terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ah... Agora eu trabalho demais...

Um dia desses recebi um e-mail da minha mãe, contando que está triste, não tem feito nada de interessante, o trabalho está chato, não vê a hora do ano acabar e que as galinhas tiveram pintinhos e roubaram a cama da gata. Minha família é tão contraditória... Sempre contribuindo para as pilhas das piores e das mais divertidas lembranças. Eu respondi o e-mail fazendo aquilo que faço de melhor: dar trela para a autopiedade dos outros, mascarando minha vontade de mandar tomar vergonha na cara e parar de palhaçada com palavras de mestres Zen. "Há momentos de trabalho e momentos de descanso. Nos momentos de trabalho, trabalhe. Nos momentos de descanso, descanse." Parece óbvio falando assim, mas sei bem como somos capazes de trocar tudo, o tempo todo. Às vezes é preciso que alguém nos diga aquilo que estamos cansados de saber. É fácil estar perdido em meio as neuroses de nossas mentes ocidentais.

Neste e-mail resposta, também a convidei para ir ao cinema ver Toy Story, mas ela foi para a casa de praia e não leu a minha mensagem antes. Depois respondeu se desculpando, dizendo que o celular não tocou quando liguei e que não gosta desse filme. Ela diz isso porque acha os bonecos feios, não porque já tenha visto qualquer uma das três animações da trilogia. (Sim, eu sei o que você está pensando e nem tenho como defendê-la.) Em seguida ela diz na mensagem que passou aqui em frente no domingo, era mais de meia-noite e minha janela estava aberta, com a luz acesa, que devo trabalhar, mas não descuidar da saúde. Só quem conviveu comigo na época em que morei com os meus pais para saber o tamanho dessa ironia. 

Mensalidades

Nos últimos três dias meu sono não foi fácil. O sorriso também não, uma pena. Está frio aqui dentro. Está cinza também. Escuro. Lá fora, não. Faz uma bela tarde ensolarada. E eu já estava me preparando para sair, quando precisei tomar dois comprimidos de tanta dor. Já devia estar acostumada. As pessoas não conseguem considerar as outras, honrar seus compromissos. O dinheiro nunca chega na data combinada e às vezes todos os planos são postergados para o próximo mês. Só as cobranças, as contas e as cólicas não tardam.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não parece, mas sou uma só!

Esse não é o melhor momento para dizer isso, mas eu planejo voltar. Verdade! Só preciso tomar banho em 5 minutos e estar no ponto de ônibus até as 17 horas, antes. Depois, tenho que terminar cinco pinturas enormes, uma pintura que pode trazer grandes oportunidades (péra, João, eu tô fazendo), ler um monte de textos, terminar um exercício de Desenho para a faculdade, uma capa e uma página para um Zine. Aí então fico livre para escrever.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nove


Um mais oito, dois mais sete, três mais seis, quatro mais cinco, o último dos algarismos. O Eremita, O Andarilho, A Solidão, O Encapuzado, O Profeta do Eterno, O Mago da Voz do Poder, O Absoluto, O Elevado, A Plenitude, A Mão, O Zero, O Princípio Masculino, O Início, A Semente, O Potencial, Yod, Tiphareth Chesed, Virgem, Terra, Mutável, Mercúrio, Deméter, Ceres, Aquele que Discrimina, O Princípio da Luz Divina, A Luz Criadora, A Obra de Deus, A Conclusão. O absoluto mais o relativo, o abstrato mais o concreto. O Iniciado, O Profeta, A Globalização. Quase o fim, nove avenidas, nove jardins, nove fontes. A base de todo o plano e toda a construção. O Nome de Deus, A Palavra Perdida, O Sagrado. O Metódico, O Generoso, O Sofredor. A Gestação, A Busca Proveitosa, O Término de Uma Obra, A Recompensa Final. A Plenitude, As Esferas Celestes, O Coro dos Anjos, As Musas. A Universalidade, O Último do Ciclo, A Visão Ampla, O Fecho do Círculo. A Perfeição, O Consciente, O Conhecimento, A Sabedoria, A Paciência, O Senso, A Dedicação e A Prudência. O Humanismo, A Generosidade, A Intuição, A Imaginação. A Exaltação. O Último Céu. Novo. A Harmonia, A Arte Clássica. I. O Tato. O Ovo, O  Órfico, A Regeneração, O Cereal, A Introspecção, O Centro. IX. Aquilo que é emitido retorna.

