sábado, 3 de junho de 2023

De bem X do Bem

Estranho como ultimamente não vejo mais ninguém publicando foto de sacolas de supermercado e mostrando quanto gastou na compra. Os preços baixaram? Cadê os índices de desmatamento da Amazônia, o abandono dos indígenas? Tudo isso melhorou? E a reforma agrária, cadê o projeto? Mulheres no poder? O que aconteceu? Às vezes apenas imagino o investimento de tempo em textos quilométricos, ironia, comentários nervosos, os ataques a todos que pensam de outra forma, se os atores estivessem em papéis diferentes. Porque certamente estariam fazendo as mesmas idiotices, cometendo os mesmos erros... Mas aí seria fascismo. Enfim, não vou fazer a mesma coisa e ficar tripudiando. Não tenho problema com discordâncias. O lance mesmo são as atitudes e só. Porque pra mim é tudo ruim. Igualmente? Não. Mas, ruim. Não tem essa de lado certo, posicionamento virtuoso... blábláblá consciência do escambau... A maior burrada é se desfazer das pessoas simplesmente por discordarem. Você apenas perde aliados, momentos agradáveis com pessoas queridas. Enquanto os fdps continuam milionários, vivendo como se nada estivesse acontecendo. Você perde, eles continuam ganhando, porque quem está no comando é apenas uma única e enorme quadrilha que se une para nos roubar. 

sábado, 20 de maio de 2023

A ausência que preenche uma lacuna

Recebo muitas mensagens diariamente. Apesar de nos últimos anos estar com pouco tempo para publicar e organizar a divulgação dos meus trabalhos de ilustração ou música, sempre tem um "oi", um "tudo bem?", um "estou precisando falar com você", um poema, textos autodescritivos que parecem propaganda de supermercado, uma figurinha, uma carinha sorrindo, um coração ou simples cumprimento a respeito de alguma pintura ou showzinho meu... E, quando respondo, procuro ser o mais breve possível. QUANDO respondo. Na esmagadora maioria das vezes evito responder por motivos que poderiam preencher uma bíblia. 

Existem pessoas realmente admiráveis no mundo com quem eu gostaria de conversar, no mínimo. Mas, penso que, se de fato gosto delas, quero o seu bem. Logo, eu, alguém que elas na maioria das vezes sequer sabem que existe, não vou abordá-las sem ter algo que julgo muito bom para dizer. Esse simancol inclusive já me rendeu respostas de contatos que tenho vontade de emoldurar e colocar nas paredes aqui do estúdio.

No mais, as pessoas estão excessivamente, emocional e psicologicamente, quando não, economicamente, carentes, ou seja, doentes. Isso fica claro, entre outras coisas, em abordagens que me terceirizam a iniciativa de começar um assunto, a insistência em simplesmente ser notado. Na falta de atitudes que as tornem interessantes, recorrem à mendicância. Algo que redes sociais apenas amplificaram nas últimas décadas. E isso independe se tenho um real valor ou não. Em geral, as pessoas apenas fantasiam coisas mesmo depois de me "conhecerem" (me conhecerem hahahahaha). 

Mas, e se, em vez de viver em função dos outros, bisbilhotando, seguindo cada passo de alguém que está simplesmente investindo em viver em paz, toda essa energia fosse direcionada para resolver a própria vida, criar, ser produtivo, trabalhar em sua própria saúde mental, física, financeira, intelectual, social? Será que não seriam eles mesmos pessoas admiráveis, interessantes ao ponto de outras os procurarem? Não estariam essas pessoas autossuficientes o bastante para sequer se importarem com serem notadas? E por isso mesmo, não seriam muito mais procuradas pelos outros? 

Com mais frequência do que gostaria sou abordada por amigos, conhecidos ou desconhecidos que esperam algo de mim. Desde a introdução de uma conversa para se entreter, até a solução dos seus problemas. Para cada assunto, ofereço uma ou nenhuma resposta, no tom mais cientificamente correto que conheço: de mesma intensidade e direção contrária. Procuro ser prática, simples e direta. Sem incentivar o choro, convidando à atitude. A filosofia deve surgir da experiência, não o contrário. Porque na prática a teoria é outra.

Mas, apesar da energia investida em lhes conceder atenção, ajuda concreta e palavras, alguns só aprendem se fodendo. Sendo assim, quero mesmo é que se fodam.  E que parem de criar dependências por aí, especialmente comigo! Tenho prazer em contribuir com o crescimento das pessoas, porém, quando vejo qualquer movimento no sentido de não conseguir viver por conta própria, sempre com uma necessidade muito grande de manipular, escravizar, possuir e controlar, descarregando toda sua carga emocional e psicológica em cima de quem vem pra contribuir, por não receber o que espera na hora em que espera, já tô arrumando minhas coisas e partindo o mais rápido possível. Seja adulto primeiro, pare de achar que alguém é obrigado a te dar alguma coisa, razão ou atenção que seja, depois podemos ser amigos.

