quinta-feira, 31 de outubro de 2013
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Karma Cop
As I search through the ashes
For someone to blame
I'm afraid to see my face
As I walk through the ashes
I whisper your name
Meeting you have forced me
To meet myself
(Idioglossia - Pain of Salvation)
Coisas que evitam muitas coisas
Aqui, no meio das minhas pinturas, músicas e leituras, me esmago entre um minuto e outro para arranjar também tempo para a escrita. A semana está bem no dia de Odin, a quarta-feira, e para mim esse sempre foi muito mais crítico do que a segunda... Não dá para voltar, mas ainda falta o mesmo número de horas já percorridas para terminar. E, parece que nesta em especial os karma cops resolveram me dar uma dura. O pior é que os documentos não estavam em dia... Biquei três bolas pra galera ao melhor estilo Odvan, assim, só nesse tempinho... Exagerei e não pensei direito antes de agir. Então, fiz o que sempre faço quado o cerco aperta. Dei uma volta por caminhos que não costumo seguir.
Sempre me pareceu que ir a lugares diferentes, falar com estranhos e ver coisas incomuns fosse a chave para descobrir formas diversas de pensar. Aí, na volta do meu dia cheio, peguei um ônibus que segue uma rota muito maior do que o meu caminho normal para casa, mas passa bem em frente ao meu portão. E desse modo, hoje, acho que entendi por um minuto as razões de certas coisas. Como, por exemplo, porque o mundo é assim tão do jeito que ele é. Entre uma perda e outra, acabamos esquecendo que certas coisas preciosíssimas custam tão pouco, quase nada. Será que nós, adultos (tá, pode pôr um pouquinho de ironia nessa), não preferiríamos que os médicos continuassem nos receitando aqueles xaropes infantis docinhos? E que as pessoas nos sorrissem e acenassem na rua sem qualquer intenção?
Sabe, isso é o que nos fecha, não ter mais quase ninguém disposto a enrolar docinhos e pô-los em forminhas para o nosso aniversário. Não relembrar as piadas bobas que sempre arrancam risadas. São os cumprimentos vazios, os apertos de mão gelados, os beijos quase inexistentes e as alfinetadas. É o sumiço das brincadeiras e apelidos implicantes... É a falta de embrulhos bonitos nos presentes. É o abandono dos livros ilustrados e dos desenhos animados. É o desaparecimento das palavrinhas mágicas, dos sorrisos sinceros e dos abraços que falam mais que mil palavras. Será que não queremos (e necessitamos) daquelas bolinhas nas ponteiras dos guarda-chuvas, como os das crianças, para que não furem os olhos? E em que idade ter uma escova de dentes de dinossauro passou a ser errado? Ou desencorajar uma discussão argumentando de cima de um Pogobol? Quem quer razões e explicações quando pode ter uma tigelona de sorvete com calda e castanhas para se acalmar? Ou várias fases de Super Mario para passar? Ou até mesmo, um minuto de viagem na maionese com um amigo? E pergunto também: algum dia eu disse que não queria mais que entrassem no meu quarto à noite para ver se estou com frio, ou que não me contassem mais histórias para eu dormir?
terça-feira, 29 de outubro de 2013
A questão
Não importa o quanto possamos ter, ou ser. Belos, inteligentes, admiráveis, bondosos, apaixonantes, carinhosos, ricos, famosos, semi-divinos... Nada disso importa realmente. Nada disso consegue assegurar aquilo o que mais queremos: sermos verdadeiramente amados. Em muitas vezes até, aquilo que deveria nos servir como fogo aliado nos expõe ainda mais a espíritos sem luz que não se enxergam. Talvez o medo de nunca conseguirmos o que buscamos não more na impossibilidade do amor (não que esta possa ser descartada), mas sim na névoa que envolve essa busca. Afinal, o que é isso, amor? E ainda que um dia possamos provar da fruta, que semente é essa capaz de gerá-la?
É sábio esperar por sentimentos que ascendem ao divino quando aqueles que os geram e alimentam não passam de humanos? O que queremos, afinal, sermos amados apesar de nossa beleza, dedicação e acessórios? E este seria o ideal? Sermos podados, despidos daquilo que também somos, para caber no coração do outro? Se for assim, a pergunta e a dúvida não é sobre amor, amores ou desejos. É sobre o que queremos que seja o objeto de tudo isso: nós. Puros, sem máscaras ou chantilly.
Então, aí é que fica difícil mesmo. Afinal, o que somos nós, verdadeiramente?
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
A grande família
A vida, com suas memoráveis cenas e inúmeras ironias, me convenceu há muito tempo de que o sentimento mais forte que existe não é o amor, como gostam de crer os poetas, nem o ódio, como pensam os estrategistas. A força mora na raiva, gêmea da depressão, filha do medo. É a raiva que cerra os punhos, fortalece os músculos, melhora a aparência, a conta bancária, o currículo, o portfólio, o círculo de amizades, transforma palavras em dinamite, lava a alma, planta idéias transformadoras na cabeça, faz esquecer até mesmo que sentimos dor.
Ela passa, mas isso não quer dizer que seu efeito seja breve, que não faça uma devastação em todo um contexto.
O ruim é quando se associa à humilhação, sua outra irmã. Ou então quando dá cria e gera a revolta, filha da raiva com a razão. O bom senso diz que essas duas coisas jamais se associariam, mas a experiência mostra o contrário.
Então, nesse momento, já se forma uma família, com três gerações. E você percebe que é para valer e que você terá de conviver com isso.
domingo, 27 de outubro de 2013
"Fail harder."
- Leu?
- Li. Sabe o que acontece?
- Hã?
- Você tem uma corda. Fraca. Amarra numa pilastra de pedra. Inflexível e fraca. E aí você insiste em fazer isso:
Com a diferença que embaixo não tem piscina e você é mais gostosa em trajes de banho.
- Como você consegue ser tão preciso sempre? E ainda me fazer rir de mim mesma?
- Sou pica.
- Você é esse velho do final da cena. Isso, sim...
- Pois é... E só mais uma coisa.
- O quê?
