Por quanto tempo essas moscas ficarão nesse movimento sazonal, dominando ou sendo dominadas, mas sempre presentes? Por quanto tempo terei de fingir que não vejo, relevar, espantá-las? Não nasci para ser uma espanta-moscas... Na verdade não nasci para nada disso do que sou agora e não vejo de que forma posso ter um desfecho satisfatório. Como seguir em frente? Há tempo demais me esforço para não depender de ninguém e por muito tempo estive sempre fora de casa. A casa era um problema. Eu queria uma casa. Consegui. Queria companhia. Tive. Agora, a casa estranhamente passou a ser uma prisão. A companhia está entediada. Há mais tempo que a maioria das pessoas, luto para fazer algo de realmente bom, ser útil e isso prova que não sou capaz? O tempo sempre me pareceu muito curto, pois o que esperava conseguir era talvez grande demais para mim. Tive tanto medo da dor que agora ela se tornou o meu destino. Eu sou dor. E gostaria muito de poder dizer que no fim serenamente darei o primeiro passo no caminho da eternidade e blá blá blá, mas nada do que sou ficará, não serei história, não deixarei nada, tudo irá comigo. Além disso, me falta coragem e o destino da dor é doer. Infinitamente.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Um Sentido
As ruas alaranjadas pelas lâmpadas de mercúrio... Mal se vê as estrelas. Árvores contra o céu escuro... O vento frio. A tristeza no fim do dia... Os fones de ouvido. A solidão consentida... Os passos de volta para casa. Cabeças baixas, pensamentos longe. Alguém senta na janela e parte... Alguém passa sem pressa segurando sua bolsa... Alguém acende um cigarro e olha as horas... Alguém enche um copo de cerveja no bar... Alguém conta uma história. Outros riem... Alguém combina os planos para a noite. A festa, o jantar, o banho, o descanso, a bolha... Todos se movendo no fim do dia, sem rumo... Ansiando pelo nascer do sol, o dia seguinte, a segunda chance. Sonhando que estão sós... Esperando pelo ônibus e por um sentido que nunca dobra a esquina.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Fim das Coisas
Há um profundo silêncio no fim de todas as sinceras conclusões. Nada mais a ser dito, circularmente perfeitas, eternas... Nenhuma dúvida, nenhuma pergunta, nenhum comentário. Todo o objetivo da linguagem expresso num momento infinito, no fim de todas as coisas, no silêncio, para onde a verdade impulsiona. E vice-versa.
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