terça-feira, 21 de março de 2023

Canção da Ovelha Negra

Agora que o outono chegou, o ano começa a tomar fôlego outra vez. Aproveito as energias guerreiras dos recomeços para desejar a todos mais um ano que valha a pena viver. Desejo aos meus visitantes que esses retratos e pensamentos nucleares, tão íntimos, tenham a honra de continuar provocando seu coração, seu amor, sua ira e seu orgulho. Espero que firam conceitos podres sobre moralidade, deus, família, casamento, amizade, escola, nação, religião e tudo que seja antiquado. Pois é através dessas coisas que temos o péssimo vício de nos enxergarmos em nossas mentes e, apesar de a mudança ser inevitável, nunca é fácil. Nem mesmo é fácil reconhecer isso. Mas, como construir o novo, sem destruir o ultrapassado? Ou, pelo menos, deixar rolar? Sei que às vezes pareço dura, como se não me importasse com ser compreendida, com ser agradável, com os resultados, e não me importo mesmo. Minha intenção não é diplomática, nem política, estou apenas respondendo com toda a minha totalidade a qualquer coisa que aparece na minha frente. E escrever aqui é apenas uma catarse, faço apenas anotações despretensiosas e desabafos selvagens. Dispenso qualquer esforço de coerência ou construção de personagem, caráter, personalidade e demais sinônimos (para quem acredita nisso). Na verdade, minha busca é sempre no sentido de me desfazer. De não buscar, mas de encontrar. Responder com tudo o que há em mim a cada evento. Ser apenas a essência. Ao menos aqui, onde nada está em jogo. Não tenho nenhum interesse. Nem preciso convencer ninguém. Então, ao menos aqui, não posso ser astuta. Não sou política. Essa é a coisa mais feia que pode acontecer com alguém. Não sou diplomática. E não espero de ninguém comportamentos manipulados, educados. Prefiro ver as coisas como são. Até porque isso agiliza tudo. Já vejo logo se me interessa ficar ou sair. Não sou hipócrita e isso a principio parece um problema, mas também facilita muito e poupa tempo. Meu foco é o prático, o aplicável, a experiência, o processo. Afinal, mudar eu sei que vai. Então, falo aqui sobre as coisas como elas são para mim. Se isso dói, problema seu. Se cria inimigos, não estou preocupada com isso. Aliás, sermos inimigos é o primeiro passo para nos tornamos amigos. Portanto, tenham outra bela volta do Sol com o mínimo de infortúnios, vocês que são meus amigos e vocês que não sabem ainda muito bem. 

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Canção dos Peixes nadando em círculos

O silêncio e o riso são a chave. E se o riso vem do silêncio, então é de ordem divina, não é deste mundo. Pois, um riso que parte do pensamento é apenas uma piada, às custas de alguém. Mas, em silêncio sorri quem entendeu a piada cósmica. Porque do lado de dentro se tem tudo, embora procure-se por toda parte. Existe piada melhor? Você é um rei, se passando por mendigo. Não apenas representando, enganando os outros, mas fingindo para si próprio e acreditando que é um mendigo. Você tem a fonte de todo o conhecimento e vive fazendo perguntas. Você é a própria inteligência, e pensa ser ignorante; você tem o imortal dentro de si e tem medo da morte. O sábio é o louco. O louco é o sábio. Essa é a piada.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Bom dia, Vietnã.

Eu sabia que 2023 teria 365 dias. Mas, não sabia que seriam todos em janeiro. Sei nem por onde começar. Mal consigo me concentrar para trabalhar, porque apesar de tudo a prancheta felizmente continua cheia, mas, no momento sequer consigo enxergar também as letras do teclado. Preciso tomar cuidado para não molhar tudo aqui inclusive... Não choro a toa, no entanto, há dias não consigo parar. Nem dormir, ou comer. Fico muito nervosa o tempo todo, as mãos tremendo, conferindo minhas caixas de mensagens de 1 em 1 minuto... e sendo arrebatada por alguns sentimentos que estou procurando evitar, mas tem sido muito difícil. Estou com muito medo. Queria poder fazer algo, mas... não sei o que fazer...

