmo é fácil reconhecer isso. Mas, como construir o novo, sem destruir o ultrapassado? Ou, pelo menos, deixar rolar? Sei que às vezes pareço dura, como se não me importasse com ser compreendida, com ser agradável, com os resultados, e não me importo mesmo. Minha intenção não é diplomática, nem política, estou apenas respondendo com toda a minha totalidade a qualquer coisa que aparece na minha frente. E escrever aqui é apenas uma catarse, faço apenas anotações despretensiosas e desabafos selvagens. Dispenso qualquer esforço de coerência ou construção de personagem, caráter, personalidade e demais sinônimos (para quem acredita nisso). Na verdade, minha busca é sempre no sentido de me desfazer. De não buscar, mas de encontrar. Responder com tudo o que há em mim a cada evento. Ser apenas a essência. Ao menos aqui, onde nada está em jogo. Não tenho nenhum interesse. Nem preciso convencer ninguém. Então, ao menos aqui, não posso ser astuta. Não sou política. Essa é a coisa mais feia que pode acontecer com alguém. Não sou diplomática. E não espero de ninguém comportamentos manipulados, educados. Prefiro ver as coisas como são. Até porque isso agiliza tudo. Já vejo logo se me interessa ficar ou sair. Não sou hipócrita e isso a principio parece um problema, mas também facilita muito e poupa tempo. Meu foco é o prático, o aplicável, a experiência, o processo. Afinal, mudar eu sei que vai. Então, falo aqui sobre as coisas como elas são para mim. Se isso dói, problema seu. Se cria inimigos, não estou preocupada com isso. Aliás, sermos inimigos é o primeiro passo para nos tornamos amigos. Portanto, tenham outra bela volta do Sol com o mínimo de infortúnios, vocês que são meus amigos e vocês que não sabem ainda muito bem. 

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Canção dos Peixes nadando em círculos

O silêncio e o riso são a chave. E se o riso vem do silêncio, então é de ordem divina, não é deste mundo. Pois, um riso que parte do pensamento é apenas uma piada, às custas de alguém. Mas, em silêncio sorri quem entendeu a piada cósmica. Porque do lado de dentro se tem tudo, embora procure-se por toda parte. Existe piada melhor? Você é um rei, se passando por mendigo. Não apenas representando, enganando os outros, mas fingindo para si próprio e acreditando que é um mendigo. Você tem a fonte de todo o conhecimento e vive fazendo perguntas. Você é a própria inteligência, e pensa ser ignorante; você tem o imortal dentro de si e tem medo da morte. O sábio é o louco. O louco é o sábio. Essa é a piada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Bom dia, Vietnã.

Eu sabia que 2023 teria 365 dias. Mas, não sabia que seriam todos em janeiro. Sei nem por onde começar. Mal consigo me concentrar para trabalhar, porque apesar de tudo a prancheta felizmente continua cheia, mas, no momento sequer consigo enxergar também as letras do teclado. Preciso tomar cuidado para não molhar tudo aqui inclusive... Não choro a toa, no entanto, há dias não consigo parar. Nem dormir, ou comer. Fico muito nervosa o tempo todo, as mãos tremendo, conferindo minhas caixas de mensagens de 1 em 1 minuto... e sendo arrebatada por alguns sentimentos que estou procurando evitar, mas tem sido muito difícil. Estou com muito medo. Queria poder fazer algo, mas... não sei o que fazer...

