São dois os reflexos no espelho partido. E se são idênticos, qual é o real? A dúvida me desaba, me dói e persiste... Aquelas são as faces do bem e do mal. Uma sorri, a outra é triste. O rosto é o mesmo mas em nada igual. Um pinta, canta e cria, o outro rasga, grita e destrói. Qual deles sou eu? Qual vence a briga? Quando tudo é cinzas, quem reconstrói? Quem é que responde quando tudo se cala? Essa luz que se acende, conforta e me fala? Uma explosão e o espelho se racha: delírio, loucura, devaneio. São dois os reflexos, mas eu sou nenhum. Exausta, persigo a linha do meio. Fecho os olhos, apenas sinto, apenas sou, e um milagre acontece, então. A verdade volta à lembrança: não é um inerte inseto verde a esperança, mas a Chama Vermelha em combustão. O fogo que brilha, ilumina e aquece. A luz que persiste enquanto anoitece. A testemunha silenciosa, inocente de coração. Assim, livremente levanto, sem dúvida ou certeza, no entanto. Não sou uma vítima, sou a ação. É melhor viver do que saber, ser que parecer, acender uma chama a amaldiçoar a escuridão.
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