domingo, 27 de junho de 2010

Todo Herói Tem Uma História Difícil

Nem todo mundo partilha de quais são os meus sonhos, mas acho que é bem óbvio para qualquer um o quanto gosto de pintura e desenho e o quanto levo essas atividades à sério. E mesmo com o pensamento frequente de que todo o meu esforço ainda é pouco, meus dias tem sido bastante atarefados. Não estou reclamando, que isso fique bem claro, mas acabo precisando fazer uma coisa que eu odeio: sacrificar aulas. E uma das aulas que precisei matar foi a de quadrinhos no sábado retrasado. Ontem já foi uma luta acordar para não faltar mais uma vez, mesmo assim eu fui. E vejam vocês como são as coisas...

Já no fim da aula, sem aviso prévio, nem nada, o professor disse que precisará se afastar. O volume de trabalho aumentou e ele não está conseguindo dar conta das páginas que tem recebido. Então é assim? Não nos veremos mais? Para mim foi um choque. Porque nos vemos toda semana há dois anos; porque o comentário dele depois das bobagens que a gente falava nas aulas era detalhe imprescindível para as explosões de gargalhada; porque nesse tempo houveram momentos memoráveis; porque o considero um amigo; porque sua opinião sobre o que faço continua sendo importante; porque este não foi só mais um professor que passou pela minha vida, foi o professor que me passava a disciplina mais importante para mim e foi uma vitória conseguir me matricular num curso que eu sonhava em fazer desde que abriu por aqui; porque ele é um exemplo de determinação a ser seguido; porque quando fiquei um mês sem o meu carro e às vezes batia preguiça para ir ao curso, precisando pegar dois ônibus num calor somaliano, ou acordar cedo aos sábados porque a faculdade não me deixa mais ir nas aulas de quinta-feira, eu só pensava que ele ia todo sábado para São Paulo, e que se não fosse por ele haver sacrificado sua vida social, uma carreira profissional "mais segura" e sabe-se lá o que mais ele precisou passar por cima para seguir em frente, nós cariocas não teríamos a Impacto aqui no Rio e eu, sem dinheiro, precisaria continuar a quebrar a cabeça sozinha para aprender a fazer algo, mais uma vez.

Só tenho coisas boas para falar sobre ele. Um cara humilde, paciente, focado, disciplinado, talentoso e não vê problema em dividir o que sabe.

Por tudo isso, pelo que aprendi com ele e todos os nossos papos, até mesmo sobre nossas vidas pessoais, eu só tenho a agradecer e sinto um aperto enorme no coração em pensar que sábado que vem ele não estará lá. Quem dirá agora "Carol, seja homem!", "Olha esse nariz minúsculo dos anos 90...", "Essa perna está muito reta.", "Cara de desejo não é assim, é assim ó.", "Tem que fazer a construção.", "A orelha está muito pra frente", "Isso eu sei que você tira de letra.", "Ficou muito bom.", "Você vai arranjar seu próprio jeito de fazer."?

Mesmo sabendo que tudo está em constante mutação, que perdemos o velho para dar espaço ao novo, que ao que se resiste, persiste, que é preciso destruir o antigo para que o novo possa ter lugar, que isso é a maior lição da arte e da vida; meus olhos se encheram de lágrimas quando chegou a hora de ir embora mesmo. Ainda bem que os meus não são verdes como os dele e ninguém viu. Isso acabaria com a minha fama de má. Mas, por esse tipo de coisa se repetir com tanta frequência na minha vida, fica claro que é algo que preciso aprender.

Bem, ao menos é bom saber que essa despedida significa um passo a frente para o Rafael, que todo o sacrifício e as dúvidas que esse caminho traz já começam a apresentar resultados maiores para ele, mais uma vitória. E que daqui a pouco tempo será preciso entrar numa fila enorme para conseguir mostrar os desenhos e ouvir sua opinião.