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

De gratidão e merecimento

Já fui até outra cidade para encontrar alguém que eu queria muito conhecer. Já saí de casa com pressão baixa, precisando parar e sentar pelo caminho até o destino, porque não deixaria passar a oportunidade de estar com alguém que me importava. Já me despedi da única pessoa que eu podia contar, certamente uma das que eu mais gostei na vida toda, quando percebi que as coisas estavam pesadas demais pra ele e ele jamais faria isso por si mesmo. Já vomitei de nervosismo depois de um conversa necessária que eu evitaria, se isso não significasse sacrificar a liberdade de outra pessoa. Já esperei quieta em silêncio, segurando a ansiedade bravamente, quando minha vontade era dizer um monte de coisas, perguntar, tentar entender... por respeitar o direito do outro de falar só quando achasse que devia. Já passei por lugares perigosos, fiquei na chuva, aguentei o sono e a fome só para conseguir ver alguém, não estragar o momento, ou para resolver uma questão. Já gastei quando não podia, só para ganhar um sorriso. Já arrisquei minha segurança, meu conforto e a minha paz, por ingenuamente acreditar que resolveria problemas que existem há décadas e que não dão o menor sinal de melhora. Já fiz malabarismos com o meu tempo para deixar todo mundo feliz. Já dediquei tempo, energia, atenção... focando em encontrar soluções e trazer um pouco de esperança a quem se considera incapaz de encontrar uma saída. Já escrevi poemas, músicas, pensamentos como esses aqui... Já pintei e imaginei mundos, histórias... Tudo para não ir perturbar a paz ou impedir a liberdade de alguém. Já ouvi gente falando por horas sobre coisas que não me interessam, só porque não queria interromper a felicidade e o auto entretenimento. Já tentei entender sobre assuntos que não me empolgam em absoluto, pra participar, ajudar, conhecer... Já deixei coisas extremamente importantes em segundo plano, para fazer surpresa de aniversário. Já evitei devolver gentileza logo depois de recebê-la, pois eu mesma não valorizo muito quando me retribuem por pura educação, não vejo coração nisso ou verdade e prefiro ver. Já procurei pensar numa forma, num jeito mais claro de explicar, de conciliar, de apaziguar, de convencer, de mostrar o quanto me importo, o que sinto, a forma como vejo... Para não haver mal entendidos, ruídos na comunicação, idéias equivocadas sobre como lidar comigo. Já deixei de lado muito do que eu queria, pela felicidade alheia. Já aguentei comportamentos que não admiro, situações desnecessárias, falta de maturidade... com o pensamento focado em encontrar uma forma de mostrar caminhos melhores, na chance de conseguir resolver os problemas, as dificuldades. Preferi não ler, não ver, ignorar agressões, ataques pessoais, chilique, falta de noção, brincadeiras babacas, criancices, para evitar constrangimentos  ou por procurar entender que nem todos receberam educação e nem tudo é de fato como parece. Já relevei muitos absurdos. Já aguentei firme quando tudo parecia desabar... Já cheguei ao fundo do poço. Já desisti da vida. Já pedi desculpas. Já mandei a real. Já recomecei muitas vezes. 

Por isso, a essa altura da vida, existem coisas que me dou ao luxo de não fazer: aceitar ordens, chantagens ou tentativas de me controlar, cercar, obrigar ou manipular, não impor limites diante de falta de respeito, discutir com gente desequilibrada que não está enxergando nem ouvindo, permitir ataques à minha liberdade, aceitar cobranças. E contrariar isso é a fórmula para me desanimar seja com o que for.

Se faço o que faço é por minha própria conta e risco. O sofrimento é meu e a alegria também. Se algo de bom resulta do meu esforço, sinto uma gratidão profunda. Pois, quando as coisas acontecem como quero não é porque mereço, é porque eu saí da minha zona de conforto e fiz acontecer. Fiz por merecer. Não devo nada e ninguém me deve. 

domingo, 22 de janeiro de 2023

Canção do Aquário Num Copo D'água


É lógico que essa foi a canção mais atrasada da roda... Mas, vamos lá, que também é lógico que o papo aqui é longo.

Indo direto na premissa, a sociedade, a cultura, a religião, a educação... tudo isso é uma conspiração contra as crianças. Monstros e moinhos... Todos agem de forma a garantir que você, desde o princípio, seja desencorajado a ser o que deveria, por natureza. Nada mais fácil. A criança é indefesa, está aberta, é dependente. Então, o que quer que queiram fazer dela, conseguem. Todos os esforços visam a torná-la útil a seus interesses. E se deixarem-na crescer livremente, como poderão ter certeza de que isso acontecerá? Assim, começa a sua jornada, por um caminho que não é o seu.

