terça-feira, 16 de agosto de 2011

As Aventuras de Tom Sawyer

Poucas vezes fiquei tão satisfeita com o final de um livro quanto no caso de As Aventuras de Tom Sawyer. Foi escrito para as crianças, mas Mark Twain esperava que isso não impedisse a leitura dos adultos. Tudo se passa às margens do Mississípi, na pequena aldeia de São Petersburgo, ao pé do monte Cardiff, e trata de um dos temas mais recorrentes nas minhas reflexões: a liberdade, o que me torna ainda mais suspeita para comentar a história de Tom. E ao longo dos séculos o personagem foi referido e homenageado de tantas formas... É citado em Minority Report - A Nova Lei, em Sandman, é personagem em A Liga Extraordinária, Lost tem também um personagem apelidado com seu nome, é tema da mais famosa música do Rush e de tantos outros filmes, livros e músicas pelo mundo. Recomendo a todos que leiam este livro. E gostaria de transcrever, em especial, o último capítulo na íntegra aqui, além de muitas outras passagens geniais também, todas dignas de nota, mas deixarei só um parágrafo mesmo.

"- Não me fale isso Tom! Já experimentei, mas não pode ser. Não é para mim. Não estou habituado. A viúva é boa, é minha amiga, mas não posso suportar as suas maneiras. Faz-me levantar todos os dias à mesma hora; e me lava e me penteia até não poder mais; não me deixa dormir na banheira; tenho que usar aquelas malditas roupas que me sufocam, porque parece que não deixam o ar passar através delas; são tão bonitas que não posso me sentar, nem deitar, nem me esfregar no chão quando estou com elas. Tenho a impressão de que há já um ano que não me sento na soleira de uma pedra; tenho de ir à igreja e suar e suar, porque detesto aqueles sermões amaneirados. Quando estou lá não posso apanhar uma mosca nem mascar fumo. Tenho de andar de sapatos durante todo o dia de domingo. A viúva come ao toque de uma campaínha, vai para cama ao toque de uma campaínha, levanta-se ao toque de uma campaínha. Enfim, tudo lá em casa é tão certo que uma pessoa não pode suportar tal vida."

Um comentário:

JP Mayer disse...

Tudo, por melhor que seja, torna-se insuportável se engessado.