terça-feira, 2 de março de 2010

Quem se importa?

A verdade é que provavelmente a vida não tem sentido nenhum, mas isso não significa que não possamos fazer algo divertido enquanto estamos aqui.
Hisoka

segunda-feira, 1 de março de 2010

E o Rio de Janeiro continua sendo...

Hoje é aniversário da minha cidade. Quem gostaria de comemorar isso se deu mal, está uma chuva maravilhosa lá fora e é segunda-feira. Mas, a comemoração não deveria ser mais importante que  uma  pequena pausa apenas para pensar nas questões que precisamos enfrentar por aqui e no quanto podemos dizer que somos abençoados por sermos cariocas. Como nasci e desde então vivo no Rio, posso falar mal de tudo o que me incomoda mesmo, dizer o quanto acho essa cultura da malandragem lamentável, o quanto as pessoas que forçam o sotaque são ridículas, que esse é um lugar para passar férias e não para morar, que a falta de educação é assustadora e meus conterrâneos são em sua maioria fúteis, porcos e acéfalos. Posso, porque eu sim vivo aqui e sofro com tudo isso. Não gosto de calor, medo de sair de casa, trânsito hostil, abismo social, oba-oba, nem muvuca. E apesar do surf que já nem sei mais como é desde minha adolescência, sou tão noturna! Gosto de preto, botas, cabelos compridos, chá, comida quente, atividades que não combinam com sol e clima de azaração e estou sempre tentando refletir sobre os motivos de eu ter nascido aqui. Deve haver alguma razão muito especial. Por outro lado, também me incluo no grupo dos afortunados que podem contar, com categoria, o quanto este lugar é mesmo muito bonito, algo que o pessoal que conhece o Rio de Janeiro apenas como praias de Copacabana, Ipanema e Leblon, Baía de Guanabara, Pedras do Arpoador, Cristo Redentor, Arcos da Lapa e Bondinho do Pão de Açúcar não podem dizer. Porque esses cartões postais não representam nem de longe a beleza dessa cidade. Na verdade, até fazem uma propaganda bem negativa. E até acho bom que continue sendo assim...

Como Sair de Repente para Kagar

Pronto. Está aí! Niguém mais precisa se sentir constrangido por não saber.

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!

Nem precisou esperar muito e o pênalti saiu assim, logo no primeiro minuto do primeiro tempo! Vejam se não é conspiração.

Como o mundo inteiro sabe, Jack virou jogador-de-poker-viciado-que-não-vai-parar-de-tremer-se-não-jogar-uma-partidinha-agora-mesmo. E como manda a tradição das histórias de jogadores iniciantes, a família (leia-se: eu) está se opondo a isso com a convicção que só quem não se imagina fazendo uma maluquice dessas - deixar outras atividades mais interessantes, nobres e construtivas de lado por conta de mesas de jogo -, tem. Então, desde que essa rotina nada saudável começou, Poker é assunto diário, revemos prioridades, estipulamos horários e sobra às vezes até um espacinho para eu me desesperar. E só tenho uma frase para dizer quando ele vem me contar detalhes sobre o jogo de hoje: Show me the money!  Porque para mim, esse universo gira em torno disso e apenas disso, então, enquanto não me aparecer com uma limousine, jóias da H.Stern e aqueles vestidos usados pelas acompanhantes dos jogadores em Las Vegas, serei contra. Não consigo enxergar como alguém consegue achar que reduzir sua vida a isso e perder dinheiro à toa, pode ser uma coisa saudável, ou simples.

Até aí, morreu Michael Jackson. O problema fica maior porque, para ajudar, o universo também parece ter entrado na brincadeira.  O hotel onde ele se hospedou no fim do ano estava abrigando um torneio de  que? De Críquet? Não, de Poker. Restaurantes onde vamos, passam desfile de moda em suas TVs? Não, campeonatos de Poker. Nas livrarias damos de cara com livros sobre como limpar objetos de prata logo na entrada? Não, vemos  A Psicologia do Poker. E toda hora agora  descobrimos que alguém é atleta de esportes de inverno? Não, jogador de poker. Os amigos brincam, dizem que o Jack vai dar meu piano pra pagar dívida de jogo, que vamos perder nossa casa, falam que vão combinar de jogar pra implicar comigo e tudo mais, só porque não têm noção da gravidade da situação que estou vivendo.  E eu só posso rir de volta. Eles sabem o quanto minha casa não precisa mais de reformas, já tem todos os móveis e não falta nada, não é mesmo? Ok, o quadro é esse, mas a piada não.

Hoje, um amigo roteirista com quem não falo há um ano ou dois veio me convidar para o aniversário dele no sábado agora. Falamos rapidamente pela Internet, perguntei a que horas passo lá e trocamos os novos números de telefone e endereço. Até aí beleza. A coisa pegou mesmo no finalzinho do papo, quando já nos despedíamos para voltarmos aos afazeres:

- Ah, Carol! Esqueci de dizer que vai rolar um carteado. Você joga Poker, né?

...

Nem preciso dizer que minha cara ficou igual a desse famoso bonequinho, aí em cima. Se isso não é conspiração, não sei mais o que é. Já descobri, tá gente... Podem parar agora.

Dizia eu que a Aritimética...

Bom, acho que já dá pra voltar a postar com mais frequência. Não que eu esteja com mais tempo sobrando, na verdade tudo indica que acontecerá justamente o contrário conforme forem passando os dias. Um livro de contos pra terminar, outro para começar a ilustrar assim que acabar o primeiro, faculdade nova... mas aquela sensação de tempo suspenso, entre Reveillon e Quarta-Feira de Cinzas, já vai ficando para trás e o ano de fato começa a engrenar.

É isso. Não tenho nada de muito relevante a dizer hoje ainda, mas tô na área. Se derrubar é pênalti.