- Quando os karma cops acabarem de te dar a dura geral, se você ainda estiver interessada em continuar com essa história, se achar que vale a pena, (e isso só você pode saber, eu nem conheço o maluco, minha opinião é suspeita), faz o seguinte: pensa no que te fez começar, pensa no que te mantém nisso, pensa no que tem de vantagem pra você e segue em frente. Esquece tudo que aconteceu até aqui, apaga tudo que tiver sido e deixa pra trás. Amassa e pega outra folha em branco. Porque, na boa, sei que você não fez o trabalho sozinha mas, o layout tá esquisitasso do jeito que tá.
- É, tá mesmo. Farei isso, sim... Eu quero continuar, ainda mais agora, com aquele lance de "não abandonar mais as coisas" e tal... Parece até ironia da vida. Quando decido mudar de postura, a primeira pessoa que aparece é essa... Podia tanto ser como nas aulas de música, primeiro as mais fáceis... Lidar de cara com falta de sinceridade, de comunicação e de atitude... Principalmente associadas a orgulhozinho... Assim, tudo junto!? Tá mais pra nível avançado.
- Será que você é tão principiante assim? Ou o alzheimer já começou? De certa forma, mesmo tendo te deixado mais triste que feliz, isso tá te fazendo bem, pô. Há quase um ano você tá melhorando numa caralhada de coisas. Tá mais atenta, tá mais compreensiva. Tá mais flexível. Tá até mais paciente! Ter medo de falar as coisas, fugir da situação, "deixar passar", não responder, sumir e ficar mandando indiretinha, depois de te tratar como se você é que tivesse falando por códigos também acho meio caído. Mas, ninguém disse que ia ser fácil... É cada um com as suas razões de ser. E se não fosse esses problemas, seriam outros. Você também tem os seus. Mas, não pensa por aí, não. Dá pra passar por cima disso. As pessoas crescem... Pesa tudo. O que tem de bom? Entra, medita sobre isso. Agora, as pilastras não podem ser fracas. Nem a corda. E você não pode se desequilibrar em cima dela. Se qualquer um desses itens não estiver direito você vai cair de novo, com telhado e tudo. Até acertar... Mas, qual é o lema?
- É... sim... sim... Não, claro, tem um monte de coisas boas... Talvez fosse mais simples se não tivesse. Eu errei e não sei como consertar... É um situação estranha, parece que tenho que ficar me explicando sempre pra não ser tratada como adversária, mas, ao mesmo tempo, me explicar é o que causa esse caos... Preciso de tempo e não sei se terei, é complicado. Tem aquelas questões lá que já te falei... Aí rola um lance meio Hallelujah...
- Ei. Quem é que vive dizendo "Sword not word!"? Tem que explicar nada. Tem que fazer nada. Tem nada de tão complicado assim. Fica na sua. Se rolar de novo, rolou. Se não, fim. Mas, fica tranquila. Ele parece meio reativo, mas gosta de você, com certeza. Só que você se afobou... Isso nunca é bom... Agora aguenta. Ele não te conhece. Tempo não existe. Hallelujah não é problema seu.
- Acaba sendo... E, pô, fazer nada? Esperar? Isso vai ser mais um teste de resistência insuportável pra mim. Eu tinha planejado daqui uns dias... Até perguntei a ele se dava... Tava até esperando uma resposta... Te falei, né? Acho que depois disso nem vai rolar mais. Talvez, nunca mais... Devia ter ido dormir quando você chamou.
- Planejou? Se ferrou.
- Poxa, ia ser legal...
- Chora. Layout reprovado. Pega outra folha.
- Sim. Já me liguei nisso. Morreu o assunto.
- Nunca mais? Duvido! Agora quem não tá se enxergando é você.
- :/
- :/ => :)
- Devia ter parado aí quando recebi essa mensagem pela primeira vez, mas me senti tão mal...
- Ih! Olha só! Já é a terceira! Só pode ser um sinal: :/ => :)
- Tá. Parei.
sábado, 26 de outubro de 2013
Ainda bem que os amigos não precisam...
Sempre que imagino ter tomado uma decisão errada, não reflito muito antes de falar e ajo por impulso, procuro pensar nos 12 editores que rejeitaram a idéia de publicar os livros da série Harry Potter, em todas as gravadoras que recusaram os Beatles, nas agências que disseram para a Gisele Bündchen que o nariz dela era grande demais, nos astrônomos que não se interessaram em fotografar os eclipses que provariam a Teoria da Relatividade de Einstein, nos professores da Academia de Belas-Artes de Viena que reprovaram o führer por diversas vezes... E vejo que sou uma humilde gafanhoto na arte de me dar mal e fazer escolhas baseadas em "foda-se". O que só diminui a dor porque rio um pouco. Mas, mudar mesmo, não muda em absolutamente nada a droga da situação.
Quando a gente discute...
- Ei! Quero te ver hoje ainda! É possível? Tenho música pra mostrar...
- Pô... Achei que estaria ocupada...
- Não, queria tocar ou sair ou sei lá... :/ Onde você está?
- Playing for the high one, dancing with the Devil. :~D
- LOL!!! Seven or eleven... snake eyes watching you!
- Double up or quit, double strike or split: the Ace of Spades! 8D A♠
- Going with the flow... it's all a game to me... :P
- Read 'em and weep, the dead man's hand again. :P 8AA8 ♠
- You win some, lose some, it's all the same to me. :P
- The pleasure is to play, makes no difference what you say. :PPP
- I don't share your greed, the only card I need is the Ace of Spades... :(
- If you like to gamble, I tell you I'm your man. 8D
- You know I born to lose, and gambling is for fools. :P
- But that's the way I like it baby, I don't wanna live forever. :~DDD
- Pushing up the ante, I know you've got to see me. I see it in your eyes, take one look and die:
- The only thing you see, you know it's gonna be the Ace of Spades. 8D
- But, don't forget the Joker, hein...
- :PPPP
- Pô... Achei que estaria ocupada...
- Não, queria tocar ou sair ou sei lá... :/ Onde você está?
- Playing for the high one, dancing with the Devil. :~D
- LOL!!! Seven or eleven... snake eyes watching you!