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

De gratidão e merecimento

Já fui até outra cidade para encontrar alguém que eu queria muito conhecer. Já saí de casa com pressão baixa, precisando parar e sentar pelo caminho até o destino, porque não deixaria passar a oportunidade de estar com alguém que me importava. Já me despedi da única pessoa que eu podia contar, certamente uma das que eu mais gostei na vida toda, quando percebi que as coisas estavam pesadas demais pra ele e ele jamais faria isso por si mesmo. Já vomitei de nervosismo depois de um conversa necessária que eu evitaria, se isso não significasse sacrificar a liberdade de outra pessoa. Já esperei quieta em silêncio, segurando a ansiedade bravamente, quando minha vontade era dizer um monte de coisas, perguntar, tentar entender... por respeitar o direito do outro de falar só quando achasse que devia. Já passei por lugares perigosos, fiquei na chuva, aguentei o sono e a fome só para conseguir ver alguém, não estragar o momento, ou para resolver uma questão. Já gastei quando não podia, só para ganhar um sorriso. Já arrisquei minha segurança, meu conforto e a minha paz, por ingenuamente acreditar que resolveria problemas que existem há décadas e que não dão o menor sinal de melhora. Já fiz malabarismos com o meu tempo para deixar todo mundo feliz. Já dediquei tempo, energia, atenção... focando em encontrar soluções e trazer um pouco de esperança a quem se considera incapaz de encontrar uma saída. Já escrevi poemas, músicas, pensamentos como esses aqui... Já pintei e imaginei mundos, histórias... Tudo para não ir perturbar a paz ou impedir a liberdade de alguém. Já ouvi gente falando por horas sobre coisas que não me interessam, só porque não queria interromper a felicidade e o auto entretenimento. Já tentei entender sobre assuntos que não me empolgam em absoluto, pra participar, ajudar, conhecer... Já deixei coisas extremamente importantes em segundo plano, para fazer surpresa de aniversário. Já evitei devolver gentileza logo depois de recebê-la, pois eu mesma não valorizo muito quando me retribuem por pura educação, não vejo coração nisso ou verdade e prefiro ver. Já procurei pensar numa forma, num jeito mais claro de explicar, de conciliar, de apaziguar, de convencer, de mostrar o quanto me importo, o que sinto, a forma como vejo... Para não haver mal entendidos, ruídos na comunicação, idéias equivocadas sobre como lidar comigo. Já deixei de lado muito do que eu queria, pela felicidade alheia. Já aguentei comportamentos que não admiro, situações desnecessárias, falta de maturidade... com o pensamento focado em encontrar uma forma de mostrar caminhos melhores, na chance de conseguir resolver os problemas, as dificuldades. Preferi não ler, não ver, ignorar agressões, ataques pessoais, chilique, falta de noção, brincadeiras babacas, criancices, para evitar constrangimentos  ou por procurar entender que nem todos receberam educação e nem tudo é de fato como parece. Já relevei muitos absurdos. Já aguentei firme quando tudo parecia desabar... Já cheguei ao fundo do poço. Já desisti da vida. Já pedi desculpas. Já mandei a real. Já recomecei muitas vezes. 

Por isso, a essa altura da vida, existem coisas que me dou ao luxo de não fazer: aceitar ordens, chantagens ou tentativas de me controlar, cercar, obrigar ou manipular, não impor limites diante de falta de respeito, discutir com gente desequilibrada que não está enxergando nem ouvindo, permitir ataques à minha liberdade, aceitar cobranças. E contrariar isso é a fórmula para me desanimar seja com o que for.

Se faço o que faço é por minha própria conta e risco. O sofrimento é meu e a alegria também. Se algo de bom resulta do meu esforço, sinto uma gratidão profunda. Pois, quando as coisas acontecem como quero não é porque mereço, é porque eu saí da minha zona de conforto e fiz acontecer. Fiz por merecer. Não devo nada e ninguém me deve.