terça-feira, 12 de novembro de 2013

Eu ou você?


O que você decide ver sempre, sempre, SEMPRE, faz toda a diferença. E enquanto não se consegue enxergar a si mesmo muito bem, com sinceridade, sem reservas, não será possível enxergar mais ninguém. Fato. Além disso, as atitudes só servem pra mostrar por que as palavras servem para muito pouco. Então, é bastante estranho achar que pode sair concluindo coisas, inclusive o significado do que se diz e faz, a coerência ou a falta dela, a partir de uma distância. Sem o mínimo de empatia e proximidade. Com a muralha do ego enoooooorme obstruindo completamente a visão do outro lado e, especialmente, o ouvido. Fica pior quando não falamos de humanos de sangue quente e sim daqueles cujo sangue de suas veias vem da vida dos outros: os vampiros. E, se um vampiro não consegue ver a si mesmo no espelho, ver a pessoa que é, ou já foi antes de seu coração parar e sua pele gelar, será que consegue ver algo mais no outro além de um saco de carne, ossos e sangue? Será que consegue ouvir, perceber, sentir o quanto cada pessoa é especial, única, diferente e não substitui nenhuma outra? Será que consegue ver a luz de cada um? Reconhecer sua qualidade estelar? Ou vê a todos igualmente como presa, meros personagens a serem usados para manter a farsa que é a sua "vida"? Será que aparece sorrateiramente, jamais revelando sua real condição, por outra razão que não seja a fome apertando? Se é um vampiro, o que mais se pode esperar que não seja ter sua energia, seu tempo e sua vida sugados? E, é bom confirmar, será que é um vampiro mesmo? Ou só uma criatura que ainda não sabe direito o que é, e por isso precisa se apegar a regras, definições, controle e tradições? Para classificar algo como contraditório é preciso primeiro entendê-lo. Como concluir com tanta convicção se, por puro preconceito de gênero, falta de sinceridade e vontade de estar certo acima de vontade de estar em paz, tudo parece muito "codificado" e igual? É mais cômodo pensar que o problema não somos nós, certamente, e os vampiros estão aí, o tempo todo, loucos para nos convencer do contrário. Para nos fazer sentir desmerecedores de qualquer coisa boa, infelizes, angustiados, culpados, miseráveis, desqualificados... Principalmente se não damos, de boa vontade, aquilo que desejam de nós: sangue, energia, atenção e disponibilidade. E esperar que eles se enxerguem só tornará o seu coração pesado. São vampiros! Não têm vida própria, não se vêem no espelho e assim buscam outras pessoas, onde por fim acabam vendo a si mesmos, mas jamais reconhecerão isso. Não têm tempo para você, a menos que a eles se ofereça o pescoço. E só reagem  aos estímulos negativos, pois os positivos não passam de sua obrigação oferecer. Eles estão por toda parte e são a mais perfeita definição de adolescentes mimados e reativos, que precisam parecer poderosos e desejados, que não se importam com os sentimentos dos meros mortais, que buscam lógica e justificativa em vez de compreensão. Querem a leveza e a despreocupação, porque isso lhes facilita o ataque e a dominação, mas são um peso na vida de qualquer pessoa, estando elas conscientes do fato ou não. Não se interessam pela verdade de ninguém e envelhecem, mas não crescem nunca. Portanto, contraditório é esperar afeto, atitudes maduras, clareza e honestidade, de qualquer um deles.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Simples



Gente Diferente

Aham... Diferente, né? Passou uns 17 anos na escola, fez curso de inglês, arte marcial, talvez algum esporte com bola, natação... entrou na faculdade, arranjou emprego, fez pós, se casou, teve filhos e agora almoça com a família todo domingo. Por que "família é tudo.". Sim, inclusive o tribunal que define e avalia seus objetivos, aprovando-os ou não. Importante é agradar o pai e a mãe. Chega em casa do trabalho tão cansado que mal consegue pensar em qualquer coisa boa e logo vai dormir, porque precisa acordar cedo pro trabalho. Corta o cabelo como todo mundo, usa as roupas de todo mundo e até os acessórios e adornos de todo mundo. Tem os mesmos gostos "diferentes" de todo mundo, as mesmas referências intelectualóides e o mesmo discurso analítico, armado e aprofundado de todo mundo. Quer títulos e mais títulos, chegar ao que todos dizem ser o topo do status. Mas, você nem dá tanta importância a essas coisas... Imagina... Nunca tem tempo pra nada que não seja compromisso. Profissional, financeiro, afetivo, fraternal, familiar... Compromisso é seu segundo nome. As contas chegam, os dias passam... O relacionamento "monogâmico" é um fardo tão grande que precisa de mais de duas pessoas para sustentar. Usa quem estiver pelo caminho e descarta no momento seguinte à satisfação. O coração e o sexo são aquela maravilha. Vive uma vida de mentiras. Mas, enquanto houver rede social, será possível se enganar postando fotos de sorrisos e viagens, e todos esses check-in de felicidade, como se tudo fosse muito perfeito e linear. Sonhou em ser astro do rock. Não funcionou, porque, né, deve existir uma fórmula misteriosa para o sucesso. Então é isso, rumo à aposentadoria. Parabéns. Diferentão você.

domingo, 10 de novembro de 2013

Nevermore

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, 
Ninguém me peça definições! 
Ninguém me diga: "vem por aqui"! 
A minha vida é um vendaval que se soltou, 
É uma onda que se alevantou, 
É um átomo a mais que se animou... 
Não sei por onde vou, 
Não sei para onde vou 
Sei que não vou por aí!"

(Cântico Negro - José Régio)

Um Pedaço do Céu

Hoje haveria comemoração, música, sorrisos, palavras e beijos... Seria bonito. Mas, a menos que um milagre aconteça e o Xangô de Baroness Street apareça, o que duvido, a Terra retorna de sua volta completa em torno do Sol para dizer que não. Então, não há tanto pelo que celebrar, exceto o crescimento que minhas lágrimas trouxeram, exceto os olhos mais abertos. No entanto, seja como for, só posso me sentir muito grata pela dor que não foi capaz de me matar ainda e pelos sorrisos que também apareceram durante esse tempo estranho. Não haverá festa mas, ao menos, tenho agora o pedaço do céu que eu guardei.