Por mais umbralino que nosso mundo seja e por menos ascencionado que seja meu espírito, procuro me cercar das coisas bonitas e enriquecedoras. Invisto minutos só olhando para o céu diariamente, vou onde vale o esforço de me deslocar, falo sobre, o que e com quem o sacrifício do silêncio compensa, trabalho com o que me faz sentir feliz. Durmo com bastante sono, como com bastante fome e se me distraio é porque estou prestando bastante atenção em outra coisa. Tudo meu é na intenção de que seja maravilhoso, pra mim e para todo mundo que posso, isso é fato.
Por mais que alguns dias sejam de cinco de espadas, outros de oito de copas, alguns de sete de ouros e outros de dois de paus, eu sigo. Na minha. Distraída de tudo mais, fazendo o que considero bom. Mas, mesmo assim, não são poucas as vezes que, no meu trajeto surgem os protestos, a má vontade, os choramingos, as tentativas de dissuasão. Vejo gente que sai do outro lado da cidade, SÓ para tentar minar algo de bom que estou fazendo. Vejo crime de falsidade ideológica e pesquisas sobre novas formas de espionar onde estou, o que faço, para onde vou, o que farei... Recebo observações a respeito do que uso, faço, sou, de pessoas que sequer me cumprimentam. E gente, de quem o esperado é que se importe, acompanhe, se interesse e saiba da minha vida, aparece apenas para apresentar obstáculos e criar problemas.
E eu não sou nada... sei pouco, faço pouco, erro mais do que devia. Me entristeço profundamente e penso em desistir o tempo todo. Não tenho facilidade para nada. Ter as coisas que tenho, custa. Fazer o que faço, custa. Ser desta forma aqui, custa. Não percebo nada de admirável ao ponto de afetar tanto assim a vida de outras pessoas. Sei lá, deve ser esse o problema. Ou, talvez, simplesmente não estar participando dos jogos delas, me importando com o que fazem para suas vidas, reverenciando, desejando ser aceita, lutando por aprovação, amizade, amor, reconhecimento... Vai saber. De qualquer forma, é sempre curioso quando percebo esses esforços todos, porque são sempre para conseguir, na melhor das hipóteses a minha tristeza e antipatia, na pior, aumentar a minha vaidade. Nada mais.
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