Você nem tem a oportunidade de sentir falta da sua alma roubada. Antes que perceba, a retiram de você e te dão uma falsa identidade como substituta. Mas essa substituta só serve dentro do grupo que lhe deu a falsa identidade. Basta ficar sozinho por um tempo, que a máscara vai derretendo e o real, reprimido como uma fera acorrentada, começa a se desprender. Daí vem o seu grande medo de ficar  sozinho. Então começa a procura por grupos: família, amigos, casamento, time, escola, partido, religião, ideologia, qualquer ocupação que a Miss Doloway possa arranjar... A assistência precisa ser recebida 24 horas, porque aquilo que é falso não se sustenta sem apoio.

Quando estamos sozinhos começamos a nos sentir um pouco loucos, um pouco estranhos, deslocados. Tantos anos acreditando conhecer-se muito bem, e então, num belo momento de solidão, a pessoa que você pensava ser ganha um ar de falsidade. A consciência da ilusão fica forte no silêncio, e um medo crescente, uma dúvida, uma estranha crise se instala. E nunca se sabe explicar muito bem por quê... Talvez, depois de anos de depressão o verdadeiro você se expresse, depois de enfrentada o que dentro do ocultismo chamamos de "a  noite escura da alma", o limbo, onde não se sabe quem é, onde você não é nem o verdadeiro, nem mais o falso.

Pela meditação, esse ato de se estar conscientemente sozinho, em silêncio, esperando até que o real se firme, é possível encurtar um pouco o caminho do falso para o real. Pois, a meditação não é uma ação que a sua personagem toma, é um ato de espera. Meditar é esperar tranquilamente até que a realidade se manifeste tal como é. Não é ação, é relaxamento, e faz muito bem. Ajuda a voltar ao centro, a atravessar a noite escura, pois qualquer coisa que se faça, virá da falsa personalidade. É um velho hábito. Hábitos custam a morrer. Tantos anos vestindo uma falsa personalidade, imposta por pessoas que você ama, confia e respeita... que até têm as melhores intenções, mas falta a elas discernimento... pais, amigos, professores, sacerdotes, políticos... Até mesmo boas intenções nas mãos de pessoas inconscientes viram veneno. Por isso, o medo da solidão é tão profundo. Porque, de repente, o falso começa a desaparecer. E o novo leva um tempinho para se firmar, você o perdeu de vista há tanto tempo. 

Surge o medo de estar se perdendo, perdendo o senso, a sanidade, a mente, tudo... Pois a falsa personalidade dada a você é feita de todas essas coisas, é como se fosse ficar louco. Imediatamente você começa a fazer algo só para se ocupar. Se não há ninguém por perto, pelo menos tem que haver alguma ação, assim o falso fica ocupado e não começa a desaparecer. Por isso, as pessoas acham mais difícil no domingo. Durante cinco dias elas trabalham, esperando que no final de semana possam relaxar. No sábado rola toda aquela agitação, mas então chega o domingo e é o pior momento da semana. É o dia em que acontecem mais acidentes, mais gente se suicida, há mais assassinatos, mais roubos, mais estupros. Estranho... em cinco dias as pessoas ficam ocupadas e não há tantos problemas. Mas, no fim de semana, tiveram uma chance, ou para fazer outra coisa ou para relaxar. E de repente, relaxar é aterrorizante, pois a personalidade falsa desaparece. 

Então todo mundo fica ocupado, fazendo qualquer coisa idiota. As pessoas correm para a praia, pegam um congestionamento de quilômetros, e se você perguntar a elas onde estão indo, vão dizer que estão querendo "fugir do tumulto da cidade". Mas, o tumulto todo está indo com elas! Querem ir para um lugar silencioso, distante de tudo e todos... Todas ao mesmo tempo! Caramba, se tivessem ficado em casa, teriam mais silêncio e solidão, pois todos os idiotas teriam saído em busca de um lugar distante. E como correm feito loucos! Porque dois dias terminam rápido, eles têm que chegar! Só não pergunte onde. 

