domingo, 31 de março de 2013

Contágio Imediato


Essa música não sai da minha cabeça há semanas. Agora também não sairá da sua. Sou dessas.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Olé!


Jack deveria voltar a escrever seu blog. É o único sol em gêmeos que conheço que não se acha bom com palavras. Mas, não nega a raça, é genial. Tem sempre as melhores sacadas, um olhar surpreendente sobre a realidade, um ouvido atento, uma atenção cordial, destrincha a essência das coisas incrivelmente e consegue me deixar com a barriga doendo de rir. É a pessoa por quem mais tenho admiração nessa vida, a mais inteligente, a mais sensível, é o meu irmão gêmeo, só escolheu nascer dois anos depois... E até nisso está a minha sorte sem limites. Não cansa de me surpreender com novidades em primeira mão e referências que de tão semelhantes a mim acho estranho não ter conhecido antes. Ele são os olhos que me faltam na parte de trás da cabeça, aquela parte do cérebro que uso menos, aquele par de ouvidos, de braços e de pernas a mais. Mas sua constelação ascendente, a cabra montanhesa, é forte demais. Vê bem o meu caso e se entristece junto comigo a cada nova decepção por que passo com meu próprio sol, sempre brilhando para qualquer um. Ao contrário, o sol dele não brilha para todos, escolhe bem a quem vai dizer coisas e dividir, prefere fazer do que falar ou escrever. E faz! Resolve tudo! E se não tiver as palavras, vai dar um jeito de encontrar em outra cabeça, se não puder fazer, vai encontrar quem possa, se não souber, aprenderá qualquer coisa. E como é rápido! Não é escravo de títulos, aplausos ou status. Procura aprender e investir apenas no que lhe interessa sinceramente, não no que possa conferir respeitabilidade simplesmente. E apesar disso, e talvez por isso, é o melhor possível em tudo o que decide fazer, conquista a verdadeira autoridade. Aquela que ninguém pode dar ou tirar de você. Uma observação precisa e as coisas começam a parecer mais fáceis para mim. Vou aprendendo... Portanto, se ele voltasse com o blog eu voltaria a ser sua leitora diária e dialogaríamos, como acontece em outras instâncias. Talvez só mesmo ele, composto da mesma qualidade dupla, do mesmo ar, dos mesmos princípios, fins e fundamentos, saiba, dos jeitos mais sutis e abstratos, quem eu sou. Por isso, não há nada mais a dizer. Está tudo dito no vídeo, no momento perfeito, na hora exata, da melhor maneira. Como só ele magicamente consegue descobrir que preciso.

sábado, 23 de março de 2013

Os Sete

Não há êxtase que não toque a loucura. Nem coração intacto. Nem fogo sem combustível. Nem criação sem negação. Nem vôo sem queda. Nem forma imutável. Nem algo fora do lugar.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Não dá para encher balde cheio.

Praticamente ninguém se ouve. E sei tão bem como é isso, não ouvir, não esperar, que eu poderia até escrever um ensaio sobre a surdez. Ansiosa, sempre achando que estava atrasada, com tanta coisa para contar, mostrar e dizer... Quantas vezes deixei de saber das pessoas, das mais queridas e interessantes, o que tinham de si para dar, para pedir, para mostrar? Tudo em prol de uma arrogância inconsciente de que o que eu tinha para dizer fosse tão mais importante, interessante, útil, ou legal. Não havia espaço para o outro na minha vida. Aquela auto suficiencia que só as crianças e os selvagens têm... Eu nem queria saber... Não fazia falta. Como algo que não se sabe que existe pode fazer falta, não é mesmo? Perdi. De qualquer modo, eu sequer reparava. Por imaturidade, falta de educação ou ignorância... Mas, assim que me conscientizei do fato, do comportamento inadequado, e seus prejuízos gerais e específicos, ele foi eliminado. Não foi simples, nem indolor, mas foi rápido. E hoje é como se nunca tivesse existido. Quer dizer, para os outros. Para mim não. A consciência se deu tragicamente, como acontece com as grandes lições. Eu jamais poderia me esquecer de ter me comportado assim. E, na verdade, mesmo que quisesse, praticamente ninguém deixa. Porque ninguém se ouve. Ninguém está interessado. Só quer falar, mostrar, se afirmar o tempo todo. Não há espaço para o outro. Os baldes estão cheios, não cabe mais nada. E com isso se perde tanto... Todos perdem. As conversas nunca têm o objetivo de partilha, de comunicação, são embates, afirmações de poder o tempo inteiro. Então fica fácil entender os motivos de tantos desencontros, guerras verbais, mentiras, hipóteses, falsas conclusões... O interesse e a capacidade de ouvir são inversamente proporcionais à vontade de concluir sobre assuntos e pessoas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Not Today.

