quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Presentes de Aniversário

No outro dia, no meu aniversário, acabaram aparecendo pessoas muito queridas, dessas que tenho sempre comigo, das mais altas grifes e por isso mesmo, de baixa manutenção... Um dos requisitos básicos para relacionamentos profundos e reais por aqui. Da maioria eu não tinha notícias há bastante tempo, mas nem por isso deixei de amá-las, considerá-las, lembrar-me delas com carinho, rir de nossas piadas internas, falar sobre nossas aventuras, desejá-las sempre o melhor, torcer por elas... Incluindo aí o autor das Ruelas Eternas, que está fazendo esse enorme favor a todos nós de voltar a escrever por lá.  Não fazem muitas semanas quando cheguei a comentar sobre o Anonimato Diário, do mesmo autor... Deixo aqui registrado inclusive o desejo de que aqueles relatos ganhem fôlego para serem retomados também!

Mas, o retorno a todos esses lugares - pessoas são lugares, mundos inteiros - num só dia, no meu aniversário, acabou resgatando sentimentos, esperanças, alegrias, gargalhadas e possibilidades antigas que andavam escondidas em mim. E talvez, nenhum dos amigos saiba disso, mas, apesar da bagunça que ainda está aqui dentro, suas presenças, suas palavras... me recuperaram motivações e esperanças adormecidas também. Agradeço demais por isso!

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Mão de Faca

Ora, ora... Olha só quem saiu da camarinha... Não estou com tempo nem para respirar. O estúdio está a mil. Projetos pessoais de Ilustração, Música, Escultura, Artesanato, Caligrafia... mil coisas, pessoas, acontecimentos e compromissos preenchendo minha cabeça dia e noite. Não tem sobrado muito tempo para essa parte também muito cara, a Escrita! Então, voltei apenas para anotar duas coisas e consolar os fãs sobre uma terceira. Se não, tudo vai acontecendo e depois quando eu quiser ordenar as idéias ficam emboladas como fios de fones de ouvido ou pisca-pisca... Uma aconteceu hoje, infelizmente. A Ialorixá que zelava pela casa de onde vim, voltou para junto de seus guias e guardiões. Infelizmente, só porque ela foi uma pessoa rica em muitos aspectos, esse tipo de coisa sempre me interessa. Perder a riqueza que alguém é, as informações, experiências e possibilidades incluídas aí, pra quem fica, acaba mesmo sendo uma enorme perda. Aguardo notícias sobre o Omolofú ainda. Mas, tenho certeza que para ela o caminho está iluminado, protegido e voltará a contribuir, aprender... seguirá com seus passos de crescimento e não tem como isso ser algo ruim. 
 
A outra coisa aconteceu no início do mês. Ainda não tenho opinião formada, mas foi mais um degrau dentro do meu desenvolvimento sacerdotal. Há um brilho de faca... Faca consagrada! Mais uma guia, mais responsabilidades, mais possibilidades de ajudar se precisarem de mim... E de devolver presentes indesejados, se for o caso. Aconteceram tantas coisas, de tantos tipos e lados... Nunca vivi um resguardo tão intenso. Nunca passei por uma obrigação tão difícil. Então, ainda estou processando, sem muito para traduzir por enquanto. 
 