- Double up or quit, double strike or split: the Ace of Spades! 8D A♠
- Going with the flow... it's all a game to me... :P
- Read 'em and weep, the dead man's hand again. :P 8AA8 ♠
- You win some, lose some, it's all the same to me. :P
- The pleasure is to play, makes no difference what you say. :PPP
- I don't share your greed, the only card I need is the Ace of Spades... :(
- If you like to gamble, I tell you I'm your man. 8D
- You know I born to lose, and gambling is for fools. :P
- But that's the way I like it baby, I don't wanna live forever. :~DDD
- Pushing up the ante, I know you've got to see me. I see it in your eyes, take one look and die:
- The only thing you see, you know it's gonna be the Ace of Spades. 8D
- But, don't forget the Joker, hein...
- :PPPP
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Data querida
É aniversário do meu avô hoje. Nunca mais o vi. E a única foto que tenho dele é tão pequena que mal se consegue ver o rosto. Um dia cheguei na casa da minha avó e ele havia ido embora. Ninguém me disse nada. Apenas cheguei saltitante na sala de música e o piano não estava lá. Nem o case do clarinete. Nem o teclado. Nem o órgão. Nem o violão... Minha avó estava deitada na cama e este foi o segundo retrato de coração partido mais triste que já vi. Ele teve suas razões. Ninguém pode culpá-lo. E eu até o admiro muito por esta coragem, apesar de sentir uma saudade que não cabe em mim. Mas, de certa forma, ele nunca se foi totalmente. Não é sempre assim? Então, seu sorriso permanece em meu coração na forma das coisas que se tornaram as mais importantes na minha vida: música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade. Queria poder ainda abraçá-lo, ouvir música, tocar o piano a quatro mãos, ler junto, conversar sobre temas elevados, viajar, pintar... E poder mostrar o que fiz de melhor com aquelas sementes que ele plantou.
O curioso sobre esta data, é que também faz aniversário hoje o meu último professor de piano, com quem igualmente dividi música, poesia, pintura, quadrinhos e espiritualidade... E de quem também sinto saudades sem fim. Mas, ao menos esse eu sei onde encontrar.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Sannyas
"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."
(Osho)
Drink up me hearties yo ho
A pessoa quer intimidade. A pessoa quer afeição. A pessoa quer atenção. A pessoa quer segurança. A pessoa quer privacidade. A sua E a dela!
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.
Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
Como muitos sabem, já conheci uma boa parcela de egoístas patológicos, gente maluca, lunática, esquizofrênica, sádica, daquelas que te batem e ainda reclamam de você não agradecer. Os tempos de internação só tornaram a mim mesma um pouco mais habilidosa para lidar com esse pessoal e com crianças. Isso foi numa época em que cheguei ao fundo do poço. Mas, não quero falar sobre isso. Vamos pular a parte mais triste. Lembro bem do dia em que tudo começou a mudar. Estava lá, mais uma sessão em que eu não queria conversa, passava o tempo todo fazendo barra ou flexões, os braços fortes, o espírito fraco, extremamente infeliz com tantas coisas e tantos padrões ruins, com aquelas minhas autocobranças totalmente desmedidas, diante do médico mais querido que alguém poderia ter, cuja persistência só ajudou e permitiu que nos tornássemos o que somos um para o outro hoje. Aliás, persistência é uma característica de todos os meus favoritos. E este, mesmo antes de ganhar minha afeição, sempre tinha uma outra visão das coisas, idéias claras e estava sempre disposto a ajudar de maneiras totalmente não convencionais. Um Dr. House. Lutava comigo na sala de consulta, se recusava a me dar certos medicamentos, passava da hora batendo papo, fazia visitas surpresas fora do expediente, me trazia os livros sobre as ordens ocultistas das quais participo, me apresentou o Zen e os grandes mestres iluminados que povoam minhas reflexões. Falava que eu tinha mesmo é que largar tudo e todos de mão. Mudou de rumo a minha vida e me empurrou de cabeça para o sannyas. Depois, um pouco mais lúcida, percebi que dessa forma ele deve ter me poupado algumas vidas de inconsciência, mas ainda corro atrás. Estou longe, sei disso, embora já tenha começado o caminho. Em meus altos e baixos vou me equilibrando. Estou indo. Sorridente.Só que antes disso, eu não fui muito fácil. Era resistente, o tratava mal e descontava nele sentimentos nada amigáveis direcionados à quem realmente havia provocado minha raiva. E, caramba, como o admiro ainda mais toda vez que preciso lidar com gente resistente, cheia de justificativas e pouca auto análise! Sob o risco de estragar o desfecho dessa história, preciso contar que nossa posterior aproximação era um problema, não só para a ética médica, mas principalmente porque eu queria que alguém como ele continuasse sendo meu analista. De qualquer forma, bons amigos são sempre dádivas. E logo, logo pudemos nos livrar das formalidades de lá...
Mas, voltando ao dia fatídico. Ele me deixou esperando vários minutos na sala antes de entrar e já chegou me dando um dos presentes que mais guardo com carinho: "Não confunda a doença dos outros com a sua." Ouvir isso foi quase como morrer. Minha vida passou diante dos meus olhos. Então percebi que se tinha alguma culpa naquilo que as pessoas fizeram contra mim, é porque eu não escolhi de forma criteriosa quem entra, quem fica, na minha vida e daí também não dei a essas pessoas o espaço que elas mereciam, dei além. E só. Minha jurisdição não pode cobrir a vontade e as ações do outro. Esse papo de que "a ocasião faz o ladrão" é uma forma de não responsabilizar o outro pelos seus atos. Penso que o ladrão é quem faz a ocasião, não o contrário, o que me parece natural. Afinal, vemos o que realmente é relevante e em consonância com nossos sentimentos. Pois, uma das maiores habilidades da lógica é encontrar justificativa para aquilo que queremos fazer. Resumindo bem a razão de eu sempre repetir aos quatro cantos e para qualquer um: "Seja feliz!", porque gente feliz não enche o saco.
