terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

(William Ernest Henley)


Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

(Tradução: André Masini)

Afaste de mim esse cale-se

O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade.

Millôr Fernandes

A Utilidade do Que É

É interessante, sabe, como a gente tende, numa das maiores provas de apego e ganância humanos, a procurar "utilidade" para tudo e como gostamos de dar "explicações" que de certa forma nos sejam convenientes. Não conseguimos simplesmente sentir a beleza, aproveitar uma sombra sob a árvore, aceitar a casualidade dos eventos e que certas coisas não precisam ter utilidade alguma, sem no fundo pensar de que forma aquilo poderia nos favorecer, ser útil. Não nos entra na cabeça facilmente que algo não precisa ser bom, ou mau, que às vezes ele simplesmente é. E que nós, assim como uma flor ou qualquer outro na multidão, estamos aí não para sermos classificados, rotulados, entrar para o time dos heróis ou dos vilões, mas apenas para ser. Para que? Para nada! Se há mesmo uma utilidade ou não, isso não importa, não devemos desperdiçar nosso presente com isso, porque nem dá para afirmar que se esse conhecimento fosse realmente necessário, nós o teríamos. Afinal, nunca descobriram uma utilidade para o apêndice, para os dedos dos pés, ou para os dentes do siso. Irônica e contraditóriamente, levar a vida com leveza, sentí-la, sem procurar explicá-la o tempo todo, sem tentar encontrar em tudo uma razão de ser, uma maneira certa, uma utilidade ou uma coincidência, seria até mesmo mais útil.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Começou

E pra estrear a coluna que sempre traz as memoráveis performances do Jack, aí vai o primeiro post.

Eu estava morrendo de fome, só terminando de pintar uma asa de pássaro pra ir comer algo e depois tomar banho porque estou derretendo nesse calor somaliano. Então o telefone tocou insistentemente e eu entrei no MSN.

- É você, Jack?
- Sim, queria saber se você tá afim de fazer alguma coisa.
- Tô com fome.
- Então vem bater um rango com o seu amor.
- Jack... que romântico...
- Uma mistura de matutez com fofurice. Só os grandes mestres possuem tal habilidade.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Retrato Diário

Um amigo perguntou se ele poderia ser considerado uma pessoa má por rir disso. Eu acho que não. Se ele dissesse que o cara fez a tatuagem para não dar uma de João-Sem-Braço, aí eu até diria talvez, mas, mau de verdade, ele seria se fosse o autor desse blog e postasse e bendita foto.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Reductio Ad Absurdum

É tão estranho... São não-sei-quantas-bilhões de pessoas no planeta e a maioria de nós se sente sozinha. E quanto mais se mostra ao mundo um pedaço de si, mais procuramos proteger as partes que não queremos expostas. Precisamos sentir que temos algum controle sobre as coisas. Pensei hoje sobre pessoas muito famosas, o quanto parecem incompreendidas solitárias e tristes; cada gesto simples ganha amplitudes inimagináveis. Não deve ser fácil pôr os pés para fora do carro e de repente se ver cego diante dos infintos flashes, ter sua vida dissecada, cada passo seguido, não poder tomar um sorvete de short, chinelos  e cabelos bagunçados ou ir à praia com sua família sem aparecer na capa de algum tablóide patético. As pessoas falam maldosamente, especulam, invadem, idolatram, criticam, elogiam, julgam e sequer conhecem de verdade o alvo, mas o tem como parte de si, muitas vezes, ou como objeto de desprezo. Uma fama hollywoodiana tem qualquer coisa de bizarro. Deveria ser uma lição para pôr fim à nossa ilusão de controle, uma aula sobre o caos, sobre o desenvolvimento orgânico da realidade e um exercício sobre o quanto somos mesmo é do mundo, pertencemos todos uns aos outros, embora prefiramos nossas fantasias de andarilhos solitários e sequer usamos esses conhecimentos para fins melhores do que tomar sem dar em troca. 