A terceira coisa, bem, nem tem assim tanta importância, pelo menos para mim. De verdade não tem. Na minha cabeça, a tampa desse caixão foi fechada no final do ano passado. Mas, olha como são as coisas... Quase um ano depois, percebi hoje, por acaso, algo reverberando desta direção. E, nem é por sentir assim tanta vontade de escrever a respeito, é mais porque estou com uma forte impressão de que se eu falar sobre isso, pode confortar vocês, meus fãs, que estão sempre a espreita, seguindo meus passos, tentando encontrar um sinal, uma desculpa e por isso mesmo, sentindo-se tão frustrados até agora. Tenho percebido os olhinhos espreitando na escuridão.  Mais de dois, inclusive. Cultivar uma vida espiritual tem as suas vantagens. Por outro lado, existem coisas que só é melhor ouvir do que ser surdo. Quer dizer, eu mal tenho tempo para respirar. Do ano passado para cá, coisas diversas, diria até, coisas demais, ocupam minha mente, meu coração, minha atenção, meu tempo, demandam minha energia... E então, enquanto estou emaranhada aqui na bagunça de teclas, fios, pincéis e tintas, chegam até mim, essas notícias de gente que eu sequer lembro da existência, ainda se incomodando comigo... ainda se interessando pela minha vida... ainda seguindo meus passos... ainda se inspirando e invejando o que faço... ainda se preocupando... ainda nisso... E aí, eu sinto um alívio enorme de lembrar que, apesar da dor que a trapaça e a ingratidão podem causar, eu tenho quem olhe por mim e por isso, fui livrada de um contexto que em nada me trouxe algo de bom. E quando eu entendi isso, zerou no meu espírito toda e qualquer negatividade a respeito. Fechou ali. Três dias de tristeza e fim. Porque, sabe, a Seres do Lodo Network é uma realidade apesar de sempre me surpreender. Doentes se unem a doentes, e pra eles não há mesmo cura! Me restou desistir de qualquer tentativa de solução feliz, para o meu próprio bem e há muito tempo. Mas, venho aqui, num ato de boa vontade, dizer para vocês que me perseguem, que se importam tanto com o que penso, que se sentem enciumados, que acham que estão em algum tipo de competição comigo (HAHAHAHA!), que enviam suas piores vibrações e continuam agindo das formas mais covardes, burras, infantis e mentirosas possíveis contra mim, que me sinto muito lisonjeada por saber que sou tão importante ao ponto de ser o assunto principal entre vocês! O pomo da discórdia. O axis que faz o mundo de vocês girar. Mas, relaxem, sabe? Sem qualquer sentimento ruim da minha parte. Do fundo da minha alma, nem lembro de vocês. Tenho mais o que fazer por aqui, com minhas dores e alegrias, com a minha vida recheada de experiências enriquecedoras e pessoas das mais preciosas. Não percam seu tempo, sua alegria... momentos que poderiam ser legais, de amor e carinho... desperdiçando falando, fazendo ou sentindo qualquer tipo de mal contra mim. Primeiro porque só faz mal pra vocês mesmos, podem acreditar. O domo de ferro aqui é reforçado. Nada que possam fazer contra mim, irá me fazer cócegas. Depois que... prometo, se acontecer de em algum momento, como esse agora, eu voltar a pensar em vocês, será apenas para desejar tudo de melhor, que sejam muito felizes!

Porque gente feliz não enche o saco.

Cresçam.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Desfibrilador

Nesses dias estranhos, de estranhas sensações e estômago revirado, ansiedade e saco cheio demais... acabei lembrando da Grande Família. E é só isso que tenho para dizer depois de todos esses meses sem tempo para as minhas reflexões vespertinas. Se tem algo que nos levanta para irmos viver e nos recusarmos à derrota é isso. Sem mais.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Achei!

Tema recorrente durante a semana passada... Citei esse trecho de Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe, em mais de uma conversa (sintomático? pode ser...) e sabia que tinha transcrito isso. Mas, foi no blog antigo, então demorei a achar. Enfim, deixa aqui agora. Mais fácil.