Assim, não é raro, encontrarem em mim uma decepção muito grande. Fantasiam coisas a meu respeito... Acreditam ter visto algo em mim que nunca esteve lá... Confundem minha disposição para ajudar com disponibilidade 24h... Pensam que entenderam o que penso, o que gosto, o que quero, o que sou... Se ofendem com sua própria falta de habilidade interpretativa... Fazem análises equivocadas a meu respeito... E quando sentem que estão segurando vento, entram numa de acharem que ir cuidar de suas vidas é me dar algum tipo de troco. Da minha parte, quando isso acontece, me sinto enfim recompensada por ter oferecido tempo e energia em suas causas. Foram, finalmente, caçar um rumo e fazer coisas que os tornem realmente interessantes. Se, em algum momento, acharem importante voltar a me abordar, tenho certeza que trarão whisky, charutos e belas canções sobre as coisas que tiveram orgulho de realizar. E esse será um encontro que me interessará, valerá a pena não apenas para eles mesmos.

Humildade é saber seu exato valor, sem aumentá-lo, nem diminuí-lo. Quando vejo ex escravos que antes esperavam ME escravizar, tornando-se senhores de suas próprias vidas... se respeitando e consequentemente me tratando com respeito... depois de baterem no paredão de gelo que encontram aqui, sinto meu real valor. E começo a sentir interesse real por eles, não mais compaixão. Pois, finalmente passaram de obsessores a amparadores, entraram no grupo daqueles que somam no mundo.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

segunda-feira, 3 de abril de 2023

#teamresistance

Quando o último artista morrer e tudo o que restar for as combinações e reproduções cada vez mais diluídas das obras remanescentes de música, pintura, escultura, fotografia, literatura, arquitetura, design, artesanato, dança, cinema, teatro... Quando se tornar impossível, de verdade, a privacidade dos vivos e o mundo físico for completamente substituído por telas, ships, aplicativos e gadgets, este será o sinal de que todo ser humano sobre a Terra se esqueceu, ou nunca soube, que máquina não come, máquina não dorme e máquina não cria. Mas, será tarde demais para alguém até mesmo achar que deveria desligar os botões. 

terça-feira, 21 de março de 2023

Canção da Ovelha Negra

Agora que o outono chegou, o ano começa a tomar fôlego outra vez. Aproveito as energias guerreiras dos recomeços para desejar a todos mais um ano que valha a pena viver. Desejo aos meus visitantes que esses retratos e pensamentos nucleares, tão íntimos, tenham a honra de continuar provocando seu coração, seu amor, sua ira e seu orgulho. Espero que firam conceitos podres sobre moralidade, deus, família, casamento, amizade, escola, nação, religião e tudo que seja antiquado. Pois é através dessas coisas que temos o péssimo vício de nos enxergarmos em nossas mentes e, apesar de a mudança ser inevitável, nunca é fácil. Nem mesmo é fácil reconhecer isso. Mas, como construir o novo, sem destruir o ultrapassado? Ou, pelo menos, deixar rolar? Sei que às vezes pareço dura, como se não me importasse com ser compreendida, com ser agradável, com os resultados, e não me importo mesmo. Minha intenção não é diplomática, nem política, estou apenas respondendo com toda a minha totalidade a qualquer coisa que aparece na minha frente. E escrever aqui é apenas uma catarse, faço apenas anotações despretensiosas e desabafos selvagens. Dispenso qualquer esforço de coerência ou construção de personagem, caráter, personalidade e demais sinônimos (para quem acredita nisso). Na verdade, minha busca é sempre no sentido de me desfazer. De não buscar, mas de encontrar. Responder com tudo o que há em mim a cada evento. Ser apenas a essência. Ao menos aqui, onde nada está em jogo. Não tenho nenhum interesse. Nem preciso convencer ninguém. Então, ao menos aqui, não posso ser astuta. Não sou política. Essa é a coisa mais feia que pode acontecer com alguém. Não sou diplomática. E não espero de ninguém comportamentos manipulados, educados. Prefiro ver as coisas como são. Até porque isso agiliza tudo. Já vejo logo se me interessa ficar ou sair. Não sou hipócrita e isso a principio parece um problema, mas também facilita muito e poupa tempo. Meu foco é o prático, o aplicável, a experiência, o processo. Afinal, mudar eu sei que vai. Então, falo aqui sobre as coisas como elas são para mim. Se isso dói, problema seu. Se cria inimigos, não estou preocupada com isso. Aliás, sermos inimigos é o primeiro passo para nos tornamos amigos. Portanto, tenham outra bela volta do Sol com o mínimo de infortúnios, vocês que são meus amigos e vocês que não sabem ainda muito bem.