Na praia as pessoas ficam amontoadas, nem um supermercado fica tão lotado. E, o que é estranhíssimo: as pessoas se sentem muito à vontade, sob aquele sol somaliano. Dez mil pessoas numa pequena praia tomando sol, relaxando. A mesma pessoa na mesma praia, se estivesse sozinha, não conseguiria relaxar. Mas ela sabe que milhares de pessoas estarão relaxando junto dela. As mesmas pessoas estavam no escritório, as mesmas pessoas estavam nas ruas, as mesmas pessoas estavam no supermercado, agora as mesmas pessoas estão na praia. A multidão é essencial para que o falso exista. Pois, no momento em que ele está sozinho, começa a enfraquecer. É por isso que é bom entender um pouquinho de meditação. Para que o falso desapareça. Não faz sentido se agarrar a isso. Não é seu, não é você. Você é aquele que fica quando o falso se vai. Ninguém mais pode responder à pergunta "Quem sou eu?". Nem você pode. Mas, desse modo você ao menos saberá a resposta. 

Todas as técnicas de meditação servem para ajudar a destruir o falso. Elas não dão a você o real, o real não é algo que se dê. Aquilo que pode ser dado não pode ser real. O real você já tem, só o falso tem de ser eliminado. Assim como um Mestre de verdade, a meditação tira de você coisas que na verdade você não tem, e isso dá espaço para o que é seu se manifeste. Meditação é só a coragem de ficar em silêncio e sozinho. Devagar, muito devagar, você começa a sentir uma nova qualidade em si mesmo, uma nova vivacidade, uma nova beleza, uma nova inteligência, que não é emprestada de ninguém. Ela vai crescendo dentro de você, tem raízes na sua existência. E, se você não for covarde, ela fluirá e florescerá. 

Só os bravos, os corajosos, as pessoas de fibra podem ser espiritualizadas. A multidão sempre procura consolidar cada vez mais a falsa identidade. Você nasceu, veio para este mundo com vida, com consciência, com uma grande sensibilidade. Basta olhar uma criança pequena. Tudo isso tem sido encoberto por uma falsa personalidade. Não é preciso medo. Você só pode perder aquilo que tem de ser perdido. E é bom que perca logo pois, quanto mais tempo permanece, mais forte isso fica. E não se sabe o dia de amanhã.

Isso é riqueza e sucesso: viver de acordo com esse ser autêntico e morrer de acordo com ele. Pois, a vida é eterna e a morte é uma ficção. Que você não morra antes de resgatar sua autenticidade. 


quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Precisam se tratar!

A banda Shaman acabou de novo. Não que vá me fazer alguma falta, mas é um bom pretexto para dizer: é lamentável ver pessoas que excluem, ofendem, brigam, atacam e subestimam, amigos, familiares, colegas e até desconhecidos (não sei o que é pior) por discordarem delas. É ridículo. Todo mundo patrulhando todo mundo, odiando, enraivecido, achando que tem razão, passando vergonha, ninguém se ouve, nem a si nem ao outro, e só defendem o que lhes convém... "Ai, porque eu li...", "Não porque eu estudei...", "Ai, eu me informei...". Amigo, se você não consegue nem falar mais sem cuspir ou se exaltar, se não é capaz mais de usar garfo e faca para comer, sem começar com agressãozinha pessoal, está provado que o que você "sabe" não serve para nada de bom. Precisa reconhecer, tá na hora de iniciar aquela terapia há tanto tempo adiada... ir caçar uma trouxa de roupa pra lavar... varrer um chão, sei lá... porque isso é falta de propósito, falta do que fazer mesmo. A vida continua igual, com ou sem as opiniões de cada um. Mas, fazem questão desse drama. E por que? Opiniões! Quem se interessa por essa merda? 

Sério, melhorem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Enfim, fim.

O ano mal começa e já sinto o sabor agridoce de um ciclo que se encerra pela metade. Mas, exceto por uma dor de cabeça que já dura três dias, sinto algum alívio também. E, mais uma vez, algo na minha vida se mostra infalível: quando eu rezo, acontece. Embora esse conceito, "final", seja papo furado, sempre passo por situações de finalizações mirando o horizonte, confiante momento a momento e com a certeza de que no próximo minuto, tudo pode mudar. Meu caminho e minha busca continuam, mas mudam de direção como em muitas outras vezes. Sem novidade por aqui. Despedidas são sempre melancólicas, por isso me recuso a cada uma delas, mas recomeços trazem renovação e precisam ser encarados com esperança, força e coragem. Porque a única constante é a mudança e não saber o que virá é a coisa mais maravilhosa sobre existir.