Já que a moda agora é usar palavras dos outros para expressar o que a gente sente...

"Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena."
 (Adriana Brito)

terça-feira, 12 de março de 2013

Marte na Última Casa

Essa noite sonhei, outra vez, com o mesmo sonho que vem se repetindo de vez em quando há alguns meses. E por estar vivendo um período estranho, meio incerto, cheio de dúvidas e melancolia, em que memórias muito, muito, muito antigas me surgem como peças de quebra-cabeça, e por ter sido um sonho tão vivo e tão insistente achei por bem registrar aqui. A cena é simples, eu participo de uma performance junto com um amigo. Logo eu, que não acredito em performances... Nós nos movemos entre sombras e fachos de luz. Nos afastamos, nos entrelaçamos. Ora eu estou na luz, ora nas sombras e o mesmo acontece com ele. A obra se chama Nós.

segunda-feira, 11 de março de 2013

You give love a bad name

Ah, a concepção cristã de amor... A felix culpa... Cada um com seus fetiches, mas, esvaziar essa corrente sadomasoquista que rima amor com dor nem é assim tão complexo. Veja só, retire o conceito de posse de qualquer coisa desta concepção de amor e repare na mágica: o sofrimento desaparece, a culpa some, sobra partilha, comunhão e celebração. Sofredor é o apego. Amor não existe, o que existe é amar.

Só para aprofundar um pouco mais a minha jovem visão sobre o assunto neste espaço aqui, - e se eu me aprofundo com você,  saiba que é amor - penso que o amor aparentemente pode ser vivido de três formas, possui três dimensões. Pode se desenvolver pela dependência, pela independência ou pela sincronicidade. 

Quando há dependência, há sofrimento, pois não há liberdade. Há cobrança, exploração. Os envolvidos são mendigos que enxergam um ao outro como imperadores, mas tão logo a festa biológica dos primeiros dias (que podem duraaaaaar) acabe, a verdade aparece, as máscaras caem e começa a troca de acusações. Todos sentem que foram enganados, mas errôneamente acreditam ter sido trapaceados pelo outro, quando a falha aconteceu pela falta de uma visão clara. Na maior parte dos casos é isso o que está acontecendo com o mundo e é disso que fala o Coríntios motherfucka, as músicas do Bon Jovi, os pagodes, as  sertanejas e toda a pieguice musical, literária, plástica, rítmica e cinematográfica, usando o tema. Um domina o outro, possui o outro e reduz o outro a uma mercadoria, com garantia e tudo no caso de assinarem contrato de casamento ou assumirem em suas vidas qualquer uma dessas instituições semelhantes, namoro, noivado, amizade colorida... Recebem um alvará para infernizarem a vida um do outro até a morte. É um castelo de ressentimentos que cedo ou tarde as pessoas começam a admitir que construíram. E tenho o palpite de que é essa a principal razão pela qual homens e mulheres estão tão ressentidos uns com os outros. Vocês chamam isso de "amor"? Eu chamo de chave do inferno.