E fato é que devo a ele também outro presente. A razão do seu jargão "o ser humano é uma criatura fascinante mesmo..." Porque é! De verdade. Seus mecanismos de defesa, sua cegueira para as próprias atitudes e padrões são curiosíssimos. Justificativas e defensivas estão aí o tempo todo como prova do quão a sério se leva o próprio personagem e como o valorizamos mais do que nossa relação com as pessoas. Mas, nem sempre vemos assim porque não temos o devido afastamento. São como aquelas piadas que se fossem com a gente, perderiam toda a graça. Assim, ironicamente, o muro que eu ergui entre nós começou a ruir a partir de uma das coisas mais curiosas que ele me mostrou, aquela frase que raros entre nós nunca usaram: "Você acha que tem sempre razão." Ao que eu devolvi: "Nunca vi alguém defendendo seriamente uma opinião mesmo discordando dela. Algo do tipo 'Sim, a Lua é um satélite, eu sei, mas quero defender para o resto da vida que é um ovo de dragão.' E, se alguém reclama disso, só reclama pelo fato de que o outro não se dobrou à sua lógica.". E, depois de gargalhar, ele ganhou meu amor quando concordou: "Por isso eu discordo de tudo isso aqui, verdade."
Beijo para ele. E para você, que vem aqui me roubar e acha que sairá ileso.
sábado, 19 de outubro de 2013
O gênio, o poder e a magia
Permitir-se gostar de alguém é sempre um ato de coragem e quanto mais se permite gostar, investir sua energia e seu tempo neste sentimento, mais corajoso você se mostra. Porque, independente de qualquer intenção, caráter ou cuidado, haverão momentos em que a pessoa irá te magoar, irá tornar todo o universo meio sem cor, haverão dias tristes, haverá dor e bastará para isso uma palavra mal colocada, um detalhe omitido, um gesto descuidado, uma ausência... E quanto mais você se permitir sentir, maior será o risco, maior pode ser o desastre. Mas, todo o meu carinho, toda a minha lascívia, todos os meus pensamentos mais obscenos e os meus aplausos de pé, a minha devoção, as minhas armas, vão para aqueles que arianamente, arriscando tudo o que têm e são, além de se permitirem sentir, ainda mostram isso de peito aberto, com todo o medo, toda a adrenalina contida neste gesto. Pois, compor e gravar na privacidade do seu estúdio, já é bastante audaz, mas subir num palco e cantar e tocar seu próprio coração para as pessoas... Uau! Esses sim são badasses, esses sim são feras de esportes radicais. E, para os ousados, toda a minha admiração, todo o meu amor e tudo mais que tiver para dar.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Só lamento
Quando o cara é sorridente, brincalhão, simpático... é natural, popular, o jeitão dele. Se for na dele, calmo, mas se irritar com facilidade, nada mais masculino. Se for meio moleque, gostar de jogos, filmes de ação, achar que a vida é uma festa e se entristecer às vezes porque está numa via de mão única com os seus sentimentos, não tem nada mais normal. Se não quiser compromisso, se gostar de ser livre, se detestar promessas, se adorar esportes radicais, se for um artista, músico e transformar tudo em motivo para produzir, o cara está apenas seguindo sua natureza. Se ele não souber como lidar com uma situação e se sentir pressionado, constrangido e meio bobo por ser obrigado a tomar uma iniciativa ainda assim, que cara nunca passou por isso? Não é verdade? Se não se importar demais com sua aparência, em demonstrar um ar de seriedade com as roupas que veste e coisas assim, ah, é coisa de homem, sabe como é? Não liga para essas frescuras... Se optar por viver por sua própria conta, não alimentar sonhos de ter filho e família, quiser uma vida sexual e afetivamente livre, esse sabe aproveitar a vida. Se insistir numa direção que não o obrigue a ter que entrar num coletivo de manhã, junto com um monte de gente que ele nem conhece, para ir para um trabalho que não tem nada a ver com ele, lidar com pessoas que ele despreza e prefere investir em seus sonhos de menino, retirar seu sustento disso, ele é autêntico, persistente, admirável, um bravo. Mas, se for uma mulher... Ah, aí ela não passa de uma vagabunda que não quer sossegar o facho, uma adolescente tardia que não quer crescer, imatura... Uma afronta para seu próprio gênero.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
A objetividade das crianças
"Quando eu tiver um namorado vou falar assim: só não me trai, mas também não gruda em mim."
E ninguém dirá a ela que o grande problema desse pensamento está no verbo ter. E muitas vidas se passarão até que ela, finalmente, comece a entender um pouquinho sobre por que uma flor se abre para o mundo e emite sua fragrância, sem julgar se quem a sente é bom ou mal, feio ou bonito, sem criar expectativas, sem sonhar com ideais, sem nem mesmo se importar se alguém está lá para vê-la ou senti-la, sem medo de ser pisada, esmagada, comida ou arrancada, sem nem mesmo parar para pensar que já ao anoitecer suas pétalas poderão começar a murchar... Assim, ela crescerá e em algum momento achará que TEM um namorado, poderá vir a "ter" um marido, filhos, família. Será a única referência de mulher para suas crianças, durante alguns anos, os mais decisivos. Não sei... A única certeza é que sofrerá com isso. Poderá mostrar o contrário, gritar sua felicidade aos quatro cantos... Mas sofrerá porque em algum momento achará que perdeu o que nunca teve, porque não cuidou de sua própria liberdade, porque caiu numa armadilha ao criar uma armadilha para o seu parceiro e seus filhos, porque perpetuou um sistema que não a favorece em nada. Nem favorece ninguém mais. Por que traçou uma linha divisória entre aqueles que são sua família e aqueles que não são. Mas no fundo, lá onde ninguém a vê como ela realmente se sente, pensa e é, lá ela sentirá um certo desconforto e em sua inconsciência, em sua relutância, sua resistência, se armará contra sua própria objetividade, com lógicas bastante subjetivas. E permanecerá e levará essa vida adiante. Parece mais seguro assim, mas o preço é alto e, para todos, difícil de se pagar. As condições da exclusividade compulsória são simplesmente antinaturais e resultarão em "traição", se não em ato, ao menos em pensamento. O que dá na mesma. E mentir para si mesmo é sempre a pior mentira. Por outro lado, ela também sofrerá se escapar desse ciclo vicioso. Pois quem está nele repudia ferozmente quem não está e aí ela será obrigada a sobreviver no exílio, com todos os seus obstáculos. Será obrigada a ver seu coração partir muitas vezes até encontrar pessoas que respeitem sua decisão e compartilhe dela. Mas, se é assim que tem que ser... É sempre muito mais rico levantar, lutar e caminhar com suas próprias pernas, criar seu próprio universo, viver segundo suas próprias regras, assumir seu caminho e sua natureza com todas as suas verdadeiras qualidades, do que apenas se deixar levar pelo medo e aceitar as correntes. Porque vender sua liberdade para comprar a do outro só resulta em liberdade para ninguém. E, pra começar, a liberdade de alguém nunca deveria estar à venda, nem ser um problema.
