Tudo fica mais fácil quando a esperança morre. Mas, se algo é fácil ou difícil, isso pouco me importou ao longo da vida, quero o que quero e pronto. Então, nesse meu caminho inevitável, nesses dias de fogo e enxofre, vou mantendo acesa a chama vermelha da esperança sobre a ocorrência de algo muito extraordinário acontecendo até o fim do mês...
E isso é só uma idéia vaga, melancólica e antecipadamente estabelecida, do quão pouco fácil foi, e certamente terminará sendo, esse ano para mim. Ainda temos 26 dias... mas, nada indica um milagre. Mês a mês... uma sequência tão avassaladora de preocupações, chateações, perdas e frustrações que até mesmo coisas que me incomodavam antes sequer percebo mais. Se eu soubesse que Janeiro estava sendo apenas uma preparação para tudo o que veio depois... para Novembro... certamente teria endurecido e congelado um pouco mais o meu coração. Falado menos e sorrido mais como resposta à quantidade de idiotices que ouvi, vi e experienciei. Porém, apesar da dor constante, dia após dia, eu jamais poderia estar preparada para o que se seguiria à maior felicidade de 2023... Nem com a minha intuição aguçada, meus cálculos avançados, meus baralhos, runas, mapas astrológicos, guias e guardiões fui capaz de sequer imaginar algo assim me acontecendo.
Aconteceu. E estou há semanas algumas oitavas abaixo do que eu estava aqui. Tenho lutado contra qualquer faísca de sentimentos, afiado a racionalidade, pelo menos não deixando de comparecer aos meus compromissos, me forçando a sentar e trabalhar, a comer e dormir... ou, sendo forçada a isso, contando com a ajuda abençoada dos aliados, a quem estou devendo a minha vida... porém... tá foda. Não tenho detergente correndo nas minhas veias... E contra esse tipo de dor, poucos podem realmente fazer alguma coisa, inclusive eu mesma.
E parece ser sempre muito complicado para quem não está acostumado a me ver ferida entender que não sou de ferro, que, sinto dor, medo, tristeza, igualzinho a todo mundo. O fato de eu procurar optar pelo equilíbrio, soluções práticas e produtivas, escolher bem as minhas batalhas, ignorar discussões inúteis, não significa que é possível depositar sobre mim todo e qualquer peso, sem que eu acabe desabando ou explodindo cedo ou tarde.
E, cara... que dor insistente! No auge dos delírios já começo até a fazer considerações e conjecturas absurdas como "devia andar sempre com o cordão de alho... a cruz... a estaca..." Mas, aprendi cedo que essas coisas são apenas superstições e que, se não nos protegemos de formas mais contundentes, estamos todos vulneráveis aos vampiros. Inclusive os melhores, sempre sabem se esconder muito bem, tornando seus ataques tão agradáveis que você perde a vida e ainda é capaz de agradecer...
Como se não bastasse, bati minha cabeça tão forte hoje no granito... Certeza que, se não foi o satori aquilo que experimentei, ao menos tudo o que estava bagunçado aqui dentro deu uma organizada boa. Dores mentais, emocionais e agora físicas também, pra coleção Primavera-Verão.
Minha bisavó sempre contava histórias sobre Krampus... São Nicolau só traria presentes se Krampus não dissesse coisas ruins ao meu respeito... Hoje é o dia que Krampus passa para dar uma olhadinha nisso aí... E sinceramente, nem sei o que ele dirá ao Papai Noel esse ano... Dei o melhor de mim. De verdade. Mas, embora eu não tenha sido santa também, por último, não serei ingrata ao ponto de não reconhecer os acontecimentos bonitos, importantes e maravilhosos. Houveram momentos de felicidade infinita... vitórias esmagadoras e ganhos imensuráveis nas mais diversas áreas da vida. E nem sei se é justo fazer comparações com as dores, para ver o que foi maior... Porém, Krampus passou aqui mesmo. E sei disso pois, saí ainda pouco de um estado catatônico que me atingiu hoje porque fiz a besteira de recapitular mentalmente o mês de novembro. E estou sem palavras. Racionalizando bem... Com toda a minha história de vida... todas as coisas que fiz e dei de mim... Tudo o que está acontecendo só não é mais absurdo do que ainda manter a esperança e consequentemente o sofrimento... Porque "o que seria do inferno se os habitantes daqui não pudessem sonhar com o paraíso?" É o que eu estava dizendo... tudo fica mais fácil depois que a esperança morre. Mas, pra mim o fácil é só o fácil... significa nada. No mais, vamos ver se Choronzon é ou não é derrotado até o fim do mês.
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