"Maio, 22

A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou isso. Pois essa impressão também me acompanha por toda parte. Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso labor visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranqüilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua célula... tudo isso, Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo. As crianças - todos os pedagogos eruditos estão de acordo a este respeito - não sabem a razão daquilo que desejam; também os adultos, da mesma forma que as crianças, caminham vacilantes e ao acaso sobre a terra, ignorando, tanto quanto elas, de onde vêm e para onde vão. Não avançam nunca segundo uma orientação segura; deixam-se governar, como as crianças, por meio de biscoitos, pedaços de bolo e vara. E, como agem dessa forma, inconscientemente, parece-me, que se acham subordinadas à vida dos sentidos. Concordo com você (porque já sei que você vai contraditar-me) que os mais felizes são precisamente aqueles que vivem, dia a dia, como as crianças, passeando, despindo e vestindo suas bonecas; aqueles que rondam, respeitosos, em torno da gaveta onde a mamãe guardou os bombons, e devoram-nas com sofreguidão e gritam: "Quero mais!" Eis a gente feliz! Também é ditosa a gente que, emprestando nomes pomposos às suas mesquinhas ocupações, e até às suas paixões, conseguem fazê-las passar por gigantescos empreendimentos destinados à salvação e prosperidade do gênero humano. Tanto melhor para os que são assim! Mas aqueles que humildemente reconhecem o resultado final de todas as coisas, vendo de um lado como o burguês facilmente arranja o seu pequeno jardim e dele faz um paraíso, e de outro, como o miserável, arfando sob seu fardo, segue o seu caminho sem revoltar-se, mas aspirando todos, do mesmo modo, a enxergar ainda por um minuto a luz do sol... sim, quem isso observa à margem, permanece tranquilo. Também este se representa a seu modo um universo que tira de si mesmo, e também é feliz porque é homem. E, assim, quaisquer que sejam os obstáculos que entravem seus passos, guarda sempre no coração o doce sentimento de que é livre e poderá, quando quiser, sair da sua prisão."

quinta-feira, 23 de maio de 2024

...

Não vou nem perder meu tempo escolhendo as palavras, criando metáforas, escrevendo de forma simbólica, correta. Ouvi a voz do meu pai hoje. Fui na janela e ele se virou para fingir que não viu. Falei com ele da janela e ele fingiu que não ouviu. Deixou um envelope com o porteiro. Saiu pelo portão, atravessou a rua, ligou a moto e foi embora. Nunca quis interagir demais nem mesmo virtualmente e não fala comigo direito há dois anos. Não faço idéia do que seja, apesar das suposições de quem sabe ou acompanha o caso. Triste demais. Gente que me conhece há bem menos tempo que ele, alguns têm uma vida bem mais atarefada, com gente em cima o tempo todo, a maioria sequer conhece a minha história, e mesmo assim consegue parar por um segundo para falar rapidinho, dizer que lembrou de mim, mostrar alguma coisa legal, me trata como filha, diz que me ama, que sente orgulho, me levanta do chão do banheiro quando bebo demais até... se comporta como pai, ou mãe pra mim, me trata assim, para pra tentar me ouvir e entender, não quer que eu volte para casa, muito menos sem trazer uma fruta, um bolinho, um presente... Ele só vai até onde as coisas materiais importam. Claro que sou grata por isso e reconheço que existe ao menos isso. Nunca passei nenhum tipo de necessidade básica material. Mas, é como se eu fosse apenas uma conta, sendo ele muito responsável, nunca deixará de pagar. Nada mais. De resto, a minha existência é apenas uma enorme inconveniência. E eu já devia ter me acostumado. Isso não deveria sequer me surpreender mais, o que dirá fazer algum tipo de mal. Mas, é incontrolável e irritante reconhecer que mal consegui fazer qualquer uma das coisas importantes de hoje. Me embrulha o estômago quando tento falar sobre esse assunto. Vomitei tentando até. Nem comi nada. Só tenho vontade de dormir. Acabei de dispensar uma cliente difícil porque já tem sido perturbação demais na minha cabeça todo o resto. Não estou em condições. Não tenho como resolver, me esforçar, me doar em mais nada com ninguém. Estou realmente esgotada. Não preciso de mais batalhas, na boa. Mais chateação, dificuldade, mais coisas para ter paciência, para tolerar e resolver... Preciso de paz.