Das profundezas
Uma coisa que não se pode exigir de ninguém é compreensão. Muito menos quando não nos expressamos com clareza. Menos ainda quando não emitimos os sinais adequados. E ainda menos, quando somos artistas e não conseguimos separar arte e vida. Como esperar compreensão, quando damos tanta margem para interpretações, quando sentimos prazer em apresentar experiências e depois apenas observar passivamente aqueles que se importam tatearem no escuro todas as significações possíveis? Seria incoerente e injusto. Não podemos sequer ficar tristes, o que dirá ofendidos, se as hipóteses começarem a surgir e se mostrarem o exato oposto daquilo que intentamos provocar. A falta de objetividade até nos ajuda a conhecer quem chega e a reconhecer quem realmente se interessa. Atrás do espelho é sempre o melhor lugar para se esconder e ser óbvio demais não tem graça alguma. Além disso, a realidade sempre perde para a imaginação. Mas, é bom saber dosar o quanto nos escondemos, dosar o grau de subjetividade emitido com as sugestões expostas, sob o risco de também nos tornarmos enfadonhos e desnecessariamente labirínticos... A vida sozinha já apresenta-se com essa abordagem e é próprio da arte procurar por formas diferentes de ver, ser, existir... Subjetividade é lindo, suave, livre, imaginativo, mas não pode ser apenas uma armadura contra o medo de se expor. Afinal, se tem medo e não enfrenta, porque começou a obra? Entendo que só abandonamos, quando não vale a pena o esforço. Mas se vale, se temos peito para encarar nossa autoria, a energia precisa circular! Do palco para a platéia, do plástico para o olhar, do som para o ouvido, de corpo para corpo... E pra isso, quem começou a abrir a trilha, precisa também se abrir para ela. Porque semelhante atrai semelhante, quem se abre, abre. Mas, quem se constrange, constrange. A timidez, intimida, a defensiva induz naturalmente à defensiva. E com isso vai-se embora toda a energia, toda a poesia e todo o encanto.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Num dia desses...
Unheard
Commotion
Intro (Dm Bb F#m Dm Dm Bb Gm Bm)
Dedilhado (Dm9)
Dm
It's all about those days
Bb
When you know what's right,
C Dm
But you can´t follow your thoughts.
Dm
You're the enemy
Bb C
A shadow of intents and wishes
Dm
Listening that single voice.
Dm
All you feel is grey,
Bb
You know exactly what should be done
C Dm
But the danger is yourself.
Dm Bb
Twisted heart, declaring rights undone
Gm Dm
Willing to extract life from this nothingness
Willing to extract life from this nothingness
Dm Bb
I can’t bear other denial from existence
C A
Time won’t pass through involuntary tolerance.
Dm
In a trap of chaos
Bb
My perfection failed
Gm C
Only silence remains
Dm
And there is no tomorrow
Bb
Nothing last to borrow
Gm C
I am here to fade.
Bb
In those pale fails
Dm
Everything is so pale
C Gm
Senseless world of me
Bb
Not
a way to follow
Dm
Another
shade of sorrow
C Gm
I can´t hear you saying.
(Dm Bb F#m Dm Dm Bb Gm Bm)
Dm
My unheard commotion:
Bb
Utter suffering...
Dm
Dm
And your deepest devotion
Gm
Has never been towards me.
(Bb Dm C Gm)
Bb
Dm
In this silent decay the mystery won’t be unfold
C
Bb
My perfect excuse has been told.
Dm
I am just a shadow
Bb
Wishes of tomorrow
Gm C
All is pale today
Dm
But, you know, I can’t follow
Bb
This stupid heart is hollow
Gm C
I'm not here to stay.
Bb
In those pale fails
Dm
Everything is so pale
C
Gm
Senseless world of me
Bb
Not a way to follow
Dm
Another shade of sorrow
C Gm
I
can´t hear you saying.
Dm
You know what's right to be done
C
What’s supposed to be done,
Bb
But you just can’t
Dm
You know what's must to be done
C
What feels right to be done
Gm
And you just don’t.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
sábado, 12 de outubro de 2013
E ele não pára...
- "Um dos maiores times do Brasil..." Até parece que o Vitória é importante.
- É um dos maiores, sim.
- Ah, não tem isso tudo de torcedor não.
- Cara, no Nordeste ele é o maior.
- Porra, então por que esse pessoal de lá não torce pra ele, em vez de ficar engrossando aquela mulambada do Flamengo?
- Porque o Flamengo é um time muito mais "paraíba" que o Vitória.
- É um dos maiores, sim.
- Ah, não tem isso tudo de torcedor não.
- Cara, no Nordeste ele é o maior.
- Porra, então por que esse pessoal de lá não torce pra ele, em vez de ficar engrossando aquela mulambada do Flamengo?
- Porque o Flamengo é um time muito mais "paraíba" que o Vitória.
Dia das Crianças
- Consegui entrar no ônibus já.
- \o/
- Tá saindo agora. E dentro dele uma criança prestes a dar a luz a um demônio.
- Hahahahahahahahahahaha. Malditas criancinhas choronas.
- Tá rolando um exorcismo pica aqui.
- Hahahahahahahahahaha!
- O último que vi berrar assim tinha perdido as duas pernas.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Deus não dá shotguns aos Jacks...
- Hahahahahahahaha... Mas dá uma garganta de ferro pras crianças e pros cachorros.
- Porra! Deus é um filho da puta.
- \o/
- Tá saindo agora. E dentro dele uma criança prestes a dar a luz a um demônio.
- Hahahahahahahahahahaha. Malditas criancinhas choronas.
- Tá rolando um exorcismo pica aqui.
- Hahahahahahahahahaha!
- O último que vi berrar assim tinha perdido as duas pernas.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
- Deus não dá shotguns aos Jacks...