O ídolo transformou uma profunda tristeza na música mais linda que já se ouviu e o que você faz? Um pensamento positivo para ele? Escreve uma carta? Imortaliza seu rosto num retrato? Não, você apenas vai lá no botão de download e baixa seus mp3.

Meu nome não é dos mais mundialmente conhecidos, nem perto de tal façanha, mas hoje pensei em quantas vezes achei que meus textos são tão desinteressantes. Quantas vezes senti aflição por estar muito atrás do que eu gostaria na minha ilustração? Quanto senti minha esperança em meus sonhos minguar? Quanto me considero solitária, deixada de lado, principiante e boba? Sempre começando... Sempre no início...

Mas, fato é que cansei de dividir minhas referências e atualizar fãs não assumidos sobre a minha vida, nem vou comentar as palavras que Jack tem para mim sobre minhas angústias porque ele é suspeito, um amigo do Ceará, com quem nunca me encontrei pessoalmente, veio cobrar o link do meu antigo blog, o volume de trabalho que chega de partes diferentes do mundo vem aumentando, e hoje ainda encontrei isso. É... eu refleti.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Digam X

Eu sei, estranho e repentino, como a morte e a vida. Fecho um blog, começo outro... E dizer um motivo exato é difícil, porque são muitos e ao mesmo tempo nenhum. O dia inteiro imersa em minhas pinturas, o chefe do Jack numa onda de prendê-lo até tarde na agência, meus gatos ainda não aprenderam a falar, fica complexo conversar sobre coisas banais ao fim do dia. Preciso de um espaço para isso; meu diário de papel continua firme e forte, mas não dá pra pôr vídeos e links, não dá para fazer amigos, trocar idéias. Mas, ao mesmo tempo em que a possibilidade de uma ligação maior com as pessoas, já conhecidas ou não, é um dos benefícios da Internet, manter um blog que sirva de novela para quem não interessa em absoluto compartilhar as minhas referências, o que amo, o que odeio, o que eu busco e o que eu acredito está bastante fora dos meus objetivos. Foram três anos nisso, mas não foi simplesmente isso. Já não sou a mesma garota confusa que saiu de casa chorando depois de uma briga com os pais e criou um blog para aprender HTLM na marra. Tornou-se até um pouco estranho continuar escrevendo ali. Tão esquisito quanto vestir uma blusa que já não cabe mais. Mesmo assim, sempre precisei lidar com o silêncio de tantas formas, não quero mais essa.

Carnaval começa na semana que vem, o horário de verão já vai chegando ao fim, o calor está insuportável, meus gatos vão crescendo, minha casa ainda precisa de reformas, as pessoas vão se mostrando mais complexas, simples, encarceradas e perdidas; o ano passou como um relâmpago, recebi outro convite de outra escritora espanhola para ilustrar seu livro sozinha, troquei de carro, Jack comprou um ar-condicionado portátil que chega na semana que vem, passei no vestibular outra vez, a geladeira nova já está aqui, ainda não terminei os desenhos pro livro de Biologia, iniciei o estudo de expressões no curso de quadrinhos, fui no show do Metallica, a última temporada de Lost já começou, não encontrei tempo para sentar ao piano, fiz um monte de boas escolhas e não disse para quase ninguém... Mesmo assim, a vida tem se mostrado tão Two Rocks and A Cup of Water, tão Ballada N.1, tão Closing The Circle, mas tudo com um desfecho bem Feeling Good.

É... agora com um pouco mais de liberdade, há tanto para falar, mas o silêncio sempre dá uma voltinha e reaparece. Então, quando ele for passear de novo eu retorno, tentando negar a Two Rocks and A Cup of Water, a Ballada N.1 e a Closing The Circle. Sem trilha sonora hoje! Arrumem os cabelos, retoquem a maquiagem, escolham uma roupa bonita, não façam poses obscenas e hajam naturalmente. O retrato sai mais bonito assim.