Por outro lado, quando há uma aproximação mais consciente entre pessoas independentes, uma troca de admiração, ninguém usando o outro como bengala, o resultado também acaba em sofrimento, porque essa independência igualmente traz infelicidade e conflito constante. Não faz sentido a convivência. Nenhuma adaptação é possível, nada de comunhões, ninguém está disposto a se comprometer, a partilhar-se com o outro. É o que acontece mais frequentemente com poetas, artistas, pensadores, cientistas e todos os que vivem num tipo de independência mental. São pessoas de convivência impossível, excêntricas. Deixam o outro livre, prezam pela liberdade, mas é uma liberdade que parece mais indiferença, parece que não se importam, não se preocupam com o outro. Entregam-se apenas ao seu próprio espaço e a relação parece ser apenas superficial, pois na verdade o que eles têm é medo de se aprofundar uns nos outros, medo de perder sua liberdade. Estão mais ligados à própria liberdade do que ao amor e não entendem de que forma ambos poderiam existir juntos. Assim, não querem compromisso com ninguém. 

No entanto, quando acontece a terceira possibilidade, a interdependência, enfim se descobre o paraíso. Acredito que seja a coisa mais rara do mundo, mas sempre que acontece, duas pessoas, nem independentes, nem dependentes, vivem uma grande sincronicidade, como que respirando no mesmo corpo, uma alma em dois corpos, então, acontece o amor. São nuvens no céu, ondas no mar, entenderam a fundo o movimento do universo, descobriram o segredo. Só isso se pode chamar de amor realmente, eu acredito. As outras duas formas não são amor de verdade, são apenas vínculos. Sociais, psicológicos, biológicos, mas vínculos. A terceira forma é a forma imensa, sem forma, profunda, sublime, espiritual. Constante em sua inconstância. Fixa em sua mutação. Só isso é amor, só isso atravessa os tempos, só isso se mantém. E é por pensar assim que acredito em amor à primeira vista. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Tudo é muita coisa."

Acho... que muitas vezes soube como é a dor agonizante de uma vítima da fome. Aquela oscilação entre resistir e desistir. Aquele vislumbre de possibilidades para se apegar, versus aquela falta de sentido em sobreviver sofrendo. Então, quando tudo está prestes a acabar, de um canto qualquer surge a imagem borrada de alguém. Raspas e restos são um banquete. Mais um tempo se passa, um tempo que não se pode contar, e a dor nunca esteve nem mesmo perto de seu fim. A esperança espera, a desistencia desiste, outra migalha se come, a dor dói e a vida persiste. A vida dói.

Tudo é muita coisa... Nada também! Porém, um pouco não é o suficiente. O sim pode tanto quanto o não,  apresentam possibilidades equivalentes, mas o talvez, o que pode o talvez? A fome, a incerteza, a espera. O maldito talvez. A dúvida "te esmaga feito uma uva." E não há crueldade maior do que essa morte lenta. A vida é cruel.

Toda a energia acumulada durante o tempo que se tem é investida em breves momentos e só de vez em quando. Não há certeza de satisfação na maioria dos casos. Em verdade, a chance maior vem sempre com gosto de decepção, fome permanente. Responsabilizo-me, empunho pena e espada, mantenho abertos coração, mente e espírito. Vivo no último, não deixo passar nada. Busco, procuro, crio, destruo, mantenho, choro, amo, berro, sussurro, dôo, entrego, corro, sorrio, roubo, improviso, renuncio, faço, e para quê? E por que? Não sei. Caio, sofro, sangro e deixo ir... Mas a chama vermelha, embora fraca, continua brilhando e queima, e derrete, e arde. A dor continua. Então, quando o alívio está próximo, o sofrimento perto do fim, a chama prestes a se apagar, surge de algum canto a imagem borrada de alguém... Um sopro suave se torna incêndio. A vida repete seu lema: hoje não.