- Hahahahahahahaha... Mas dá uma garganta de ferro pras crianças e pros cachorros.
- Porra! Deus é um filho da puta.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
A pergunta que não quer calar
Living ain't easy when there is no release
So many hearts been broken
Too many shattered dreams
It's hard building bridges, in this shadowland
I've been rising from the fall
When it was too much to bear
Heavy load
Down the winding road
Heavy load here
Come and show
The way to paradise
Let me know now
Why?
(Shadowland - Beyond Twilight)
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Por outro lado...
- O que foi? Por que você tá rindo?
- Nada.
- Adoro o seu sorriso. Adoro quando você olha pra mim.
A solução que não é
Tô bem... Tô de pé desde ontem às cinco da manhã, acabei de voltar de Mordor, quase dormi ao volante, no trajeto a 140 por hora, BUT "not today". Não consigo dormir, nem comer, nem me concentrar em qualquer uma das coisas legais que tenho pra fazer, mas tô bem. Estou precisando lidar com um fã, pelo menos uns 12 anos mais novo que eu... Quando disse gostar dos meninos mais novos não especifiquei para o universo que há limites. Precisei também lidar com ciúmes e descaso, em transmissão simultânea, enquanto tentava trabalhar de madrugada. Ninguém valoriza, nem cuida, nem está satisfeito com o espaço que lhe compete. Uns porque nem o notam, outros porque querem mais. E nada pode me tirar mais do sério do que falta de auto sinceridade, consciência, clareza e do que malditas justificativas. "When you have to shoot, shoot, don't talk." Mas, as guardas estão sempre altas, o orgulho é sempre maior do que qualquer possível centelha de sentimento. E isso me desanima... Colocar as justificativas sempre antes da auto reflexão e da sinceridade consigo mesmo... Preferir estar certo a resolver um problema. Empenhar-se em refutar antes de entender, de escutar em silêncio, sem concordar ou discordar. Ou observar sem julgamentos. Aceitei isso por tempo demais.
Não há qualquer cuidado com a emissão de sinais, nenhum esforço de clareza, comunicação, contato, nada. Questões são desconversadas, atitudes são controladas, sensações são reprimidas, mensagens são ignoradas, a atenção está mais nos próprios interesses do que no que é dito. O panorama é esse! Mas, eu é que entendo tudo errado. Eu que sou negativa. Eu que sou a Raposa, chorando por sua própria culpa. Bom lembrar que nunca pedi por nada disso e que fico aqui na minha, mesmo não achando muito legal essa história de não poder entrar em contato e apenas aguardar. O que por si só já seria motivo, mas pior, é só mais um que entra para a pilha de coisas que me faz explodir agora.
Levo tanto tempo me responsabilizando, sendo paciente e compreensiva, relevando até alguns absurdos, pensando, com cuidado, com carinho, fazendo concessões, procurando não ser injusta, não querendo acreditar no pior e só com muito esforço e relutância chegando a uma conclusão para, mesmo assim, ainda deixar em aberto. Sempre dou o benefício da dúvida. Mostro muito naturalmente, sem receios, meus sentimentos, até ser reprimida de alguma forma. Não tenho medo do que sinto, penso ou faço, tenho horror a uma vida esquizofrênica, mas ainda assim aceito viver no universo paralelo de alguém, mesmo querendo juntar tudo e todos com as minhas Pontes. EU sou o problema (e se algo causa problema, né, a gente tira da frente e pronto). Realmente! Só pode ser! A responsabilidade não pode ser assumida, aceita, compreendida. Tem que ser da dificuldade, da impossibilidade da Comunicação, do gênero feminino, do signo de Ar, de alguma quadratura, de alguma assombração passada, da vida corrida, dos orixás que não se entendem, das minhas próprias expectativas, da minha ilusão que superestima e vê algo que não está lá, ou de qualquer outro pensamento cínico e preguiçoso... Ainda bem que sempre me incomodo muito com ciscos nos meus olhos, faço questão de mantê-los limpos e livres, especialmente de ironias e cansaços. Se não, era bem capaz de ceder ao outro lado da minha raiva, a tristeza, e começar a acreditar outra vez que tem algo de muito errado mesmo com meus pensamentos e ações. Mas, dessa vez, não. Chega! Não fui eu quem agiu mal esse tempo todo! E não aceito insinuações nesse sentido.
...
Tudo seria tão mais simples se eu mandasse todo mundo à merda, se eu fizesse uma escolha e reduzisse os meus interesses... Se eu fingisse que todos são iguais...
Mentira.
Não seria nada mais simples. E eu nem gosto só das coisas simples ou iguais. Quero um pouco de cada. Não quero compromisso, pois isso significa que eu cedo um pouco e você cede um pouco. Pra quê ter um pouco se podemos ter tudo? Mas me importo. Só me importo.
Não seria nada mais simples. E eu nem gosto só das coisas simples ou iguais. Quero um pouco de cada. Não quero compromisso, pois isso significa que eu cedo um pouco e você cede um pouco. Pra quê ter um pouco se podemos ter tudo? Mas me importo. Só me importo.
Pra ajudar, ainda por cima, outro dos meus vai pra longe e nem poderá vir se despedir amanhã, por conta de um monte de compromissos... Ah, essa maldição que sempre leva meus favoritos e favoritas para longe, de um jeito ou de outro. Queria poder ir até ele, me despedir. Mas, neste exato momento, eu estou sem condições, sem energia pra pensar em algo legal, que ele mereça... Com sono, sem conseguir dormir e com o pensamento focado numa coisa, que apenas uma pessoa pode me dar. No entanto, mais uma vez não sou uma prioridade e ela já teve a informação que precisava para ir dormir em paz. Agora tem mais o que fazer e com o que se importar. Não acha que vale a pena tomar nenhuma atitude reconciliadora quando se pode delegar esta tarefa ao tempo. Qualquer tarefa bem feita exige tempo sim, mas também exige vontade. E assim a vida dela segue, totalmente alheia, (ou melhor, pouco se lixando) ao fato de que nada pode piorar mais as coisas comigo do que agir com passividade e me deixar presa numa solitária (ou redoma), esperar que o tempo acalme meu espírito, esperar que o silêncio faça o trabalho difícil, esperar demais. Porque, já até disse o que penso sobre isso aqui, não sei com outras pessoas, mas comigo acontece justamente o contrário.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Coração Valente
- Ele estava pegando no seu pescoço. Vocês ficaram muito próximos...
