“Normally, in anything I do, I'm fairly miserable. I do it, and I get grumpy because there is a huge, vast gulf, this aching disparity, between the platonic ideal of the project that was living in my head, and the small, sad, wizened, shaking, squeaking thing that I actually produce.”
domingo, 10 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Portas
Dizem que quando uma porta se fecha, outra abre. Aconteceu tantas vezes para mim que jamais poderia duvidar disso. Mas, por maior trabalho que dê, estou cansada de ver portas se fechando, de fechá-las, de abandonar. Por todos os motivos possíveis, isso já aconteceu demais e me trouxe até à encruzilhada onde me encontro agora. Já abri tanta porta que me trouxe problemas. Tantas delas me fizeram chorar, é verdade. Mas cada uma tornou minha consciência mais forte. Seguir a diante não deveria significar, necessariamente, subtração. Tomei para mim um conselho que Keith Richard deu a Slash quando este lhe contou sobre sua situação em seus últimos dias de GNR. Keith disse apenas "Há uma coisa que você não deve fazer, que é sair.". Como todos sabem, Slash acabou não seguindo estas palavras, achou que não valia mais passar por aquilo tudo afinal, só para manter uma banda... "Mantive isso comigo enquanto foi humanamente possível, mas eu estava tentando fazer um acordo com alguém que não estava dando a mínima". Ninguém pode julgá-lo, há momentos assim na vida de todo mundo, não é inteligente nem saudável dar murro em ponta de faca e só ele pode decidir o que deseja ou não suportar. "Não havia nada que você pudesse fazer.", Keith o consolou no fim das contas. Pois, nem sempre manter é o mais indicado. Coisas velhas precisam ser destruídas, de vez em quando, e dar espaço para a próxima etapa. Não se vai muito longe indo e voltando aos mesmos lugares. Mas, também não se vai muito longe indo sempre para a frente. Percebo que a soma tem me trazido dificuldades novas, crescimento, então dou um pouco mais de atenção a ela agora. E isso tem me levado ao óbvio: quando uma porta se fecha, outra abre, sim. Mas, se uma porta se fecha, posso muito bem ir até lá e abri-la outra vez. Afinal, não é assim que as portas funcionam?
"Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito."
(William Blake)
sábado, 2 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Transmutando chumbo em ouro
Tenho em casa um estúdio de gravação quase completo. Às vezes dá até para gravar voz, quando está muito quieta a rua, mas o forte dele é que dá pra fazer quase tudo eletronicamente. Entre gastos com cursos no IATEC, na UNESA, livros, instrumentos, equipamentos e softwares, já se vão quase duas décadas de construção. E ainda não está pronto. Há meses está desmontado. Porque agora cismei que ele, além de ser meu, em casa, precisa também ser bonito. Uma librianisse que só os outros três companheiros cardinais: áries, câncer e capricórnio, conseguem entender. E é sempre muito bom ser compreendida, ser estimulada... Compartilhar e somar... Assim, o que posso chamar de "meu" também podem os meus amigos. Não sem a ajuda deles vou conseguindo seguir à diante nos meu planos, inclusive neste. Pois, alguns braços, pernas, corações, mentes e sorrisos fortes foram e continuam sendo fundamentais. "Life is a journey, not a destination", o que importa é o que acontece no meio. E por mais que a gente nasça e morra sozinho, esteja dentro do nosso próprio centro sozinho, ninguém realmente vive sozinho. Eu, menos ainda... Não gosto de ter hora pra ir embora, de seguir comandos, de ser manipulada, de ciúmes, de regras ou roteiros, de muito de uma coisa só, de promessas, de falta de espaço e tempo, nem de coisas escondidas, indiretas, situações pouco claras. Sou capaz de iniciar a Terceira Guerra Mundial só para resgatar a paz que essas coisas me tiram. Meu amor ou meu ódio são, sempre que a comunicação é possível, guerras declaradas. Mas, fato é que acabam sendo exatamente essas mesmas coisas que me movem e estimulam a minha imaginação, embora isso nem sempre tenha bons resultados. Júpiter, o grande parceiro e Saturno, o grande demônio assim, juntos logo no ascendente, já deixam bem claro que para mim simplicidade também pode ser uma coisa complicada. E estão lá também, Mercúrio e Plutão pra tornar a jornada pelo Caminho do Meio ainda mais sinuosa. Mas, vai, isso não me torna alguém desastrosamente impossível de se lidar. Exagero e me perco até de mim, é verdade, mas, olha só, não acho difícil nem enxergar, nem admitir, nem mudar de atitude. Três coisas que substituem muito bem qualquer desculpa que eu possa arranjar, qualquer argumento ou justificativa, não é verdade? Acho que sou sim muito Alice, ou muito Sandman nesse sentido. Faço chover por dias com as minhas lágrimas dramáticas, resultado desse furacão de pensamentos e idéias que tem na minha cabeça de vento, mas no fim da tragédia, morro, ou saio do buraco, mais (d)esperta. E acho que tenho tantas matizes de sorrisos, quanto os esquimós tem para a cor branca. A minha complicação nunca é terrena, rochosa... Nunca cria raízes ou pesa demais... Embora seja intensa, é sempre aérea e pode se dissipar com um simples sopro, ou se consumir com o fogo. A mesma imaginação usada para perceber as sombras, percebe também a luz, coisas indissociáveis. A natureza de ninguém muda, ou se manipula, mas as atitudes diante dela sim. Porque "I don't wanna change the world. I don't want the world to change me.". Só é necessário um pouco de conhecimento e boa vontade para entender quais comportamentos não interessam e ajudam em nada. E o tempo é um grande aliado nisso, certamente. Mas, vocês vêem, nem era sobre isso que eu vim aqui falar hoje... Vim só para dizer que entre os meus equipamentos de estúdio tenho um que considero a pedra filosofal deles, o fone. Geralmente ele é usado apenas na produção, na edição e na mixagem das músicas, mas por esses dias, tem substituído as caixinhas desse computador aqui, pois só tenho um par delas que estão no outro. Esse fone esmaga a minha cabeça, abafando todo o barulho externo e me permitindo focar apenas no som que sai dele. Assim, é desconfortável usá-lo por um longo período, mas é perfeito para perceber detalhes, corrigir ruídos, escolher timbres, ajustar os volumes e alturas... Mas, como quase nunca é usado para, realmente, ouvir música, quando resolvo usar, às vezes pode acontecer de eu acabar sendo surpreendida. Nessas horas, ouço a música vibrando na minha alma, como se os instrumentos estivessem à distância de um toque e o vocalista cantasse aqui pertinho no ouvido. E, se eu fechar os olhos, uma música que já me era até familiar e nem foi feita para mim, me envolve como um abraço, as palavras se tornam confortantes como um carinho e a voz me toca como um beijo daqueles bem dados. Um milagre acontece: até um furacão categoria 5, iniciado há tempos por um monte de motivos acumulados, volta a soprar como brisa outra vez. A música me apronta dessas. Certa música. Mas, quem disse que dinheiro não compra felicidade, não sabe quanto custou esse fone. Então, só resta considerar a minha imaginação uma qualidade primorosa, se a tratarmos da forma adequada.
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