Não posso especificar como isso começou… Mas, as histórias contam que desde antes dos cronidas houve amor e beleza, atributos da filha do céu estrelado com as espumas do mar. E a cada um dos seus ela indicou um rumo.
Daquelas praias da costa do Chipre, para mim, sua bússola sempre mostrou o Oeste. E assim, mesmo sob a tempestade que rasgava as velas, mesmo que os ventos gritassem que naqueles mares não se navega, a proa apontava insistentemente para a terra dos Leões. Desde então, pelo que sei, passados o lendário cavalo de madeira, o protesto dos icenos, a espada fincada na pedra e sabe-se lá quantas ocasiões mais, enfim, graças às artes (amor e beleza) aqui estamos hoje.
Antes do tempo era tudo silêncio, mas isso não quer dizer que a música, bela, já não estivesse lá esperando para nascer. Pois, sempre houve o acalanto, sempre as cordas vibraram; mal sabíamos que dialogávamos. Não que antes não houvessem sorrisos e risadas, apenas desconhecíamos os motivos. Não que a Lua não soubesse o nome para chamar duas pessoas como se fossem uma só, apenas precisávamos chegar um pouco mais perto para entender. Não que antes não nos amássemos, apenas não havíamos ainda nos conhecido.
E se as coisas têm sido assim, desde antes do que posso me lembrar, se nem mesmo a infinitude do tempo e do espaço foi capaz de nos distanciar, a essa altura, quem sou eu para contrariar o universo?
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