- Eu não queria isso... E não lembro mesmo dessa hora. Que bizarro.
- Você tinha dito isso, mas não ia me meter... Bebeu pra cacete, né? Isso que dá. Passou mal. E sabe o que ele fez? Fingiu que não viu. Saí lá do outro lado, dei a volta na mesa e fui ver o que estava acontecendo. Tive que te carregar. Não sabia que estava tão mal. Aí ele perguntou se queria ajuda. Cara de pau. Odeio esses caras malandrinhos que você arranja.
- Poxa... desculpa. Eu estava muito triste... E mais uma vez você me salvou das minhas inconsequências. Mas, ele veio pedir desculpas depois. Acho que percebeu que não agiu legal.
- Espero que tenha percebido que sou bem maior que ele também.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Beleza Americana
Não parece, mas estou melancólica. Quer dizer, não parece para quem não me conhece direito ou me vê todo dia, pessoalmente, com meu sorriso eterno dando espaço apenas para uma raiva sem controle. - O que dá na mesma. Raiva é só um outro extremo da depressão. - Para quem me encontra só por aqui, isso talvez seja bem óbvio. E tem até durado por tempo demais. Se me perguntarem o que foi, eu me perderia em explicações subjetivas e vagas, nanquim e papel de arroz, um pergaminho oriental. Eu num ato verborrágico, tentando exorcizar o que já somei e me domina. E no final das contas, a pergunta ficaria sem resposta (não são todas que ficam assim?).
Nesses dias de brumas, a luz está fraca, a expressão pouco clara, o coração apertado... As palavras fogem, o olhar vaga longe e a cabeça abaixa buscando na memória antigas sensações que o tempo escondeu, ou matou. Deixo os golpes entrarem, a desvontade toma conta do dia. Me sinto uma marionete. Esperando apenas que o titereiro seja cuidadoso e tenha um pouco de carinho, o que raramente acontece. E isso me obriga a levantar da cama e ir cuidar da vida. Então eu vou, me arrastando, mas vou. Estômago revirado, vontade de dormir e só acordar depois do meu aniversário. Porque já estive mais forte, mais dura e resistente. Já estive mais no comando. E é muito mais dessa forma que meu ego gostaria de ser lembrado. Um animal selvagem, arisco, pronto para atacar, mas simpático, curioso, elegante, bom de ver. O que corre o risco de passar uma impressão de distanciamento. Mas, a verdade é que me sinto tão próxima... Tão boba. Tão pouco. Deslocada. Forasteira. Sem saber a hora de chegar e a hora de ir. Sem saber quando ser atenciosa ou quando estou tendo iniciativas demais. Perdida em meus próprios problemas. Introspectiva e agressiva. Sozinha, apesar de tanta gente querida por perto. Sempre no lugar errado, na hora errada, fazendo tudo errado, falando demais. E ouvindo insinuações do quanto sou infantil. Fato que o meu Sol no ascendente me obriga a admitir desde que era criança... Com essa impressão que deixo de ser mais jovem do que sou, também pela falta de costume das pessoas de receberem simpatia de graça e honestidade, um presente caro que distribuo a torto e a direito. Mas muito mais pela minha falta de jeito, pelo meu sorriso largo, pela minha timidez, pela minha inocência, pelo meu despreparo e desinteresse em lidar com tanta coisa que se tem como praxe da vida adulta.
No entanto, sou livre. Pelo menos para recusar o que quiser, seguir o meu caminho, no ritmo que a minha história pessoal me permite, gostar do que quiser sem sentir vergonha e não ligar demais para opiniões. Mas, algumas atitudes, estranhas, voluntariosas, descuidadas, e intenções subentendidas, descaradas, pouco empáticas, ferem. São difíceis de ignorar. E tem gente que muito sutilmente acaba deixando sempre um sabor agridoce na boca. Parece constante o interesse egoísta e duvidoso por trás de uma atitude aparentemente legal. Então, acabo sendo desconfiada e cínica.
O tempo, a vontade, até mesmo as dores passam. E, dessa forma lá se vão os prazeres também, lógico. Além disso, pra mim, só está bem se for incontrolável, se for total, se for intenso, se não deixar alternativas, se for cristalino, se for óbvio, se eu souber o que está acontecendo, se não houver desconfiança e resistência, se houver intimidade, se for a única coisa que eu quero fazer naquele momento, se for forte, se for de coração. E esse trabalho duro de fazer o coração vibrar é quase todo meu, sou eu é que faço. Os estímulos são importantes, sugestões, mas são apenas pretextos. Porque posso até pensar demais, mas sentir ainda é meu verbo favorito.
Às vezes faço o que não quero apenas em nome de um desejo intenso que um dia existiu e isso me traz arrependimento. Quero tanto, mas a vida segue, um monte de situações ocorrem nesse intervalo e depois, se sou tolida por tempo demais, impedida de seguir meu coração, já não quero tanto assim. Se me forço a sentir o que já não sinto mais, isso me embrulha o estômago, me tira a fome... Porque nessas horas não sou eu mesma e apenas aceito o que aparecer, não estou presente com toda a minha presença, estou tão somente sendo insistente e fiel a um sentimento que não existe mais. E resgatar um amor exige mais dedicação do que conquistar um. Ninguém parece muito disposto a se importar com isso. Então a tristeza invade o vazio deixado.
Estou triste agora. Mesmo sabendo que estar triste é estar errado. Tive mais ou menos o que quis. O problema é que ser feliz e ter o que se quer são coisas completamente diferentes.
