quarta-feira, 7 de abril de 2021

A Cereja, a gota d'água, o estopim

Nunca vou entender você ter a possibilidade de dizer tudo o que quer para alguém que está na sua frente, tentar perceber se o que ouviu era aquilo mesmo que entendeu, etc... mas, pelo contrário, neste momento se negar a "discutir" (na verdade, felizmente, porque, ninguém estava interessado mesmo), por soberba, falta de tempo, paciência, ou sei lá. E então, ir dizer tudo para uma outra pessoa, que obviamente pensa como você. Ou, mais infantil, chegar em rede social e enfiar em toda e qualquer brecha que encontra, uma "verdade" que você achava que precisava ser dita, no momento em que sentiu que sua opinião era boa demais para ser contrariada, mas preferiu dizer que não tinha tempo para falar  ou ouvir o que quer que a contrariasse. Fica pior: ainda escrever textos enooooooormes com a pretensão de que alguém fora da sua bolha vá ler. Pode acreditar: não. Essa é a parte da feminilidade que não admiro: a passivo-agressividade.

Se as pessoas não discordassem, haveria nada no mundo. Mas, se as pessoas não sabem boas maneiras e razões para se fazer isso, só estão dispostas a se desfazer de idéias contrárias e nunca ouvi-las com a mesma disposição com que quer dizê-las, igualmente, não se constrói nada.  E o curioso é que quanto mais contundentes, mais reativos e sensíveis à contundência. 

Só pode falar quem tem o que dizer, quem sabe falar. E quem decide isso? Quem sabe? A pessoa que escreve "a nível de"? A pessoa que cai nas falácias de ad hominem, de argumentum ad personam, de falsa analogia, de egocentrismo ideológico, falsa dicotomia e de tu quoque o tempo todo? Ou a pessoa que nunca dá atenção aos assuntos que não domina, finge que conhece o que não conhece para não parecer menos, faz outra coisa enquanto o outro fala numa demonstração total de falta de respeito, educação, elegância... levanta a voz, torna-se ofensivo e aumenta a velocidade da fala quando é minimamente contrariado? Ou a pessoa que descreve a conduta do outro com todas as atitudes lamentáveis que pratica e não vê: interromper e não se importar com o que o outro diz, viver e expor o outro a situações arriscadas, dizer que adoraria ver, ouvir, ler e sequer saber até agora qual era a pergunta que teria sido feita se fosse possível, no meio de tantos parêntesis? Verdade... realidade... sinceridade... A lógica só existe mesmo para justificar o que queremos fazer.

Bom, chega dessa modorrência contagiosa. Até minha febre melhorou porque não estou com paciência nem pra ficar doente. Separei tudo em textos programados pra ficar didático, dar tempo de pensar e gerar reflexões por meses. Mas, enfim, I rest my case. Câmbio final.



terça-feira, 6 de abril de 2021

Conteúdo e Forma

De novo esse assunto por aqui... 

Um senhor chegou outro dia na banca de jornal do mercado e perguntou à atendente:

- Tem pilha Duracell?

- Tem sim. O pacote AA com 4 custa 45 reais. - A moça respondeu.

- Não te perguntei o preço. - Continuou, o fofinho.

A atendente me confessou depois o que foi que sentiu na hora, mas apenas respondeu:

- Sim, senhor, mas é natural que o cliente queira saber o preço para ver se quer ou não levar.

- Mas, eu não te perguntei isso.

Daí pra lá foi só troca de gentilezas...

Num outro dia, o senhor Leo Batista, bem conhecido por apresentar programas esportivos na Rede Globo, estava entrando neste mesmo mercado, enquanto eu tomava um mate na lanchonete que tem ali. Desse diálogo eu não lembro bem os detalhes, mas um homem que saía começou a olhar para ele e fazer elogios ao contrário sobre a emissora. E o senhor Leo, que também gosta de uma exaltação, porque já o vi sendo tão gentil quanto um boi de rodeio, na padaria, na oficina e dentro do próprio mercado, devolveu uma série de observações contundentes e ficaram entretidos nisso por uns bons 10 minutos.

Poderia passar também o dia inteiro relatando pequenos eventos como esse. Se me esforçar, creio que tenho lembrança de presenciar e até protagonizar situações assim desde os anos 80. O que vejo de comum nessas duas aí de cima? Um estava seguindo com a vida até ser abordado por outro que só  disse verdades. Ninguém passou a pensar ou se comportar diferente, o dia de todos só ficou pior e qualquer possibilidade de interação a respeito do que quer que seja entre essas pessoas se tornou muito mais difícil. Quando você quer realmente mudar alguma coisa, quando realmente se importa, encontra as melhores maneiras de se conseguir atingir o objetivo. Com foco, elegância, cuidado, estratégia, maturidade e especialmente inteligência. De resto, é só vontade de punir o outro por algum tipo de frustração sua ou só uma vontade incontrolável de aparecer mesmo.
 

Do Mau Estilo... 

Todo o bem, todo o mal que eles te dizem, nada 

Seria, se soubessem expressá-lo... 

O ataque de uma borboleta agrada 

Mais que todos os beijos de um cavalo. 

 Mario Quintana

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 Acontece tanta coisa bonita no mundo...