segunda-feira, 11 de março de 2013

You give love a bad name

Ah, a concepção cristã de amor... A felix culpa... Cada um com seus fetiches, mas, esvaziar essa corrente sadomasoquista que rima amor com dor nem é assim tão complexo. Veja só, retire o conceito de posse de qualquer coisa desta concepção de amor e repare na mágica: o sofrimento desaparece, a culpa some, sobra partilha, comunhão e celebração. Sofredor é o apego. Amor não existe, o que existe é amar.

Só para aprofundar um pouco mais a minha jovem visão sobre o assunto neste espaço aqui, - e se eu me aprofundo com você,  saiba que é amor - penso que o amor aparentemente pode ser vivido de três formas, possui três dimensões. Pode se desenvolver pela dependência, pela independência ou pela sincronicidade. 

Quando há dependência, há sofrimento, pois não há liberdade. Há cobrança, exploração. Os envolvidos são mendigos que enxergam um ao outro como imperadores, mas tão logo a festa biológica dos primeiros dias (que podem duraaaaaar) acabe, a verdade aparece, as máscaras caem e começa a troca de acusações. Todos sentem que foram enganados, mas errôneamente acreditam ter sido trapaceados pelo outro, quando a falha aconteceu pela falta de uma visão clara. Na maior parte dos casos é isso o que está acontecendo com o mundo e é disso que fala o Coríntios motherfucka, as músicas do Bon Jovi, os pagodes, as  sertanejas e toda a pieguice musical, literária, plástica, rítmica e cinematográfica, usando o tema. Um domina o outro, possui o outro e reduz o outro a uma mercadoria, com garantia e tudo no caso de assinarem contrato de casamento ou assumirem em suas vidas qualquer uma dessas instituições semelhantes, namoro, noivado, amizade colorida... Recebem um alvará para infernizarem a vida um do outro até a morte. É um castelo de ressentimentos que cedo ou tarde as pessoas começam a admitir que construíram. E tenho o palpite de que é essa a principal razão pela qual homens e mulheres estão tão ressentidos uns com os outros. Vocês chamam isso de "amor"? Eu chamo de chave do inferno.

Por outro lado, quando há uma aproximação mais consciente entre pessoas independentes, uma troca de admiração, ninguém usando o outro como bengala, o resultado também acaba em sofrimento, porque essa independência igualmente traz infelicidade e conflito constante. Não faz sentido a convivência. Nenhuma adaptação é possível, nada de comunhões, ninguém está disposto a se comprometer, a partilhar-se com o outro. É o que acontece mais frequentemente com poetas, artistas, pensadores, cientistas e todos os que vivem num tipo de independência mental. São pessoas de convivência impossível, excêntricas. Deixam o outro livre, prezam pela liberdade, mas é uma liberdade que parece mais indiferença, parece que não se importam, não se preocupam com o outro. Entregam-se apenas ao seu próprio espaço e a relação parece ser apenas superficial, pois na verdade o que eles têm é medo de se aprofundar uns nos outros, medo de perder sua liberdade. Estão mais ligados à própria liberdade do que ao amor e não entendem de que forma ambos poderiam existir juntos. Assim, não querem compromisso com ninguém. 

No entanto, quando acontece a terceira possibilidade, a interdependência, enfim se descobre o paraíso. Acredito que seja a coisa mais rara do mundo, mas sempre que acontece, duas pessoas, nem independentes, nem dependentes, vivem uma grande sincronicidade, como que respirando no mesmo corpo, uma alma em dois corpos, então, acontece o amor. São nuvens no céu, ondas no mar, entenderam a fundo o movimento do universo, descobriram o segredo. Só isso se pode chamar de amor realmente, eu acredito. As outras duas formas não são amor de verdade, são apenas vínculos. Sociais, psicológicos, biológicos, mas vínculos. A terceira forma é a forma imensa, sem forma, profunda, sublime, espiritual. Constante em sua inconstância. Fixa em sua mutação. Só isso é amor, só isso atravessa os tempos, só isso se mantém. E é por pensar assim que acredito em amor à primeira vista. 

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