Nesses dias de brumas, a luz está fraca, a expressão pouco clara, o coração apertado... As palavras fogem, o olhar vaga longe e a cabeça abaixa buscando na memória antigas sensações que o tempo escondeu, ou matou. Deixo os golpes entrarem, a desvontade toma conta do dia. Me sinto uma marionete. Esperando apenas que o titereiro seja cuidadoso e tenha um pouco de carinho, o que raramente acontece. E isso me obriga a levantar da cama e ir cuidar da vida. Então eu vou, me arrastando, mas vou. Estômago revirado, vontade de dormir e só acordar depois do meu aniversário. Porque já estive mais forte, mais dura e resistente. Já estive mais no comando. E é muito mais dessa forma que meu ego gostaria de ser lembrado. Um animal selvagem, arisco, pronto para atacar, mas simpático, curioso, elegante, bom de ver. O que corre o risco de passar uma impressão de distanciamento. Mas, a verdade é que me sinto tão próxima... Tão boba. Tão pouco. Deslocada. Forasteira. Sem saber a hora de chegar e a hora de ir. Sem saber quando ser atenciosa ou quando estou tendo iniciativas demais. Perdida em meus próprios problemas. Introspectiva e agressiva. Sozinha, apesar de tanta gente querida por perto. Sempre no lugar errado, na hora errada, fazendo tudo errado, falando demais. E ouvindo insinuações do quanto sou infantil. Fato que o meu Sol no ascendente me obriga a admitir desde que era criança... Com essa impressão que deixo de ser mais jovem do que sou, também pela falta de costume das pessoas de receberem simpatia de graça e honestidade, um presente caro que distribuo a torto e a direito. Mas muito mais pela minha falta de jeito, pelo meu sorriso largo, pela minha timidez, pela minha inocência, pelo meu despreparo e desinteresse em lidar com tanta coisa que se tem como praxe da vida adulta.
No entanto, sou livre. Pelo menos para recusar o que quiser, seguir o meu caminho, no ritmo que a minha história pessoal me permite, gostar do que quiser sem sentir vergonha e não ligar demais para opiniões. Mas, algumas atitudes, estranhas, voluntariosas, descuidadas, e intenções subentendidas, descaradas, pouco empáticas, ferem. São difíceis de ignorar. E tem gente que muito sutilmente acaba deixando sempre um sabor agridoce na boca. Parece constante o interesse egoísta e duvidoso por trás de uma atitude aparentemente legal. Então, acabo sendo desconfiada e cínica.
O tempo, a vontade, até mesmo as dores passam. E, dessa forma lá se vão os prazeres também, lógico. Além disso, pra mim, só está bem se for incontrolável, se for total, se for intenso, se não deixar alternativas, se for cristalino, se for óbvio, se eu souber o que está acontecendo, se não houver desconfiança e resistência, se houver intimidade, se for a única coisa que eu quero fazer naquele momento, se for forte, se for de coração. E esse trabalho duro de fazer o coração vibrar é quase todo meu, sou eu é que faço. Os estímulos são importantes, sugestões, mas são apenas pretextos. Porque posso até pensar demais, mas sentir ainda é meu verbo favorito.
Às vezes faço o que não quero apenas em nome de um desejo intenso que um dia existiu e isso me traz arrependimento. Quero tanto, mas a vida segue, um monte de situações ocorrem nesse intervalo e depois, se sou tolida por tempo demais, impedida de seguir meu coração, já não quero tanto assim. Se me forço a sentir o que já não sinto mais, isso me embrulha o estômago, me tira a fome... Porque nessas horas não sou eu mesma e apenas aceito o que aparecer, não estou presente com toda a minha presença, estou tão somente sendo insistente e fiel a um sentimento que não existe mais. E resgatar um amor exige mais dedicação do que conquistar um. Ninguém parece muito disposto a se importar com isso. Então a tristeza invade o vazio deixado.
Estou triste agora. Mesmo sabendo que estar triste é estar errado. Tive mais ou menos o que quis. O problema é que ser feliz e ter o que se quer são coisas completamente diferentes.
sábado, 5 de outubro de 2013
Desempacotando
Eu só queria organizar a bagunça, colocar outra vez meus livros no lugar. E a nova estante está ali, montada há uma semana, projetada com uma mesona enorme para os computadores. Mas eu, com meu coração sem trancas, ainda estou aqui no meio de toda a história da minha vida, mal sabendo colocar o que onde. Logo eu que sou tão boa em organizar... Estou aqui ainda, perdida nos labirintos da minha história, neste quarto, meu desde estas minhas primeiras garatujas até minhas últimas tentativas de me entender. Morri tantas vezes e renasci tantas outras... Incrível como nunca me acostumo, nunca perco a capacidade de me maravilhar.
Tem sido intenso, tem sido rico. Do êxtase ao fundo do poço e de volta outra vez, uma montanha russa catártica. E, depois de tanto empacotar e desempacotar, dessa vez eu pensei que seria mais fácil, que seria quase nada. Mas, agora vim desarmada, sem procurar não pensar, não sentir... aquelas anotações, aquelas cartas, três décadas de expressão em cores, papéis, formas e letras... Tantas canções, tantas bênçãos, fontes borbulhantes e registros de alegrias e dores. Tanta beleza, tanta tristeza, tantos amores. E tudo passa. Bom, mau ou feio, tudo, tudo, tudo isso vai passar. Porque nada é eterno. Nem na Terra, nem no Inferno. Ainda que possa durar.
Tem sido intenso, tem sido rico. Do êxtase ao fundo do poço e de volta outra vez, uma montanha russa catártica. E, depois de tanto empacotar e desempacotar, dessa vez eu pensei que seria mais fácil, que seria quase nada. Mas, agora vim desarmada, sem procurar não pensar, não sentir... aquelas anotações, aquelas cartas, três décadas de expressão em cores, papéis, formas e letras... Tantas canções, tantas bênçãos, fontes borbulhantes e registros de alegrias e dores. Tanta beleza, tanta tristeza, tantos amores. E tudo passa. Bom, mau ou feio, tudo, tudo, tudo isso vai passar. Porque nada é eterno. Nem na Terra, nem no Inferno. Ainda que possa durar.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Tão profundo e complicado quanto isso
O tempo que você perde tirando o corpo fora
é o tempo que você perde com o corpo aí fora.
Saudações Cariocas
- Uau! Que peituda! How much did it cost?
- Cost for what?
- To put these new tits, bitch!
- Don't even start, Carol... New tits...you slut!
- Cost for what?
- To put these new tits, bitch!
- Don't even start, Carol... New tits...you slut!
Assinar:
Comentários (Atom)






